Mais uma possível derrapada da Política Externa do atual governo: o apoio, para lá de controverso e até certa medida inexplicável, que o Brasil está dando ao egípcio Farouk Hosni para diretor geral da Unesco. Este órgão tem como principal tarefa coordenar atividades culturais e educacionais em todo o mundo, sob chancela da ONU. O problema é que este cidadão egício deu, há não muito tempo, uma declaração para lá de infeliz, dizendo que queimaria qualquer livro no Egito que tivesse conteúdo semita, ou seja, pró-judeu. Indicar como diretor geral de uma organização que divulga cultura alguém que diz que gostaria de queimar livros, sejam quais forem, é no mínimo, constrangedor. Há outros pontos em questão: por que não indicar dois brasileiros, competentes e qualificados, para o cargo, ao invés de um egício? Pode paracer bobagem, mas não é: para um país que a cada dia busca, e muitas vezes consegue, afirmar-se como um player internacional, ter conterrâneos em órgãos de destaque mundial como a Unesco é boa política. Mas se você me perguntar o porquê do apoio ao egício, eu devo dizer: não há razões realmente determinantes.
texto do jornal O Globo:
Comissão de Relações Exteriores aprova requerimento solicitando que Amorim considere candidatura de brasileiros
O Senado manifestou ontem sua posição contrária ao apoio do governo brasileiro à candidatura do ministro da Cultura do Egito, Farouk Hosni, ao cargo de diretor-geral da Unesco. A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou ontem requerimento de seu presidente, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), solicitando que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reveja a posição do Brasil, que fez sua opção em detrimento das candidaturas de dois brasileiros: o atual diretor-geral adjunto da Unesco, Márcio Barbosa, e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).
- O secretário-geral ou diretor-geral não exerce apenas responsabilidades administrativas. Desempenha funções diplomáticas, inclusive de representação simbólica de sua instituição. Dentro do sistema da ONU, a Unesco assume papel especial. A partir desses critérios, eu peço aqui no plenário desta Casa que o governo do Brasil, por meio do Ministério das Relações Exteriores, reveja o apoio prometido ao senhor Hosni Farouk e o patrocínio da Liga Árabe - reiterou Azeredo em pronunciamento.
Para o senador mineiro, o governo brasileiro não deveria apoiar um nome sob suspeição e posições controversas. Leia mais em O Globo
De Andrei Netto:
Três dos maiores intelectuais da Europa apelaram em artigo publicado ontem, no jornal Le Monde, em Paris, à comunidade internacional para que interfira nas eleições da Organizações das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e evite a vitória de Farouk Hosny. O ministro da Cultura egípcio é acusado de antissemita pelo filósofo Bernard-Henri Lévy, pelo escritor e prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel e pelo cineasta Claude Lanzmann. A candidatura de Hosny recebeu a adesão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nega apoio ao brasileiro Márcio Barbosa, atual número 2 da instituição.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
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