De novo, outra reunião da Unasul. De novo, as bases.
Que na verdade não são bases americanas na Colômbia, mas uso de bases colombianas por soldados americanos. Diga-se de passagem, o alarde sobre elas é bastante grande, mas o alcance do acordo bilateral militar entre EUA e Colômbia muda pouco: já faz mais de 30 anos que os americanos treinam, vendem equipamentos, dão suporte logístico e usam bases militares dos colombianos. O problema é que agora, com a histeria chavista, esse acordo foi colocado sob os holofotes. Não há muito o que fazer, afinal um dos princípios da diplomacia brasileira há anos é o da não-ingerência em assuntos internos de outros países e um acordo bilateral é, por definição, um acordo interno. A Colômbia por sua vez e os EUA particularmente irão passar a imagem de um acordo normal, sem afetar possíveis soberanias de outros países;. De fato, não interessa a Colômbia nenhuma invasão territorial pelo território, mas o controle das Farc e da narco-guerrilha ( hoje em dia, a mesma coisa), embora tal controle significa possíveis violações de fronteira, afinal porosas, da floresta amazônica. Ficam duas impressões: 1. o Brasil caiu de bobo nesta história, pois um acordo que existe há 30 anos renovado só agora foi "lembrado" pela política externa brasileira, fazendo coro a um Chávez sempre em busca de um inimigo externo imaginário. 2.o Brasil fica numa posição meio tola de "mediador" entre as diatribes de Chávez e os interesses de Uribe, situação que não traz nenhum benefício ao Brasil, apenas desgaste.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta sexta-feira, em Bariloche, da reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) disposto a tentar “pacificar” a região após as disputas políticas trazidas à tona com o anúncio sobre o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos, afirmou à BBC Brasil uma fonte do governo brasileiro que acompanha as discussões.
O primeiro compromisso de Lula será um encontro com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e a expectativa é que o brasileiro tente acalmar as fortes críticas do líder venezuelano ao governo da Colômbia.
Segundo o diplomata ouvido pela BBC Brasil, Lula insistirá que a América do Sul é uma região “de paz” e que os assuntos militares devem ficar restritos ao conselho de defesa do grupo.
“Essa é uma discussão principalmente política. Nós já sabemos que são bases colombianas e que serão compartilhadas por militares dos dois países, mas com o comando da Colômbia”, disse.
“Sabemos também que estas ações conjuntas dos militares dos dois países serão limitadas ao território colombiano. E descartamos que o objetivo seja vigiar a Amazônia brasileira”, ressaltou.
EUA na Colômbia
Durante esta semana, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu “garantias jurídicas” de que a maior presença americana na região se limitará ao espaço da Colômbia.
Após um encontro com autoridades colombianas em Bogotá, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o governo de Uribe daria estas “garantias jurídicas” sobre a limitação das bases.
Para o professor de Relações Internacionais da Universidade San Andrés, Juan Gabriel Tokatlian, a presença de tropas americanas em sete bases colombianas poderia abrir espaço para a presença dos soldados nas regiões, especialmente na fronteira com o Brasil.
“As tropas estarão presentes em áreas sensíveis, como a Amazônia brasileira. Mas agora o importante é uma forte ação da diplomacia dos países (da Unasul) para se evitar ainda mais tensões na região andina”, disse.
Na quarta-feira, o governo colombiano registrou uma queixa formal na Organização dos Estados Americanos (OEA) contra as “ingerências” de Chávez em suas políticas.
“Mas é a Colômbia que está criando problemas para a região, e não a Venezuela”, disse a ex-vice-chanceler venezuelana, Maripili Hernández, às emissoras de televisão da Colômbia.
Ao mesmo tempo, o presidente boliviano, Evo Morales, contrário ao acordo militar, defendeu a realização de um referendo regional para que os eleitores da America do Sul opinem sobre o pacto Colômbia e Estados Unidos. Morales disse que apresentará a idéia na reunião desta sexta.
A expectativa, segundo um diplomata argentino, é de que na reunião da Unasul, prevista para durar pouco mais de três horas, os presidentes, acompanhados pelos ministros das Relações Exteriores e da Defesa, ouçam as palavras do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, sobre o acordo, mas é provável que também comentem por pedido de Uribe, sobre o maior investimento em armamentos nos diferentes países da região.
“No caso do Brasil, é transferência de tecnologia (em relação aos submarinos franceses)”, disse o interlocutor brasileiro, antecipando o possível argumento do Brasil, no encontro.
