Como intitulou Machado de Assis em capítulo memorável no final de Dom Casmurro, "E bem, e o resto?"
O que sobrou da meteórica visita de Ahmadinejad ao Brasil ?
Quando se analisa uma visita dessas, deve-se SEMPRE ver os interesses dos dois lados. Do lado iraniano, o interesse era mostrar que o país não está isolado, não é um pária internacional e tentar aumentar seu leque de alianças. Como o Brasil "está na moda", é uma boa estar associado na foto com um sorridente Lula, ainda mais que o Brasil também tem ambições nucleares, embora não as mesmas que o Irã. Quanto a business, sim, ele é importante, mas não o suficiente para uma visita deste porte, o caráter foi abertamente político.
Para o Brasil, "o ganho" vem de outros pontos: 1. mostrar que é um país ativo na diplomacia internacional, que pode se cacifar para ser mediador em conflitos externos, ampliando seu leque de influência para muito além da tradicional América.
2. para Lula, aumenta sua força de líder internacional, reforçando uma imagem de líder dos países do sul, em certa oposição a liderança dos países do norte.
3.para o PT, claramente afundado numa crise de identidade, é uma mostra de que o país pode estar à esquerda (sabe-se lá o que isso significa mostrar simpatia a um cara que nega o Holocausto...) e mostrar certa independência dos EUA.
E bem, e o resto?
Todos concordam que é uma enorme ilusão achar que o Brasil poderá influenciar seriamente na questão Irã-Israel. Ele até pode servir de ponte e canal de diálogo e é correta a análise de que isolar um país, mesmo um governado por um claro demente como Ahmadinejad, não é a melhor saída, porque na prática, significa dar munição ao radicalismo interno. Mas servir de canal de diálogo, embora correto ao Brasil, não vai significar que o Brasil irá intervir ativamente na tensa relação que existe naquela região. Para o Brasil, embora tenha alguns interesses comerciais não totalmente desprezíveis no Irã, o maior "ganho" foi ter mostrado que é capaz de exercer certo papel internacional, embora ainda um pouco nebuloso, para além da sua tradicional influência latino-americana. Não acredito que a visita foi um enorme desastre e "queimou o filme" de um Brasil ativo na diplomacia internacional. Mas não compartilho as opiniões mais governistas de que a visita mostra que temos ampla capacidade hoje de sermos um líder mundial. Apenas 24 horas e uma foto não são suficientes para queimar o filme do Brasil e a própria Casa Branca sabe que o Brasil de Lula ou de qualquer outro governante a ser eleito não vai se deixar contaminar pelo discurso raivoso e irracional de Ahmadinejad. Porém, é ilusão imaginar que nossa posição no mundo hoje, respeitada como serena, racional e previsível num continente dado a loucuras de caudilhos à la Chávez, poderá mudar o curso das coisas no Irã. Somado tudo, ficamos como no final de Dom Casmurro, vendo, como o personagem, uma casa que é cópia de suas ilusões, gostosas de serem vistas, mas infelizmente, para ele e talvez para nós, apenas isso, ilusões.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Battisti: e agora?
Em minha opinião, só há uma única saída possível e honrosa para o caso Battisti: Lula extraditá-lo. O argumento de que seus crimes eram políticos é uma ofensa a democracia italiana, consolidada nos anos 70 quando ele por lá cometeu seus crimes, uma ofensa a atual União Européia, que julgou em todas as suas instâncias o caso e uma afronta, suprema ironia, aos setores da esquerda italiana, que condenam a luta armada há anos, preferindo a via democrática para sua atuação política. Para mim, o diagnóstico mais claro é do blog do Noblat: Lula quer fazer um afago a um PT que precisa, desesperadamente, de ícones de esquerda, já que passados 8 anos no governo e às vésperas de uma eleição geral, ele, PT, precisa recompor sua identidade de esquerda após anos de alianças com Sarney, Collor e afins. Só a psicanálise vai explicar a decisão de Lula, que como sabemos, salvo mudança de última hora, será a manutenção de Battisti no Brasil. Mais um erro de política externa da era Lula, explicado pela confusão de interesses entre partido, governo e Estado.
dois textos para sua opinião:
Blog do Marcos Guterman, Seção: América Latina, Europa 00:15:10.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, sugeriu que Cesare Battisti – ativista político condenado pela Justiça italiana por homicídio – não deveria ser extraditado porque a Itália está tomada de crescente fascismo, e isso poderia agravar a perseguição ao esquerdista. Disse Tarso: “A Itália não é um país nazista nem fascista, mas vem sendo constatado um crescimento preocupante do fascismo em parte da população italiana. O fascismo vem ganhando força inclusive em setores do governo”.
