quarta-feira, 18 de julho de 2012

Síria: ruim com Assad, pior ainda sem ele?

É impossível ter uma opinião isenta sobre a guerra civil em curso hoje na Síria. Ninguém aliás duvida que hoje este país está em guerra civil. E nas guerras, como sabemos, a primeira vítima é a verdade.
Do lado ocidental, leia-se EUA e seu "pet", a Europa, há a opinião de que Assad deve sair por "violações aos direitos humanos". Que o regime de Assad matou no passado e o faz hoje, ninguém duvida. Mas quem lembra de que em outra revolta árabe contra ditadores, no Iêmen, tropas da Arábia Saudita, aliado incondicional dos EUA, também reprimiram com violência rebeldes ? E o que os EUA disseram a respeito? Nada, claro. É evidente que "direitos humanos" é só uma boa frase para ser usada quando sólidos interesses geoopolíticos estão em jogo. No caso da Síria, uma intervenção estrangeira sempre foi um problema. Ao contrário da Líbia ou mesmo do Iraque, as forças armadas sírias são bem equipadas, com equipamentos de grande poder de fogo, embora antigos e o mais importante: a Síria tem poderosos aliados internacionais, China e Rússia. O que os EUA querem? Tirar Assad do poder, que é um regime anti-Israel e apoiado pelo Irã. Sem Assad, o Irã perde um aliado poderoso, e oa EUA podem exercer maior poder de influência na região. Porém, a situação é tão complexa que até isso pode virar contra os EUA, já que os grupos que fazem oposição a Assad são islâmicos sunitas, nem um pouco simpáticos ao ocidente. A Síria é dominada por um ramo muito específico do Islamismo, os alauítas e tem forte presença cristã ortodoxa. Há o temor de que um regime sunita torna-se ainda mais radical que Assad. Mas ao mesmo tempo, a Rússia também não quer que Assad saia do poder. Os motivos são bem explicados no texto abaixo, que retoma um dos temas centrais no estudo de R.I.: a soberania estatal. Há outro aspecto que a meu ver o texto não abordou: a presença cultural do cristianismo ortodoxo, cuja origem foi a Síria e que é a vertente dominante na Rússia. Não é confortável para uma Rússia majoritariamente cristã ortodoxa que a origem de sua religião caia nas mãos de sunitas radicais.
Curioso é que Assad não é amigo do ocidente, mas Israel e EUA tem grande temor de que um outro regime da Síria seja ainda pior para seus interesses. Neste sentido o que eles querem é evitar uma guerra civil que poderia desmantelar o estado sírio, levando grave instabilidade, inclusive com possível perda de controle de armas químicas ( sim, na Síria elas existem) a toda região, com óbvias ameaças a Israel. E ao mesmo tempo, adiantar-se à situação: se Assad cair, é melhor que seja um novo governo mais simpático ao ocidente, por isso os EUA apostam em sua queda. Quebra-cabeça difícl de resolver, onde as apostas são altas.