Nos últimos tempos, segundo dados do Centro de Estudos Nova Maioria, de Buenos Aires, os países da América do Sul investiram 30% mais em armamentos em 2008 do que em 2007.
Renovação
“Não se trata de corrida armamentista. Mas principalmente de renovação dos velhos estoques”, disse à BBC Brasil o professor de relações internacionais, Jorge Battaglino, da Universidade Torquato di Tella.
O governo colombiano pediu que a reunião da Unasul seja transmitida ao vivo por diferentes emissoras de televisão. Mas no fim da noite de quinta-feira, não se sabia a decisão da presidente da Argentina, Cristina Kirchner.
O chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, voltou a dizer, nesta quarta-feira, que a idéia não é pedir aval sobre o acordo durante a reunião da Unasul.
“O acordo já é um fato. É importante para a Colômbia e, ao mesmo tempo, achamos que deveríamos discutir, na região, o combate ao terrorismo e narcotráfico”, disse.
Nesta quinta-feira, em Buenos Aires, o sub-secretário do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, Christopher McMuller, disse que Estados Unidos não pretendem instalar bases na região. E que o acordo com a Colômbia está baseado nos princípios das Nações Unidas e da OEA.
Cooperação
“É um acordo de cooperação militar. Não queremos e não temos planos de construir bases militares”, disse.
Esta será a segunda reunião da Unasul em menos de um mês. Na anterior, em Quito, no Equador, por sugestão dos presidentes Lula e Cristina foi marcada a desta sexta.
Uribe não esteve em Quito porque as relações entre Colômbia e Equador estão interrompidas desde o ano passado, quando o presidente do Equador, Rafael Correa, acusou a invasão de tropas colombianas em seu território.
No governo brasileiro, ainda se espera que a próxima reunião da Unasul conte com a presença de algum representante do governo do presidente Barak Obama.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Duas perguntas....
Leia essa notícia e depois me responda, se puder, duas perguntas:
1-Se Chávez não é um ditador, ele é o quê?
2-O que o governo Lula tem na cabeça para desejar que um país com esse tipo de governante entre para o Mercosul?
texto do jornal O Globo:
Governo venezuelano defende nova lei da educação, que unifica o que é ensinado e coloca supervisores chavistas no controle
No lugar de estudantes, agora foi a vez de pais e professores protestarem contra uma polêmica decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Cerca de mil manifestantes estiveram ontem diante da Assembleia Nacional (o Congresso venezuelano) para pressionar os deputados a não aprovar um controverso projeto de lei que, caso passe, mudará totalmente o sistema de ensino venezuelano, da pré-escola à universidade.
A intenção é introduzir o que o texto em estudo chama de "Doutrina Bolivariana", adequando o ensino aos princípios socialistas, transformando as escolas em centros de reunião das comunidades sob a supervisão de pessoas pagas pelo governo, e dando ao governo federal o poder de definir as carreiras que os estudantes universitários deverão seguir.
O projeto inicial foi aprovado em 2001, mas reações da sociedade civil fizeram com que fosse arquivado. Agora sofreu acréscimos e poderá ser aprovado ainda esta semana no Congresso, dominado por chavistas.
Entre as medidas que deverão entrar em vigor se a Lei Orgânica da Educação for aprovada chamam a atenção aspectos como a forma como as escolas passam a ser chamadas - "escola-família-comunidade" - e a decisão de ensinar as crianças a interpretar o que os meios de comunicação transmitem "desde a mais tenra idade", segundo o ministro da Educação, Héctor Navarro
1-Se Chávez não é um ditador, ele é o quê?
2-O que o governo Lula tem na cabeça para desejar que um país com esse tipo de governante entre para o Mercosul?
texto do jornal O Globo:
Governo venezuelano defende nova lei da educação, que unifica o que é ensinado e coloca supervisores chavistas no controle
No lugar de estudantes, agora foi a vez de pais e professores protestarem contra uma polêmica decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Cerca de mil manifestantes estiveram ontem diante da Assembleia Nacional (o Congresso venezuelano) para pressionar os deputados a não aprovar um controverso projeto de lei que, caso passe, mudará totalmente o sistema de ensino venezuelano, da pré-escola à universidade.
A intenção é introduzir o que o texto em estudo chama de "Doutrina Bolivariana", adequando o ensino aos princípios socialistas, transformando as escolas em centros de reunião das comunidades sob a supervisão de pessoas pagas pelo governo, e dando ao governo federal o poder de definir as carreiras que os estudantes universitários deverão seguir.
