terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Aço e protecionismo nos EUA: a primeira medida.

A euforia com Obama durou pouco: pelo menos no tema comércio exterior. Aconteceu o que todos temiam que iria acontecer: em meio a uma grave crise econômica, que se aproxima de uma depressão, o presidente recém eleito tomou uma atitude bem ao gosto do Partido Democrata, ruim, mas até certo ponto previsível: iniciou medidas protecionistas nos EUA como essa analisada pelo texto abaixo com vistas a defender o emprego de americanos. Não tenha dúvida, outras ainda virão. Até onde essas medidas são válidas? Do ponto de vista político, elas são justificáveis, afinal trata-se de um presidente com altíssimo índice de aprovação, e ao mesmo tempo, de expectativa. Salvar empregos na combalida economia americana atende a interesses políticos imediatos. Mas do ponto de vista da racionalidade econômica, que nem sempre anda de mãos dadas com a razão política, é uma medida contrária aos próprios interesses americanos:
1-a História mostra que o protecionismo generalizado dos anos 30, pós crise, aumentou ainda mais a própria crise. Abrir mercados é ferramenta para aumentar renda, emprego e comércio, estimular competitividade e ao final, sair da crise. Fechá-los é andar para trás.
2-Um dos maiores problemas da economia americana é justamente o enorme déficit comercial, que deve ser diminuído com aumento de exportações americanas. Ora, se os EUA iniciam medidas protecionistas, seus parceiros comerciais, ou seja o mundo todo, podem retaliar, bloqueando uma das saídas possíveis para a crise.

Fiquem atentos a outras medidas que o presidente Obama possa tomar, muitas delas, como essa do aço, afetarão diretamente o Brasil. Mas não tenha dúvida: o protecionisto está aumentando nos EUA e isso não é bom, nem para eles, nem para nós.
Um abraço,
Prof. Henrique.


texto: BBC -Brasil: A União Européia e o Canadá alertaram nesta segunda-feira que uma cláusula do pacote de recuperação econômica proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pode levar a mais protecionismo por parte do país.
A cláusula em questão é conhecida como “Buy American” (compre produtos americanos, em tradução livre) e procura assegurar que apenas ferro, aço e manufaturados produzidos nos Estados Unidos sejam usados em projetos de construção contemplados pelo pacote. O embaixador da União Européia em Washington, John Bruton, criticou a medida e afirmou que ela mandaria um mau sinal para o mundo. “Se a primeira legislação importante que Obama assinar como presidente for em parte protecionista, isto não mandará uma boa mensagem”, disse Bruton ao jornal Financial Times. Em uma carta para os líderes do Senado dos Estados Unidos, o embaixador do Canadá em Washington, Michael Wilson, afirmou que, se a cláusula estiver no pacote aprovado, abrirá um precedente negativo com repercussões globais. “Os Estados Unidos perderão a sua autoridade moral de pressionar os outros (países) a não adotarem medidas protecionistas”, diz Wilson na carta, segundo a rede de TV canadense CBC. Já o ministro do Comércio Exterior canadense, Stockwell Day, afirmou que seu país espera ser excluído de qualquer medida do tipo, que, segundo ele, poderia levar a uma depressão global. “Estas medidas protecionistas, em uma hora de recessão, só pioram as coisas”, disse à rede CBC.“Isto poderia causar medidas de retaliação, e nós não queremos fazê-lo”, afirmou Day.
Brasil
Na semana passada, o governo brasileiro também criticou a cláusula de preferência por produtos americanos no projeto de pacote de Obama.
“Eu li que o presidente (dos Estados Unidos, Barack) Obama tomou uma decisão de que, nos novos investimentos deles, devem usar só aço da siderúrgica americana. Se isso for verdade, é um equívoco. O protecionismo nesse momento vai agravar a crise, não resolvê-la”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista no Fórum Social Mundial, em Belém, no Pará. A cláusula também recebe oposição de membros do Partido Republicano nos EUA.Por causa das críticas, a Casa Branca afirmou que está revisando esta parte do pacote, embora o vice-presidente, Joe Biden, tenha afirmado na semana passada que considera legítimo que parte da cláusula “Buy American” esteja no plano. Obama pediu nesta segunda-feira pressa ao Senado pela aprovação do pacote

2 comentários:

Joice Lyra disse...

oi professor!
Passei pra dar uma olhadinha e vou divulgar o seu blog pros outros alunos de RI...
então trate de atualizar..rs

Teh mais

Joice

Ary!* disse...

Hey! ótimo!Adorei as matérias, como futura internacionalista as utilizarei muito. Obrigada por mais uma fonte de estudos professor!