fonte do texto: BBC Brasil

BBC Brasil
MOSCOU - A escalada de violência na Síria, agora classificada pela ONU como estado de guerra civil, deixa cada vez mais aparente a posição quase isolada de Moscou das grandes potências ocidentais. Por que então o Kremlin segue apoiando o governo do presidente Bashar Assad ? O comentarista político Konstantin von Eggert, da rádio Kommersant, analisa as razões do governo Vladimir Putin de seguir dando respaldo a Damasco:
"Analistas tendem a explicar a posição inflexível de Moscou para com a Síria citando o comércio de armas (o regime de Bashar Assad teria encomendado equipamentos militares russos avaliados em cerca de US$ 3,5 bilhões) e a base naval militar russa no porto sírio de Tartus. Mas apenas isso não justifica a aparente indiferença aos efeitos negativos que sua defesa do governo Assad tem nas relações com os EUA, a União Europeia e a maioria dos países árabes.
A explicação tem muito a ver com as políticas domésticas russas e as obsessões de sua classe política. Ao apoiar Damasco, o Kremlin diz ao mundo que nem a ONU ou qualquer outro grupo de países tem o direito de dizer quem pode ou não governar um Estado soberano. Olhando sob este ângulo, a posição russa ganha novo significado.
Desde a queda de Slobodan Milosevic em 2000, e especialmente depois da "Revolução Laranja" de 2004 na Ucrânia, a liderança russa é obcecada com a idéia de que os EUA e a União Europeia arquitetam a queda dos governos que, por algum motivo, julgam inconvenientes. Putin e sua equipe parecem convencidos de que algo assim pode acontecer na Rússia.
Defesa própria
A classe política russa nunca aceitou conceitos como "responsabilidade de proteger" que limitam a capacidade de governos reprimirem seu próprio povo. Soberania, para a liderança russa, significa uma licença sem limites para os governos fazerem o que quiserem dentro de suas fronteiras nacionais.
Desde a operação da Otan contra a antiga Iugoslávia em 1999, Moscou desconfia profundamente da retórica humanitária ocidental, considerando-a nada mais do que camuflagem para a troca de regimes. A crise líbia no ano passado reforçou estes temores. Muitos dirigentes russos, incluindo Putin, consideram a abstenção do então presidente Medvedev na votação do Conselho de Segurança que autorizou uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia um desastre.
Na visão de Putin, ela abriu caminho para intervenção externa em favor de um dos lados e a remoção de Kadafi no que era, essencialmente, uma guerra civil. Parece que o "novo velho" presidente russo está decidido a não deixar isso acontecer de novo. Assim, a posição de Moscou se torna não apenas uma forma de defesa de interesses particulares, mas uma declaração política.
Nova Líbia?
Moscou sentiria ser possível a formação de uma nova coalizão para a remoção militar de Assad, ao estilo do que aconteceu na Líbia?
Acredito que sim. Mas como ouvi recentemente de um alto diplomata russo: "Não podemos impedi-los (aliados ocidentais e ricos países do Golfo Pérsico) de tentar. Mas nunca daríamos a eles a autorização de uma resolução da ONU".
O que se lê nas entrelinhas é que a Rússia também dificultará a tarefa o máximo possível. Moscou diz ter influência especial sobre o regime em Damasco mas parece que, em vez de aconselhar Assad a modificar suas atitudes, os emissários russos diziam, há até pouco, "deixe-nos ajudar vocês. Use algumas medidas cosméticas criativas e nós poderemos te defender melhor".
Esta atitude parece ter deixado de funcionar quando fracassou a missão de Kofi Annan e a legitimidade do regime sírio deu impressão de implodir rapidamente.
Barganha
O Kremlin agora cogita a possibilidade de saída de Assad, mas a considera improvável. O governo russo acredita que com sua ajuda, mais a de China e Irã, o governo sírio pode derrotar seus oponentes.
No entanto, se Assad for forçado a sair, a Rússia vai se esforçar para criar um ambiente de negociações que envolva atores externos e possibilite a Moscou algum poder de barganha sobre seus interesses militares e comerciais na Síria. Mas a meta principal para Moscou seguirá sendo uma solução que permita uma saída honrosa para Assad que, pelo menos não no exterior, pareça ter sido uma derrubada clássica de regime.
À boca miúda, dirigentes russos costumam citar o caso iemenita, no qual o veterano presidente Ali Abdullah Saleh deixou o poder, ganhando imunidade e seu vice-presidente foi instalado como chefe de Estado. Mas dada a magnitude do drama sírio, tal cenário parece cada vez mais improvável, coisa que deixaria Moscou atrelada ao regime de Assad até seu amargo fim".

segunda-feira, 26 de março de 2012

Multilateral X Unilateral : ainda a questão do Estado

Multilateral X Unilateral : ainda a questão do Estado
Ele foi o primeiro Estado criado a partir de um organismo multilateral, no caso, pela ONu em 1948. Ele foi a esperança de milhões de judeus, perseguidos durante séculos, principalmente na Europa. Ele, claro, foi criado sob o impacto sinistro do massacre de judeus executado pelas mentes racistas doentias da Alemanha ( embora, o antissemitismo não seja apenas alemão, mas europeu). E hoje, este Estado rompe com Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, a mesma entidade que o criou.

Se eu fosse judeu, ficaria triste e revoltado até, pelo abuso da memória dos que foram mortos na II Guerra. Pois cada vez que alguém critica o Estado de Israel pelos absurdos que ele comete contra a população palestina, é imediatamente comparado aos nazistas e é taxado de antissemita. Abuso da memória da dor alheia: duplamente assassinados, pelos nazistas e, e é pesado mas verdadeiro dizer isto, pelo atuais comandantes da política externa do Estado de Israel.

Sim, Israel é um Estado que tem o direto de existir. Além do mais, tem sim o direito de se defender. Por isso, tem o direito de atacar ? Tem o direito de oprimir ? Seu passado triste gera uma "não-culpa" eterna, que permite ao Estado de Israel toda sorte de imunidade, sem nenhuma represália? Imagine se o Irã simplesmente sai da Agência Nuclear da ONU ? Em poucas semanas é bombardeado. Se o mesmo Irã não colabora com a mesma ONU, sofre sanções. Quais as sanções que Israel sofrerá por não mais colaborar com o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas ? Claro, nenhuma. Se concordo com as frases idiotas antissemitas ditas por alguns membros do governo iraniano? claro que não. Mas se os organismos multilaterais são órgãos que visam a conter o "self-help" e o unilateralismo estatal, então Israel, que foi criado como Estado por um desses organismos, deveria, no mínimo, se deixar criticar construtivamente por eles e mudar sua política em relação aos assentamentos palestinos, tristemente se assemelhando aos guetos monstruosos do leste europeu dos anos 30. Responder a um passado de ódio com mais ódio: eis a receita para o óbvio, mais ódio ainda. Mas pelo jeito, o "complexo de Massada" de que alguns críticos falam, ainda é forte em Israel. O argumento do próprio Estado israelense diz isso:
"Eles sistemática e serialmente tomam todo tipo de decisão e condenação contra Israel sem nem simbolicamente considerarem as nossas posições". Em suma, TODO o mundo é antissemita...somos o único povo perseguido no mundo, temos o direito de atacar sem responder a nenhuma lei ou organismo multilateral.