O projeto inicial foi aprovado em 2001, mas reações da sociedade civil fizeram com que fosse arquivado. Agora sofreu acréscimos e poderá ser aprovado ainda esta semana no Congresso, dominado por chavistas.
Entre as medidas que deverão entrar em vigor se a Lei Orgânica da Educação for aprovada chamam a atenção aspectos como a forma como as escolas passam a ser chamadas - "escola-família-comunidade" - e a decisão de ensinar as crianças a interpretar o que os meios de comunicação transmitem "desde a mais tenra idade", segundo o ministro da Educação, Héctor Navarro
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Colômbia, Venezuela, Brasil e EUA
Voltando das férias, proponho uma leitura de um tema importante: a América do Sul e as instalações de bases americanas na Colômbia. Tais bases, que na verdade, de acordo com o Gal.Jones dos EUA seria apenas o uso de por americanos de bases colombianas, gera desconforto no Brasil, pela possibilidade concreta de atuação militar americana na fronteira Amazônia brasileira. Claro, gerou, como seria de esperar, reação histriônica do sempre burlesco Chávez, classificando-a como uma possibilidade de domínio imperialista na região. A questão fundamental é: o que exatamente querem os EUA com essas bases? Narcotráfico, guerrilha ou o próprio Chávez? E por falar nele, demorou, mas veio a resposta sobre as armas de poder de fogo elevado que foram encontradas nas Farc. De acordo com a resposta oficial de Chávez, foi um roubo. Pode ser, mas a demora na resposta ao questionamento oficial feito pelo governo da Suécia, origem das armas, deixa dúvidas. Sabe-se que o governo chavista vem alimentando as Farc com armas leves, como fuzis e granadas. Tal fato, gravíssimo em política internacional, vem sendo sistematicamente ignorado pela comunidade sulamericana, Brasil inclusive. Se agora o governo venezuelano alimenta as Farc com armas de maior poder de fogo é sinal de que Chávez está indo longe demais, ou muito provavelmente, já foi longe demais... Boa leitura e bom retorno!
A seguir, dois textos da BBC:O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta quarta-feira que as armas compradas pelo governo venezuelano que foram encontradas em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) teriam sido roubadas de um posto naval na Venezuela em 1995.
Na última semana, o governo da Colômbia anunciou que armamentos comprados pela Venezuela e produzidos na Suécia foram encontrados com a guerrilha, o que levantou suspeitas de eventuais ligações entre o governo Chávez e as Farc. As acusações do governo colombiano causaram uma nova crise diplomática entre os dois países e culminaram com a retirada do embaixador venezuelano de Bogotá. Durante uma entrevista coletiva nesta quarta-feira, Chávez afirmou que as armas encontradas com as Farc – que incluíam lançadores de foguetes de fabricação sueca – foram compradas pela Venezuela na década de 1980 e roubadas em 1995 durante um ataque a uma base naval no Estado de Carabobo. Chávez ainda acusou o governo colombiano de “fazer chantagem” com as acusações, classificadas pelo líder venezuelano como “uma jogada suja e traiçoeira” do presidente colombiano, Álvaro Uribe.
Bases : O presidente venezuelano ainda alegou que a divulgação das informações sobre as armas faria parte de uma espécie de campanha para desviar a atenção do controvertido acordo entre Estados Unidos e Colômbia. O acordo, ainda em fase de negociação, prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases militares no país sul-americano. “Vocês acham que é por acaso que esta informação sai da Colômbia precisamente uns dias depois de nós termos começado a levantar a voz contra a instalação das bases ianques em território colombiano?”. Chávez também reiterou sua condenação à utilização das bases pelos americanos e disse que o acordo poderia ser o início de “uma guerra”. “Estamos preocupados com estas bases porque elas poderiam ser o início de uma guerra na América do Sul. Estamos falando dos ianques, a nação mais agressiva na história”, disse. O presidente venezuelano também anunciou que planeja comprar tanques de guerra russos para aumentar as defesas da Venezuela.
Comércio bilateral
Durante a entrevista coletiva desta quarta-feira, Chávez não apenas fez acusações contra o governo colombiano, mas anunciou novas medidas na relação comercial comércio entre os dois países, aumentando a pressão sobre a Colômbia. Segundo Chávez, além de congelar as relações diplomáticas com a Colômbia - decisão anunciada na semana passada - a Venezuela ainda vai paralisar a importação de carros vindos do país e barrar uma empresa colombiana de petróleo de um campo petroleiro em território venezuelano. O governo anunciou ainda um corte de cerca de US$ 7 bilhões no comércio entre os dois países – negociações que serão substituídas por novos acordos com outros países como Brasil e Argentina. “Vamos substituir todas essas importações. É nossa responsabilidade porque a qualquer momento os ianques podem dizer ‘não enviem mais carne ao Chávez’ ou ‘não mandem mais leite aos venezuelanos’. São os ianques que mandarão por lá, não o Uribe, a Colômbia ou ninguém mais – os ianques”, disse o presidente durante a coletiva. Segundo o correspondente da BBC em Caracas Will Grant, apesar de anunciar as novas medidas, Chávez deu poucos detalhes sobre como a substituição de um dos principais parceiros comerciais da Venezuela funcionaria na prática.