Quanto à Itália, Tarso está certo. A atual coalizão de governo é integrada pelos chamados partidos “pós-fascistas”, como a Liga Norte e a Aliança Nacional, xenófobos e nacionalistas ao extremo. O próprio premiê Silvio Berlusconi já chegou a dizer que o ditador Benito Mussolini não tinha sido “tão mau assim”. Os resultados da última eleição parlamentar, em abril de 2008, mostraram um avanço considerável da direita. Talvez isso tudo explique por que o mundo político italiano nem reagiu às declarações de Tarso – e, afinal, a relação da Itália com seu passado fascista é suficientemente ambígua para que poucos italianos se ofendam com isso.
Por outro lado, a Itália é uma democracia e suas instituições funcionam razoavelmente bem, pelo menos tão bem quanto as do Brasil de Tarso Genro. Achar que o esquerdista Battisti possa ser vítima de perseguição política porque o governo é de direita, como fez Tarso, é, isso sim, ofensivo. Seria o mesmo que supor que Tarso, ex-militante comunista, deixou-se guiar por sua ideologia, e não por critérios jurídicos, ao entregar os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara à ditadura cubana, mesmo sabendo que os dois seriam tratados como dissidentes por Havana.
Assim, se não há razões para acreditar que Tarso agiu segundo suas convicções políticas, não é correto concluir, como fez o ministro, que o governo e a sociedade da Itália irão perseguir Battisti por causa de divergências ideológicas.
Blog do Noblat (...)Sempre se poderá dizer que Zelaya foi um pepino jogado no colo de Lula pelo presidente Hugo Chávez, da Venezuela.
Battist, não. Foi um pepino que o PT jogou no colo de Lula. E que ele acolheu satisfeito.
A psicanálise talvez ajude a explicar o comportamento do PT e de Lula.
O PT perdeu sua identidade como partido de esquerda. Ela lhe faz falta às vésperas de eleições. De sua parte, Lula deve reconhecer que maltratou demais o PT.
O governo jogou pesado e à sombra para arrancar do Supremo Tribunal Federal (STF) a bizarra sentença produzida na semana passada.
Battisti cometeu crimes comuns na Itália e não políticos como entende o governo brasileiro, segundo o STF.
Seu refúgio é ilegal, segundo o STF.
Ele deve, portanto, ser extraditado, segundo o STF.
Mas caberá a Lula a última palavra, segundo o STF.
Ora, para que serve um tribunal que terceiriza seu julgamento? Foi a maior patacoada da história do STF.
Battisti só poderá ficar no Brasil na condição de asilado político.
O governo terá de dizer que ele correrá perigo se for extraditado.
Na Itália, um país democrático, isso soará como uma afronta. E será, de fato, uma grave afronta.
dois textos para sua opinião:
Blog do Marcos Guterman, Seção: América Latina, Europa 00:15:10.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, sugeriu que Cesare Battisti – ativista político condenado pela Justiça italiana por homicídio – não deveria ser extraditado porque a Itália está tomada de crescente fascismo, e isso poderia agravar a perseguição ao esquerdista. Disse Tarso: “A Itália não é um país nazista nem fascista, mas vem sendo constatado um crescimento preocupante do fascismo em parte da população italiana. O fascismo vem ganhando força inclusive em setores do governo”.
Quanto à Itália, Tarso está certo. A atual coalizão de governo é integrada pelos chamados partidos “pós-fascistas”, como a Liga Norte e a Aliança Nacional, xenófobos e nacionalistas ao extremo. O próprio premiê Silvio Berlusconi já chegou a dizer que o ditador Benito Mussolini não tinha sido “tão mau assim”. Os resultados da última eleição parlamentar, em abril de 2008, mostraram um avanço considerável da direita. Talvez isso tudo explique por que o mundo político italiano nem reagiu às declarações de Tarso – e, afinal, a relação da Itália com seu passado fascista é suficientemente ambígua para que poucos italianos se ofendam com isso.
Por outro lado, a Itália é uma democracia e suas instituições funcionam razoavelmente bem, pelo menos tão bem quanto as do Brasil de Tarso Genro. Achar que o esquerdista Battisti possa ser vítima de perseguição política porque o governo é de direita, como fez Tarso, é, isso sim, ofensivo. Seria o mesmo que supor que Tarso, ex-militante comunista, deixou-se guiar por sua ideologia, e não por critérios jurídicos, ao entregar os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara à ditadura cubana, mesmo sabendo que os dois seriam tratados como dissidentes por Havana.
Assim, se não há razões para acreditar que Tarso agiu segundo suas convicções políticas, não é correto concluir, como fez o ministro, que o governo e a sociedade da Itália irão perseguir Battisti por causa de divergências ideológicas.