Se todos os Estados pensassem assim...






texto: Folha de S. Paulo: 26/março/2012
Israel anunciou nesta segunda-feira o rompimento dos seus contatos com o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, que na semana passada decidiu investigar os assentamentos judaicos da Cisjordânia.

O rompimento, anunciado pela chancelaria de Israel, implica que os investigadores da ONU não poderão realizar seu trabalho pessoalmente no território israelense ou na Cisjordânia, que é um território palestino ocupado por Israel.

"Não estamos mais trabalhando com eles", disse o porta-voz Yigal Palmor. "Estávamos participando de reuniões, discussões, arranjando visitas a Israel. Tudo isso acabou."

A investigação internacional, solicitada pela Autoridade Palestina, foi aprovada na quinta-feira, e o único país do conselho a votar contra foram os Estados Unidos. Líderes israelenses disseram que o conselho age de forma hipócrita e tendenciosa contra Israel.

"Eles sistemática e serialmente tomam todo tipo de decisão e condenação contra Israel sem nem simbolicamente considerarem as nossas posições", queixou-se Palmor.

Segundo ele, Israel vai continuar cooperando com outros órgãos da ONU.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Acabou só agora a Guerra Fria...

Acabou a Guerra Fria... bem, pelo menos, com certo atraso, foi o que esta notícia nos informa: o desmonte da última super bomba nuclear, capaz de arrasar um território inteiro, símbolo da irracionalidade a que o mundo foi levado pela disputa geopolítica entre URSS e EUA. Não é um alívio saber que tais monstros da razão humana estão sendo desativados, afinal, ela tinha uma missão clara, destruir a URSS e por isso mesmo era imensamente poderosa. Mas e as "baby nucs", as pequenas bombas nucleares, capazes de destruir menos, mas ao mesmo tempo, ainda muito e principalmente, capazes de serem utilizadas na prática, até mesmo em países periféricos? Sai o gigante de cena, entra os monstrinhos...

reportagem do Estado de SP
EUA desmontam a última bomba nuclear da era da Guerra Fria
Modelo B53 é centenas de vezes mais potente que explosivo atirado contra Hiroshima
25 de outubro de 2011 | 16h 32
A última das superbombas nucleares dos Estados Unidos - uma arma centenas de vezes mais forte que a bomba jogada em Hiroshima em 1945 - tem sua desmontagem final em conclusão nesta terça-feira, 25, quase meio século após começar a ser produzida no auge da Guerra Fria.
Os componentes finais da bomba termonuclear B53 foram desativados na fábrica Pantex perto de Amarillo, no Estado do Texas, a única fábrica de montagem e desmontagem de bombas atômicas dos EUA.

Segundo a Administração de Segurança Nuclear (NNSA, na sigla em inglês), do Departamento de Energia do governo americano, o programa de desmontagem está um ano adiantado e alinhado ao objetivo do presidente dos EUA, Barack Obama, de reduzir o arsenal nuclear americano.

Thomas D'Agostino, chefe da administração nuclear, disse que a eliminação da B53 é um "marco significativo".

Colocada em serviço em 1962, quando as tensões na Guerra Fria chegaram ao auge com a crise dos mísseis soviéticos em Cuba, a B53 tinha o tamanho de uma mini van. De acordo com a Federação Americana dos Cientistas, a B53 é 600 vezes mais potente que a bomba atômica lançada em 1945 em Hiroshima, no Japão, no final da Segunda Guerra Mundial.

A B53 era capaz de produzir uma explosão de 9 megatons e incinerar tudo em um raio de 4 a 5 quilômetros, e o calor da sua radiação seria capaz de matar rapidamente qualquer pessoa desprotegida em um raio de 28,7 quilômetros.

Segurança

A B53 foi desenhada para aniquilar instalações subterrâneas e era transportada por bombardeiros B-52. Como foi desenhada por engenheiros que já morreram ou se aposentaram faz tempo, a desmontagem das bombas restantes levou alguns anos. Engenheiros tiveram que desenvolver ferramentas complexas e novos procedimentos para garantir a segurança.

"Sabíamos que esse projeto de desmontagem seria um desafio e montamos uma equipe de primeira para executar tudo com eficiência e segurança", disse John Woolery, diretor geral da fábrica Pantex.

Muitas das bombas B53 foram desmontadas na década de 1980, mas um número significativo permaneceu nos arsenais dos EUA até 1997, quando foram retiradas do estoque. O porta-voz da Pantex, Greg Cunningham, disse que não comentaria quantas foram desmontadas na fábrica texana. Especula-se que foram algumas dezenas. Cunningham disse que o urânio retirado das bombas desmanteladas será armazenado temporariamente dentro da planta.

