Para quem adora falar que o Paraguai é um país sem ordem ou racionalidade, veja essa notícia: depois da vergonhosa adesão do Senado brasileiro a tese da Venezuela no Mercosul, o Senado paraguaio poderá ser a última instância de defesa do Mercosul contra a sua implosão pelo caudilho. Nada contra a Venezuela nem, claro, contra o povo daquele país. E igualmente, nada contra os negócios entre Brasil e Venezuela, que aliás vão bem, obrigado, mesmo sem a adesão desta ao bloco econômico.Mas o argumento paraguaio foi irretocável: Chávez deliberadamente intervém em assuntos internos de outros países, o que é princípio básico da diplomacia brasileira, mas foi esquecido vergonhosamente pelo atual governo brasileiro, que ainda por cima, tomou a questão venezuelana não como assunto de Estado, mas assuntos de governo e até mesmo assunto partidário. Há evidentes provas da intervenção chavista na Bolívia, no Equador, na surreal questão hondurenha e em um possível envio de dinheiro a eleição argentina. Essa atitude, condenáve, foi ignorada pelo governo brasileiro, mas ao que parece, não o será pelo Senado paraguaio. Quem diria: justo o país acusado de ser o "menos sério" do bloco, é o que irá fazer o que todos os outros deveriam ter feito; dizer a Chávez que ele tem limites.
Congressista diz que Paraguai não vai aprovar a Venezuela no Mercosul
Do UOL Noticias*
Em São PauloAtualizado às 15h40
O Paraguai não dará sua aprovação à Venezuela para entrar no Mercosul enquanto o presidente venezuelano Hugo Chávez continuar intervindo em assuntos de outros países, disse Miguel Carrizosa, presidente do Congresso paraguaio, nesta quarta-feira. "Que nos desculpem os irmãos venezuelanos, mas enquanto Chávez mantiver esta atitude intervencionista, não vamos dar a aprovação para que a Venezuela entre para o Mercosul", disse Carrizosa aos jornalistas.
O que achou do Brasil aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul?
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O legislador pertence ao minoritário partido Pátria Querida, mas sua posição é sustentada pelos partidos opositores Colorado e Unace, que, juntos, exercem a maioria nas câmaras de senadores e de deputados. "Não há aqui nenhum clima para aprovar o ingresso de Chávez no Mercosul", disse.
Carrizosa disse ainda que Chávez é capaz de destruir o projeto de integração regional e que, enquanto "persistir nessa atitude de intervençao, o Congresso paraguaio não vai permitir sua entrada no Mercosul".
Chávez recebeu duras críticas de legisladores paraguaios da oposição, que têm maioria em ambas as Câmaras, após declarar que a direita preparava um plano para destituir seu colega paraguaio Fernando Lugo.
A chancelaria paraguaia retirou em agosto o pedido de acordo para a entrada da Venezuela no bloco para evitar sua negativa no Senado, o que poderia afetar as boas relações entre os dois países. A Venezuela é atualmente o maior fornecedor de combustíveis ao Paraguai.
Saiba mais sobre o Mercosul
O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um projeto de integração concebido por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, envolvendo dimensões econômicas, políticas e sociais. Os diversos órgãos que o compõem cuidam de temas tão variados quanto agricultura familiar ou cinema, por exemplo. No aspecto econômico, o Mercosul assume hoje o caráter de União Aduaneira, mas seu objetivo é constituir-se em verdadeiro Mercado Comum, seguindo os objetivos estabelecidos no Tratado de Assunção, que determinou a criação do bloco, em 1991
Com informações do Itamaraty
"Acredito que no Paraguai Chávez terá que esperar um bom tempo", disse Carrizosa. "Não vamos exigir que ele mude, mas não nos exijam que baixemos a cabeça e digamos sim a tudo o que ele está fazendo".
O chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, disse que o pedido sobre a adesão da Venezuela ao Mercosul voltará a ser apresentado quando o governo tiver garantias de sua aprovação, a partir de março, com o fim do recesso parlamentar.
"No momento não está planejado (apresentá-lo), não é uma situação real. Veremos em março quando, com a volta do recesso parlamentar, poderemos conversar novamente com a Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre o tema", disse o ministro.
O Congresso brasileiro aprovou na terça-feira a entrada da Venezuela e agora o último obstáculo é a aprovação do Congresso paraguaio.
