quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Paraguai : salvação do Mercosul?

Para quem adora falar que o Paraguai é um país sem ordem ou racionalidade, veja essa notícia: depois da vergonhosa adesão do Senado brasileiro a tese da Venezuela no Mercosul, o Senado paraguaio poderá ser a última instância de defesa do Mercosul contra a sua implosão pelo caudilho. Nada contra a Venezuela nem, claro, contra o povo daquele país. E igualmente, nada contra os negócios entre Brasil e Venezuela, que aliás vão bem, obrigado, mesmo sem a adesão desta ao bloco econômico.Mas o argumento paraguaio foi irretocável: Chávez deliberadamente intervém em assuntos internos de outros países, o que é princípio básico da diplomacia brasileira, mas foi esquecido vergonhosamente pelo atual governo brasileiro, que ainda por cima, tomou a questão venezuelana não como assunto de Estado, mas assuntos de governo e até mesmo assunto partidário. Há evidentes provas da intervenção chavista na Bolívia, no Equador, na surreal questão hondurenha e em um possível envio de dinheiro a eleição argentina. Essa atitude, condenáve, foi ignorada pelo governo brasileiro, mas ao que parece, não o será pelo Senado paraguaio. Quem diria: justo o país acusado de ser o "menos sério" do bloco, é o que irá fazer o que todos os outros deveriam ter feito; dizer a Chávez que ele tem limites.



Congressista diz que Paraguai não vai aprovar a Venezuela no Mercosul
Do UOL Noticias*
Em São PauloAtualizado às 15h40

O Paraguai não dará sua aprovação à Venezuela para entrar no Mercosul enquanto o presidente venezuelano Hugo Chávez continuar intervindo em assuntos de outros países, disse Miguel Carrizosa, presidente do Congresso paraguaio, nesta quarta-feira. "Que nos desculpem os irmãos venezuelanos, mas enquanto Chávez mantiver esta atitude intervencionista, não vamos dar a aprovação para que a Venezuela entre para o Mercosul", disse Carrizosa aos jornalistas.
O que achou do Brasil aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul?
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O legislador pertence ao minoritário partido Pátria Querida, mas sua posição é sustentada pelos partidos opositores Colorado e Unace, que, juntos, exercem a maioria nas câmaras de senadores e de deputados. "Não há aqui nenhum clima para aprovar o ingresso de Chávez no Mercosul", disse.

Carrizosa disse ainda que Chávez é capaz de destruir o projeto de integração regional e que, enquanto "persistir nessa atitude de intervençao, o Congresso paraguaio não vai permitir sua entrada no Mercosul".

Chávez recebeu duras críticas de legisladores paraguaios da oposição, que têm maioria em ambas as Câmaras, após declarar que a direita preparava um plano para destituir seu colega paraguaio Fernando Lugo.

A chancelaria paraguaia retirou em agosto o pedido de acordo para a entrada da Venezuela no bloco para evitar sua negativa no Senado, o que poderia afetar as boas relações entre os dois países. A Venezuela é atualmente o maior fornecedor de combustíveis ao Paraguai.
Saiba mais sobre o Mercosul

O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um projeto de integração concebido por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, envolvendo dimensões econômicas, políticas e sociais. Os diversos órgãos que o compõem cuidam de temas tão variados quanto agricultura familiar ou cinema, por exemplo. No aspecto econômico, o Mercosul assume hoje o caráter de União Aduaneira, mas seu objetivo é constituir-se em verdadeiro Mercado Comum, seguindo os objetivos estabelecidos no Tratado de Assunção, que determinou a criação do bloco, em 1991

Com informações do Itamaraty


"Acredito que no Paraguai Chávez terá que esperar um bom tempo", disse Carrizosa. "Não vamos exigir que ele mude, mas não nos exijam que baixemos a cabeça e digamos sim a tudo o que ele está fazendo".

O chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, disse que o pedido sobre a adesão da Venezuela ao Mercosul voltará a ser apresentado quando o governo tiver garantias de sua aprovação, a partir de março, com o fim do recesso parlamentar.

"No momento não está planejado (apresentá-lo), não é uma situação real. Veremos em março quando, com a volta do recesso parlamentar, poderemos conversar novamente com a Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre o tema", disse o ministro.

O Congresso brasileiro aprovou na terça-feira a entrada da Venezuela e agora o último obstáculo é a aprovação do Congresso paraguaio.

O Senado brasileiro aprovou, por 35 votos contra 27, o Protocolo da Entrada da Venezuela no Mercosul, bloco que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Esse é o último passo legislativo para a ratificação brasileira da entrada de Caracas no grupo, e o protocolo de adesão passa a depender apenas da aprovação do parlamento paraguaio para entrar em vigor.

Segundo o próprio protocolo, a entrada passa a valer 30 dias após a última ratificação, e a partir de então a Venezuela tem quatro anos para se adequar ao acervo normativo do Mercosul, que inclui desde regulamentações sobre trânsito de pessoas até normas sanitárias. O mesmo prazo de quatro anos se aplica para a incorporação da Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco, que uniformiza as tarifas aplicadas a produtos importados de países externos ao Mercosul.

De que forma e com quais prazos essa incorporação deve acontecer são questões que estão sendo discutidas por um grupo de trabalho independente, formado por representantes do Mercosul e da Venezuela.

Antecedentes
O Protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul nasceu em Caracas em 4 de julho de 2006, firmado pelos presidentes dos países membros permanentes do bloco e por Hugo Chávez, da Venezuela. Desde então, foi ratificado pelos parlamentos da Venezuela, da Argentina, do Uruguai e do Brasil, em processo encerrado hoje.

No Paraguai, que ainda não se manifestou, o tema quase foi levado ao Congresso no último mês de agosto. Porém, com medo de que a oposição impedisse a aprovação, o presidente paraguaio, Fernando Lugo, suspendeu a discussão e o tema continua pendente.

No Brasil, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o protocolo de adesão em dezembro de 2008 (265 votos contra 61, com seis abstenções). Depois disso, o documento passou pela representação brasileira no Parlamento do Mercosul e, em 29 de outubro, foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado (12 votos contra 5), abrindo caminho para o último passo, a aprovação de hoje no plenário do Senado

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Será que ele falou mesmo...?

Se for verdade a notícia, estamos bem encrencados... para quem não sabe, o ministro de Assuntos Estratégicos (!!??) é um desses cargos inúteis da admnistração Lula, mas o que interessa aqui é menos o cargo do que a pessoa : o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães é uma referência do atual governo ( e talvez do próximo, a saber...) em matéria de assuntos externos. É sabido de suas posições " à la Gauche", mas isso é de menos... o que importa é um alto cargo de relações internacionais no Brasil, um mentor de nossa política externa atual, ter uma opinião tão tosca, tão infantilizada, da História ( sempre colocando o adendo: SE for verdade o noticiado...). Esse tipo de visão tolinha que acha que o mundo é uma batalha entre as forças do bem e do mal, sendo o mal, claro, os EUA, é primária, não se sustenta em 3 minutos de análise histórica e no limite, pode levar o país a tomar posições idiotizadas no cenário internacional. Relações internacionais é objeto de análise, não de torcida de futebol.

De Elio Gaspari:
Há uma semana, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ministro de Assuntos Estratégicos, defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU durante uma palestra no Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais do Itamaraty.
Defendeu a admissão, como membros permanentes, de Brasil, Índia, Alemanha e Japão. Ia tudo muito bem até que ele explicou a exclusão, em 1946, da Alemanha e do Japão do centro de decisões da ONU.
Numa versão-companheira da Segunda Guerra Mundial, os dois países penaram "tantos anos de purgatório, de punição, por terem desafiado a liderança anglo-saxônica do mundo". (A repórter Claudia Antunes ouviu, anotou e noticiou.)
A menos que Nosso Guia indique outro caminho, a Alemanha e o Japão não desafiaram "a liderança anglo-saxônica". Eles invadiram seus vizinhos, montaram economias baseadas no trabalho escravo e máquinas de extermínio nunca antes vistas na história.
Na conta da Alemanha havia cerca de 10 milhões de mortos em campos de extermínio. Na do Japão, 6 milhões de coreanos, chineses e filipinos.
E em 1945, depois da abertura dos campos de concentração da Europa e da Ásia, nem mesmo os precursores da defesa do nazismo e da Grande Esfera de Co-Prosperidade do Império Japonês falavam mais em desafio à "liderança anglo-saxônica".
Na dúvida, basta reler "Mein Kampf", de Adolf Hitler.

quem é ele ?

Eis o novo sub-secretário para América Latina do governo americano, Arturo Valenzuela. O ex-secretário ocupa agora a embaixada americana em Brasília. Esses dois cargos são vitais para o entendimento entre EUA e Brasil, e podemos dizer sem excesso de orgulho ou exagero, igualmente vitais para uma boa estabilidade na América do Sul, sempre instável com seus chavismos imprevisíveis. Note a bela formação acadêmica de Arturo Valenzuela: prova de que a área de R.I. ainda tem muito espaço para crescer no Brasil, já que cada vez mais somos um player de peso. Até os EUA já reconheceram isso...

Claudia Andrade: Do UOL Notícias
O assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, negou nesta segunda-feira (14) que haja qualquer mal-estar com os Estados Unidos por conta de divergências no plano internacional. Ele fez a declaração após encontro com o principal responsável pela América Latina no governo norte-americano, o secretário-adjunto Arturo Valenzuela.
"As relações não estiveram más nunca. Estavam boas já no governo (George) Bush e sofreram um 'upgrade', por assim dizer, com a eleição do presidente (Barack) Obama", disse Marco Aurélio. "Nós teremos, em determinados momentos, apreciações distintas sobre determinadas questões. Isso é normal, democrático na relação entre os países, mas as relações entre Estados Unidos e Brasil são fundamentais e vamos cultivá-las da melhor maneira possível".
Valenzuela faz sua primeira visita ao Cone Sul, e irá também para Argentina, Paraguai e Uruguai. Ele foi confirmado no cargo apenas em novembro, quase seis meses depois de ter sido designado pelo presidente Obama. Um veto no Congresso atrasou a confirmação e vem impedindo também que seu antecessor, Thomas Shannon, assuma a embaixada norte-americana no Brasil.
Na visita a Brasília, além da conversa com o assessor da Presidência da República, o secretário-adjunto de Estado para o Hemisfério Ocidental também tem encontro marcado com o sub do chanceler Celso Amorim no Itamaraty. O único ministro que deverá recebê-lo será Nelson Jobim (Defesa). A compra de 36 caças que está sendo estudada pelo governo brasileiro deverá ser o tema da reunião. A norte-americana Boeing está na disputa com a Dassault, da França, e a Saab, da Suécia.
Valenzuela assumiu o cargo de secretário-adjunto para o Hemisfério Ocidental em novembro; ele faz sua primeira visita oficial aos países do Cone Sul"Foi um encontro cordialíssimo - devo insistir no sufixo, cordialíssimo - no qual nós repassamos os temas de maior interesse comum relacionados com a América Latina", disse Marco Aurélio Garcia aos jornalistas, ao final do encontro.
Questionado se o tema da instalação de bases militares norte-americanas na Colômbia havia sido tratado, o assessor disse que o Brasil transmitiu sua posição de que "as bases não são um fator positivo na região". "Sugerimos que o governo americano pudesse ter um diálogo mais direto com alguns países da região porque isso eliminaria uma guerra de declarações".

Quem é Valenzuela
Nascido no Chile e filho de mãe americana, Arturo Valenzuela ocupa o cargo que pertenceu a Thomas Shannon - atual embaixador dos EUA em Brasília - durante o segundo governo de George W. Bush. Indicado ao cargo pelo presidente americano Barack Obama, ele tem passagem por Washington como subsecretário assistente para Assuntos Interamericanos no primeiro mandato do ex-presidente Bill Clinton, quando foi responsável pela formulação da política dos EUA para o México. O período foi marcado pela criação do Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio). A política neoliberal dos EUA, no entanto, provou ser extremamente impopular na América Latina. Além de sua atuação na política, Valenzuela também possui uma respaldada carreira acadêmica. É doutor em ciência política pela Universidade de Columbia e diretor licenciado do Centro de Estudos Latino-Americanos da escola de relações internacionais da Universidade de Georgetown. Antes, foi diretor do Conselho Estudos Latino-Americanos da Universidade de Duke, na Califórnia, e professor visitante em Oxford e Sussex, na Inglaterra; em Florença, na Itália; e em duas universidades chilenas. É especialista em política do Chile, México e do Cone Sul.
Em 2000, foi condecorado pelo governo brasileiro com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul

terça-feira, 24 de novembro de 2009

E bem, e o resto?