A arma é considerada desmantelada quando os explosivos são separados do material especial termonuclear, apelidado de "caroço". As informações são da Associated Press.

sábado, 6 de agosto de 2011

de olhos bem abertos

Sim, isso iria acontecer, cedo ou tarde...
Parece aquele cachorrinho do desenho animado de “minha época” – “Eu te disse....eu te disse!”... o aviso foi mais do que dado, pena que não foi ouvido: os EUA conseguiram, em 8 anos de Bush sair da condição de liderança absoluta do capitalismo mundial e financeiro, para jogador principal... com lesão.
De verdade, não é o caos, é a incerteza. Ela pode até levar ao caos, com forte recessão nos EUA e no mundo, devido a falta de liquidez e travamento das operações de financiamento de governos e grandes empresas. ( veja o texto), mas mesmo assim, ainda não é o caos total. A incompetência americana na gestão Bush atingiu níveis quase irreais: duas guerras caríssimas e inúteis, cortes irresponsáveis de impostos aos mais ricos, aliados a uma péssima gestão na área de relações internacionais, o que, se não diretamente, tem influência indireta na sua crise econômica. Uma parte dela tem origem na ausência de regulação dos mercados financeiros, essa com origem distante nos anos 70 e levada ao extremo na era Clinton. O que isso afeta o Brasil? Uma possível recessão global poderia diminuir o preço das commodities, mostrando o frágil equilíbrio das contas externas brasileiras, cujo governo Lula preferiu simplesmente ignorar.
Somado, o cenário é de incerteza e nervosismo, mas ao mesmo tempo de espanto: nunca uma potência foi tão negligente com sua própria liderança como foram os EUA na última década. Bem vindos a um mundo no qual eles, os americanos, serão apenas mais um país como outro: sujeito a leis da economia e a olhares desconfiados dos mercados financeiros, os mesmos que nos últimos anos fecharam os olhos para os descalabros da dívida pública americana. Agora, tais olhos estão bem abertos.

Texto: 06 de agosto de 2011 fonte: O Estado de S. Paulo

Rebaixamento vai provocar ondas de choque nos mercados
Nova classificação da dívida dos EUA deve aumentar a ansiedade dos mercados globais na próxima semana
NOVA YORK - O inédito rebaixamento do rating da dívida soberana dos EUA pela Standard & Poor’s pode provocar ondas de choque nos mercados financeiros de todo o mundo e, possivelmente, prejudicar o crescimento da economia global. É a primeira vez na história que uma das três maiores agências de classificação de crédito retira dos EUA o rating AAA.
Em julho, a S&P havia alertado que rating seria rebaixado se não fosse estabelecido um plano de médio prazo para a redução dos déficits, mesmo que o Congresso dos EUA aprovasse um acordo para elevar o limite de endividamento do governo.
Na terça-feira, último dia de prazo para que uma suspensão de pagamentos fosse evitada, o Congresso aprovou uma lei que eleva o teto da dívida em US$ 2,1 trilhões, mas os cortes de déficit previstos ficaram em US$ 2,4 trilhões, muito abaixo dos US$ 4 trilhões que a S&P considerava necessários.
Participantes do mercado têm advertido que a debilidade da recuperação da economia implica a necessidade de cortes de gastos ainda mais profundos para uma redução significativa da relação entre dívida pública e PIB.
As duas outras principais agências de classificação de crédito, Fitch Ratings e Moody’s, reafirmaram a posição dos EUA em seus ratings máximos nesta semana. A Moody’s, porém, colocou a classificação Aaa que atribui aos EUA em perspectiva negativa. Como a mais agressiva das advertências feitas antes do acordo da dívida veio da S&P, cresceu muito a expectativa em relação à decisão da agência.
Embora previsto por muitos, o rebaixamento pode provocar ansiedade nos mercados globais, que despencaram esta semana diante dos temores sobre a perspectiva da economia global e sobre o problema da dívida de alguns países da zona do euro.
A notícia poderá provocar um movimento de venda de ações americanas e do dólar na segunda-feira, mas, paradoxalmente, poderá haver fluxos nos dois sentidos no caso dos títulos da dívida dos EUA.
Alguns investidores poderão se ver obrigados a vender títulos do Tesouro (Treasuries), por terem de manter apenas ativos com rating AAA em suas carteiras, mas o movimento de venda de ativos de maior risco também poderá puxar investidores de volta aos títulos do Tesouro, que são vistos como "refúgio seguro global" em momentos de turbulência. Poucos mercados têm a profundidade e a liquidez do mercado de Treasuries, que é de US$ 9,3 trilhões.
Repercussão. Para os investidores, uma preocupação será a repercussão nos mercados globais. As taxas de retorno dos títulos do Tesouro dos EUA vêm sendo há muito tempo usadas como referência para uma variedade de juros, desde crédito ao consumidor até finanças corporativas.
Por isso, se o rebaixamento elevar o custo para tomada de crédito do governo dos EUA, o mesmo poderá ocorrer com outros mercados, à medida que os investidores se desfaçam de ativos considerados de maior risco.
Além disso, os Treasuries são usados como colaterais para a tomada de créditos de curto prazo no mercado de acordos de recompra, ou "repos", por bancos, dealers e fundos de hedge.
Os repos são frequentemente descritos como "o lubrificante da economia" e uma preocupação é a de que os títulos do Tesouro dos EUA deixem de ser considerados colaterais da qualidade mais alta para acordos de recompra, asfixiando um canal importante pelo qual os bancos obtêm recursos de curto prazo.
Isso poderia levar investidores, como os fundos de money market, a reduzirem seu crédito aos bancos, reprimindo a liquidez e puxando os custos de financiamento para cima. Segundo dados do JPMorgan, há cerca de US$ 3,94 trilhões em Treasuries sendo usados como colaterais para repos.
De acordo com o Bank of America/Merrill Lynch, cerca de 74% do financiamento dos primary dealers por meio de repos, ou US$ 2,1 trilhões, envolvem Treasuries como colaterais. Custos mais altos de crédito teriam um impacto amplo, afetando desde o crédito ao consumidor até o financiamento das empresas. As informações são da Dow Jones Newswires

