Acredito, e não estou sozinho, que somos muito condescedentes com nosso presidente. O fato dele vir “de baixo” é mérito e não pouco, numa sociedade com fortes desigualdades como a nossa. Ao mesmo tempo, seu governo, mesmo com muitos erros, não pode ser classificado de todo desprezível. Mas por isso, não cabe então concluir que ele, pessoa física e chefe de Estado e de Governo, possa, impunemente, falar o que lhe vem à cabeça, com alegria e desfaçatez, numa recepção oficial a um chefe de Governo estrangeiro. Primeiro, porque a declaração é falsa em essência: a crise não foi orquestrada por uma elite racial com propósitos maquiavélicos de destruir pobres e oprimidos. Tal concepção infantilizada de Relações Internacionais não leva a nenhuma análise minimamente coerente. E segundo, pela deselegância da declaração, que poderia levar o ministro Gordon Brown a sentir-se ofendido pessoalmente, coisa impensável num país que se pretende ser levado a sério no mundo e ainda por cima aspirar a uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Lula desperdiçou mais um momento de ficar calado ou falar o que deve ser dito, não emitir declarações pretensamente bombásticas e vingativas que no fundo, como disse o jornal britânico, são apenas circenses.... bizarras.
O mais delicioso : o comentário de Lula foi classificado como bizarro.
Fonte: BBC-Brasil: A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a crise financeira foi causada por "gente branca de olhos azuis" foi destaque na imprensa britânica nesta sexta-feira.
O comentário foi feito na quinta-feira, no encontro com o premiê britânico Gordon Brown, em Brasília
Para vários jornais, a declaração pegou Brown de surpresa. Segundo o Daily Telegraph e o Independent, o premiê britânico ficou "constrangido".
De acordo com o Times, "os esforços de Gordon Brown de 'amaciar' o caminho para um acordo internacional na reunião do G20, em Londres, encontraram um 'quebra-molas' no Brasil", quando o premiê ouviu a frase de Lula.
O Times destaca ainda que Lula já avisou que as discussões no G20 serão "apimentadas", quando os líderes mundiais se reunirem para negociar quem deve pagar os custos da crise.
"As declarações de Lula ameaçaram ofuscar o anúncio da proposta de uma injeção de 100 bilhões de libras (cerca de R$ 326 bilhões) de financiamento para impulsionar o comércio mundial. Brown disse que a expansão do crédito é o requerimento mínimo (para recuperar a economia) com o colapso das exportações em vários países", disse o jornal. O diário Financial Times diz que Brown tentou se distanciar de Lula ao ouvir o comentário sobre "gente branca de olhos azuis", respondendo que "não ia atribuir culpa a nenhum indivíduo".
Para o jornal The Guardian, os comentários de Lula "animaram a viagem de cinco dias de Gordon Brown pelas Américas do Sul e do Norte. Ela foi planejada para preparar o caminho para um acordo global sobre como combater o desaquecimento econômico na reunião do G-20, na próxima semana, a ser presidida por Brown".
O Guardian destaca ainda que Brown viajou para o Brasil para anunciar sua última iniciativa para estimular o comércio global e que ele foi extremamente elogiado por Lula.
"Mas enquanto eles esperavam na entrada formal do palácio presidencial, Brown teve que assistir enquanto o combativo ex-líder sindical embarcou em uma de suas conhecidas tiradas."
Mas em editorial, o jornal afirma que talvez o premiê britânico devesse usar melhor o seu tempo, preparando o encontro do G20 na semana que vem.
O editorial afirma que a reunião está ficando tão ambiciosa que será "impossível resolver qualquer coisa".
O Independent cita um secretário do Ministério do Exterior britânico, que durante a visita de Brown a Brasília disse que "os líderes das maiores economias globais vão ter que produzir mais do que retórica vazia" na reunião do G20.
O diário afirma que o premiê britânico ficou "constrangido" quando Lula citou a "gente branca de olhos azuis", mas que fontes do governo sugeriram que os comentários foram para "consumo doméstico".
O Daily Telegraph também diz que Brown parecia "constrangido", e que o comentário de Lula ofuscou o anúncio do fundo para estimular o comércio global.
E o Daily Mirror classificou os comentários de Lula como "bizarros" afirmando que outro secretário do governo, que estava na plateia, demonstrou uma expressão de enfado ao ouvir as palavras
sexta-feira, 27 de março de 2009
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