segunda-feira, 30 de maio de 2011

MILA

Vai ficando claro uma divisão na América do Sul : os países market-friendly, como Brasil, Chile, Peru, Colômbia, Uruguai e os outros que seguem um modelo chavista de aversão ao capital, à globalização e aos investimentos, claro, a Venezuela, Bolívia, Equador... Argentina ainda se decide.
A palavra chave parece ser "segurança jurídica": curioso é que vários dos países do primeiro grupo são governados por partidos de esquerda, alguns de origem nitidamente marxista, como o próprio PT no Brasil. Isso sem falar no Uruguai, hoje governado por um ex-guerrilheiro, cuja aversão ao capitalismo hoje em dia resume-se a seu estilo de vida espartano: usa roupas que aé um motoboy brasileiro podia comprar melhor e seu carro pessoal é um fusquinha anos 70. Apesar disso, governa um país cujo crescimento será este ano de 7%...
Pois é: a esquerda descobriu o capital e ele não é tão malvado assim... ou é, mas pode ser menos, se for acompanhado de crescimento com distribuição. Ou seja, a América Latina descobriu a social-democracia europeia. ( a mesma aliás que está em crise séria por lá, mas isso é outra história). Sendo assim, o binômio segurança jurídica + distribuição está gerando uma onda de crescimento econômico sustentável na América do Sul, integrando mercados e criando convergências de sistemas produtivos, inclusive, de posições políticas.
O eixo Chile-Peru-Colômbia é um bom exemplo. Economias estáveis, com democracias consolidadas, governos mais ou menos sociais, estão hoje, dia 30 de maio, integrando suas bolsas de valores, criando a MILA, Mercado Integrado Latinoamericano. Mesmo com as eleições no Peru ainda indefinidas, sabe-se que a economia daquele país continuará seu ritmo de expansão. O candidato da esquerda aliás, Ollanta Humala, já disse que se espelha em Lula para governar, o que para os peruanos quer dizer, governo que respeite o capital, traga investimentos, mas ao mesmo tempo tenha um olhar social, distributivo.
E o outro grupo de países? Fica claro que o estilo personalista, nacionalista, "socialista" de Chávez vai mostrando seus limites. Ainda que ele se mantenha no poder com apoio popular, fruto de suas políticas de distribuição de benefícios ao melhor estilo populista, seu personalismo e suas brigas histriônicas contra o capital nacional e internacional, o que inclui nacionalizações sem motivo aparente que o simples capricho presidencial, a economia do país desmorona a olhos vistos, com fuga de investimentos, desemprego, inflação e ainda por cima, criminalidade galopante. O modelo meio cubano-meio populismo mostra-se menos social ao final de contas que o modelo social democrata que Chile, Brasil e outros estão trilhando. Fica a questão argentina: país com imenso potencial econômico, tanto pelas riquezas agrícolas incríveis, quanto pelo elevado nível educacional de sua população, ele ainda opera politicamente no velho modelo peronista, populista. Sua encruzilhada a afasta de um modelo social democrata que por lá poderia dar muito certo.
Enquanto isso, estes países, Brasil Chile, Perú, Colômbia, Uruguai, Paraguai, trilham um caminho claro. Não são sociedade desenvolvidas, óbvio, mas conseguem, aos poucos, diminuir desigualdades sociais, e criar riquezas. O MILA é exemplo deste modelo, superando até mesmo rancores políticos profundos,como os entre Perú e Chile, que levaram até a guerras no passado.Ainda bem que estamos vivendo no país com o modelo que dá certo.

texto: jornal El Commercio - Perú
Bolsas de Valores de Perú, Chile y Colombia funcionan integradas desde hoy
El Mercado Integrado Latinoamericano permitirá un intercambio comercial más fluido y productivo entre las plazas bursátiles
Desde las 8:30 a.m. de hoy, las Bolsas de Valores de Perú, Colombia y Chile iniciaron conjuntamente las operaciones del Mercado Integrado Latinoamericano (MILA), como conclusión a un largo periodo de conversaciones entre las tres plazas bursátiles a fin de coordinar sus actividades.
La ceremonia de inauguración en Lima fue presidida por el presidente del directorio de la Bolsa de Valores de Lima (BVL), Roberto Hoyle, y el ministro de Economía y Finanzas, Ismael Benavides. Hoyle explicó que hoy se ha cristalizado el sueño de las tres bolsas, luego de un “arduo e intenso proceso” de casi dos años.
Según Andina, el presidente de la Bolsa de Valores de Colombia, Juan Pablo Córdoba, señaló que con esta fusión el valor de las compañías que cotizan en estas plazas bursátiles superará los US$650.000 millones, llegando a los US$300 millones diarios de negociación. Asimismo, destacó que ello permitirá a los inversionistas de Perú, Colombia y Chile “llevar sus capitales a cualquiera de las empresas inscritas en el mercado”.
Esta integración, cuyo acuerdo fue firmado el pasado 9 de noviembre, será respaldada por “un sistema dotado de los más altos niveles de seguridad, confianza y disponibilidad”. La meta de la fusión es que en 2016, el mercado tenga operaciones diarias por US$1.500 millones.

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