terça-feira, 26 de julho de 2011

Imagem Brasil : você compraria?

Você compraria um perfume “made in France”?
Você compraria um carro “made in Germany”?
Você compraria um eletrônico “made in Japan”?

Pois é, sim, os países também são marcas. Fruto da percepção, muitas vezes secular, de um país e suas realizações culturais, tecnológicas e sociais, a imagem de um país afeta diretamente sua economia e seus produtos exportados. Neste sentido, a entrevista abaixo é reveladora dos acertos e dos erros da imagem Brasil nos últimos anos. A parte positiva é que o Brasil deixou de ser um grande país desconhecido para ser um grande país interessante. Interessante no sentido de que desperta interesse, simpatia, mas ainda não conhecido. Muitos menos, reconhecido. Até porque, na verdade, nossas realizações são poucas. Carros alemães, perfumes franceses e engenharia japonesa são feitos palpáveis, concretos. E o Brasil? O que tem a oferecer de alta qualidade ao mundo? Taí uma pergunta fundamental, embora de complexa resposta, que poderá influir decisivamente na construção e no sucesso do país nos próximos anos.

Texto: BBC
O britânico que difundiu o conceito de marcas de países disse que a reputação da marca Brasil é fortíssima e crescente, mas alertou para o perigo de que o país prometa demais e acabe por decepcionar.
O britânico Simon Anholt, que presta consultoria sobre o assunto a governos, acredita que o Brasil pode acabar repetindo o feito da África do Sul, que, após sediar a Copa do Mundo, caiu vários pontos no ranking anual de marcas de nações criado por ele.
Desde 2005, Anholt vem publicando um ranking que lista os países pelo peso com que sua marca é percebida pelos mercados. O ranking atual é liderado por Estados Unidos, seguido de Alemanha e França, o Brasil ocupa a vigésima posição.
Ele se diz apaixonado pela marca Brasil, mas acha que ela não é apropriada para um país que deseja se projetar internacionalmente como uma potência econômica e política. Para ele, o mundo tem que aprender que o Brasil não é só atraente, simpático e caloroso.
Em entrevista à BBC Brasil, o consultor, que em 2010 visitou o Brasil duas vezes para fazer conferências, explicou por que hoje rejeita a apropriação do conceito de marca de país por empresas de marketing.
BBC Brasil - O senhor acaba de retornar do México, onde deu consultoria ao governo mexicano sobre como melhorar o desempenho da marca México. Como foi a experiência?
Simon Anholt - Esse vocabulário me deixa nervoxo. Eu reconheço que criei o termo nation branding há 20 anos, mas isso não tem nada a ver com marketing ou comunicações. Passei seis meses trabalhando com o presidente (mexicano Felipe) Calderón e seu governo na criação de estratégias de diplomacia, relações públicas e turismo internacional para apresentar o México ao mundo e melhorar suas relações com o resto do planeta.
BBC Brasil - Por que o senhor mudou de ideia?
Anholt - Mudei de ideia há anos. Não tenho objeções ao uso do conceito de imagem, de marca, em relação a um país. O problema é que o termo deu margem ao desenvolvimento de toda uma indústria. É desonesto.
Hoje você tem empresas de propaganda, relações públicas e design vendendo logotipos, campanhas e slogans caríssimos a países, dizendo que isso vai mudar sua imagem. Isso acontece muito na África, onde nações desesperadamente pobres gastam milhões em campanhas inúteis. Não há evidências de que terão qualquer efeito. Um país tem a reputação que merece. Se um país quiser mudar sua reputação, terá de mudar seu comportamento.
BBC Brasil - Qual é a situação do Brasil no ranking de marcas de nações feito por você?
Anholt - O desempenho do Brasil tem sido notável desde que comecei a compilar o ranking, em 2005. E vale dizer que rankings desse tipo são muito estáveis. As pessoas não mudam a imagem que têm de um país de um ano para o outro - isso acontece muito lentamente, de uma geração para outra. Mas o Brasil é uma exceção, vem subindo posições no ranking ano a ano.
Meu ranking mede a reputação de 50 países, e o Brasil é o único país em desenvolvimento incluído nas 20 primeiras posições, subiu para a posição 20 em 2010. Todos os outros países nas Top 20, à exceção do Japão, são nações ocidentais ricas. O Brasil tem também a marca mais forte dos Brics (nome dado ao grupo das potências econômicas emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), logo acima da Rússia, e está algumas posições na frente da China e da Índia.
BBC Brasil - A emergência do Brasil como uma potência econômica influencia a marca?