Como intitulou Machado de Assis em capítulo memorável no final de Dom Casmurro, "E bem, e o resto?"

O que sobrou da meteórica visita de Ahmadinejad ao Brasil ?
Quando se analisa uma visita dessas, deve-se SEMPRE ver os interesses dos dois lados. Do lado iraniano, o interesse era mostrar que o país não está isolado, não é um pária internacional e tentar aumentar seu leque de alianças. Como o Brasil "está na moda", é uma boa estar associado na foto com um sorridente Lula, ainda mais que o Brasil também tem ambições nucleares, embora não as mesmas que o Irã. Quanto a business, sim, ele é importante, mas não o suficiente para uma visita deste porte, o caráter foi abertamente político.
Para o Brasil, "o ganho" vem de outros pontos: 1. mostrar que é um país ativo na diplomacia internacional, que pode se cacifar para ser mediador em conflitos externos, ampliando seu leque de influência para muito além da tradicional América.
2. para Lula, aumenta sua força de líder internacional, reforçando uma imagem de líder dos países do sul, em certa oposição a liderança dos países do norte.
3.para o PT, claramente afundado numa crise de identidade, é uma mostra de que o país pode estar à esquerda (sabe-se lá o que isso significa mostrar simpatia a um cara que nega o Holocausto...) e mostrar certa independência dos EUA.

E bem, e o resto?
Todos concordam que é uma enorme ilusão achar que o Brasil poderá influenciar seriamente na questão Irã-Israel. Ele até pode servir de ponte e canal de diálogo e é correta a análise de que isolar um país, mesmo um governado por um claro demente como Ahmadinejad, não é a melhor saída, porque na prática, significa dar munição ao radicalismo interno. Mas servir de canal de diálogo, embora correto ao Brasil, não vai significar que o Brasil irá intervir ativamente na tensa relação que existe naquela região. Para o Brasil, embora tenha alguns interesses comerciais não totalmente desprezíveis no Irã, o maior "ganho" foi ter mostrado que é capaz de exercer certo papel internacional, embora ainda um pouco nebuloso, para além da sua tradicional influência latino-americana. Não acredito que a visita foi um enorme desastre e "queimou o filme" de um Brasil ativo na diplomacia internacional. Mas não compartilho as opiniões mais governistas de que a visita mostra que temos ampla capacidade hoje de sermos um líder mundial. Apenas 24 horas e uma foto não são suficientes para queimar o filme do Brasil e a própria Casa Branca sabe que o Brasil de Lula ou de qualquer outro governante a ser eleito não vai se deixar contaminar pelo discurso raivoso e irracional de Ahmadinejad. Porém, é ilusão imaginar que nossa posição no mundo hoje, respeitada como serena, racional e previsível num continente dado a loucuras de caudilhos à la Chávez, poderá mudar o curso das coisas no Irã. Somado tudo, ficamos como no final de Dom Casmurro, vendo, como o personagem, uma casa que é cópia de suas ilusões, gostosas de serem vistas, mas infelizmente, para ele e talvez para nós, apenas isso, ilusões.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Battisti: e agora?

Em minha opinião, só há uma única saída possível e honrosa para o caso Battisti: Lula extraditá-lo. O argumento de que seus crimes eram políticos é uma ofensa a democracia italiana, consolidada nos anos 70 quando ele por lá cometeu seus crimes, uma ofensa a atual União Européia, que julgou em todas as suas instâncias o caso e uma afronta, suprema ironia, aos setores da esquerda italiana, que condenam a luta armada há anos, preferindo a via democrática para sua atuação política. Para mim, o diagnóstico mais claro é do blog do Noblat: Lula quer fazer um afago a um PT que precisa, desesperadamente, de ícones de esquerda, já que passados 8 anos no governo e às vésperas de uma eleição geral, ele, PT, precisa recompor sua identidade de esquerda após anos de alianças com Sarney, Collor e afins. Só a psicanálise vai explicar a decisão de Lula, que como sabemos, salvo mudança de última hora, será a manutenção de Battisti no Brasil. Mais um erro de política externa da era Lula, explicado pela confusão de interesses entre partido, governo e Estado.

dois textos para sua opinião:
Blog do Marcos Guterman, Seção: América Latina, Europa 00:15:10.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, sugeriu que Cesare Battisti – ativista político condenado pela Justiça italiana por homicídio – não deveria ser extraditado porque a Itália está tomada de crescente fascismo, e isso poderia agravar a perseguição ao esquerdista. Disse Tarso: “A Itália não é um país nazista nem fascista, mas vem sendo constatado um crescimento preocupante do fascismo em parte da população italiana. O fascismo vem ganhando força inclusive em setores do governo”.
Quanto à Itália, Tarso está certo. A atual coalizão de governo é integrada pelos chamados partidos “pós-fascistas”, como a Liga Norte e a Aliança Nacional, xenófobos e nacionalistas ao extremo. O próprio premiê Silvio Berlusconi já chegou a dizer que o ditador Benito Mussolini não tinha sido “tão mau assim”. Os resultados da última eleição parlamentar, em abril de 2008, mostraram um avanço considerável da direita. Talvez isso tudo explique por que o mundo político italiano nem reagiu às declarações de Tarso – e, afinal, a relação da Itália com seu passado fascista é suficientemente ambígua para que poucos italianos se ofendam com isso.
Por outro lado, a Itália é uma democracia e suas instituições funcionam razoavelmente bem, pelo menos tão bem quanto as do Brasil de Tarso Genro. Achar que o esquerdista Battisti possa ser vítima de perseguição política porque o governo é de direita, como fez Tarso, é, isso sim, ofensivo. Seria o mesmo que supor que Tarso, ex-militante comunista, deixou-se guiar por sua ideologia, e não por critérios jurídicos, ao entregar os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara à ditadura cubana, mesmo sabendo que os dois seriam tratados como dissidentes por Havana.
Assim, se não há razões para acreditar que Tarso agiu segundo suas convicções políticas, não é correto concluir, como fez o ministro, que o governo e a sociedade da Itália irão perseguir Battisti por causa de divergências ideológicas.
Blog do Noblat (...)Sempre se poderá dizer que Zelaya foi um pepino jogado no colo de Lula pelo presidente Hugo Chávez, da Venezuela.
Battist, não. Foi um pepino que o PT jogou no colo de Lula. E que ele acolheu satisfeito.
A psicanálise talvez ajude a explicar o comportamento do PT e de Lula.
O PT perdeu sua identidade como partido de esquerda. Ela lhe faz falta às vésperas de eleições. De sua parte, Lula deve reconhecer que maltratou demais o PT.
O governo jogou pesado e à sombra para arrancar do Supremo Tribunal Federal (STF) a bizarra sentença produzida na semana passada.
Battisti cometeu crimes comuns na Itália e não políticos como entende o governo brasileiro, segundo o STF.
Seu refúgio é ilegal, segundo o STF.
Ele deve, portanto, ser extraditado, segundo o STF.
Mas caberá a Lula a última palavra, segundo o STF.
Ora, para que serve um tribunal que terceiriza seu julgamento? Foi a maior patacoada da história do STF.
Battisti só poderá ficar no Brasil na condição de asilado político.
O governo terá de dizer que ele correrá perigo se for extraditado.
Na Itália, um país democrático, isso soará como uma afronta. E será, de fato, uma grave afronta.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Brazil takes off



É verdade : o Brasil é moda. Vamos esquecer a bobagem das Olimpíadas e da Copa, o que realmente interessa é a possibilidade de combinar neste país as duas coisas que quase nunca andaram juntas em sua história: estabilidade política e liberdades individuais com crescimento econômico e distribuição de renda. Em vários momentos de nossa trajetória no século XX tivemos ou uma ou outro. Agora podemos desfrutar da capacidade de ter os dois.
Claro que não é momento de ufanismos exagerados. O país tem imensos desafios, mas o que chama a atenção é a "qualidade" desses desafios. Durante anos, o Brasil brigou para ter uma moeda. Agora, discutimos como crescer investindo em infraestrutura. Há não muito tempo atrás, crianças não tinham merenda em sala de aula. Hoje, discutimos qualidade na educação. E claro, há não muito tempo atrás pessoas podiam ser presas se falassem mal do governo. Hoje, estamos entrando na 6ª eleição democrática seguida e nem mesmo a esquerda mais histérica ou a direita mais coronelística querem a volta de um ditador de plantão. Isso é um avanço qualitativo importante.
Obra do governo X ou Y ? Bobagem, obra de toda uma sociedade durante os últimos 20 anos. Resta saber se teremos respostas à altura destes desafios de qualidade. O que mostra que humildemente, nós, internacionalistas, temos um papel importante a cumprir: projetar de modo adequado o Brasil no mundo, coisa que não é nada fácil.



texto: site da BBC:
A ascensão econômica do Brasil é o tema da capa, de um editorial e de um especial de 14 páginas da edição desta semana da revista britânica The Economist, divulgada nesta quinta-feira.

Intitulado Brazil Takes Off (“O Brasil Decola”, em tradução literal), o editorial afirma que o país parece ter feito sua entrada no cenário mundial, marcada simbolicamente pela escolha do Rio como sede olímpica em 2016.

A revista diz que, se em 2003 a inclusão do Brasil no grupo de emergentes Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) surpreendeu muitos, hoje ela se mostrou acertada, já que o país vem apresentando um desempenho econômico invejável.

A Economist afirma também que o Brasil chega a superar outros Bric. “Ao contrário da China, é uma democracia, ao contrário da Índia, não possui insurgentes, conflitos étnicos, religiosos ou vizinhos hostis. Ao contrário da Rússia, exporta mais que petróleo e armas e trata investidores estrangeiros com respeito.”

Apagão

O editorial da Economist ressalva também que o país tem problemas que não devem ser subestimados, da corrupção à falta de investimentos na educação e infraestrutura “evidenciados pelo apagão desta semana”.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Fracasso

Foi melancólica a primeira participação ativa da diplomacia brasileira neste século XXI fora da tradicional área de influência da América do Sul. O Brasil foi arrastado para uma crise que não era sua, criada pelo "muy amigo" Chávez e saiu como entrou: de mãos abanando, sem ter conseguido nada em termos simbólicos. Sua imagem de negociador isento foi seriamente afetada e sua importância relativa no mundo latino-americano, dminuída. Pelo menos, ao que parece e até esse ponto, a solução foi boa para Honduras.
Qual o erro da diplomacia brasileira no caso Zelaya? Confundir opiniões de partido com as de Estado. A condenação veemente do golpe em Honduras foi correta, momento aliás compartilhado tanto pelo Brasil como pela Venezuela de Chávez e pelos EUA de Obama. Mas a partir desse momento inicial, o resto foi só trapalhada. Condenar o golpe de Micheletti não poderia ser, como foi, dar apoio irrestrito a Zelaya, que como todos sabemos mas alguns petistas de algo coturno querem ignorar, estava ele mesmo tentando dar um golpe, com claro apoio chavista, o que também é negado por importante membro petista do governo atual na área de relações internacionais ( só ele acha que Zelaya não teve apoio de Chávez... até o próprio Chávez admite isso...)
Ao receber um histriônico Zelaya em sua embaixada, com aviso ou sem aviso é outra história estranha a esclarecer, o Brasil queimou sua possibilidade de mediador isento, o que me diplomacia é algo próximo ao desastre. Bastou os EUA, sempre eles, sentaram à mesa com as partes envolvidas, e com a ameaça nada sutil de romper relações econômicas com a fragilíssima Honduras, que a situação chegou a um final ( repito, pelo menos por enquanto). E o Brasil ? Ficou com o mico na mão: apoiou um lado que nã tinha legitimidade queimando o filme com o outro lado, igualmente sem legitimidade e viu os EUA resolverem a questão em uma semana, coisa que o Brasil não conseguiu em 2 meses. Entrará para a História como mais um erro de Amorim, agora petista de filiação, outro erro aliás, histórico: não me recordo de um Itamaraty partidarizado em outras épocas.


texto: blog Marcos Guterman:
É como se diz: “Donde manda capitán, no manda marinero”. Foi preciso que os EUA agissem para que a crise hondurenha tivesse um desfecho razoável. Logo os EUA, que os “anti-imperialistas” amam odiar.

