Leia essa notícia e depois me responda, se puder, duas perguntas:
1-Se Chávez não é um ditador, ele é o quê?
2-O que o governo Lula tem na cabeça para desejar que um país com esse tipo de governante entre para o Mercosul?
texto do jornal O Globo:
Governo venezuelano defende nova lei da educação, que unifica o que é ensinado e coloca supervisores chavistas no controle
No lugar de estudantes, agora foi a vez de pais e professores protestarem contra uma polêmica decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Cerca de mil manifestantes estiveram ontem diante da Assembleia Nacional (o Congresso venezuelano) para pressionar os deputados a não aprovar um controverso projeto de lei que, caso passe, mudará totalmente o sistema de ensino venezuelano, da pré-escola à universidade.
A intenção é introduzir o que o texto em estudo chama de "Doutrina Bolivariana", adequando o ensino aos princípios socialistas, transformando as escolas em centros de reunião das comunidades sob a supervisão de pessoas pagas pelo governo, e dando ao governo federal o poder de definir as carreiras que os estudantes universitários deverão seguir.
O projeto inicial foi aprovado em 2001, mas reações da sociedade civil fizeram com que fosse arquivado. Agora sofreu acréscimos e poderá ser aprovado ainda esta semana no Congresso, dominado por chavistas.
Entre as medidas que deverão entrar em vigor se a Lei Orgânica da Educação for aprovada chamam a atenção aspectos como a forma como as escolas passam a ser chamadas - "escola-família-comunidade" - e a decisão de ensinar as crianças a interpretar o que os meios de comunicação transmitem "desde a mais tenra idade", segundo o ministro da Educação, Héctor Navarro
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Colômbia, Venezuela, Brasil e EUA
Voltando das férias, proponho uma leitura de um tema importante: a América do Sul e as instalações de bases americanas na Colômbia. Tais bases, que na verdade, de acordo com o Gal.Jones dos EUA seria apenas o uso de por americanos de bases colombianas, gera desconforto no Brasil, pela possibilidade concreta de atuação militar americana na fronteira Amazônia brasileira. Claro, gerou, como seria de esperar, reação histriônica do sempre burlesco Chávez, classificando-a como uma possibilidade de domínio imperialista na região. A questão fundamental é: o que exatamente querem os EUA com essas bases? Narcotráfico, guerrilha ou o próprio Chávez? E por falar nele, demorou, mas veio a resposta sobre as armas de poder de fogo elevado que foram encontradas nas Farc. De acordo com a resposta oficial de Chávez, foi um roubo. Pode ser, mas a demora na resposta ao questionamento oficial feito pelo governo da Suécia, origem das armas, deixa dúvidas. Sabe-se que o governo chavista vem alimentando as Farc com armas leves, como fuzis e granadas. Tal fato, gravíssimo em política internacional, vem sendo sistematicamente ignorado pela comunidade sulamericana, Brasil inclusive. Se agora o governo venezuelano alimenta as Farc com armas de maior poder de fogo é sinal de que Chávez está indo longe demais, ou muito provavelmente, já foi longe demais... Boa leitura e bom retorno!
A seguir, dois textos da BBC:O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta quarta-feira que as armas compradas pelo governo venezuelano que foram encontradas em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) teriam sido roubadas de um posto naval na Venezuela em 1995.
Na última semana, o governo da Colômbia anunciou que armamentos comprados pela Venezuela e produzidos na Suécia foram encontrados com a guerrilha, o que levantou suspeitas de eventuais ligações entre o governo Chávez e as Farc. As acusações do governo colombiano causaram uma nova crise diplomática entre os dois países e culminaram com a retirada do embaixador venezuelano de Bogotá. Durante uma entrevista coletiva nesta quarta-feira, Chávez afirmou que as armas encontradas com as Farc – que incluíam lançadores de foguetes de fabricação sueca – foram compradas pela Venezuela na década de 1980 e roubadas em 1995 durante um ataque a uma base naval no Estado de Carabobo. Chávez ainda acusou o governo colombiano de “fazer chantagem” com as acusações, classificadas pelo líder venezuelano como “uma jogada suja e traiçoeira” do presidente colombiano, Álvaro Uribe.
Bases : O presidente venezuelano ainda alegou que a divulgação das informações sobre as armas faria parte de uma espécie de campanha para desviar a atenção do controvertido acordo entre Estados Unidos e Colômbia. O acordo, ainda em fase de negociação, prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases militares no país sul-americano. “Vocês acham que é por acaso que esta informação sai da Colômbia precisamente uns dias depois de nós termos começado a levantar a voz contra a instalação das bases ianques em território colombiano?”. Chávez também reiterou sua condenação à utilização das bases pelos americanos e disse que o acordo poderia ser o início de “uma guerra”. “Estamos preocupados com estas bases porque elas poderiam ser o início de uma guerra na América do Sul. Estamos falando dos ianques, a nação mais agressiva na história”, disse. O presidente venezuelano também anunciou que planeja comprar tanques de guerra russos para aumentar as defesas da Venezuela.