Anholt - A reputação do Brasil é cada vez mais forte, em parte como consequência do crescimento do seu poder econômico, mas também como um reflexo do soft power, ou seja, fatores como a Copa, as Olimpíadas e a reputação de Lula. A marca Brasil é popular. É colorida e atraente, e as pessoas admiram o estilo de vida brasileiro. Mas o país precisa ser muito cuidadoso porque, na minha opinião, está prometendo demais.
Vejo um paralelo com o que aconteceu com a marca África do Sul depois da Copa do Mundo. Desde o fim do apartheid, o país vinha reinventando sua marca, mandando para o mundo mensagens de uma sociedade transformada, ignorando questões como a pobreza e a desigualdade. Mas, durante a Copa do Mundo, as equipes de TV do mundo inteiro registraram a realidade do país e isso provocou um choque.
Por conta disso, houve um reajuste na percepção das pessoas. A minha pesquisa mostra que desde então a imagem da África do Sul piorou. E eu acho que o mesmo pode acontecer com o Brasil. O Brasil continua sendo um país de desigualdade e pobreza, mas finge ser desenvolvido, igualitário e sofisticado.
Acredito também que a imagem do Brasil que emerge da minha e de outras pesquisas não seja a imagem correta. Samba, futebol e um estilo de vida tropical e festeiro são decorativos, mas não muito úteis se o país quiser ser reconhecido como um poder econômico, político e industrial.
BBC Brasil - Como poderíamos usar os atributos positivos da marca para vender tecnologia e ciência brasileiras?
Anholt - Não uso as palavras vender, promover e comunicar, porque dão a impressão de que estamos vendendo sabão em pó, e países não funcionam dessa forma. Não se trata disso, mas de mudar suas políticas externa e doméstica para que você possa se tornar relevante para os povos do mundo.
(Conferências de meio ambiente) criaram uma imagem positiva do Brasil. Essa imagem pode ser verdadeira ou não, mas se o Brasil quiser manter essa reputação, tem de provar que está fazendo sua contribuição para a humanidade, que está interessado em questões relevantes para o planeta. No momento, o Brasil exerce um papel decorativo, é uma atração turística, produz uma cultura maravilhosa, mas não muito relevante.
BBC Brasil - Se o senhor estivesse aconselhando o governo brasileiro sobre formas de mostrar ao mundo que somos também uma potência tecnológica e científica?
Primeiro você tem de se perguntar se as pessoas estariam dispostas a acreditar nisso, porque essa ideia contradiz a imagem que o mundo tem do Brasil. O fabricante de aviões Embraer sabe muito bem que se quiser comunicar aos passageiros de um avião - e não aos seus parceiros comerciais - que uma aeronave foi fabricada no Brasil, as pessoas vão se recusar a acreditar ou vão ficar bastante alarmadas. Isso é um bom indicador do problema de imagem que o Brasil tem. Ela não é confiável.
Além disso, empurrar um setor não é tarefa do governo. Isso é tarefa das empresas, que têm de fazer a ciência e produzir produtos confiáveis. O papel do governo é muito maior. Se eu estivesse sentado no gabinete de Dilma (Rousseff) hoje, perguntaria a ela: "Para que serve o Brasil? Qual é a contribuição do Brasil para o mundo e para a humanidade?". Uma vez respondidas essas perguntas, é possível criar-se estratégias e investimentos. A reputação vem daí.
BBC Brasil - Em entrevistas anteriores à BBC você afirmou que o Brasil tem uma das marcas mais poderosas do planeta. Você ainda acredita nisso?
Anholt - Sim, mas não acho que é a imagem certa. Ela é perfeita para um país que deseja ser o destino turístico perfeito, mas não é adequada para o papel que o país deseja desempenhar no futuro. Não me entenda mal, em comparação com a maioria dos outros países, a reputação do Brasil é maravilhosa, apenas é um pouco inadequada.
O mundo precisa aprender que o Brasil não é só atraente, simpático e caloroso. Vocês precisam provar que são atraentes e confiáveis. Isso é difícil. Na maioria dos casos, ou o país é chato e confiável, como a Alemanha, ou é atraente e caótico, como o Brasil e a Itália. Mas há exceções. A Suécia, por exemplo, é atraente e sexy, mas também é competente.
O Brasil já tem meio caminho andado. A reputação do país faz com que as pessoas gostem dos brasileiros. E o fundamental é que se as pessoas gostam de você, vão querer fazer negócios com você. Cabe às próximas gerações provar que vocês são sérios. É um processo lento, que acontece de uma geração para outra. Mas dá para ser feito.
O ranking Anholt-GfK Roper Nation Brands Index de 2011 será publicado no outono britânico (primavera no Brasil). BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Custo da guerra nos EUA