Não havia outro mediador disponível. O Brasil se desqualificou como tal no minuto em que aceitou que o deposto Manuel Zelaya fizesse da embaixada brasileira em Tegucigalpa um quartel para suas investidas contra os opositores. Ademais, o governo Lula, ao se negar a conversar com os “golpistas”, fechou as portas da diplomacia – um erro que o zeloso Itamaraty não comete quando se trata de conversar com Irã, Venezuela, Bolívia e Sudão, entre outras “democracias”. Se o caso de Honduras era um teste para a pretensão brasileira à liderança regional, o Brasil não passou.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Gore Vidal e os EUA

Um dos clássicos intérpretes da Hístória Americana é Gore Vidal, romancista e intelectual de alto gabarito, que fala de forma ácida sobre seu país. É sempre uma referência importante:


texto retirado do blog de Marcos Guterman:http://blog.estadao.com.br/blog/guterman/

Gore Vidal tem 83 anos e nenhuma disposição de dar uma trégua a seus conterrâneos. Em entrevista ao jornal britânico Times, o romancista despeja todo o seu desencanto com os EUA. Abaixo, os melhores momentos.

Sobre Obama

Eu estava esperançoso. Ele era a pessoa mais inteligente para a Presidência em muito tempo. Mas ele é inexperiente. Ele tem uma inabilidade total para entender questões militares. Ele está agindo como se o Afeganistão fosse um talismã mágico: resolva isso e terá resolvido o terrorismo

Sobre terrorismo

Fracassamos em cada aspecto de nossos esforços para conquistar o Oriente Médio, ou dê o nome que quiser a isso. A Guerra ao Terror foi inventada. A coisa toda foi apenas relações públicas, tipo "armas de destruição em massa". Isso destruiu o setor de aviação civil, que meu pai fundou nos anos 30. Agora, quando voamos, ficamos morrendo tanto de medo quanto de tédio, a pior das combinações.

Sobre a imprensa

Uma coisa que eu sempre odiei são os mentirosos, e eu vivo num país cheio deles. Nem sempre foi assim. Eu não digo que tenha existido uma idade de ouro, mas houve um tempo em que havia inteligência. Tínhamos uma fiscalização, a imprensa.

Sobre os conservadores americanos

Obama acredita nos generais. Mesmo Bush sabia que o meio de ganhar um general era dando-lhe outra estrela. Obama acredita que o Partido Republicano seja um partido, quando, de fato, é um paradigma, é como a Juventude Hitlerista, baseada no ódio – ódio religioso, ódio racial. Quando os estrangeiros ouvem a palavra "conservador", pensam num tipo de homem que caça raposas. Não. Eles são fascistas.

Sobre Hillary, que para ele seria melhor que Obama

Hillary sabe mais sobre o mundo e sabe o que fazer com os generais. A história prova que, quando as garotas estão envolvidas, elas são boas.

Sobre o futuro dos EUA

Pergunte a um americano o que ele sabe sobre os suecos, e a resposta será "eles vivem bem, mas são todos alcoólatras". Os EUA não têm uma classe intelectual. Em breve, teremos uma ditadura militar, porque ninguém mais será capaz de manter a unidade. Obama teria feito melhor se focasse na educação dos americanos. Seu problema é ser super-educado. Ele não compreende o quão ignorante é sua audiência. Benjamin Franklin disse que o sistema fracassaria por causa da corrupção do povo, e isso aconteceu sob Bush.

Sobre o pensamento americano

E alguém liga para o que os americanos pensam? Eles são o povo mais ignorante do Primeiro Mundo. Eles não têm nenhum pensamento, eles têm reações emocionais, que os bons publicitários sabem como provocar

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Enfim, uma declaração racional

Os EUA têm um enorme débito com a América Central. Patrocinaram alguns golpes, deram apoio a ditadores, alguns esdrúxulos, e suas empresas, entre elas a famigerada United Fruit Company, transformaram alguns países da região em verdadeira “repúblicas bananeiras”, entre elas, a própria Honduras. Com esse péssimo histórico, é pelo menos importante a última declaração do embaixador americano na OEA sobre a cada vez mais bizarra crise hondurenha: devo dizer, concordo plenamente com ele. O retorno de Zelaya sem um acordo prévio é irresponsável mesmo e poderá se transformar numa tragédia se os dois lados, Zelaya e o governo de fato, não cederem, o que parece não está acontecendo. Ao mesmo tempo, Chávez deu uma de “muy amigo” ao jogar a batata fervendo Zelaya em nossa embaixada, claro, com o consentimento, igualmente irresponsável, de Lula e Celso Amorim.

Fonte: site BBC-Brasil: acesso em 28 de setembro de 2009
A volta clandestina do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, ao país foi "irresponsável e tola" e não serve aos interesses do povo, disse nesta segunda-feira (28) o representante norte-americano na OEA (Organização dos Estados Americanos), Lewis Anselem. Anselem fez as declarações durante reunião extraordinária do Conselho Permanente da organização. "Os que facilitaram a volta de Zelaya têm uma especial responsabilidade para prevenir a violência e garantir o bem-estar do povo hondurenho", disse, sem detalhar. Na semana passada, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, havia dito esperar que a volta de Zelaya pudesse ser uma "ocasião" para o reinício das negociações. Anselem também criticou o governo interino de Honduras por sua ação "deplorável" ao barrar a entrada de uma missão da OEA e declarar estado de sítio no domingo. Anselem também criticou Zelaya por alimentar a violência ao voltar a Honduras na semana passada e se abrigar na Embaixada do Brasil, de onde tem instado seus apoiadores para que tomem as ruas. "O retorno de Zelaya sem um acordo é irresponsável e tolo (...) Ele deveria parar e desistir de fazer acusações enfurecidas e de agir como se estive estrelando em um filme antigo", disse Anselem.
Ele disse que os EUA pediram em diversas ocasiões para que Zelaya não voltasse a Honduras antes de um acordo político por causa da possibilidade de agitação.
"Tendo escolhido, sem ajuda externa, voltar sobre seus termos, o presidente Zelaya e aqueles que facilitaram a sua volta guardam responsabilidade particular pelas ações de seus apoiadores", afirmou a autoridade norte-americana.
Anselem afirmou que o governo dos EUA continuará a pedir que os dois lados cheguem a um acordo seguindo os termos de San José, propostos pelo presidente costarriquenho Óscar Arias, que defende a volta ao poder de Zelaya com o mandato terminando em janeiro. Enquanto o presidente dos EUA, Barack Obama, condenou o golpe que derrubou Zelaya e cortou parte da assistência a Honduras, conservadores o criticam por ajudar um aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Os EUA estão do lado de Zelaya na crise e tentaram patrocinar uma saída negociada para a crise. Mas vários países latino-americanos acusam os EUA de não se empenharem suficientemente para resolver a questão.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Derrota brasileira, mas ganho para Unesco

Em mais uma derrota da diplomacia brasileira, nada a comemorar pela derrota, o nome do egípcio Farouk Hosni perdeu por pequena margem de votos para a eleição de presidente da Unesco para a búlgara Irina Bokova. O Brasil tinha se comprometido com a Liga Árabe a votar no egípcio, que deu declarações desastrosas antissemitas e no fundo anti-cultura, o que é claro, tornaram-no inviável para presidente de um cargo que justamente prega a tolerância e o respeito aos livros. Perder eleições é normal, mas apostar em pessoas assim é expor demais uma fragilidade : ficará pra sempre a questão : como o Brasil, um país tolerante e não antissemita, foi apoiar uma figura daquelas ? Por qual ganho diplomático ?

Texto : Le Figaro : Après cinq tours de scrutin, c'est finalement l'ancienne diplomate communiste bulgare, Irina Bokova, qui a été élue secrétaire générale de l'organisation onusienne. Le ministre égyptien de la Culture faisait pourtant figure de favori.

L'Unesco se préparait à avoir à sa tête un ministre égyptien de la Culture, accusé d'avoir tenu des propos jugés antisémitismes. Mais c'est in fine une diplomate bulgare, ancienne communiste, qui va prendre les fonctions de directrice générale. Mardi, au cinquième tour de scrutin, Irina Bokova, est devenue la première femme à être élue avec 31 voix contre 27 pour Farouk Hosni. Le ministère des Affaires étrangères l'a assurée «du plein soutien de la France».
Militante convaincue de la cause européenne, elle était jusqu'à présent ambassadrice de la Bulgarie en France, à Monaco et auprès de l'Unesco depuis 2005. Cette femme dynamique de 57 ans est l'une des personnalités les plus populaires du Parti socialiste (ex-communiste), aujourd'hui dans l'opposition. Irina Bokova a été premier vice-ministre des Affaires étrangères et coordinateur principal des relations de la Bulgarie avec l'Union européenne (UE) de 1995 à 1997 avant de devenir brièvement chef de la diplomatie bulgare de novembre 1996 à février 1997.
Membre du Conseil exécutif de l'Unesco depuis 2007, elle est également vice-présidente du groupe francophone des ambassadeurs auprès de cette institution de l'Organisation des Nations Unies (ONU), chargée de l'éducation, de la science, de la culture et du patrimoine. Parlant couramment anglais, espagnol, français et russe, elle est mariée et mère de deux enfants.
Une élection à entériner
Pour officiellement succéder au Japonais Koïchiro Matsuura, son nom doit encore être approuvé, par un vote secret, en octobre par la Conférence générale, l'assemblée plénière des 193 membres de l'organisation.
Le statut de grand favori de Farouk Hosni a fondu au cours des tours successifs de l'élection, à laquelle s'étaient présentés neuf candidats. La perspective de le voir à la tête de l'Unesco était dénoncée depuis des semaines par des organisations juives et des intellectuels, principalement en France. Le ministre était accusé de prises de positions antisémites et anti-israéliennes, ainsi que d'appartenir à un régime pratiquant la censure. Il lui est notamment reproché d'avoir déclaré en 2008 devant le Parlement égyptien qu'il «brûlerait lui-même» les livres en hébreu qu'il trouverait dans les bibliothèques du pays. Farouk Hosni avait assuré «regretter» ces mots selon lui sortis de leur contexte, et démenti tout sentiment antisémite

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Entrando de cabeça numa fria

Acho que o Brasil meteu-se numa bela furada: ao abrigar o ex-presidente Zelaya ( não há a menor possibilidade dele ter entrado na embaixada brasileira em Honduras sem o conhecimento expresso do presidente Lula e do chanceler Celso Amorim), o Brasil toma partido diretamente na crise daquele país. O problema é que Zelaya não é um campeão da democracia, muito ao contrário, foi deposto exatamente depois de ter ignorado, pura e simplesmente, uma ordem judicial do Supremo Tribunal de Honduras e todos sabem, é apoiado por outro "campeão democrático", Chávez. A posição do Brasil no caso deveria ter sido mais discreta, mas ao mesmo tempo, marcante: incentivar o diálogo, estabelecer condições para a retomada de uma normalidade jurídica em Honduras, já que o atual presidente é, na prática um golpista ( não nos esqueçamos que o ex- Zelaya, também seria se conseguisse a reeleição) e principalmente, não tomar parte em nenhum dos lados envolvidos, mas manter sua posição de neutralidade, base de sua credibilidade internacional. Ao assumir abertamente a posição de Zelaya, um tipo exótico de caudilho populista à la Chávez, o Brasil não contribui em nada para a situação de Honduras. E ainda por cima, entra de cabeça num embróglio internacional, envolvendo até mesmo território brasileiro no exterior, no caso, a embaixada. Como sair dessa sem grandes problemas será a dor de cabeça daqui por diante.


texto BBC - Brasil
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse nesta segunda-feira, que ninguém voltará a expulsá-lo de seu país e que seu lema a partir de agora será "pátria, restituição ou morte".