O Senado brasileiro aprovou, por 35 votos contra 27, o Protocolo da Entrada da Venezuela no Mercosul, bloco que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Esse é o último passo legislativo para a ratificação brasileira da entrada de Caracas no grupo, e o protocolo de adesão passa a depender apenas da aprovação do parlamento paraguaio para entrar em vigor.
Segundo o próprio protocolo, a entrada passa a valer 30 dias após a última ratificação, e a partir de então a Venezuela tem quatro anos para se adequar ao acervo normativo do Mercosul, que inclui desde regulamentações sobre trânsito de pessoas até normas sanitárias. O mesmo prazo de quatro anos se aplica para a incorporação da Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco, que uniformiza as tarifas aplicadas a produtos importados de países externos ao Mercosul.
De que forma e com quais prazos essa incorporação deve acontecer são questões que estão sendo discutidas por um grupo de trabalho independente, formado por representantes do Mercosul e da Venezuela.
Antecedentes
O Protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul nasceu em Caracas em 4 de julho de 2006, firmado pelos presidentes dos países membros permanentes do bloco e por Hugo Chávez, da Venezuela. Desde então, foi ratificado pelos parlamentos da Venezuela, da Argentina, do Uruguai e do Brasil, em processo encerrado hoje.
No Paraguai, que ainda não se manifestou, o tema quase foi levado ao Congresso no último mês de agosto. Porém, com medo de que a oposição impedisse a aprovação, o presidente paraguaio, Fernando Lugo, suspendeu a discussão e o tema continua pendente.
No Brasil, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o protocolo de adesão em dezembro de 2008 (265 votos contra 61, com seis abstenções). Depois disso, o documento passou pela representação brasileira no Parlamento do Mercosul e, em 29 de outubro, foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado (12 votos contra 5), abrindo caminho para o último passo, a aprovação de hoje no plenário do Senado
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Será que ele falou mesmo...?
Se for verdade a notícia, estamos bem encrencados... para quem não sabe, o ministro de Assuntos Estratégicos (!!??) é um desses cargos inúteis da admnistração Lula, mas o que interessa aqui é menos o cargo do que a pessoa : o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães é uma referência do atual governo ( e talvez do próximo, a saber...) em matéria de assuntos externos. É sabido de suas posições " à la Gauche", mas isso é de menos... o que importa é um alto cargo de relações internacionais no Brasil, um mentor de nossa política externa atual, ter uma opinião tão tosca, tão infantilizada, da História ( sempre colocando o adendo: SE for verdade o noticiado...). Esse tipo de visão tolinha que acha que o mundo é uma batalha entre as forças do bem e do mal, sendo o mal, claro, os EUA, é primária, não se sustenta em 3 minutos de análise histórica e no limite, pode levar o país a tomar posições idiotizadas no cenário internacional. Relações internacionais é objeto de análise, não de torcida de futebol.
De Elio Gaspari:
Há uma semana, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ministro de Assuntos Estratégicos, defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU durante uma palestra no Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais do Itamaraty.
Defendeu a admissão, como membros permanentes, de Brasil, Índia, Alemanha e Japão. Ia tudo muito bem até que ele explicou a exclusão, em 1946, da Alemanha e do Japão do centro de decisões da ONU.
Numa versão-companheira da Segunda Guerra Mundial, os dois países penaram "tantos anos de purgatório, de punição, por terem desafiado a liderança anglo-saxônica do mundo". (A repórter Claudia Antunes ouviu, anotou e noticiou.)
A menos que Nosso Guia indique outro caminho, a Alemanha e o Japão não desafiaram "a liderança anglo-saxônica". Eles invadiram seus vizinhos, montaram economias baseadas no trabalho escravo e máquinas de extermínio nunca antes vistas na história.
Na conta da Alemanha havia cerca de 10 milhões de mortos em campos de extermínio. Na do Japão, 6 milhões de coreanos, chineses e filipinos.
E em 1945, depois da abertura dos campos de concentração da Europa e da Ásia, nem mesmo os precursores da defesa do nazismo e da Grande Esfera de Co-Prosperidade do Império Japonês falavam mais em desafio à "liderança anglo-saxônica".
Na dúvida, basta reler "Mein Kampf", de Adolf Hitler.
De Elio Gaspari:
Há uma semana, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ministro de Assuntos Estratégicos, defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU durante uma palestra no Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais do Itamaraty.
Defendeu a admissão, como membros permanentes, de Brasil, Índia, Alemanha e Japão. Ia tudo muito bem até que ele explicou a exclusão, em 1946, da Alemanha e do Japão do centro de decisões da ONU.