Olhando os números abaixo, fica claro a origem da crise econômica dos EUA : gastos acima do possível, principalmente com guerras, em sua maioria, inúteis.

Mas é tão simples assim ? Para falar bem a verdade, é.... não querendo ser anti-intelectual, o fato é que poucos países conseguiriam aguentar um "tranco" como esse: 3,7 trilhões de dólares na "guerra ao terror", financiados com uma louca emissão de títulos, gerando endividamento muito acima do razoável, mesmo para uma economia imensa como a americana. Agora, os EUA vivem uma situação surreal: o executivo precisa de uma autorização do legislativo para aumentar o limite de endividamento, sem o qual os EUA poderiam, quem diria, dar um calote em seus pagamentos, tal como a Grécia...

claro que isto é apenas um efeito legal: ninguém duvida que os EUA têm dinheiro para pagar suas dívidas e o tal limite jpa foi aumentado mais de 70 vezes (!!!). Mas, fica uma pulga atrás da orelha do mundo. Como diz aquela propaganda: "vai que...."

Vai que os EUA dão um calote? E para quem estudou um pouco no semestre passado na Esamc, sabe que os EUA deram, de fato, um calote, quando, durante o governo Nixon nos anos 70 romperam, unilateralmente, a paridade entre dólar e ouro, uma das cláusulas dos acordos iniciais de Bretton Woods. E olha que "coincidência"... para emitir dólares, ou seja, dívida, para financiar a guerra do Vietnã...

Estados, dívidas e guerras sempre andaram juntos. A história bancária do mundo começou a tomar força quando casas bancárias passaram a financiar as aventuras militares dos reis absolutistas ainda no XVI. Se o rei perdia a guerra, o banco perdia o pagamento.

Hoje o sistema infinitamente mais complexo continua em essência, parecido: se os EUA perderam ou não a "guerra ao terror" nâo importa, mas se eles derem um calote em sua dívida, o capitalismo tal como nós conhecemos deixa de existir. Melhor separar para a leitura de férias alguns livros de Marx. Ou do Apocalipse...

Custos de guerras superam US$ 3,7 tri em 10 anos, diz estudo
Mortos nos conflitos, desde 2001, seriam 224 mil a 258 mil; números continuam aumentando
29 de junho de 2011 | 16h 09
estadão.com.br
NOVA YORK - Os custos da guerra americana ao Taleban, em 10 anos, superam os 3,7 trilhões de dólares, de acordo com um levantamento feito nos Estados Unidos pelo Instituto Watson de Estudos Internacionais da Brown University e divulgados nesta quarta-feira, 29. Os números foram publicados no site Costs of War (Custos de Guerra).
Ainda de acordo com o estudo da universidade americana, entre 224 mil e 258 mil pessoas morreram ao longo de dez anos no Iraque, Afeganistão e Paquistão, entre as quais 125 mil civis iraquianos e 6 mil soldados dos EUA.
O número de mortos no Iraque foi maior que o registrado nos outros dois países juntos: 151 mil contra 39 mil no Paquistão e 33,8 mil no Afeganistão, de acordo com o levantamento. Dez mil soldados iraquianos morreram no país durante a invasão americana.
Discrepância
As cifras são bem maiores que as apresentadas pelo presidente Barack Obama, na semana passada, para justificar o plano de retirada antecipada de 33 mil soldados americanos do Afeganistão ao longo de 2011. No discurso, Obama se referiu a custos que girariam em torno de 1 trilhão de dólares. O valor real, contudo, pode chegar até a US$ 4,4 trilhões.
Nos dez anos desde que as tropas americanas chegaram ao Afeganistão para expulsar líderes da Al-Qaeda que estiveram por trás dos ataques do Onze de Setembro e neutralizar o Taleban, o gasto com os conflitos pode ter chegado a entre US$ 2,3 e US$ 2,7 trilhões.
Subindo
Os números devem seguir crescendo, segundo a Reuters. As crifras não levam em conta pelo menos US$ 1 trilhão que precisarão ainda ser pagos em juros vencidos até 2020. Outros valores envolvidos estão os que precisarão ser pagos a veteranos de guerra feridos, por exemplo.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

MILA

Vai ficando claro uma divisão na América do Sul : os países market-friendly, como Brasil, Chile, Peru, Colômbia, Uruguai e os outros que seguem um modelo chavista de aversão ao capital, à globalização e aos investimentos, claro, a Venezuela, Bolívia, Equador... Argentina ainda se decide.
A palavra chave parece ser "segurança jurídica": curioso é que vários dos países do primeiro grupo são governados por partidos de esquerda, alguns de origem nitidamente marxista, como o próprio PT no Brasil. Isso sem falar no Uruguai, hoje governado por um ex-guerrilheiro, cuja aversão ao capitalismo hoje em dia resume-se a seu estilo de vida espartano: usa roupas que aé um motoboy brasileiro podia comprar melhor e seu carro pessoal é um fusquinha anos 70. Apesar disso, governa um país cujo crescimento será este ano de 7%...
Pois é: a esquerda descobriu o capital e ele não é tão malvado assim... ou é, mas pode ser menos, se for acompanhado de crescimento com distribuição. Ou seja, a América Latina descobriu a social-democracia europeia. ( a mesma aliás que está em crise séria por lá, mas isso é outra história). Sendo assim, o binômio segurança jurídica + distribuição está gerando uma onda de crescimento econômico sustentável na América do Sul, integrando mercados e criando convergências de sistemas produtivos, inclusive, de posições políticas.
O eixo Chile-Peru-Colômbia é um bom exemplo. Economias estáveis, com democracias consolidadas, governos mais ou menos sociais, estão hoje, dia 30 de maio, integrando suas bolsas de valores, criando a MILA, Mercado Integrado Latinoamericano. Mesmo com as eleições no Peru ainda indefinidas, sabe-se que a economia daquele país continuará seu ritmo de expansão. O candidato da esquerda aliás, Ollanta Humala, já disse que se espelha em Lula para governar, o que para os peruanos quer dizer, governo que respeite o capital, traga investimentos, mas ao mesmo tempo tenha um olhar social, distributivo.
E o outro grupo de países? Fica claro que o estilo personalista, nacionalista, "socialista" de Chávez vai mostrando seus limites. Ainda que ele se mantenha no poder com apoio popular, fruto de suas políticas de distribuição de benefícios ao melhor estilo populista, seu personalismo e suas brigas histriônicas contra o capital nacional e internacional, o que inclui nacionalizações sem motivo aparente que o simples capricho presidencial, a economia do país desmorona a olhos vistos, com fuga de investimentos, desemprego, inflação e ainda por cima, criminalidade galopante. O modelo meio cubano-meio populismo mostra-se menos social ao final de contas que o modelo social democrata que Chile, Brasil e outros estão trilhando. Fica a questão argentina: país com imenso potencial econômico, tanto pelas riquezas agrícolas incríveis, quanto pelo elevado nível educacional de sua população, ele ainda opera politicamente no velho modelo peronista, populista. Sua encruzilhada a afasta de um modelo social democrata que por lá poderia dar muito certo.
Enquanto isso, estes países, Brasil Chile, Perú, Colômbia, Uruguai, Paraguai, trilham um caminho claro. Não são sociedade desenvolvidas, óbvio, mas conseguem, aos poucos, diminuir desigualdades sociais, e criar riquezas. O MILA é exemplo deste modelo, superando até mesmo rancores políticos profundos,como os entre Perú e Chile, que levaram até a guerras no passado.Ainda bem que estamos vivendo no país com o modelo que dá certo.

texto: jornal El Commercio - Perú
Bolsas de Valores de Perú, Chile y Colombia funcionan integradas desde hoy
El Mercado Integrado Latinoamericano permitirá un intercambio comercial más fluido y productivo entre las plazas bursátiles
Desde las 8:30 a.m. de hoy, las Bolsas de Valores de Perú, Colombia y Chile iniciaron conjuntamente las operaciones del Mercado Integrado Latinoamericano (MILA), como conclusión a un largo periodo de conversaciones entre las tres plazas bursátiles a fin de coordinar sus actividades.
La ceremonia de inauguración en Lima fue presidida por el presidente del directorio de la Bolsa de Valores de Lima (BVL), Roberto Hoyle, y el ministro de Economía y Finanzas, Ismael Benavides. Hoyle explicó que hoy se ha cristalizado el sueño de las tres bolsas, luego de un “arduo e intenso proceso” de casi dos años.
Según Andina, el presidente de la Bolsa de Valores de Colombia, Juan Pablo Córdoba, señaló que con esta fusión el valor de las compañías que cotizan en estas plazas bursátiles superará los US$650.000 millones, llegando a los US$300 millones diarios de negociación. Asimismo, destacó que ello permitirá a los inversionistas de Perú, Colombia y Chile “llevar sus capitales a cualquiera de las empresas inscritas en el mercado”.
Esta integración, cuyo acuerdo fue firmado el pasado 9 de noviembre, será respaldada por “un sistema dotado de los más altos niveles de seguridad, confianza y disponibilidad”. La meta de la fusión es que en 2016, el mercado tenga operaciones diarias por US$1.500 millones.