Quase três meses depois de sua deposição, Zelaya regressou a Honduras nesta segunda-feira e se refugiou na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

"A partir de agora, ninguém voltará a nos tirar daqui. Por isso, nossa posição é pátria, restituição ou morte", afirmou Zelaya diante dos milhares de simpatizantes que cercaram a embaixada brasileira para comemorar a volta do presidente.

A Frente de Resistência contra o Golpe disse à BBC Brasil que milhares de pessoas estão viajando do interior do país rumo a Tegucigalpa para apoiar a volta do presidente eleito, mesmo com o risco de serem detidos. O governo interino decretou toque de recolher a partir das 16 hrs (horário local) até as 7 horas da terça-feira.

Zelaya disse estar disposto a estabelecer um diálogo com todos os setores do país com o fim de solucionar a crise política instaurada em 28 de junho, quando o líder foi preso, ainda em pijamas, por um grupo de militares e levado ao exílio na Costa Rica. ( comentário meu ao texto da BBC : veja a óbvia contradição de Zelaya, no primeiro momento do texto, fala em restituição ou morte, num segundo, apela ao diálogo... é ou não é fanfarrão ?)

‘Massacre’

Quase ao mesmo tempo, em Caracas, o presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou que a presença da comunidade internacional em Honduras é importante "para evitar um massacre" no país.

"Temos que apoiar a presença de organismos internacionais para evitar um massacre e para que se garanta de maneira pacífica seu retorno (de Zelaya) ao poder", disse Chávez em transmissão ao vivo pela televisão estatal.

Segundo Zelaya, o secrtário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, chegará a Honduras nesta terça-feira para ajudar a solucionar a crise.

O presidente venezuelano, que se tornou alvo de ataques da oposição hondurenha - defendeu a realização de eleições democráticas, com Zelaya no poder.

"Que Honduras retome seu caminho, vá às eleições (...) e que seja o povo de Honduras que tome a decisão", afirmou.

Chávez foi um dos primeiros a anunciar, ao vivo, a notícia do retorno de Zelaya a Honduras nesta segunda-feira.

A aliança de Zelaya com o presidente venezuelano por meio da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) teria levado à ruptura da aliança da direita hondurenha com o presidente eleito, para logo depois derivar na sua destituição, em 28 de junho.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Foguetes, caças, bases, tanques... um circo armado?

Mais uma reunião da Unasul e a pauta continua a mesma : há ou não há problemas militares na América do Sul ? Bases americanas na Colômbia ? Perigo ou apenas a recolocação e bases que eram do Equador para o atual território colombiano ? Em resposta, um sempre histriônico Chávez anuncia a compra de poderosos foguetes de médio alcance russos, arma abertamente ofensiva. Perigo maior que as bases americanas na Colômbia ? Num contexto turbulento como esse, os caças franceses que o governo, de forma atabalhoada, anuncia a compra são quase insignificantes...

Unasul debate se pacto de Chávez inicia corrida por armas
Após venezuelano anunciar compra de mísseis russos, líderes discutem como ampliar confiança entre vizinhos
Denise Chrispim Marin - O Estado de S. Paulo
QUITO - O recente anúncio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, da compra de dez sistemas de mísseis russos deverá tumultuar a reunião de chanceleres e ministros de Defesa da União de Nações Sul-americanas (Unasul), que começa hoje no Equador. No encontro prévio de vice-ministros, ontem, a iniciativa de Chávez foi interpretada como o início de uma "corrida armamentista" na região. No entanto, ao contrário da expectativa de Caracas, reforçou-se a posição da Colômbia de que não apenas seu acordo com os EUA deve estar sobre a mesa de debates da Unasul.
"Para consolidar uma visão de confiança entre os países da América do Sul, não se pode mirar um único acordo, mas todos que, teoricamente, possam violar a soberania territorial dos vizinhos", afirmou a chefe da delegação da Colômbia, Clemencia Forero, ao ser questionada sobre o impacto do pacto Venezuela-Rússia. "Nós também não conhecemos esse acordo."

Na semana passada, praticamente às vésperas do encontro de ministros da Unasul, Chávez anunciou a compra de pelo menos dez unidades do sistema de defesa aérea S-300, da Rússia. Trata-se de um equipamento municiado por 300 mísseis capazes de atingir alvos a 27 mil metros de altitude e a 300 quilômetros de distância. A escolha do equipamento foi assinalada como uma resposta direta da Venezuela à ampliação da presença americana na Colômbia.

Recomendado pelos presidentes sul-americanos, que haviam se reunido em Bariloche no fim de agosto para tratar do tema, o encontro de ontem se deu sob um consenso verbal de que todos os acordos militares com países de fora da América do Sul devem ser objeto de debate pela Unasul. Até mesmo a Venezuela concordou com a iniciativa.

"Vamos colocar as cartas sobre a mesa", afirmou o embaixador da Venezuela na Colômbia, Gustavo Márquez. "O senhor tem um acordo com a Rússia? Está bem, ponha sobre a mesa. O senhor tem um com os EUA? Ponha sobre a mesa."

O desafio de hoje será dar um passo a mais no processo de distensão na América do Sul. Com exceção da Colômbia, todos os países da região não têm dúvidas de que as sete bases colombianas estarão sob gestão de militares americanos e poderão ser usadas, em tese, em missões contra vizinhos em nome do combate ao tráfico de armas e de drogas. Tampouco há dúvidas de que as instalações podem se tornar uma ponte para o transporte aéreo de tropas e armas para outras regiões, como a África. A exigência de garantias de que esses movimentos não se darão continua como principal ponto dessas negociações.

Duas das propostas debatidas ontem - a criação de um código de conduta para a compra de armas, apresentada pelo Equador, e o compromisso de que forças estrangeiras presentes em um país não avançarão no território de seus vizinhos, da Argentina - preveem a adoção de mecanismos de verificação e inspeção ainda não detalhados.

Segundo o vice-ministro da Defesa da Argentina, Alfredo Forti, a verificação seria o principal elemento de garantia a ser oferecido pelos Estados. Desconfortável com a proposta equatoriana, a colombiana Forero afirmou que a criação do código de conduta deveria ser o resultado de um processo de negociação, não o seu começo. "Confiança se constrói, não se impõe."

Sensíveis, essas propostas devem ser destrinchadas hoje pelos ministros. Os representantes devem ainda se debruçar sobre a proposta do Peru de harmonizar indicadores de gastos militares. A medida permitiria a países ter uma noção mais clara dos dispêndios regionais. O Brasil sugeriu a adoção de uma norma que obrigue os sócios da Unasul a notificar todos os seus acordos na área de Defesa com países de fora da região e a divulgar seus gastos militares e as compras de armamentos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

De novo, as bases

De novo, outra reunião da Unasul. De novo, as bases.
Que na verdade não são bases americanas na Colômbia, mas uso de bases colombianas por soldados americanos. Diga-se de passagem, o alarde sobre elas é bastante grande, mas o alcance do acordo bilateral militar entre EUA e Colômbia muda pouco: já faz mais de 30 anos que os americanos treinam, vendem equipamentos, dão suporte logístico e usam bases militares dos colombianos. O problema é que agora, com a histeria chavista, esse acordo foi colocado sob os holofotes. Não há muito o que fazer, afinal um dos princípios da diplomacia brasileira há anos é o da não-ingerência em assuntos internos de outros países e um acordo bilateral é, por definição, um acordo interno. A Colômbia por sua vez e os EUA particularmente irão passar a imagem de um acordo normal, sem afetar possíveis soberanias de outros países;. De fato, não interessa a Colômbia nenhuma invasão territorial pelo território, mas o controle das Farc e da narco-guerrilha ( hoje em dia, a mesma coisa), embora tal controle significa possíveis violações de fronteira, afinal porosas, da floresta amazônica. Ficam duas impressões: 1. o Brasil caiu de bobo nesta história, pois um acordo que existe há 30 anos renovado só agora foi "lembrado" pela política externa brasileira, fazendo coro a um Chávez sempre em busca de um inimigo externo imaginário. 2.o Brasil fica numa posição meio tola de "mediador" entre as diatribes de Chávez e os interesses de Uribe, situação que não traz nenhum benefício ao Brasil, apenas desgaste.



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta sexta-feira, em Bariloche, da reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) disposto a tentar “pacificar” a região após as disputas políticas trazidas à tona com o anúncio sobre o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos, afirmou à BBC Brasil uma fonte do governo brasileiro que acompanha as discussões.

O primeiro compromisso de Lula será um encontro com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e a expectativa é que o brasileiro tente acalmar as fortes críticas do líder venezuelano ao governo da Colômbia.

Segundo o diplomata ouvido pela BBC Brasil, Lula insistirá que a América do Sul é uma região “de paz” e que os assuntos militares devem ficar restritos ao conselho de defesa do grupo.

“Essa é uma discussão principalmente política. Nós já sabemos que são bases colombianas e que serão compartilhadas por militares dos dois países, mas com o comando da Colômbia”, disse.

“Sabemos também que estas ações conjuntas dos militares dos dois países serão limitadas ao território colombiano. E descartamos que o objetivo seja vigiar a Amazônia brasileira”, ressaltou.

EUA na Colômbia

Durante esta semana, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu “garantias jurídicas” de que a maior presença americana na região se limitará ao espaço da Colômbia.

Após um encontro com autoridades colombianas em Bogotá, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o governo de Uribe daria estas “garantias jurídicas” sobre a limitação das bases.

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade San Andrés, Juan Gabriel Tokatlian, a presença de tropas americanas em sete bases colombianas poderia abrir espaço para a presença dos soldados nas regiões, especialmente na fronteira com o Brasil.

“As tropas estarão presentes em áreas sensíveis, como a Amazônia brasileira. Mas agora o importante é uma forte ação da diplomacia dos países (da Unasul) para se evitar ainda mais tensões na região andina”, disse.

Na quarta-feira, o governo colombiano registrou uma queixa formal na Organização dos Estados Americanos (OEA) contra as “ingerências” de Chávez em suas políticas.

“Mas é a Colômbia que está criando problemas para a região, e não a Venezuela”, disse a ex-vice-chanceler venezuelana, Maripili Hernández, às emissoras de televisão da Colômbia.

Ao mesmo tempo, o presidente boliviano, Evo Morales, contrário ao acordo militar, defendeu a realização de um referendo regional para que os eleitores da America do Sul opinem sobre o pacto Colômbia e Estados Unidos. Morales disse que apresentará a idéia na reunião desta sexta.

A expectativa, segundo um diplomata argentino, é de que na reunião da Unasul, prevista para durar pouco mais de três horas, os presidentes, acompanhados pelos ministros das Relações Exteriores e da Defesa, ouçam as palavras do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, sobre o acordo, mas é provável que também comentem por pedido de Uribe, sobre o maior investimento em armamentos nos diferentes países da região.

“No caso do Brasil, é transferência de tecnologia (em relação aos submarinos franceses)”, disse o interlocutor brasileiro, antecipando o possível argumento do Brasil, no encontro.

Nos últimos tempos, segundo dados do Centro de Estudos Nova Maioria, de Buenos Aires, os países da América do Sul investiram 30% mais em armamentos em 2008 do que em 2007.

Renovação

“Não se trata de corrida armamentista. Mas principalmente de renovação dos velhos estoques”, disse à BBC Brasil o professor de relações internacionais, Jorge Battaglino, da Universidade Torquato di Tella.

O governo colombiano pediu que a reunião da Unasul seja transmitida ao vivo por diferentes emissoras de televisão. Mas no fim da noite de quinta-feira, não se sabia a decisão da presidente da Argentina, Cristina Kirchner.

O chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, voltou a dizer, nesta quarta-feira, que a idéia não é pedir aval sobre o acordo durante a reunião da Unasul.

“O acordo já é um fato. É importante para a Colômbia e, ao mesmo tempo, achamos que deveríamos discutir, na região, o combate ao terrorismo e narcotráfico”, disse.

Nesta quinta-feira, em Buenos Aires, o sub-secretário do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, Christopher McMuller, disse que Estados Unidos não pretendem instalar bases na região. E que o acordo com a Colômbia está baseado nos princípios das Nações Unidas e da OEA.