Numa versão-companheira da Segunda Guerra Mundial, os dois países penaram "tantos anos de purgatório, de punição, por terem desafiado a liderança anglo-saxônica do mundo". (A repórter Claudia Antunes ouviu, anotou e noticiou.)
A menos que Nosso Guia indique outro caminho, a Alemanha e o Japão não desafiaram "a liderança anglo-saxônica". Eles invadiram seus vizinhos, montaram economias baseadas no trabalho escravo e máquinas de extermínio nunca antes vistas na história.
Na conta da Alemanha havia cerca de 10 milhões de mortos em campos de extermínio. Na do Japão, 6 milhões de coreanos, chineses e filipinos.
E em 1945, depois da abertura dos campos de concentração da Europa e da Ásia, nem mesmo os precursores da defesa do nazismo e da Grande Esfera de Co-Prosperidade do Império Japonês falavam mais em desafio à "liderança anglo-saxônica".
Na dúvida, basta reler "Mein Kampf", de Adolf Hitler.
quem é ele ?
Eis o novo sub-secretário para América Latina do governo americano, Arturo Valenzuela. O ex-secretário ocupa agora a embaixada americana em Brasília. Esses dois cargos são vitais para o entendimento entre EUA e Brasil, e podemos dizer sem excesso de orgulho ou exagero, igualmente vitais para uma boa estabilidade na América do Sul, sempre instável com seus chavismos imprevisíveis. Note a bela formação acadêmica de Arturo Valenzuela: prova de que a área de R.I. ainda tem muito espaço para crescer no Brasil, já que cada vez mais somos um player de peso. Até os EUA já reconheceram isso...
Claudia Andrade: Do UOL Notícias
O assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, negou nesta segunda-feira (14) que haja qualquer mal-estar com os Estados Unidos por conta de divergências no plano internacional. Ele fez a declaração após encontro com o principal responsável pela América Latina no governo norte-americano, o secretário-adjunto Arturo Valenzuela.
"As relações não estiveram más nunca. Estavam boas já no governo (George) Bush e sofreram um 'upgrade', por assim dizer, com a eleição do presidente (Barack) Obama", disse Marco Aurélio. "Nós teremos, em determinados momentos, apreciações distintas sobre determinadas questões. Isso é normal, democrático na relação entre os países, mas as relações entre Estados Unidos e Brasil são fundamentais e vamos cultivá-las da melhor maneira possível".
Valenzuela faz sua primeira visita ao Cone Sul, e irá também para Argentina, Paraguai e Uruguai. Ele foi confirmado no cargo apenas em novembro, quase seis meses depois de ter sido designado pelo presidente Obama. Um veto no Congresso atrasou a confirmação e vem impedindo também que seu antecessor, Thomas Shannon, assuma a embaixada norte-americana no Brasil.
Na visita a Brasília, além da conversa com o assessor da Presidência da República, o secretário-adjunto de Estado para o Hemisfério Ocidental também tem encontro marcado com o sub do chanceler Celso Amorim no Itamaraty. O único ministro que deverá recebê-lo será Nelson Jobim (Defesa). A compra de 36 caças que está sendo estudada pelo governo brasileiro deverá ser o tema da reunião. A norte-americana Boeing está na disputa com a Dassault, da França, e a Saab, da Suécia.
Valenzuela assumiu o cargo de secretário-adjunto para o Hemisfério Ocidental em novembro; ele faz sua primeira visita oficial aos países do Cone Sul"Foi um encontro cordialíssimo - devo insistir no sufixo, cordialíssimo - no qual nós repassamos os temas de maior interesse comum relacionados com a América Latina", disse Marco Aurélio Garcia aos jornalistas, ao final do encontro.
Questionado se o tema da instalação de bases militares norte-americanas na Colômbia havia sido tratado, o assessor disse que o Brasil transmitiu sua posição de que "as bases não são um fator positivo na região". "Sugerimos que o governo americano pudesse ter um diálogo mais direto com alguns países da região porque isso eliminaria uma guerra de declarações".
