sexta-feira, 16 de julho de 2010

Tratado de Tordesilhas

Portugal e Espanha são países que têm laços históricos e culturais profundos. Ambos têm também problemas semelhantes, comoseus déficits, embora em escala diferente, já que a Espanha é uma economia bem maior que Portugal. Mas parece que um pedaço do passado está rondando a relação entre os dois. E curiosamente, este “passado” envolve o Brasil.
A Vivo, empresa de telefonia celular que foi herdeira da antiga Telesp, é hoje um empresa disputada arduamente entre seus dois controladores, a Telefonica, da Espanha e a Portugal Telecom. A empresa espanhola já manifestou em várias ocasiões a intenção de comprar a totalidade da participação portuguesa na Vivo. Porém os portugueses não querem. Afinal, sabem que o mercado brasileiros de celulares é imenso e ainda tem potencial enorme a ser explorado, principalmente agregando valor aos serviços, à medida que vão ficando mais populares os smartphones por aqui, que são muito mais do que apenas celulares. Como os portugueses não têm “bala na agulha” pra partir para compras em outros mercados, manter suas posições no Brasil é fundamental para manter a própria empresa PT, já que ela mesma poderia ser facilmente engolida por outra operadora europeia, até mesmo a Telefonica, dado o tamanho pequeno do mercado portugues. Por outro lado, comprar na totalidade a Vivo pode ser altamente estratégico para a Telefonica, que poderia unir com mais vigor suas operações de telefonia fixa, móvel e banda larga, incluindo aí a sua operação ainda incipiente de tv por assinatura. Se ela tivesse todo o controle da Viv, poderia gerar vários serviços integrados, aproveitando a popularização dos smartphones. Inicialmente, as conversas eram até amigáveis, mas agora a coisa descanbou para a tentativa de compra hostil, com a empresa espanhola oferencendo rios de dinheiro aos acionistas minoritários da Vivo e da própria PT. Agora para piorar, entra o governo... A PT era uma empresa estatal que foi privatizada, e na Europa os governos têm direito a “golden share”, uma ação preferencial que pode barrar cetos negócios, quando de acordo com o governo, tais negócios forem contra o interesse português. E o governo português hoje defende seus interesses na PT e portanto na Vivo com teimosia latina, irritando a Telefonica, e ao mesmo tempo, o governo espanhol, ele também com golden share na Telefonica.
No passado, Espanha e Portugal lutaram em guerras para controlar o Brasil. Passados 200 anos da époc colonial, as coisas não mudaram muito na Peninsula Ibérica.


Textos do jornal O Estado de SP

LISBOA - O governo português disse nesta sexta-feira ( 16 de julho) que continuará contra a oferta da Telefónica pela participação da Portugal Telecom na Vivo, caso não o grupo espanhol não a modifique, afirmou Pedro da Silva Pereira, presidente do conselho de ministros de Portugal.
"(O governo) pronunciou-se contra essa proposta e, se essa proposta não se alterar, naturalmente que a posição do governo não poderá ser diferente daquela que já foi manifestada", disse Pereira a jornalistas, após reunião do conselho de ministros.
Segundo ele, "o melhor que temos a fazer é aguardar o desenvolvimento deste processo", em referência a negociações entre a Portugal Telecom e a Telefónica.
A oferta de 7,15 bilhões de euros da Telefónica pela fatia que o grupo português tem na Vivo expira nesta sexta-feira.
MADRI - O conselho de diretores da Portugal Telecom (PT) faz hoje (16 de julho de 2010) uma reunião para decidir se aceita ou não a oferta da espanhola Telefónica pela fatia que a companhia portuguesa possui na Vivo. O encontro vai começar na tarde de hoje (de Brasília), segundo uma pessoa próxima à situação. "Provavelmente não haverá um comunicado do conselho sobre a decisão logo após a reunião", disse a fonte.
Ontem o conselho da PT se reuniu para discutir a oferta de 7,15 bilhões de euros da Telefónica por sua fatia na Brasilcel, uma joint venture controlada pelas duas companhias. A Brasilcel, por sua vez, detém 60% de participação na Vivo. A reunião não resultou em uma decisão sobre o assunto, por isso o novo encontro foi marcado para hoje. A Telefónica também marcou uma reunião de diretores para a hoje, dia em que expira o prazo dado para que a PT aceite a oferta. As informações são da Dow Jones.

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