Cooperação

“É um acordo de cooperação militar. Não queremos e não temos planos de construir bases militares”, disse.

Esta será a segunda reunião da Unasul em menos de um mês. Na anterior, em Quito, no Equador, por sugestão dos presidentes Lula e Cristina foi marcada a desta sexta.

Uribe não esteve em Quito porque as relações entre Colômbia e Equador estão interrompidas desde o ano passado, quando o presidente do Equador, Rafael Correa, acusou a invasão de tropas colombianas em seu território.

No governo brasileiro, ainda se espera que a próxima reunião da Unasul conte com a presença de algum representante do governo do presidente Barak Obama.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Duas perguntas....

Leia essa notícia e depois me responda, se puder, duas perguntas:
1-Se Chávez não é um ditador, ele é o quê?
2-O que o governo Lula tem na cabeça para desejar que um país com esse tipo de governante entre para o Mercosul?

texto do jornal O Globo:
Governo venezuelano defende nova lei da educação, que unifica o que é ensinado e coloca supervisores chavistas no controle

No lugar de estudantes, agora foi a vez de pais e professores protestarem contra uma polêmica decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Cerca de mil manifestantes estiveram ontem diante da Assembleia Nacional (o Congresso venezuelano) para pressionar os deputados a não aprovar um controverso projeto de lei que, caso passe, mudará totalmente o sistema de ensino venezuelano, da pré-escola à universidade.

A intenção é introduzir o que o texto em estudo chama de "Doutrina Bolivariana", adequando o ensino aos princípios socialistas, transformando as escolas em centros de reunião das comunidades sob a supervisão de pessoas pagas pelo governo, e dando ao governo federal o poder de definir as carreiras que os estudantes universitários deverão seguir.

O projeto inicial foi aprovado em 2001, mas reações da sociedade civil fizeram com que fosse arquivado. Agora sofreu acréscimos e poderá ser aprovado ainda esta semana no Congresso, dominado por chavistas.

Entre as medidas que deverão entrar em vigor se a Lei Orgânica da Educação for aprovada chamam a atenção aspectos como a forma como as escolas passam a ser chamadas - "escola-família-comunidade" - e a decisão de ensinar as crianças a interpretar o que os meios de comunicação transmitem "desde a mais tenra idade", segundo o ministro da Educação, Héctor Navarro

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Colômbia, Venezuela, Brasil e EUA

Voltando das férias, proponho uma leitura de um tema importante: a América do Sul e as instalações de bases americanas na Colômbia. Tais bases, que na verdade, de acordo com o Gal.Jones dos EUA seria apenas o uso de por americanos de bases colombianas, gera desconforto no Brasil, pela possibilidade concreta de atuação militar americana na fronteira Amazônia brasileira. Claro, gerou, como seria de esperar, reação histriônica do sempre burlesco Chávez, classificando-a como uma possibilidade de domínio imperialista na região. A questão fundamental é: o que exatamente querem os EUA com essas bases? Narcotráfico, guerrilha ou o próprio Chávez? E por falar nele, demorou, mas veio a resposta sobre as armas de poder de fogo elevado que foram encontradas nas Farc. De acordo com a resposta oficial de Chávez, foi um roubo. Pode ser, mas a demora na resposta ao questionamento oficial feito pelo governo da Suécia, origem das armas, deixa dúvidas. Sabe-se que o governo chavista vem alimentando as Farc com armas leves, como fuzis e granadas. Tal fato, gravíssimo em política internacional, vem sendo sistematicamente ignorado pela comunidade sulamericana, Brasil inclusive. Se agora o governo venezuelano alimenta as Farc com armas de maior poder de fogo é sinal de que Chávez está indo longe demais, ou muito provavelmente, já foi longe demais... Boa leitura e bom retorno!

A seguir, dois textos da BBC:O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta quarta-feira que as armas compradas pelo governo venezuelano que foram encontradas em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) teriam sido roubadas de um posto naval na Venezuela em 1995.
Na última semana, o governo da Colômbia anunciou que armamentos comprados pela Venezuela e produzidos na Suécia foram encontrados com a guerrilha, o que levantou suspeitas de eventuais ligações entre o governo Chávez e as Farc. As acusações do governo colombiano causaram uma nova crise diplomática entre os dois países e culminaram com a retirada do embaixador venezuelano de Bogotá. Durante uma entrevista coletiva nesta quarta-feira, Chávez afirmou que as armas encontradas com as Farc – que incluíam lançadores de foguetes de fabricação sueca – foram compradas pela Venezuela na década de 1980 e roubadas em 1995 durante um ataque a uma base naval no Estado de Carabobo. Chávez ainda acusou o governo colombiano de “fazer chantagem” com as acusações, classificadas pelo líder venezuelano como “uma jogada suja e traiçoeira” do presidente colombiano, Álvaro Uribe.
Bases : O presidente venezuelano ainda alegou que a divulgação das informações sobre as armas faria parte de uma espécie de campanha para desviar a atenção do controvertido acordo entre Estados Unidos e Colômbia. O acordo, ainda em fase de negociação, prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases militares no país sul-americano. “Vocês acham que é por acaso que esta informação sai da Colômbia precisamente uns dias depois de nós termos começado a levantar a voz contra a instalação das bases ianques em território colombiano?”. Chávez também reiterou sua condenação à utilização das bases pelos americanos e disse que o acordo poderia ser o início de “uma guerra”. “Estamos preocupados com estas bases porque elas poderiam ser o início de uma guerra na América do Sul. Estamos falando dos ianques, a nação mais agressiva na história”, disse. O presidente venezuelano também anunciou que planeja comprar tanques de guerra russos para aumentar as defesas da Venezuela.
Comércio bilateral
Durante a entrevista coletiva desta quarta-feira, Chávez não apenas fez acusações contra o governo colombiano, mas anunciou novas medidas na relação comercial comércio entre os dois países, aumentando a pressão sobre a Colômbia. Segundo Chávez, além de congelar as relações diplomáticas com a Colômbia - decisão anunciada na semana passada - a Venezuela ainda vai paralisar a importação de carros vindos do país e barrar uma empresa colombiana de petróleo de um campo petroleiro em território venezuelano. O governo anunciou ainda um corte de cerca de US$ 7 bilhões no comércio entre os dois países – negociações que serão substituídas por novos acordos com outros países como Brasil e Argentina. “Vamos substituir todas essas importações. É nossa responsabilidade porque a qualquer momento os ianques podem dizer ‘não enviem mais carne ao Chávez’ ou ‘não mandem mais leite aos venezuelanos’. São os ianques que mandarão por lá, não o Uribe, a Colômbia ou ninguém mais – os ianques”, disse o presidente durante a coletiva. Segundo o correspondente da BBC em Caracas Will Grant, apesar de anunciar as novas medidas, Chávez deu poucos detalhes sobre como a substituição de um dos principais parceiros comerciais da Venezuela funcionaria na prática.

O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general James Jones, disse nesta quarta-feira durante visita a Brasília que o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia “não traz novidades”, mas que está disposto a “conversar” com os países da região sobre o assunto.
Após encontro com o chanceler Celso Amorim, no Itamaraty, Jones disse aos jornalistas que “não há mágica, não há segredos debaixo da mesa” em relação às negociações sobre o acordo que pode permitir que os Estados Unidos utilizem bases militares na Colômbia. “Temos parceria de longa data com a Colômbia e nada mudou”, disse o general. Jones também negou que os Estados Unidos pretendam ter bases militares próprias no país latino-americano. “Vamos apenas usar as instalações colombianas”, disse. O governo brasileiro vem questionando o fato de o acordo prever a utilização das bases para aeronaves de longo alcance - o que, na avaliação brasileira, não seria necessário em um trabalho de observação de território para combate ao narcotráfico.
Jones disse que as aeronaves de longo alcance são necessárias, pois a região está “a uma longa distância dos Estados Unidos”. Segundo ele, haverá apenas dois tipos de aeronaves americanas utilizando as bases: para transporte de pessoal e para observação.
“Omissão” : O general americano disse ainda que os Estados Unidos estão buscando uma relação “mais aberta” com a região. “Penso que poderíamos ter feito um trabalho melhor”, disse Jones, referindo-se às discussões sobre o acordo com a Colômbia. “Se houve erros, foram de omissão, e não de intenção. Não houve nada intencional aqui”, disse. Segundo ele, os Estados Unidos estão enviando militares a dois países da região, que estão interessados em discutir os objetivos do acordo. Os nomes dos países, no entanto, não foram divulgados.
Garantias
Fontes do governo brasileiro disseram à BBC Brasil que a reunião entre o ministro Amorim e o general Jones foi “cordial” e que o general americano ouviu “atentamente” as ponderações brasileiras. Uma das sugestões colocadas sobre a mesa pelo governo brasileiro é de que os Estados Unidos deem algum tipo de garantia de que as bases serão usadas apenas para combate ao narcotráfico e fins humanitários, como afirmam os americanos. Para a diplomacia brasileira, “não há justificativa” para a utilização de aeronaves que podem chegar à ponta do continente sem reabastecer. Além disso, o chanceler Celso Amorim teria dito a Jones que a região passa por um “contexto de estabilidade” e que, se há novos elementos que podem contribuir para a distensão das relações, é preciso que se converse com todos os países. Ainda de acordo com o diplomata ouvido pela BBC Brasil, o general Jim Jones teria reconhecido que houve “falha de comunicação” na discussão sobre o acordo militar.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Um tema quente

Um tema para debate: a atual política externa brasileira, que busca aproximação com virtualmente todos os países do mundo, incluindo aqueles considerados párias como Sudão ou Coréia do Norte, é um ponto positivo na expansão da influência internacional do Brasil ou ao contrário, é um ponto de enfraquecimento da credibilidade que o Brasil tem no exterior, conquistada por décadas, desde o Barão do Rio Branco?
Não há resposta única nem fácil para o tema. Talvez só o tempo dirá se a atual política externa terá bons frutos ou não. Mas uma coisa é dada como certa: o Brasil, em definitivo, saiu da carapaça de isolamento e hoje é player internacional no cenário político, econômico e ambiental do planeta. Resta saber se estamos nos saindo bem nesta nova configuração.

texto: BBC- Brasil: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita a Líbia de Muamar Khadafi nesta quarta-feira em um momento em que a política externa brasileira de boa vizinhança com regimes autoritários e de pragmatismo em relação a questões que envolvem direitos humanos provoca polêmica no país e no exterior.

Lula fará o discurso de abertura na Cúpula da União Africana, que terá Khadafi como anfitrião, líder que está no poder há 40 anos e que vem buscando reabilitação internacional depois de ter admitido a participação de seu governo na derrubada de um avião da PanAm, em 1988, e ter pago U$ 2,7 bilhões em indenizações.

O presidente Lula já havia sido questionado por grupos de defesa dos direitos humanos ao receber o presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, acusado de práticas antidemocráticas e desrespeito aos direitos humanos, e pelo convite ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejah, no momento em que o país sofre pressão da comunidade internacional para adequar seu programa nuclear às resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

O Itamaraty defende a postura com o argumento de que a política externa brasileira se pauta pela “tradição de não-intervenção” nos assuntos internos de outros países e de que o isolamento dos regimes que desafiam a opinião pública mundial não é uma atitude produtiva e o melhor caminho é o diálogo.

Em viagem ao exterior, os dois principais porta-vozes do Itamaraty – o ministro Celso Amorim e o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães – não puderam conversar com a BBC Brasil.

Durante uma entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro Amorim foi questionado sobre as críticas e disse que, nessas questões, “é preciso considerar aspectos geopolíticos”.

“Claro, temos que ter princípios. Mas temos que ter um mínimo de pragmatismo. Se formos nos reunir apenas com pessoas virtuosas, talvez nem precisemos nos reunir”, disse o ministro.

Segundo ele, se o Brasil quiser ter um papel mais relevante nas grandes discussões internacionais, tem de estar preparado para “conversar” com todos os regimes.

Clique Leia também na BBC Brasil: Lula recebe presidente do Uzbequistão, acusado de desrespeito aos direitos humanos

‘Sem justificativa’

Na opinião do professor de Relações Internacionais da Universidade São Carlos José Augusto Guilhon, no entanto, o argumento de que a aproximação com esses países seria importante para ascensão do Brasil no cenário internacional é questionável.

