segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Será que ele falou mesmo...?

Se for verdade a notícia, estamos bem encrencados... para quem não sabe, o ministro de Assuntos Estratégicos (!!??) é um desses cargos inúteis da admnistração Lula, mas o que interessa aqui é menos o cargo do que a pessoa : o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães é uma referência do atual governo ( e talvez do próximo, a saber...) em matéria de assuntos externos. É sabido de suas posições " à la Gauche", mas isso é de menos... o que importa é um alto cargo de relações internacionais no Brasil, um mentor de nossa política externa atual, ter uma opinião tão tosca, tão infantilizada, da História ( sempre colocando o adendo: SE for verdade o noticiado...). Esse tipo de visão tolinha que acha que o mundo é uma batalha entre as forças do bem e do mal, sendo o mal, claro, os EUA, é primária, não se sustenta em 3 minutos de análise histórica e no limite, pode levar o país a tomar posições idiotizadas no cenário internacional. Relações internacionais é objeto de análise, não de torcida de futebol.

De Elio Gaspari:
Há uma semana, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ministro de Assuntos Estratégicos, defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU durante uma palestra no Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais do Itamaraty.
Defendeu a admissão, como membros permanentes, de Brasil, Índia, Alemanha e Japão. Ia tudo muito bem até que ele explicou a exclusão, em 1946, da Alemanha e do Japão do centro de decisões da ONU.
Numa versão-companheira da Segunda Guerra Mundial, os dois países penaram "tantos anos de purgatório, de punição, por terem desafiado a liderança anglo-saxônica do mundo". (A repórter Claudia Antunes ouviu, anotou e noticiou.)
A menos que Nosso Guia indique outro caminho, a Alemanha e o Japão não desafiaram "a liderança anglo-saxônica". Eles invadiram seus vizinhos, montaram economias baseadas no trabalho escravo e máquinas de extermínio nunca antes vistas na história.
Na conta da Alemanha havia cerca de 10 milhões de mortos em campos de extermínio. Na do Japão, 6 milhões de coreanos, chineses e filipinos.
E em 1945, depois da abertura dos campos de concentração da Europa e da Ásia, nem mesmo os precursores da defesa do nazismo e da Grande Esfera de Co-Prosperidade do Império Japonês falavam mais em desafio à "liderança anglo-saxônica".
Na dúvida, basta reler "Mein Kampf", de Adolf Hitler.

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