segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Entrando de cabeça numa fria

Acho que o Brasil meteu-se numa bela furada: ao abrigar o ex-presidente Zelaya ( não há a menor possibilidade dele ter entrado na embaixada brasileira em Honduras sem o conhecimento expresso do presidente Lula e do chanceler Celso Amorim), o Brasil toma partido diretamente na crise daquele país. O problema é que Zelaya não é um campeão da democracia, muito ao contrário, foi deposto exatamente depois de ter ignorado, pura e simplesmente, uma ordem judicial do Supremo Tribunal de Honduras e todos sabem, é apoiado por outro "campeão democrático", Chávez. A posição do Brasil no caso deveria ter sido mais discreta, mas ao mesmo tempo, marcante: incentivar o diálogo, estabelecer condições para a retomada de uma normalidade jurídica em Honduras, já que o atual presidente é, na prática um golpista ( não nos esqueçamos que o ex- Zelaya, também seria se conseguisse a reeleição) e principalmente, não tomar parte em nenhum dos lados envolvidos, mas manter sua posição de neutralidade, base de sua credibilidade internacional. Ao assumir abertamente a posição de Zelaya, um tipo exótico de caudilho populista à la Chávez, o Brasil não contribui em nada para a situação de Honduras. E ainda por cima, entra de cabeça num embróglio internacional, envolvendo até mesmo território brasileiro no exterior, no caso, a embaixada. Como sair dessa sem grandes problemas será a dor de cabeça daqui por diante.


texto BBC - Brasil
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse nesta segunda-feira, que ninguém voltará a expulsá-lo de seu país e que seu lema a partir de agora será "pátria, restituição ou morte".

Quase três meses depois de sua deposição, Zelaya regressou a Honduras nesta segunda-feira e se refugiou na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

"A partir de agora, ninguém voltará a nos tirar daqui. Por isso, nossa posição é pátria, restituição ou morte", afirmou Zelaya diante dos milhares de simpatizantes que cercaram a embaixada brasileira para comemorar a volta do presidente.

A Frente de Resistência contra o Golpe disse à BBC Brasil que milhares de pessoas estão viajando do interior do país rumo a Tegucigalpa para apoiar a volta do presidente eleito, mesmo com o risco de serem detidos. O governo interino decretou toque de recolher a partir das 16 hrs (horário local) até as 7 horas da terça-feira.

Zelaya disse estar disposto a estabelecer um diálogo com todos os setores do país com o fim de solucionar a crise política instaurada em 28 de junho, quando o líder foi preso, ainda em pijamas, por um grupo de militares e levado ao exílio na Costa Rica. ( comentário meu ao texto da BBC : veja a óbvia contradição de Zelaya, no primeiro momento do texto, fala em restituição ou morte, num segundo, apela ao diálogo... é ou não é fanfarrão ?)

‘Massacre’

Quase ao mesmo tempo, em Caracas, o presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou que a presença da comunidade internacional em Honduras é importante "para evitar um massacre" no país.

"Temos que apoiar a presença de organismos internacionais para evitar um massacre e para que se garanta de maneira pacífica seu retorno (de Zelaya) ao poder", disse Chávez em transmissão ao vivo pela televisão estatal.

Segundo Zelaya, o secrtário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, chegará a Honduras nesta terça-feira para ajudar a solucionar a crise.

O presidente venezuelano, que se tornou alvo de ataques da oposição hondurenha - defendeu a realização de eleições democráticas, com Zelaya no poder.

"Que Honduras retome seu caminho, vá às eleições (...) e que seja o povo de Honduras que tome a decisão", afirmou.

Chávez foi um dos primeiros a anunciar, ao vivo, a notícia do retorno de Zelaya a Honduras nesta segunda-feira.

A aliança de Zelaya com o presidente venezuelano por meio da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) teria levado à ruptura da aliança da direita hondurenha com o presidente eleito, para logo depois derivar na sua destituição, em 28 de junho.

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