“São países que não participam das grandes decisões”, diz.

Ele também questiona o argumento de que essa atitude se justifica pela estratégia de diversificação do foco das relações externas do Brasil, que ajudou a alavancar o comércio brasileiro com um número maior de países e a reduzir a dependência das exportações para a Europa e para os Estados Unidos. Segundo o governo, isso explicaria, em parte, o fato de o país ter sido menos afetado pela crise econômica global.

“As trocas comerciais do Brasil com a Coreia do Norte são simplesmente insignificantes. Não vejo motivos nem econômicos, nem políticos, para a abertura de uma embaixada naquele país”, diz Guilhon.

Segundo ele, mesmo com países relativamente mais abertos ao comércio, como o Uzbequistão e o Cazaquistão, “é difícil entender se essa aproximação compensa”.

“O ganho comercial que temos com esses países é pequeno perto do desgaste desse tipo de aproximação”, diz.

Para ele, o resultado é uma política externa “abstrata”. “As decisões não refletem nem uma preocupação econômica, nem de segurança nacional, tradicionalmente os dois pilares de uma política internacional”, diz Guilhon.

Sua avaliação é de que a política externa brasileira tem “muitos méritos”, sobretudo no campo econômico e na interlocução com os Estados Unidos e outros países das Américas – mas que esse patrimônio “está sendo minado”.

Postura na ONU

A estratégia de aproximação com regimes controversos inclui uma postura ainda mais delicada, de acordo com especialistas: a de ficar ao lado desses países, mesmo quando acusados de crimes no âmbito das Nações Unidas.

O caso mais polêmico é o do apoio ao Sudão, país acusado de cometer crimes contra civis na região de Darfur. Estima-se que 300 mil pessoas tenham morrido em seis anos, seja em consequência direta dos conflitos ou por doenças agravadas em condições precárias de moradia.

O Brasil tem evitado adotar uma postura que contrarie o governo do Sudão, abstendo-se em votações importantes em conselhos da ONU sobre crimes praticados naquele país.

A conduta brasileira rendeu críticas de organismos internacionais. Recentemente, o Brasil acabou por rever sua conduta, apoiando uma resolução a favor de novas investigações sobre direitos humanos no Sudão.

Já na sessão recente da ONU sobre crimes na Coreia do Norte, o Brasil absteve-se em votação sobre o monitoramento de possíveis crimes no país, como execuções e perseguição política.

Segundo a ONG brasileira Conectas, de defesa dos direitos humanos, o governo brasileiro sempre condenou violações praticadas na Coreia do Norte, mas o país “mudou de posição” nas duas últimas votações, passando a se abster.

Há algumas semanas, a ONG internacional Human Rights Watch divulgou uma nota afirmando que o Brasil está usando seu voto no Conselho de Direitos Humanos da ONU “para proteger países com um espantoso registro de violações”.

“O apoio do Brasil a governos abusivos está comprometendo a atuação do Conselho das Nações Unidas”, disse a organização.

O ex-ministro das Relações Exteriores no governo de Fernando Henrique Cardoso, Celso Lafer, diz que esse “não é um caminho apropriado para o Brasil”.

Segundo ele, o país vem conquistando um importante espaço no cenário internacional, baseado principalmente em sua credibilidade e essa conquista pode ser comprometida.

“A aproximação com o governo do Irã, por exemplo, atrapalha a coerência e a credibilidade de nossas posições em outros fóruns”, diz o ex-ministro.

Parte do jogo

O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UNB), David Fleischer, diz que decisões como essas “fazem parte do jogo político”, mas que o Brasil tem de estar “preparado para as consequências”.

“A sociedade nem sempre aceita esse tipo de conduta. Tanto é assim que o governo está sendo cada vez mais cobrado a dar explicações”, diz Fleischer.

Sua avaliação é de que esses movimentos da política externa brasileira têm um único objetivo: conquistar apoio ao pleito do país por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

“Cada país é um voto, um apoio a mais. Por isso o Brasil não quer fazer inimigos”, diz o professor.

O Itamaraty nega, no entanto, que sua política de boa vizinhança seja uma forma de angariar votos para a reforma do Conselho. Segundo o chanceler Amorim, cada voto do Brasil nos Conselhos da ONU é decidido “com pragmatismo” e na crença de que “sanções não funcionam”.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Livros e fogueira: combinação nada aconselhável

Mais uma possível derrapada da Política Externa do atual governo: o apoio, para lá de controverso e até certa medida inexplicável, que o Brasil está dando ao egípcio Farouk Hosni para diretor geral da Unesco. Este órgão tem como principal tarefa coordenar atividades culturais e educacionais em todo o mundo, sob chancela da ONU. O problema é que este cidadão egício deu, há não muito tempo, uma declaração para lá de infeliz, dizendo que queimaria qualquer livro no Egito que tivesse conteúdo semita, ou seja, pró-judeu. Indicar como diretor geral de uma organização que divulga cultura alguém que diz que gostaria de queimar livros, sejam quais forem, é no mínimo, constrangedor. Há outros pontos em questão: por que não indicar dois brasileiros, competentes e qualificados, para o cargo, ao invés de um egício? Pode paracer bobagem, mas não é: para um país que a cada dia busca, e muitas vezes consegue, afirmar-se como um player internacional, ter conterrâneos em órgãos de destaque mundial como a Unesco é boa política. Mas se você me perguntar o porquê do apoio ao egício, eu devo dizer: não há razões realmente determinantes.

texto do jornal O Globo:
Comissão de Relações Exteriores aprova requerimento solicitando que Amorim considere candidatura de brasileiros

O Senado manifestou ontem sua posição contrária ao apoio do governo brasileiro à candidatura do ministro da Cultura do Egito, Farouk Hosni, ao cargo de diretor-geral da Unesco. A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou ontem requerimento de seu presidente, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), solicitando que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reveja a posição do Brasil, que fez sua opção em detrimento das candidaturas de dois brasileiros: o atual diretor-geral adjunto da Unesco, Márcio Barbosa, e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

- O secretário-geral ou diretor-geral não exerce apenas responsabilidades administrativas. Desempenha funções diplomáticas, inclusive de representação simbólica de sua instituição. Dentro do sistema da ONU, a Unesco assume papel especial. A partir desses critérios, eu peço aqui no plenário desta Casa que o governo do Brasil, por meio do Ministério das Relações Exteriores, reveja o apoio prometido ao senhor Hosni Farouk e o patrocínio da Liga Árabe - reiterou Azeredo em pronunciamento.

Para o senador mineiro, o governo brasileiro não deveria apoiar um nome sob suspeição e posições controversas. Leia mais em O Globo

De Andrei Netto:

Três dos maiores intelectuais da Europa apelaram em artigo publicado ontem, no jornal Le Monde, em Paris, à comunidade internacional para que interfira nas eleições da Organizações das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e evite a vitória de Farouk Hosny. O ministro da Cultura egípcio é acusado de antissemita pelo filósofo Bernard-Henri Lévy, pelo escritor e prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel e pelo cineasta Claude Lanzmann. A candidatura de Hosny recebeu a adesão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nega apoio ao brasileiro Márcio Barbosa, atual número 2 da instituição.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Estado e Mercado: surge mais um player internacional "made in Brazil".

Exemplo clássico da união de interesses entre Estado e Mercado na defesa de ambos: de um lado o óbvio interesse de aumento de ganho em escala da união Sadia-Perdigão, mas de outro, o interesse do Estado brasileiro em criar uma mega companhia com foco em exportação, já que foi a entrada de dólares maciça nos últimos anos promovida pelos superávits comerciais que alavancaram a recuperação da economia brasileira.
texto retirado da Folha de SP:


União Sadia-Perdigão criará Brasil Foods

Negócio, que pode ser fechado ainda hoje, criará a maior exportadora de produtos de carne processada do mundo

Executivo vê sinergia maior nas operações no exterior; nova empresa deve ser a 3ª maior exportadora do país, atrás de Vale e Petrobras

De Maria Cristina Frias:

Brasil Foods (BRF) será o nome da nova companhia que surgirá da união entre Sadia e Perdigão. O nome da futura maior empresa de alimentos industrializados do Brasil será em inglês, mas Brasil será grafado com s, como na língua portuguesa, não com o z do inglês.

O negócio poderá ser fechado hoje, mas, ontem à noite, ainda não se sabia precisar quando exatamente será assinado.

"Pode sair a qualquer momento, estamos de prontidão, mas ontem não foi possível porque há muito detalhamento jurídico. Questões fundamentais já foram ultrapassadas, e o negócio está em fase de finalização", disse um executivo que participa das negociações entre as empresas. Advogados, profissionais de banco e das duas empresas estão reunidos há dias, trabalhando intensamente. Para o executivo, a sinergia obtida com a BRF será maior no exterior e imediata. Haverá ganhos de logística, de meios de produção e em outras áreas.

A nova companhia será a maior exportadora de produtos de carne processada do mundo. Será também a terceira maior exportadora brasileira, atrás de Petrobras e Vale do Rio Doce, mas " a única que levará a marca brasileira para a mesa de consumidores no mundo todo", afirma. Sadia e Perdigão hoje competem entre si em mais de cem países.

O banco e a corretora ficarão de fora da nova empresa por exigência das duas partes. O acordo não poderia acontecer com a área financeira, segundo uma fonte que participou de muitos encontros para fechar o acordo, que chegaram a reunir até 20 pessoas na sala

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Faça o que eu digo mas .....

o blog do Noblat, um dos melhores do país em minha opinião, lança um tema importante para quem estuda R.I.: a verdadeira "mania" que presidentes têm no Brasil ( e em outras países às vezes também...) de usar as embaixadas no exterior como forma de "demitir para cima" políticos derrotados ou indesejados. Tal prática demonstra desprezo pela carreira de diplomata, e no limite, é irresponsável, pois coloca em risco importantes decisões da política externa brasileira, já que cargos fundamentais acabam em mãos de pessoas não preparadas para a tarefa. Noblat aponta no discurso de Lula uma contradição óbvia: ele, Lula, condena a prática das nomeações de políticos para embaixadas, mas ele mesmo as fez constantemente...


texto do blog do Noblat:

É ou não extraordinário, bestial, mas nada surpreendente?

No primeiro mandato, Lula nomeou embaixador políticos derrotados nas eleições. Foi o caso de Paes de Andrade (PMDB-CE), embaixador em Portugal. Foi também o de Tilden Santiago (PT-MG), despachado para Cuba. E o de Itamar Franco (PMDB-MG) - esse apenas por homenagem a ele.

Leiam o que escreveu há pouco o repórter Chico de Góis na edição online de O Globo:

Num discurso de improviso durante a solenidade de formatura de 100 novos diplomatas, no Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez mea culpa por ter utilizado o cargo de embaixador para acomodar políticos derrotados em eleições durante seu primeiro mandato.

(...)

- Não é possível que a gente não leve em conta o tempo de carreira do embaixador, às vezes para chegar a um cargo máximo leva-se 40 anos, 38 anos. As pessoas ficaram esperando a vida inteira para ter um cargo importante e quando entra um governo coloca um político derrotado no lugar de um embaixador. Isso parece fácil, mas não tem nada mais importante para valorizar e motivar a carreira do que a gente garantir a fluidez do tempo que as pessoas têm de ocupar seus cargos. Essa foi uma lição que eu tive do primeiro para o segundo mandato - discursou Lula.

Vai me dizer que Lula levou anos para aprender que não deveria ter feito o que fez? Que só agora se deu conta disso?