O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general James Jones, disse nesta quarta-feira durante visita a Brasília que o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia “não traz novidades”, mas que está disposto a “conversar” com os países da região sobre o assunto.
Após encontro com o chanceler Celso Amorim, no Itamaraty, Jones disse aos jornalistas que “não há mágica, não há segredos debaixo da mesa” em relação às negociações sobre o acordo que pode permitir que os Estados Unidos utilizem bases militares na Colômbia. “Temos parceria de longa data com a Colômbia e nada mudou”, disse o general. Jones também negou que os Estados Unidos pretendam ter bases militares próprias no país latino-americano. “Vamos apenas usar as instalações colombianas”, disse. O governo brasileiro vem questionando o fato de o acordo prever a utilização das bases para aeronaves de longo alcance - o que, na avaliação brasileira, não seria necessário em um trabalho de observação de território para combate ao narcotráfico.
Jones disse que as aeronaves de longo alcance são necessárias, pois a região está “a uma longa distância dos Estados Unidos”. Segundo ele, haverá apenas dois tipos de aeronaves americanas utilizando as bases: para transporte de pessoal e para observação.
“Omissão” : O general americano disse ainda que os Estados Unidos estão buscando uma relação “mais aberta” com a região. “Penso que poderíamos ter feito um trabalho melhor”, disse Jones, referindo-se às discussões sobre o acordo com a Colômbia. “Se houve erros, foram de omissão, e não de intenção. Não houve nada intencional aqui”, disse. Segundo ele, os Estados Unidos estão enviando militares a dois países da região, que estão interessados em discutir os objetivos do acordo. Os nomes dos países, no entanto, não foram divulgados.
Garantias
Fontes do governo brasileiro disseram à BBC Brasil que a reunião entre o ministro Amorim e o general Jones foi “cordial” e que o general americano ouviu “atentamente” as ponderações brasileiras. Uma das sugestões colocadas sobre a mesa pelo governo brasileiro é de que os Estados Unidos deem algum tipo de garantia de que as bases serão usadas apenas para combate ao narcotráfico e fins humanitários, como afirmam os americanos. Para a diplomacia brasileira, “não há justificativa” para a utilização de aeronaves que podem chegar à ponta do continente sem reabastecer. Além disso, o chanceler Celso Amorim teria dito a Jones que a região passa por um “contexto de estabilidade” e que, se há novos elementos que podem contribuir para a distensão das relações, é preciso que se converse com todos os países. Ainda de acordo com o diplomata ouvido pela BBC Brasil, o general Jim Jones teria reconhecido que houve “falha de comunicação” na discussão sobre o acordo militar.
A seguir, dois textos da BBC:O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta quarta-feira que as armas compradas pelo governo venezuelano que foram encontradas em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) teriam sido roubadas de um posto naval na Venezuela em 1995.
Na última semana, o governo da Colômbia anunciou que armamentos comprados pela Venezuela e produzidos na Suécia foram encontrados com a guerrilha, o que levantou suspeitas de eventuais ligações entre o governo Chávez e as Farc. As acusações do governo colombiano causaram uma nova crise diplomática entre os dois países e culminaram com a retirada do embaixador venezuelano de Bogotá. Durante uma entrevista coletiva nesta quarta-feira, Chávez afirmou que as armas encontradas com as Farc – que incluíam lançadores de foguetes de fabricação sueca – foram compradas pela Venezuela na década de 1980 e roubadas em 1995 durante um ataque a uma base naval no Estado de Carabobo. Chávez ainda acusou o governo colombiano de “fazer chantagem” com as acusações, classificadas pelo líder venezuelano como “uma jogada suja e traiçoeira” do presidente colombiano, Álvaro Uribe.