Comércio bilateral
Durante a entrevista coletiva desta quarta-feira, Chávez não apenas fez acusações contra o governo colombiano, mas anunciou novas medidas na relação comercial comércio entre os dois países, aumentando a pressão sobre a Colômbia. Segundo Chávez, além de congelar as relações diplomáticas com a Colômbia - decisão anunciada na semana passada - a Venezuela ainda vai paralisar a importação de carros vindos do país e barrar uma empresa colombiana de petróleo de um campo petroleiro em território venezuelano. O governo anunciou ainda um corte de cerca de US$ 7 bilhões no comércio entre os dois países – negociações que serão substituídas por novos acordos com outros países como Brasil e Argentina. “Vamos substituir todas essas importações. É nossa responsabilidade porque a qualquer momento os ianques podem dizer ‘não enviem mais carne ao Chávez’ ou ‘não mandem mais leite aos venezuelanos’. São os ianques que mandarão por lá, não o Uribe, a Colômbia ou ninguém mais – os ianques”, disse o presidente durante a coletiva. Segundo o correspondente da BBC em Caracas Will Grant, apesar de anunciar as novas medidas, Chávez deu poucos detalhes sobre como a substituição de um dos principais parceiros comerciais da Venezuela funcionaria na prática.
O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general James Jones, disse nesta quarta-feira durante visita a Brasília que o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia “não traz novidades”, mas que está disposto a “conversar” com os países da região sobre o assunto.
Após encontro com o chanceler Celso Amorim, no Itamaraty, Jones disse aos jornalistas que “não há mágica, não há segredos debaixo da mesa” em relação às negociações sobre o acordo que pode permitir que os Estados Unidos utilizem bases militares na Colômbia. “Temos parceria de longa data com a Colômbia e nada mudou”, disse o general. Jones também negou que os Estados Unidos pretendam ter bases militares próprias no país latino-americano. “Vamos apenas usar as instalações colombianas”, disse. O governo brasileiro vem questionando o fato de o acordo prever a utilização das bases para aeronaves de longo alcance - o que, na avaliação brasileira, não seria necessário em um trabalho de observação de território para combate ao narcotráfico.
Jones disse que as aeronaves de longo alcance são necessárias, pois a região está “a uma longa distância dos Estados Unidos”. Segundo ele, haverá apenas dois tipos de aeronaves americanas utilizando as bases: para transporte de pessoal e para observação.
“Omissão” : O general americano disse ainda que os Estados Unidos estão buscando uma relação “mais aberta” com a região. “Penso que poderíamos ter feito um trabalho melhor”, disse Jones, referindo-se às discussões sobre o acordo com a Colômbia. “Se houve erros, foram de omissão, e não de intenção. Não houve nada intencional aqui”, disse. Segundo ele, os Estados Unidos estão enviando militares a dois países da região, que estão interessados em discutir os objetivos do acordo. Os nomes dos países, no entanto, não foram divulgados.
Garantias
Fontes do governo brasileiro disseram à BBC Brasil que a reunião entre o ministro Amorim e o general Jones foi “cordial” e que o general americano ouviu “atentamente” as ponderações brasileiras. Uma das sugestões colocadas sobre a mesa pelo governo brasileiro é de que os Estados Unidos deem algum tipo de garantia de que as bases serão usadas apenas para combate ao narcotráfico e fins humanitários, como afirmam os americanos. Para a diplomacia brasileira, “não há justificativa” para a utilização de aeronaves que podem chegar à ponta do continente sem reabastecer. Além disso, o chanceler Celso Amorim teria dito a Jones que a região passa por um “contexto de estabilidade” e que, se há novos elementos que podem contribuir para a distensão das relações, é preciso que se converse com todos os países. Ainda de acordo com o diplomata ouvido pela BBC Brasil, o general Jim Jones teria reconhecido que houve “falha de comunicação” na discussão sobre o acordo militar.
A seguir, dois textos da BBC:O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta quarta-feira que as armas compradas pelo governo venezuelano que foram encontradas em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) teriam sido roubadas de um posto naval na Venezuela em 1995.
Na última semana, o governo da Colômbia anunciou que armamentos comprados pela Venezuela e produzidos na Suécia foram encontrados com a guerrilha, o que levantou suspeitas de eventuais ligações entre o governo Chávez e as Farc. As acusações do governo colombiano causaram uma nova crise diplomática entre os dois países e culminaram com a retirada do embaixador venezuelano de Bogotá. Durante uma entrevista coletiva nesta quarta-feira, Chávez afirmou que as armas encontradas com as Farc – que incluíam lançadores de foguetes de fabricação sueca – foram compradas pela Venezuela na década de 1980 e roubadas em 1995 durante um ataque a uma base naval no Estado de Carabobo. Chávez ainda acusou o governo colombiano de “fazer chantagem” com as acusações, classificadas pelo líder venezuelano como “uma jogada suja e traiçoeira” do presidente colombiano, Álvaro Uribe.