Fez média com o público formado por diplomatas e funcionários do Itamaraty. Apenas isso.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Brasil: novo player internacional

Particularmente não concordo com a posição do texto sobre a relação Brasil-Mercosul-Venezuela, mas acho interessante a leitura:

Texto : BBC – Brasil – acesso em 21 de abril de 2009: O Brasil vem se transformando na última década em uma potência regional única, ao se tornar uma sólida democracia de livre mercado, uma rara ilha de estabilidade em uma região conturbada e governada pelo Estado de direito ao invés dos caprichos dos autocratas. A afirmação é feita em artigo publicado na última edição internacional da revista americana Newsweek. "Contando com a cobertura da proteção de segurança americana, e um hemisfério sem nenhum inimigo crível, o Brasil tem ficado livre para utilizar sua vasta vantagem econômica de seu tamanho dentro da América do Sul para auxiliar, influenciar ou cooptar vizinhos, ao mesmo tempo conseguindo conter seu rival regional problemático, a Venezuela", afirma o artigo. Segundo a revista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "preside uma superpotência astuta como nenhum outro gigante emergente". O artigo foi publicado menos de um mês após Lula ter aparecido na capa da Newsweek, com uma entrevista exclusiva à revista após seu encontro com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca.
Poderio militar: A Newsweek observa em seu último artigo que enquanto outros países emergentes e mesmo os Estados Unidos contam com seu poderio militar como forma de afirmação, o Brasil "expressou suas ambições internacionais sem agitar um sabre". A revista observa que quando há algum conflito na região, o Brasil envia "diplomatas e advogados para as zonas quentes ao invés de flotilhas ou tanques". O artigo também comenta que o Brasil tem se tornado uma voz mais assertiva para os países emergentes nos temas internacionais, contestando por exemplo os subsídios agrícolas dos países ricos. "Nenhum governo foi tão determinado como o de Lula em estender o alcance internacional do Brasil. Apesar de ter começado sua carreira política na esquerda, Lula surpreendeu os investidores nacionais e estrangeiros ao preservar as políticas amigáveis ao mercado de Fernando Henrique Cardoso internamente, para a frustração dos militantes de seu Partido dos Trabalhadores. Para a esquerda, ele ofereceu uma política externa vitaminada", diz a Newsweek.
Influência americana: A revista diz que os esforços brasileiros advêm da estratégia "não-declarada" de se contrapor à influência dos Estados Unidos e de dissipar as expectativas de que exerça um papel de representante de Washington", mas que nem por isso o país embarcou na "revolução bolivariana". "Pelo contrário, Lula tem controlado a região ao cooptar os vizinhos com comércio, transformando todo o continente em um mercado cativo para os bens brasileiros", diz o artigo. "No fim das contas, o poder do Brasil vem não de armas, mas de seu imenso estoque de recursos, incluindo petróleo e gás, metais, soja e carne."A revista afirma que isso também tem servido para conter a Venezuela e que a provável aprovação próxima da entrada do país de Hugo Chávez ao Mercosul não é "um endosso aos desejos imperiais de Chávez, mas uma forma de contê-lo por meio das obrigações do bloco comercial, como o respeito à democracia e a proteção à propriedade". "Isso pode ser política de risco. Mas as apostas estão nos brasileiros. Sem um manual para se tornar uma potência global, o Brasil de Lula parece estar escrevendo o seu próprio manual", conclui a Newsweek.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Bizarro

Acredito, e não estou sozinho, que somos muito condescedentes com nosso presidente. O fato dele vir “de baixo” é mérito e não pouco, numa sociedade com fortes desigualdades como a nossa. Ao mesmo tempo, seu governo, mesmo com muitos erros, não pode ser classificado de todo desprezível. Mas por isso, não cabe então concluir que ele, pessoa física e chefe de Estado e de Governo, possa, impunemente, falar o que lhe vem à cabeça, com alegria e desfaçatez, numa recepção oficial a um chefe de Governo estrangeiro. Primeiro, porque a declaração é falsa em essência: a crise não foi orquestrada por uma elite racial com propósitos maquiavélicos de destruir pobres e oprimidos. Tal concepção infantilizada de Relações Internacionais não leva a nenhuma análise minimamente coerente. E segundo, pela deselegância da declaração, que poderia levar o ministro Gordon Brown a sentir-se ofendido pessoalmente, coisa impensável num país que se pretende ser levado a sério no mundo e ainda por cima aspirar a uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Lula desperdiçou mais um momento de ficar calado ou falar o que deve ser dito, não emitir declarações pretensamente bombásticas e vingativas que no fundo, como disse o jornal britânico, são apenas circenses.... bizarras.
O mais delicioso : o comentário de Lula foi classificado como bizarro.

Fonte: BBC-Brasil: A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a crise financeira foi causada por "gente branca de olhos azuis" foi destaque na imprensa britânica nesta sexta-feira.
O comentário foi feito na quinta-feira, no encontro com o premiê britânico Gordon Brown, em Brasília
Para vários jornais, a declaração pegou Brown de surpresa. Segundo o Daily Telegraph e o Independent, o premiê britânico ficou "constrangido".
De acordo com o Times, "os esforços de Gordon Brown de 'amaciar' o caminho para um acordo internacional na reunião do G20, em Londres, encontraram um 'quebra-molas' no Brasil", quando o premiê ouviu a frase de Lula.
O Times destaca ainda que Lula já avisou que as discussões no G20 serão "apimentadas", quando os líderes mundiais se reunirem para negociar quem deve pagar os custos da crise.
"As declarações de Lula ameaçaram ofuscar o anúncio da proposta de uma injeção de 100 bilhões de libras (cerca de R$ 326 bilhões) de financiamento para impulsionar o comércio mundial. Brown disse que a expansão do crédito é o requerimento mínimo (para recuperar a economia) com o colapso das exportações em vários países", disse o jornal. O diário Financial Times diz que Brown tentou se distanciar de Lula ao ouvir o comentário sobre "gente branca de olhos azuis", respondendo que "não ia atribuir culpa a nenhum indivíduo".
Para o jornal The Guardian, os comentários de Lula "animaram a viagem de cinco dias de Gordon Brown pelas Américas do Sul e do Norte. Ela foi planejada para preparar o caminho para um acordo global sobre como combater o desaquecimento econômico na reunião do G-20, na próxima semana, a ser presidida por Brown".
O Guardian destaca ainda que Brown viajou para o Brasil para anunciar sua última iniciativa para estimular o comércio global e que ele foi extremamente elogiado por Lula.
"Mas enquanto eles esperavam na entrada formal do palácio presidencial, Brown teve que assistir enquanto o combativo ex-líder sindical embarcou em uma de suas conhecidas tiradas."
Mas em editorial, o jornal afirma que talvez o premiê britânico devesse usar melhor o seu tempo, preparando o encontro do G20 na semana que vem.
O editorial afirma que a reunião está ficando tão ambiciosa que será "impossível resolver qualquer coisa".
O Independent cita um secretário do Ministério do Exterior britânico, que durante a visita de Brown a Brasília disse que "os líderes das maiores economias globais vão ter que produzir mais do que retórica vazia" na reunião do G20.
O diário afirma que o premiê britânico ficou "constrangido" quando Lula citou a "gente branca de olhos azuis", mas que fontes do governo sugeriram que os comentários foram para "consumo doméstico".
O Daily Telegraph também diz que Brown parecia "constrangido", e que o comentário de Lula ofuscou o anúncio do fundo para estimular o comércio global.
E o Daily Mirror classificou os comentários de Lula como "bizarros" afirmando que outro secretário do governo, que estava na plateia, demonstrou uma expressão de enfado ao ouvir as palavras

terça-feira, 24 de março de 2009

Golpe em Cuba?

Um golpe abortado em Cuba?
o artigo publicado semana passada na revista Newsweek indica que um golpe foi abortado em Cuba pelo atual ditador, Raul Castro, ao afastar dois nomes importantes na linha de sucessão, Carlos Lage e Perez Roque, da direção do país. Os dois estariam interessados em derrubar Raul Castro, e neste golpe contariam com apoio do presidente Chávez. Ironicamente, o velho Raul, com mais de 70 anos, estaria disposto a fazer mudanças mais rápidas na ilha assim que seu irmão morresse, enquanto os dois afastados, mais jovens, queriam não só manter o poder, mas manter as coisas como estão. Chávez teria apoiado os dois, porque para ele não interessa que a única nação socialista do continente inicie mudanças em sua economia, justo no momento em que ele mesmo, Chávez, acelera seu projeto de total nacionalização da economia venezuelana. Ao ser descoberto o golpe, Raul Castro expulsou os dois aspirantes ao poder do partido e dos cargos que ocupavam.
O artigo foi escrito pelo respeitado intelectual mexicano Carlos Castaneda, que afirma que ele mesmo não provas do que está afirmando. Afinal, em regimes ditatoriais como o cubano, nunca podemos ter certeza de nada do que acontece na luta intestina pelo poder. Mas, como se diz, "se non é vero, é bem trobato". A demissão sumária de dois expoentes no "novo" regime ( velho na verdade, por que contra mudanças que Raul parece querer fazer) foi realmente muito estranha. Assim como foi estranha a reação da imprensa esquerdista brasileira ao fato: simplesmente ignoraram qualquer nota a respeito, apegada que está a mitologia cubana como salvação missionária latino-americana. Mas a verdade é uma só: assim que Fidel morrer, algo diferente poderá ocorrer na ilha, com pouquíssimas consequencias para o resto do continente, já que Cuab é um país isolado do resto do planeta, mas imensas consequências intelectuais para muitos que ainda a consideram a farol socialista para a latinoamérica.
Chavez e seguidores devem estar preocupados...



(CNN) -- Some long-time Cuba watchers expressed skepticism Tuesday over a report by a former Mexican foreign minister that Communist leader Raul Castro removed two top-ranking officials earlier this month because they were plotting to overthrow him with the support of Venezuelan President Hugo Chavez.

Jorge G. Castaneda, who served as Mexico's foreign minister from 2000 - 2003, wrote in the March 23 issue of Newsweek, which became public Saturday, that Deputy Prime Minister Carlos Lage Davila and Foreign Minister Felipe Perez Roque were concerned that Raul Castro would make concessions that would betray the 50-year-old Cuban Revolution.

"For at least a month or so, Lage, Perez Roque and others were apparently involved in a conspiracy, betrayal, coup or whatever term one prefers, to overthrow or displace Raul from his position," Castaneda wrote. "In this endeavor, they recruited -- or were recruited by -- Venezuela's Hugo Chavez, who in turn tried to enlist the support of other Latin American leaders, starting with Leonel Fernandez of the Dominican Republic, who refused to get involved."

The Venezuelan Embassy in Washington did not answer a verbal and written request for comment.

The Dominican Republic Embassy in Washington did not answer telephones calls at various numbers.

Robert Pastor, who served as a Latin America National Security adviser for President Jimmy Carter in the late 1970s, returned Saturday from a weeklong visit to Cuba.

Pastor said he wrote Castaneda a letter upon his return expressing his disbelief in Castaneda's contentions.

"This is Jorge at his most creative," Pastor said Tuesday.

Louis A. Perez Jr., a Cuba scholar who has written 12 books on the nation, also expressed his doubts
"Where is this coming from?" Perez asked. "I operate with the idea that there has to be some standard of plausibility. Is there discontent in Cuba and was Lage seen as the heir apparent? Yeah, that's the conventional wisdom since last year. But that there's a conspiracy between Lage and Perez Roque? I don't think so. It would be helpful if the people who write these reports cross the barrier of speculation."

Castaneda freely offers that he has no proof, calling his thesis "informed speculation."

"I have no way to substantiate any of this," he said by telephone Tuesday from Mexico City. "I have no evidence of it."

Instead, Castaneda points to an "enigmatic" comment former leader Fidel Castro made in a column after the two men were removed.

"He resorted to a baseball metaphor on the occasion of the World Baseball Classic to praise Dominicans for not participating (the team's plans had been unclear) and to claim that Chavez's baseball players, 'as good and young' as they might be, were no match for 'Cuba's seasoned all-stars,' " Castaneda wrote in the Newsweek article.

Castaneda says Castro was thanking Dominican President Fernandez and sending a veiled message to Chavez.

The former Mexican official also points to Chavez' silence on the removal of the two men as further proof that he was involved.

The two fired functionaries were acting out of loyalty to the revolution, Castaneda wrote.

Fidel Castro, beset by illness, ceded power to his younger brother last year. Most analysts see Fidel Castro as the more idealistic and doctrinaire of the two brothers, while Raul is viewed as more pragmatic.

"Their reasons for wishing to unseat Raul were mainly turf and power," Castaneda wrote, "but they also feared that the leader was beginning to feel threatened by the reaction of the Cuban people to excessive economic and social deprivation, and after his brother's demise would be unable to control the flow of events. Consequently, he would accept a series of economic and political reforms to normalize relations with the United States. ...