Blog do Noblat (...)Sempre se poderá dizer que Zelaya foi um pepino jogado no colo de Lula pelo presidente Hugo Chávez, da Venezuela.
Battist, não. Foi um pepino que o PT jogou no colo de Lula. E que ele acolheu satisfeito.
A psicanálise talvez ajude a explicar o comportamento do PT e de Lula.
O PT perdeu sua identidade como partido de esquerda. Ela lhe faz falta às vésperas de eleições. De sua parte, Lula deve reconhecer que maltratou demais o PT.
O governo jogou pesado e à sombra para arrancar do Supremo Tribunal Federal (STF) a bizarra sentença produzida na semana passada.
Battisti cometeu crimes comuns na Itália e não políticos como entende o governo brasileiro, segundo o STF.
Seu refúgio é ilegal, segundo o STF.
Ele deve, portanto, ser extraditado, segundo o STF.
Mas caberá a Lula a última palavra, segundo o STF.
Ora, para que serve um tribunal que terceiriza seu julgamento? Foi a maior patacoada da história do STF.
Battisti só poderá ficar no Brasil na condição de asilado político.
O governo terá de dizer que ele correrá perigo se for extraditado.
Na Itália, um país democrático, isso soará como uma afronta. E será, de fato, uma grave afronta.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Brazil takes off

É verdade : o Brasil é moda. Vamos esquecer a bobagem das Olimpíadas e da Copa, o que realmente interessa é a possibilidade de combinar neste país as duas coisas que quase nunca andaram juntas em sua história: estabilidade política e liberdades individuais com crescimento econômico e distribuição de renda. Em vários momentos de nossa trajetória no século XX tivemos ou uma ou outro. Agora podemos desfrutar da capacidade de ter os dois.
Claro que não é momento de ufanismos exagerados. O país tem imensos desafios, mas o que chama a atenção é a "qualidade" desses desafios. Durante anos, o Brasil brigou para ter uma moeda. Agora, discutimos como crescer investindo em infraestrutura. Há não muito tempo atrás, crianças não tinham merenda em sala de aula. Hoje, discutimos qualidade na educação. E claro, há não muito tempo atrás pessoas podiam ser presas se falassem mal do governo. Hoje, estamos entrando na 6ª eleição democrática seguida e nem mesmo a esquerda mais histérica ou a direita mais coronelística querem a volta de um ditador de plantão. Isso é um avanço qualitativo importante.
Obra do governo X ou Y ? Bobagem, obra de toda uma sociedade durante os últimos 20 anos. Resta saber se teremos respostas à altura destes desafios de qualidade. O que mostra que humildemente, nós, internacionalistas, temos um papel importante a cumprir: projetar de modo adequado o Brasil no mundo, coisa que não é nada fácil.
texto: site da BBC:
A ascensão econômica do Brasil é o tema da capa, de um editorial e de um especial de 14 páginas da edição desta semana da revista britânica The Economist, divulgada nesta quinta-feira.
Intitulado Brazil Takes Off (“O Brasil Decola”, em tradução literal), o editorial afirma que o país parece ter feito sua entrada no cenário mundial, marcada simbolicamente pela escolha do Rio como sede olímpica em 2016.
A revista diz que, se em 2003 a inclusão do Brasil no grupo de emergentes Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) surpreendeu muitos, hoje ela se mostrou acertada, já que o país vem apresentando um desempenho econômico invejável.
A Economist afirma também que o Brasil chega a superar outros Bric. “Ao contrário da China, é uma democracia, ao contrário da Índia, não possui insurgentes, conflitos étnicos, religiosos ou vizinhos hostis. Ao contrário da Rússia, exporta mais que petróleo e armas e trata investidores estrangeiros com respeito.”
Apagão
O editorial da Economist ressalva também que o país tem problemas que não devem ser subestimados, da corrupção à falta de investimentos na educação e infraestrutura “evidenciados pelo apagão desta semana”.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Fracasso
Foi melancólica a primeira participação ativa da diplomacia brasileira neste século XXI fora da tradicional área de influência da América do Sul. O Brasil foi arrastado para uma crise que não era sua, criada pelo "muy amigo" Chávez e saiu como entrou: de mãos abanando, sem ter conseguido nada em termos simbólicos. Sua imagem de negociador isento foi seriamente afetada e sua importância relativa no mundo latino-americano, dminuída. Pelo menos, ao que parece e até esse ponto, a solução foi boa para Honduras.
