quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Colômbia, Venezuela, Brasil e EUA

Voltando das férias, proponho uma leitura de um tema importante: a América do Sul e as instalações de bases americanas na Colômbia. Tais bases, que na verdade, de acordo com o Gal.Jones dos EUA seria apenas o uso de por americanos de bases colombianas, gera desconforto no Brasil, pela possibilidade concreta de atuação militar americana na fronteira Amazônia brasileira. Claro, gerou, como seria de esperar, reação histriônica do sempre burlesco Chávez, classificando-a como uma possibilidade de domínio imperialista na região. A questão fundamental é: o que exatamente querem os EUA com essas bases? Narcotráfico, guerrilha ou o próprio Chávez? E por falar nele, demorou, mas veio a resposta sobre as armas de poder de fogo elevado que foram encontradas nas Farc. De acordo com a resposta oficial de Chávez, foi um roubo. Pode ser, mas a demora na resposta ao questionamento oficial feito pelo governo da Suécia, origem das armas, deixa dúvidas. Sabe-se que o governo chavista vem alimentando as Farc com armas leves, como fuzis e granadas. Tal fato, gravíssimo em política internacional, vem sendo sistematicamente ignorado pela comunidade sulamericana, Brasil inclusive. Se agora o governo venezuelano alimenta as Farc com armas de maior poder de fogo é sinal de que Chávez está indo longe demais, ou muito provavelmente, já foi longe demais... Boa leitura e bom retorno!

A seguir, dois textos da BBC:O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta quarta-feira que as armas compradas pelo governo venezuelano que foram encontradas em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) teriam sido roubadas de um posto naval na Venezuela em 1995.
Na última semana, o governo da Colômbia anunciou que armamentos comprados pela Venezuela e produzidos na Suécia foram encontrados com a guerrilha, o que levantou suspeitas de eventuais ligações entre o governo Chávez e as Farc. As acusações do governo colombiano causaram uma nova crise diplomática entre os dois países e culminaram com a retirada do embaixador venezuelano de Bogotá. Durante uma entrevista coletiva nesta quarta-feira, Chávez afirmou que as armas encontradas com as Farc – que incluíam lançadores de foguetes de fabricação sueca – foram compradas pela Venezuela na década de 1980 e roubadas em 1995 durante um ataque a uma base naval no Estado de Carabobo. Chávez ainda acusou o governo colombiano de “fazer chantagem” com as acusações, classificadas pelo líder venezuelano como “uma jogada suja e traiçoeira” do presidente colombiano, Álvaro Uribe.
Bases : O presidente venezuelano ainda alegou que a divulgação das informações sobre as armas faria parte de uma espécie de campanha para desviar a atenção do controvertido acordo entre Estados Unidos e Colômbia. O acordo, ainda em fase de negociação, prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases militares no país sul-americano. “Vocês acham que é por acaso que esta informação sai da Colômbia precisamente uns dias depois de nós termos começado a levantar a voz contra a instalação das bases ianques em território colombiano?”. Chávez também reiterou sua condenação à utilização das bases pelos americanos e disse que o acordo poderia ser o início de “uma guerra”. “Estamos preocupados com estas bases porque elas poderiam ser o início de uma guerra na América do Sul. Estamos falando dos ianques, a nação mais agressiva na história”, disse. O presidente venezuelano também anunciou que planeja comprar tanques de guerra russos para aumentar as defesas da Venezuela.
Comércio bilateral
Durante a entrevista coletiva desta quarta-feira, Chávez não apenas fez acusações contra o governo colombiano, mas anunciou novas medidas na relação comercial comércio entre os dois países, aumentando a pressão sobre a Colômbia. Segundo Chávez, além de congelar as relações diplomáticas com a Colômbia - decisão anunciada na semana passada - a Venezuela ainda vai paralisar a importação de carros vindos do país e barrar uma empresa colombiana de petróleo de um campo petroleiro em território venezuelano. O governo anunciou ainda um corte de cerca de US$ 7 bilhões no comércio entre os dois países – negociações que serão substituídas por novos acordos com outros países como Brasil e Argentina. “Vamos substituir todas essas importações. É nossa responsabilidade porque a qualquer momento os ianques podem dizer ‘não enviem mais carne ao Chávez’ ou ‘não mandem mais leite aos venezuelanos’. São os ianques que mandarão por lá, não o Uribe, a Colômbia ou ninguém mais – os ianques”, disse o presidente durante a coletiva. Segundo o correspondente da BBC em Caracas Will Grant, apesar de anunciar as novas medidas, Chávez deu poucos detalhes sobre como a substituição de um dos principais parceiros comerciais da Venezuela funcionaria na prática.

O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general James Jones, disse nesta quarta-feira durante visita a Brasília que o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia “não traz novidades”, mas que está disposto a “conversar” com os países da região sobre o assunto.
Após encontro com o chanceler Celso Amorim, no Itamaraty, Jones disse aos jornalistas que “não há mágica, não há segredos debaixo da mesa” em relação às negociações sobre o acordo que pode permitir que os Estados Unidos utilizem bases militares na Colômbia. “Temos parceria de longa data com a Colômbia e nada mudou”, disse o general. Jones também negou que os Estados Unidos pretendam ter bases militares próprias no país latino-americano. “Vamos apenas usar as instalações colombianas”, disse. O governo brasileiro vem questionando o fato de o acordo prever a utilização das bases para aeronaves de longo alcance - o que, na avaliação brasileira, não seria necessário em um trabalho de observação de território para combate ao narcotráfico.
Jones disse que as aeronaves de longo alcance são necessárias, pois a região está “a uma longa distância dos Estados Unidos”. Segundo ele, haverá apenas dois tipos de aeronaves americanas utilizando as bases: para transporte de pessoal e para observação.
“Omissão” : O general americano disse ainda que os Estados Unidos estão buscando uma relação “mais aberta” com a região. “Penso que poderíamos ter feito um trabalho melhor”, disse Jones, referindo-se às discussões sobre o acordo com a Colômbia. “Se houve erros, foram de omissão, e não de intenção. Não houve nada intencional aqui”, disse. Segundo ele, os Estados Unidos estão enviando militares a dois países da região, que estão interessados em discutir os objetivos do acordo. Os nomes dos países, no entanto, não foram divulgados.
Garantias
Fontes do governo brasileiro disseram à BBC Brasil que a reunião entre o ministro Amorim e o general Jones foi “cordial” e que o general americano ouviu “atentamente” as ponderações brasileiras. Uma das sugestões colocadas sobre a mesa pelo governo brasileiro é de que os Estados Unidos deem algum tipo de garantia de que as bases serão usadas apenas para combate ao narcotráfico e fins humanitários, como afirmam os americanos. Para a diplomacia brasileira, “não há justificativa” para a utilização de aeronaves que podem chegar à ponta do continente sem reabastecer. Além disso, o chanceler Celso Amorim teria dito a Jones que a região passa por um “contexto de estabilidade” e que, se há novos elementos que podem contribuir para a distensão das relações, é preciso que se converse com todos os países. Ainda de acordo com o diplomata ouvido pela BBC Brasil, o general Jim Jones teria reconhecido que houve “falha de comunicação” na discussão sobre o acordo militar.

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