"They believed this to be a betrayal of the revolution, and the beginning of the end of its survival."

According to Castaneda, Raul Castro detected the plot and went to his brother and gave him an ultimatum: support him or the plotters. Fidel Castro agreed to back his brother, Castaneda wrote.

The Castro brothers then called in Chavez and gave him a "devil's alternative: back off, while maintaining economic support for the island, or lose his Cuban security detail and intelligence apparatus, exposing himself to coups and assassination attempts from eventual Venezuelan replacements. He chose to stick with the Castros."

Castaneda acknowledges that Pastor and others have criticized him but says, "I ask that they offer a better explanation."

Says Pastor, "Most of them are quite conventional explanations. Everyone knew he was going to change the Cabinet. The only question was when the changes would be."

Raul Castro was merely trying to make the government more efficient, Pastor said.

"What was he doing?" he asked. "Merging different ministries, trying to decentralize and strengthen the government's capacity to undertake economic reforms."

But Castaneda points to the manner in which the two men were removed as proof that there was more to it than just a change in government.

Why weren't Lage and Perez Roque given ambassadorships or other face-saving posts, as is often done in cases like this, he asked?

Instead, Castaneda said, the men were stripped of all posts and made to sign letters in which they confessed to unspecified "mistakes." And one day after the two men were removed, Fidel Castro wrote in his column that they were ousted after they became seduced by the "honey of power," which led them to an "unworthy role." Castro further said the two men had reawakened the illusions of "foreign powers" regarding Cuba's future.

Castaneda says Raul Castro was worried about what would happen after Fidel dies and was trying to avert a succession battle. Perez Roque, 43, might have been perceived as a threat.

"Perez Roque was popular in Cuba; his youth, his humble origins, his combative nature all brought him closer to the people than most Cuban bureaucrats," Castaneda wrote in Newsweek.

Pastor notes that the decision to remove the two men was not popular.

"There was pushback in Cuba among the [Communist Party] cadres and the public who said, "We've connected with these two people. Why are they going?" Pastor said. "They didn't feel the government had given an adequate explanation for changing those individuals. They were concerned about the language of the resignations and about Fidel's comments."

Interestingly, Pastor said, "They blamed Fidel more than they seemed to blame Raul."

Perez, the Cuba scholar, also noted Fidel Castro's apparent passing from power.

"Nobody speaks of Fidel anymore," Perez said. "He's a non-presence. Out of sight, out of mind. The only time anyone speaks of him is when they are asked about him

sexta-feira, 20 de março de 2009

Rússia vende mísseis ao Irã: começo do fim ?

http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowVideos.action?destaque.idGuidSelect=CB9878B9415C48F18B3AB684E5EFF2FD

o link acima leva até a TV Estadão, cujo vídeo de iteresse refere-se a compra, recente, de misseis de interceptação de longo alcance de fabricação russa pelo Irã.
A análise do comentarista de assuntos militares do Estadão, Roberto Godoy, aliás o único do gênero na (pobre) imprensa brasileira, é interessantíssima: se o Irã diz que as instalações nucleares são de uso pacífico, porque ele compra mísseis de interceptação de ataque aéreo ? Por outro lado, exatamente porque os EUA/Israel dizem que podem atacar tais instalações nucleares é que fica configurada a necessidade da compra de tais mísseis.... mais realista impossível !!!
Outra frase bastante intensa da análise desse ótimo jornalista: "o mundo começou ali...pode acabar ali": foi naquela região que, há alguns milênios atrás, surgiram as primeiras cidades e a primeira grande civilização, a Mesopotâmia. Com a possibilidade de um ataque preventivo israelense ANTES e 8 meses, data da entrega dos mísseis, fica claro que pod começar o fim do mundo por ali mesmo... frase forte, marcantemente realista, mas não de todo impossível.


Se o link acima não funcionar, vá de :
http://www.estadao.com.br/home/index.shtm
e depois busque Irã ou mísseis.
Depois do vídeo, se quiser, leia um pouco de Nostradamus....

Bom fim de semana !

sexta-feira, 13 de março de 2009

Dois erros não é igual a um acerto

Não satisfeito em ter feito uma bobagem teatral no asilo político a um assassino, contrariando normas de um país democrático como a Itália, nosso brilhante ministro, numa pretensa prova de sua imparcialidade, agora quer dar asilo político a um militante fascista. Agindo assim, o ministro age como aqueles juízes de futebol, que, para consertar um pênalti marcado mas que não existiu para o time A, marca outro, igualmente inexistente, para o time B. Melhor seria se ficasse com um único erro que cometer dois.
Não se trata se o asilo político é de “esquerda’ ou de “direita”: trata-se de dar ou não asilo a um foragido, desde que as condições de julgamento em seu país de origem tenham sido corretas ou não. Não é uma questão ideológica, mas jurídica, técnica mesmo. A Itália é um país democrático, o foragido foi julgado de acordo com normas italianas e européias, portanto, sendo ele de esquerda ou direita, conceda-se sua extradição. Simples assim.
Julgando qualquer coisa como política e ainda pior, agindo agora para “compensar” à direita uma falha que ele não admite, o ministro joga na lona qualquer idéia de seriedade jurídica que o Brasil pretendia ter. Nossa diplomacia deve estar em estado de pânico com tanta trapalhada.
E um último comentário: O ministro “não acha” que Cuba seja uma democracia. Com que elementos ele chegou a essa conclusão ? Só porque Fidel Castro ficou 50 anos no poder ? Só porque o irmão dele assumiu depois ? Só porque em Cuba só há um jornal ? Só porque em Cuba só há um partido político ? Só porque em Cuba mata-se quem fala mal do governo ?
Acho que nosso ministro chegou a essa conclusão de modo muito precipitado, afinal, o PT ainda está “discutindo” o assunto....




Ministro diz que, se fosse um dos pugilistas cubanos, teria pedido para ficar no Brasil, pois Cuba não tem regime democrático
De Evandro Éboli: O Globo.
Acusado por parlamentares da oposição de tratar com privilégio o ex-ativista de esquerda Cesare Battisti, o ministro da Justiça, Tarso Genro, anunciou ontem, no Senado, que concederá também o status de refugiado para Pierluigi Bragaglia, antigo militante de um grupo fascista na Itália, assim que o caso chegar às suas mãos. Bragaglia está preso na Polícia Federal, em São Paulo. O governo italiano pediu a extradição ao Supremo Tribunal Federal, em agosto de 2008. O ministro Cezar Peluso é o relator do caso.
- Ainda não chegou no Ministério da Justiça pedido de refúgio para um antigo fascista, que cometeu crimes análogos aos de Battisti. Se esse caso chegar a mim, e as condições forem semelhantes (às de Battisti), concederei o refúgio. É uma postura de Estado - disse Tarso.
O ministro voltou a defender a condição de refugiado de Battisti e afirmou conhecer o processo no qual ele foi condenado à prisão perpétua, na Itália. Para ele, Battisti não teve direito ao contraditório.
- Para mim, não houve o exercício da ampla defesa para Cesare Battisti. Ele assinou uma procuração em branco para um advogado que nem conhecia. E o denunciaram.
Na audiência, Tarso foi questionado sobre o tratamento dado, em 2007, pelo governo brasileiro aos boxeadores cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux. Para a oposição, eles foram expulsos sem as mesmas oportunidades dadas a Battisti. O ministro disse não considerar democrático o regime político de Cuba e explicou que enfrenta essa discussão dentro do PT:
- Não acho que Cuba tenha um regime democrático. Discuto isso dentro do PT. É um país que tem relações internacionais. Como deter dois jovens cubanos que querem ir embora? É o contrário de Cesare Battisti, que apresentou pedido cabal e quer ficar no Brasil. Leia mais em O Globo

segunda-feira, 2 de março de 2009

Estatização nos EUA ?

Há um ano atrás, cada ação da AIG, então a maior seguradora do mundo e uma das maiores empresas privadas do planeta, valia 46 dólares: hoje vale impressionantes 40 cents de dólar...Isso poderia ser um desastre para os investidores privados da empresa, se eles não tivessem abandonado o "titanic" antes disso: hoje, 80% das ações da empresa estão nas maõs do governo americano e com a ajuda recente desta semana, esse índice poderá aumentar e chegar de vez aos 100%. Isso não é estatização bem na terra do Liberalismo ? Bem... é, mas é melhor falar baixo, pois para a maioria dos americanos, estatização é algo tão feio como evolucionismo no estado do Ohio....

A discussão nos EUA não é estatizar ou não, pois o efeito prático foi muito maior que isso: ou a AIG era estatizada, ou o sistema financeiro daquele país poderia derreter, gerando uma segunda tsumani global nos mercados mundiais com sabe-se lá qual consequência. Mas não tenha dúvida: apesar de amplas parcelas do sistema financeiro americano estarem, hoje, estatais ( além da AIG, as duas financiadores de hipotecas, F.Mac e F. Mae, e várias parcelas do Citi), os americanos, tanto povo quanto governo, continuam liberais: ou seja, estatizamos para evitar um colapso, mas assim que pudermos, vendemos, privatizamos de novo, essas empresas. É uma discussão interessante que, do lado americano, é menos teórica e mais prática.

A próxima etapa da crise poderá estar relacionada com as operadoras de cartão de crédito, que até agora estão fora do olho do furacão. Espere que poderá vir mais por aí.


Texto BBC-Brasil:
A seguradora American International Grupo (AIG), uma das maiores do mundo, registrou um prejuízo de US$ 61,7 bilhões nos últimos três meses de 2008, a maior perda trimestral já registrada na história corporativa dos Estados Unidos.

O anúncio veio depois de o Tesouro e o Banco Central americano (o Fed) anunciarem uma ajuda adicional de US$ 30 bilhões à seguradora, como parte de uma versão revisada do pacote de resgate de empresas do setor financeiro.

A AIG já tinha recebido US$ 150 bilhões - a maior ajuda já recebida por uma empresa americana - do governo.

O novo plano de ajuda também envolve a reestruturação das operações da AIG e pede que o Fed assuma participações em duas das unidades internacionais da AIG em troca da redução da dívida da companhia.

O apoio financeiro à AIG é cerca de três vezes maior do que o dado ao Citigroup, que foi de US$ 50 bilhões, e do Bank of America, que recebeu US$ 45 bilhões.

Em uma declaração conjunta, o Fed e o Tesouro americano afirmaram que a AIG representa um "risco" ao sistema financeiro global.

"O risco potencial da falta de medidas do governo, para a economia e para o contribuinte, seria extremamente alto", afirma a declaração.

"Os recursos adicionais vão ajudar a estabilizar a companhia e, ao fazer isso, estabilizar o sistema financeiro."

A notícia do prejuízo histórico da AIG foi dada em um momento em que o banco HSBC, o maior da Europa, tenta levantar US$ 17,7 bilhões (cerca de R$ 42,3 bilhões) para fortalecer suas finanças depois de uma queda de 62% em seu lucro anual.

Grande demais

Segundo a correspondente da BBC em Nova York Michelle Fleury, a AIG é considerada grande demais para falir. A companhia garante cerca de US$ 300 bilhões em bens por meio de contratos derivativos.

Há um grande temor de que agências de avaliação de crédito como a Moody's, Fitch e Standard & Poor's, revejam suas avaliações de crédito da AIG como resultado do prejuízo recorde registrado.

Isto poderia forçar a AIG a dar um calote, o que poderia ter um efeito desastroso em todos os negócios da seguradora.

A AIG fornece seguros de vida, para pequenas empresas, municípios, planos de aposentadoria e grandes companhias americanas.

Além de fornecer seguros para residências, a AIG também tem um papel importante ao assegurar riscos de instituições financeiras em mundo todo.

De acordo com Fleury, o governo americano também acredita que o colapso da AIG seria desastroso, mas a decisão de salvar a seguradora poderá desencadear a insatisfação do público, que está começando a questionar medidas que arriscam o dinheiro dos contribuintes para resgatar companhias particulares.

A primeira ajuda que a companhia recebeu do governo foi em setembro, logo depois do colapso da Lehman Brothers.