Qual o erro da diplomacia brasileira no caso Zelaya? Confundir opiniões de partido com as de Estado. A condenação veemente do golpe em Honduras foi correta, momento aliás compartilhado tanto pelo Brasil como pela Venezuela de Chávez e pelos EUA de Obama. Mas a partir desse momento inicial, o resto foi só trapalhada. Condenar o golpe de Micheletti não poderia ser, como foi, dar apoio irrestrito a Zelaya, que como todos sabemos mas alguns petistas de algo coturno querem ignorar, estava ele mesmo tentando dar um golpe, com claro apoio chavista, o que também é negado por importante membro petista do governo atual na área de relações internacionais ( só ele acha que Zelaya não teve apoio de Chávez... até o próprio Chávez admite isso...)
Ao receber um histriônico Zelaya em sua embaixada, com aviso ou sem aviso é outra história estranha a esclarecer, o Brasil queimou sua possibilidade de mediador isento, o que me diplomacia é algo próximo ao desastre. Bastou os EUA, sempre eles, sentaram à mesa com as partes envolvidas, e com a ameaça nada sutil de romper relações econômicas com a fragilíssima Honduras, que a situação chegou a um final ( repito, pelo menos por enquanto). E o Brasil ? Ficou com o mico na mão: apoiou um lado que nã tinha legitimidade queimando o filme com o outro lado, igualmente sem legitimidade e viu os EUA resolverem a questão em uma semana, coisa que o Brasil não conseguiu em 2 meses. Entrará para a História como mais um erro de Amorim, agora petista de filiação, outro erro aliás, histórico: não me recordo de um Itamaraty partidarizado em outras épocas.
texto: blog Marcos Guterman:
É como se diz: “Donde manda capitán, no manda marinero”. Foi preciso que os EUA agissem para que a crise hondurenha tivesse um desfecho razoável. Logo os EUA, que os “anti-imperialistas” amam odiar.
Não havia outro mediador disponível. O Brasil se desqualificou como tal no minuto em que aceitou que o deposto Manuel Zelaya fizesse da embaixada brasileira em Tegucigalpa um quartel para suas investidas contra os opositores. Ademais, o governo Lula, ao se negar a conversar com os “golpistas”, fechou as portas da diplomacia – um erro que o zeloso Itamaraty não comete quando se trata de conversar com Irã, Venezuela, Bolívia e Sudão, entre outras “democracias”. Se o caso de Honduras era um teste para a pretensão brasileira à liderança regional, o Brasil não passou.
Qual o erro da diplomacia brasileira no caso Zelaya? Confundir opiniões de partido com as de Estado. A condenação veemente do golpe em Honduras foi correta, momento aliás compartilhado tanto pelo Brasil como pela Venezuela de Chávez e pelos EUA de Obama. Mas a partir desse momento inicial, o resto foi só trapalhada. Condenar o golpe de Micheletti não poderia ser, como foi, dar apoio irrestrito a Zelaya, que como todos sabemos mas alguns petistas de algo coturno querem ignorar, estava ele mesmo tentando dar um golpe, com claro apoio chavista, o que também é negado por importante membro petista do governo atual na área de relações internacionais ( só ele acha que Zelaya não teve apoio de Chávez... até o próprio Chávez admite isso...)
Ao receber um histriônico Zelaya em sua embaixada, com aviso ou sem aviso é outra história estranha a esclarecer, o Brasil queimou sua possibilidade de mediador isento, o que me diplomacia é algo próximo ao desastre. Bastou os EUA, sempre eles, sentaram à mesa com as partes envolvidas, e com a ameaça nada sutil de romper relações econômicas com a fragilíssima Honduras, que a situação chegou a um final ( repito, pelo menos por enquanto). E o Brasil ? Ficou com o mico na mão: apoiou um lado que nã tinha legitimidade queimando o filme com o outro lado, igualmente sem legitimidade e viu os EUA resolverem a questão em uma semana, coisa que o Brasil não conseguiu em 2 meses. Entrará para a História como mais um erro de Amorim, agora petista de filiação, outro erro aliás, histórico: não me recordo de um Itamaraty partidarizado em outras épocas.
texto: blog Marcos Guterman:
É como se diz: “Donde manda capitán, no manda marinero”. Foi preciso que os EUA agissem para que a crise hondurenha tivesse um desfecho razoável. Logo os EUA, que os “anti-imperialistas” amam odiar.
Não havia outro mediador disponível. O Brasil se desqualificou como tal no minuto em que aceitou que o deposto Manuel Zelaya fizesse da embaixada brasileira em Tegucigalpa um quartel para suas investidas contra os opositores. Ademais, o governo Lula, ao se negar a conversar com os “golpistas”, fechou as portas da diplomacia – um erro que o zeloso Itamaraty não comete quando se trata de conversar com Irã, Venezuela, Bolívia e Sudão, entre outras “democracias”. Se o caso de Honduras era um teste para a pretensão brasileira à liderança regional, o Brasil não passou.
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