Há um ano atrás, cada ação da AIG, então a maior seguradora do mundo e uma das maiores empresas privadas do planeta, valia 46 dólares: hoje vale impressionantes 40 cents de dólar...Isso poderia ser um desastre para os investidores privados da empresa, se eles não tivessem abandonado o "titanic" antes disso: hoje, 80% das ações da empresa estão nas maõs do governo americano e com a ajuda recente desta semana, esse índice poderá aumentar e chegar de vez aos 100%. Isso não é estatização bem na terra do Liberalismo ? Bem... é, mas é melhor falar baixo, pois para a maioria dos americanos, estatização é algo tão feio como evolucionismo no estado do Ohio....
A discussão nos EUA não é estatizar ou não, pois o efeito prático foi muito maior que isso: ou a AIG era estatizada, ou o sistema financeiro daquele país poderia derreter, gerando uma segunda tsumani global nos mercados mundiais com sabe-se lá qual consequência. Mas não tenha dúvida: apesar de amplas parcelas do sistema financeiro americano estarem, hoje, estatais ( além da AIG, as duas financiadores de hipotecas, F.Mac e F. Mae, e várias parcelas do Citi), os americanos, tanto povo quanto governo, continuam liberais: ou seja, estatizamos para evitar um colapso, mas assim que pudermos, vendemos, privatizamos de novo, essas empresas. É uma discussão interessante que, do lado americano, é menos teórica e mais prática.
A próxima etapa da crise poderá estar relacionada com as operadoras de cartão de crédito, que até agora estão fora do olho do furacão. Espere que poderá vir mais por aí.
Texto BBC-Brasil:
A seguradora American International Grupo (AIG), uma das maiores do mundo, registrou um prejuízo de US$ 61,7 bilhões nos últimos três meses de 2008, a maior perda trimestral já registrada na história corporativa dos Estados Unidos.
O anúncio veio depois de o Tesouro e o Banco Central americano (o Fed) anunciarem uma ajuda adicional de US$ 30 bilhões à seguradora, como parte de uma versão revisada do pacote de resgate de empresas do setor financeiro.
A AIG já tinha recebido US$ 150 bilhões - a maior ajuda já recebida por uma empresa americana - do governo.
O novo plano de ajuda também envolve a reestruturação das operações da AIG e pede que o Fed assuma participações em duas das unidades internacionais da AIG em troca da redução da dívida da companhia.
O apoio financeiro à AIG é cerca de três vezes maior do que o dado ao Citigroup, que foi de US$ 50 bilhões, e do Bank of America, que recebeu US$ 45 bilhões.
Em uma declaração conjunta, o Fed e o Tesouro americano afirmaram que a AIG representa um "risco" ao sistema financeiro global.
"O risco potencial da falta de medidas do governo, para a economia e para o contribuinte, seria extremamente alto", afirma a declaração.
"Os recursos adicionais vão ajudar a estabilizar a companhia e, ao fazer isso, estabilizar o sistema financeiro."
A notícia do prejuízo histórico da AIG foi dada em um momento em que o banco HSBC, o maior da Europa, tenta levantar US$ 17,7 bilhões (cerca de R$ 42,3 bilhões) para fortalecer suas finanças depois de uma queda de 62% em seu lucro anual.
Grande demais
Segundo a correspondente da BBC em Nova York Michelle Fleury, a AIG é considerada grande demais para falir. A companhia garante cerca de US$ 300 bilhões em bens por meio de contratos derivativos.
Há um grande temor de que agências de avaliação de crédito como a Moody's, Fitch e Standard & Poor's, revejam suas avaliações de crédito da AIG como resultado do prejuízo recorde registrado.
Isto poderia forçar a AIG a dar um calote, o que poderia ter um efeito desastroso em todos os negócios da seguradora.
A AIG fornece seguros de vida, para pequenas empresas, municípios, planos de aposentadoria e grandes companhias americanas.
Além de fornecer seguros para residências, a AIG também tem um papel importante ao assegurar riscos de instituições financeiras em mundo todo.
De acordo com Fleury, o governo americano também acredita que o colapso da AIG seria desastroso, mas a decisão de salvar a seguradora poderá desencadear a insatisfação do público, que está começando a questionar medidas que arriscam o dinheiro dos contribuintes para resgatar companhias particulares.
A primeira ajuda que a companhia recebeu do governo foi em setembro, logo depois do colapso da Lehman Brothers.
segunda-feira, 2 de março de 2009
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Um comentário:
Realmente engraçado como as ações podem ir de encontro as crenças em momentos de crise.
O mundo observa cautelosamente os movimentos financeiros dos EUA e esse por sua vez camufladamente muda suas diretrizes para não causar um prejuízo maior.
Seria esse um adeus á auto regulação dos mercados???
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