Quem é Valenzuela
Nascido no Chile e filho de mãe americana, Arturo Valenzuela ocupa o cargo que pertenceu a Thomas Shannon - atual embaixador dos EUA em Brasília - durante o segundo governo de George W. Bush. Indicado ao cargo pelo presidente americano Barack Obama, ele tem passagem por Washington como subsecretário assistente para Assuntos Interamericanos no primeiro mandato do ex-presidente Bill Clinton, quando foi responsável pela formulação da política dos EUA para o México. O período foi marcado pela criação do Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio). A política neoliberal dos EUA, no entanto, provou ser extremamente impopular na América Latina. Além de sua atuação na política, Valenzuela também possui uma respaldada carreira acadêmica. É doutor em ciência política pela Universidade de Columbia e diretor licenciado do Centro de Estudos Latino-Americanos da escola de relações internacionais da Universidade de Georgetown. Antes, foi diretor do Conselho Estudos Latino-Americanos da Universidade de Duke, na Califórnia, e professor visitante em Oxford e Sussex, na Inglaterra; em Florença, na Itália; e em duas universidades chilenas. É especialista em política do Chile, México e do Cone Sul.
Em 2000, foi condecorado pelo governo brasileiro com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul
Claudia Andrade: Do UOL Notícias
O assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, negou nesta segunda-feira (14) que haja qualquer mal-estar com os Estados Unidos por conta de divergências no plano internacional. Ele fez a declaração após encontro com o principal responsável pela América Latina no governo norte-americano, o secretário-adjunto Arturo Valenzuela.
"As relações não estiveram más nunca. Estavam boas já no governo (George) Bush e sofreram um 'upgrade', por assim dizer, com a eleição do presidente (Barack) Obama", disse Marco Aurélio. "Nós teremos, em determinados momentos, apreciações distintas sobre determinadas questões. Isso é normal, democrático na relação entre os países, mas as relações entre Estados Unidos e Brasil são fundamentais e vamos cultivá-las da melhor maneira possível".
Valenzuela faz sua primeira visita ao Cone Sul, e irá também para Argentina, Paraguai e Uruguai. Ele foi confirmado no cargo apenas em novembro, quase seis meses depois de ter sido designado pelo presidente Obama. Um veto no Congresso atrasou a confirmação e vem impedindo também que seu antecessor, Thomas Shannon, assuma a embaixada norte-americana no Brasil.
Na visita a Brasília, além da conversa com o assessor da Presidência da República, o secretário-adjunto de Estado para o Hemisfério Ocidental também tem encontro marcado com o sub do chanceler Celso Amorim no Itamaraty. O único ministro que deverá recebê-lo será Nelson Jobim (Defesa). A compra de 36 caças que está sendo estudada pelo governo brasileiro deverá ser o tema da reunião. A norte-americana Boeing está na disputa com a Dassault, da França, e a Saab, da Suécia.
Valenzuela assumiu o cargo de secretário-adjunto para o Hemisfério Ocidental em novembro; ele faz sua primeira visita oficial aos países do Cone Sul"Foi um encontro cordialíssimo - devo insistir no sufixo, cordialíssimo - no qual nós repassamos os temas de maior interesse comum relacionados com a América Latina", disse Marco Aurélio Garcia aos jornalistas, ao final do encontro.
Questionado se o tema da instalação de bases militares norte-americanas na Colômbia havia sido tratado, o assessor disse que o Brasil transmitiu sua posição de que "as bases não são um fator positivo na região". "Sugerimos que o governo americano pudesse ter um diálogo mais direto com alguns países da região porque isso eliminaria uma guerra de declarações".
Quem é Valenzuela
Nascido no Chile e filho de mãe americana, Arturo Valenzuela ocupa o cargo que pertenceu a Thomas Shannon - atual embaixador dos EUA em Brasília - durante o segundo governo de George W. Bush. Indicado ao cargo pelo presidente americano Barack Obama, ele tem passagem por Washington como subsecretário assistente para Assuntos Interamericanos no primeiro mandato do ex-presidente Bill Clinton, quando foi responsável pela formulação da política dos EUA para o México. O período foi marcado pela criação do Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio). A política neoliberal dos EUA, no entanto, provou ser extremamente impopular na América Latina. Além de sua atuação na política, Valenzuela também possui uma respaldada carreira acadêmica. É doutor em ciência política pela Universidade de Columbia e diretor licenciado do Centro de Estudos Latino-Americanos da escola de relações internacionais da Universidade de Georgetown. Antes, foi diretor do Conselho Estudos Latino-Americanos da Universidade de Duke, na Califórnia, e professor visitante em Oxford e Sussex, na Inglaterra; em Florença, na Itália; e em duas universidades chilenas. É especialista em política do Chile, México e do Cone Sul.
Em 2000, foi condecorado pelo governo brasileiro com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul
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