Bases : O presidente venezuelano ainda alegou que a divulgação das informações sobre as armas faria parte de uma espécie de campanha para desviar a atenção do controvertido acordo entre Estados Unidos e Colômbia. O acordo, ainda em fase de negociação, prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases militares no país sul-americano. “Vocês acham que é por acaso que esta informação sai da Colômbia precisamente uns dias depois de nós termos começado a levantar a voz contra a instalação das bases ianques em território colombiano?”. Chávez também reiterou sua condenação à utilização das bases pelos americanos e disse que o acordo poderia ser o início de “uma guerra”. “Estamos preocupados com estas bases porque elas poderiam ser o início de uma guerra na América do Sul. Estamos falando dos ianques, a nação mais agressiva na história”, disse. O presidente venezuelano também anunciou que planeja comprar tanques de guerra russos para aumentar as defesas da Venezuela.
Comércio bilateral
Durante a entrevista coletiva desta quarta-feira, Chávez não apenas fez acusações contra o governo colombiano, mas anunciou novas medidas na relação comercial comércio entre os dois países, aumentando a pressão sobre a Colômbia. Segundo Chávez, além de congelar as relações diplomáticas com a Colômbia - decisão anunciada na semana passada - a Venezuela ainda vai paralisar a importação de carros vindos do país e barrar uma empresa colombiana de petróleo de um campo petroleiro em território venezuelano. O governo anunciou ainda um corte de cerca de US$ 7 bilhões no comércio entre os dois países – negociações que serão substituídas por novos acordos com outros países como Brasil e Argentina. “Vamos substituir todas essas importações. É nossa responsabilidade porque a qualquer momento os ianques podem dizer ‘não enviem mais carne ao Chávez’ ou ‘não mandem mais leite aos venezuelanos’. São os ianques que mandarão por lá, não o Uribe, a Colômbia ou ninguém mais – os ianques”, disse o presidente durante a coletiva. Segundo o correspondente da BBC em Caracas Will Grant, apesar de anunciar as novas medidas, Chávez deu poucos detalhes sobre como a substituição de um dos principais parceiros comerciais da Venezuela funcionaria na prática.
O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general James Jones, disse nesta quarta-feira durante visita a Brasília que o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia “não traz novidades”, mas que está disposto a “conversar” com os países da região sobre o assunto.
Após encontro com o chanceler Celso Amorim, no Itamaraty, Jones disse aos jornalistas que “não há mágica, não há segredos debaixo da mesa” em relação às negociações sobre o acordo que pode permitir que os Estados Unidos utilizem bases militares na Colômbia. “Temos parceria de longa data com a Colômbia e nada mudou”, disse o general. Jones também negou que os Estados Unidos pretendam ter bases militares próprias no país latino-americano. “Vamos apenas usar as instalações colombianas”, disse. O governo brasileiro vem questionando o fato de o acordo prever a utilização das bases para aeronaves de longo alcance - o que, na avaliação brasileira, não seria necessário em um trabalho de observação de território para combate ao narcotráfico.
Jones disse que as aeronaves de longo alcance são necessárias, pois a região está “a uma longa distância dos Estados Unidos”. Segundo ele, haverá apenas dois tipos de aeronaves americanas utilizando as bases: para transporte de pessoal e para observação.
“Omissão” : O general americano disse ainda que os Estados Unidos estão buscando uma relação “mais aberta” com a região. “Penso que poderíamos ter feito um trabalho melhor”, disse Jones, referindo-se às discussões sobre o acordo com a Colômbia. “Se houve erros, foram de omissão, e não de intenção. Não houve nada intencional aqui”, disse. Segundo ele, os Estados Unidos estão enviando militares a dois países da região, que estão interessados em discutir os objetivos do acordo. Os nomes dos países, no entanto, não foram divulgados.
Garantias
Fontes do governo brasileiro disseram à BBC Brasil que a reunião entre o ministro Amorim e o general Jones foi “cordial” e que o general americano ouviu “atentamente” as ponderações brasileiras. Uma das sugestões colocadas sobre a mesa pelo governo brasileiro é de que os Estados Unidos deem algum tipo de garantia de que as bases serão usadas apenas para combate ao narcotráfico e fins humanitários, como afirmam os americanos. Para a diplomacia brasileira, “não há justificativa” para a utilização de aeronaves que podem chegar à ponta do continente sem reabastecer. Além disso, o chanceler Celso Amorim teria dito a Jones que a região passa por um “contexto de estabilidade” e que, se há novos elementos que podem contribuir para a distensão das relações, é preciso que se converse com todos os países. Ainda de acordo com o diplomata ouvido pela BBC Brasil, o general Jim Jones teria reconhecido que houve “falha de comunicação” na discussão sobre o acordo militar.
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