sexta-feira, 13 de março de 2009

Dois erros não é igual a um acerto

Não satisfeito em ter feito uma bobagem teatral no asilo político a um assassino, contrariando normas de um país democrático como a Itália, nosso brilhante ministro, numa pretensa prova de sua imparcialidade, agora quer dar asilo político a um militante fascista. Agindo assim, o ministro age como aqueles juízes de futebol, que, para consertar um pênalti marcado mas que não existiu para o time A, marca outro, igualmente inexistente, para o time B. Melhor seria se ficasse com um único erro que cometer dois.
Não se trata se o asilo político é de “esquerda’ ou de “direita”: trata-se de dar ou não asilo a um foragido, desde que as condições de julgamento em seu país de origem tenham sido corretas ou não. Não é uma questão ideológica, mas jurídica, técnica mesmo. A Itália é um país democrático, o foragido foi julgado de acordo com normas italianas e européias, portanto, sendo ele de esquerda ou direita, conceda-se sua extradição. Simples assim.
Julgando qualquer coisa como política e ainda pior, agindo agora para “compensar” à direita uma falha que ele não admite, o ministro joga na lona qualquer idéia de seriedade jurídica que o Brasil pretendia ter. Nossa diplomacia deve estar em estado de pânico com tanta trapalhada.
E um último comentário: O ministro “não acha” que Cuba seja uma democracia. Com que elementos ele chegou a essa conclusão ? Só porque Fidel Castro ficou 50 anos no poder ? Só porque o irmão dele assumiu depois ? Só porque em Cuba só há um jornal ? Só porque em Cuba só há um partido político ? Só porque em Cuba mata-se quem fala mal do governo ?
Acho que nosso ministro chegou a essa conclusão de modo muito precipitado, afinal, o PT ainda está “discutindo” o assunto....




Ministro diz que, se fosse um dos pugilistas cubanos, teria pedido para ficar no Brasil, pois Cuba não tem regime democrático
De Evandro Éboli: O Globo.
Acusado por parlamentares da oposição de tratar com privilégio o ex-ativista de esquerda Cesare Battisti, o ministro da Justiça, Tarso Genro, anunciou ontem, no Senado, que concederá também o status de refugiado para Pierluigi Bragaglia, antigo militante de um grupo fascista na Itália, assim que o caso chegar às suas mãos. Bragaglia está preso na Polícia Federal, em São Paulo. O governo italiano pediu a extradição ao Supremo Tribunal Federal, em agosto de 2008. O ministro Cezar Peluso é o relator do caso.
- Ainda não chegou no Ministério da Justiça pedido de refúgio para um antigo fascista, que cometeu crimes análogos aos de Battisti. Se esse caso chegar a mim, e as condições forem semelhantes (às de Battisti), concederei o refúgio. É uma postura de Estado - disse Tarso.
O ministro voltou a defender a condição de refugiado de Battisti e afirmou conhecer o processo no qual ele foi condenado à prisão perpétua, na Itália. Para ele, Battisti não teve direito ao contraditório.
- Para mim, não houve o exercício da ampla defesa para Cesare Battisti. Ele assinou uma procuração em branco para um advogado que nem conhecia. E o denunciaram.
Na audiência, Tarso foi questionado sobre o tratamento dado, em 2007, pelo governo brasileiro aos boxeadores cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux. Para a oposição, eles foram expulsos sem as mesmas oportunidades dadas a Battisti. O ministro disse não considerar democrático o regime político de Cuba e explicou que enfrenta essa discussão dentro do PT:
- Não acho que Cuba tenha um regime democrático. Discuto isso dentro do PT. É um país que tem relações internacionais. Como deter dois jovens cubanos que querem ir embora? É o contrário de Cesare Battisti, que apresentou pedido cabal e quer ficar no Brasil. Leia mais em O Globo

Nenhum comentário: