terça-feira, 3 de novembro de 2009

Fracasso

Foi melancólica a primeira participação ativa da diplomacia brasileira neste século XXI fora da tradicional área de influência da América do Sul. O Brasil foi arrastado para uma crise que não era sua, criada pelo "muy amigo" Chávez e saiu como entrou: de mãos abanando, sem ter conseguido nada em termos simbólicos. Sua imagem de negociador isento foi seriamente afetada e sua importância relativa no mundo latino-americano, dminuída. Pelo menos, ao que parece e até esse ponto, a solução foi boa para Honduras.
Qual o erro da diplomacia brasileira no caso Zelaya? Confundir opiniões de partido com as de Estado. A condenação veemente do golpe em Honduras foi correta, momento aliás compartilhado tanto pelo Brasil como pela Venezuela de Chávez e pelos EUA de Obama. Mas a partir desse momento inicial, o resto foi só trapalhada. Condenar o golpe de Micheletti não poderia ser, como foi, dar apoio irrestrito a Zelaya, que como todos sabemos mas alguns petistas de algo coturno querem ignorar, estava ele mesmo tentando dar um golpe, com claro apoio chavista, o que também é negado por importante membro petista do governo atual na área de relações internacionais ( só ele acha que Zelaya não teve apoio de Chávez... até o próprio Chávez admite isso...)
Ao receber um histriônico Zelaya em sua embaixada, com aviso ou sem aviso é outra história estranha a esclarecer, o Brasil queimou sua possibilidade de mediador isento, o que me diplomacia é algo próximo ao desastre. Bastou os EUA, sempre eles, sentaram à mesa com as partes envolvidas, e com a ameaça nada sutil de romper relações econômicas com a fragilíssima Honduras, que a situação chegou a um final ( repito, pelo menos por enquanto). E o Brasil ? Ficou com o mico na mão: apoiou um lado que nã tinha legitimidade queimando o filme com o outro lado, igualmente sem legitimidade e viu os EUA resolverem a questão em uma semana, coisa que o Brasil não conseguiu em 2 meses. Entrará para a História como mais um erro de Amorim, agora petista de filiação, outro erro aliás, histórico: não me recordo de um Itamaraty partidarizado em outras épocas.


texto: blog Marcos Guterman:
É como se diz: “Donde manda capitán, no manda marinero”. Foi preciso que os EUA agissem para que a crise hondurenha tivesse um desfecho razoável. Logo os EUA, que os “anti-imperialistas” amam odiar.

Não havia outro mediador disponível. O Brasil se desqualificou como tal no minuto em que aceitou que o deposto Manuel Zelaya fizesse da embaixada brasileira em Tegucigalpa um quartel para suas investidas contra os opositores. Ademais, o governo Lula, ao se negar a conversar com os “golpistas”, fechou as portas da diplomacia – um erro que o zeloso Itamaraty não comete quando se trata de conversar com Irã, Venezuela, Bolívia e Sudão, entre outras “democracias”. Se o caso de Honduras era um teste para a pretensão brasileira à liderança regional, o Brasil não passou.

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