Bases : O presidente venezuelano ainda alegou que a divulgação das informações sobre as armas faria parte de uma espécie de campanha para desviar a atenção do controvertido acordo entre Estados Unidos e Colômbia. O acordo, ainda em fase de negociação, prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases militares no país sul-americano. “Vocês acham que é por acaso que esta informação sai da Colômbia precisamente uns dias depois de nós termos começado a levantar a voz contra a instalação das bases ianques em território colombiano?”. Chávez também reiterou sua condenação à utilização das bases pelos americanos e disse que o acordo poderia ser o início de “uma guerra”. “Estamos preocupados com estas bases porque elas poderiam ser o início de uma guerra na América do Sul. Estamos falando dos ianques, a nação mais agressiva na história”, disse. O presidente venezuelano também anunciou que planeja comprar tanques de guerra russos para aumentar as defesas da Venezuela.
Comércio bilateral
Durante a entrevista coletiva desta quarta-feira, Chávez não apenas fez acusações contra o governo colombiano, mas anunciou novas medidas na relação comercial comércio entre os dois países, aumentando a pressão sobre a Colômbia. Segundo Chávez, além de congelar as relações diplomáticas com a Colômbia - decisão anunciada na semana passada - a Venezuela ainda vai paralisar a importação de carros vindos do país e barrar uma empresa colombiana de petróleo de um campo petroleiro em território venezuelano. O governo anunciou ainda um corte de cerca de US$ 7 bilhões no comércio entre os dois países – negociações que serão substituídas por novos acordos com outros países como Brasil e Argentina. “Vamos substituir todas essas importações. É nossa responsabilidade porque a qualquer momento os ianques podem dizer ‘não enviem mais carne ao Chávez’ ou ‘não mandem mais leite aos venezuelanos’. São os ianques que mandarão por lá, não o Uribe, a Colômbia ou ninguém mais – os ianques”, disse o presidente durante a coletiva. Segundo o correspondente da BBC em Caracas Will Grant, apesar de anunciar as novas medidas, Chávez deu poucos detalhes sobre como a substituição de um dos principais parceiros comerciais da Venezuela funcionaria na prática.
O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general James Jones, disse nesta quarta-feira durante visita a Brasília que o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia “não traz novidades”, mas que está disposto a “conversar” com os países da região sobre o assunto.
Após encontro com o chanceler Celso Amorim, no Itamaraty, Jones disse aos jornalistas que “não há mágica, não há segredos debaixo da mesa” em relação às negociações sobre o acordo que pode permitir que os Estados Unidos utilizem bases militares na Colômbia. “Temos parceria de longa data com a Colômbia e nada mudou”, disse o general. Jones também negou que os Estados Unidos pretendam ter bases militares próprias no país latino-americano. “Vamos apenas usar as instalações colombianas”, disse. O governo brasileiro vem questionando o fato de o acordo prever a utilização das bases para aeronaves de longo alcance - o que, na avaliação brasileira, não seria necessário em um trabalho de observação de território para combate ao narcotráfico.
Jones disse que as aeronaves de longo alcance são necessárias, pois a região está “a uma longa distância dos Estados Unidos”. Segundo ele, haverá apenas dois tipos de aeronaves americanas utilizando as bases: para transporte de pessoal e para observação.
“Omissão” : O general americano disse ainda que os Estados Unidos estão buscando uma relação “mais aberta” com a região. “Penso que poderíamos ter feito um trabalho melhor”, disse Jones, referindo-se às discussões sobre o acordo com a Colômbia. “Se houve erros, foram de omissão, e não de intenção. Não houve nada intencional aqui”, disse. Segundo ele, os Estados Unidos estão enviando militares a dois países da região, que estão interessados em discutir os objetivos do acordo. Os nomes dos países, no entanto, não foram divulgados.
Garantias
Fontes do governo brasileiro disseram à BBC Brasil que a reunião entre o ministro Amorim e o general Jones foi “cordial” e que o general americano ouviu “atentamente” as ponderações brasileiras. Uma das sugestões colocadas sobre a mesa pelo governo brasileiro é de que os Estados Unidos deem algum tipo de garantia de que as bases serão usadas apenas para combate ao narcotráfico e fins humanitários, como afirmam os americanos. Para a diplomacia brasileira, “não há justificativa” para a utilização de aeronaves que podem chegar à ponta do continente sem reabastecer. Além disso, o chanceler Celso Amorim teria dito a Jones que a região passa por um “contexto de estabilidade” e que, se há novos elementos que podem contribuir para a distensão das relações, é preciso que se converse com todos os países. Ainda de acordo com o diplomata ouvido pela BBC Brasil, o general Jim Jones teria reconhecido que houve “falha de comunicação” na discussão sobre o acordo militar.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Um tema quente
Um tema para debate: a atual política externa brasileira, que busca aproximação com virtualmente todos os países do mundo, incluindo aqueles considerados párias como Sudão ou Coréia do Norte, é um ponto positivo na expansão da influência internacional do Brasil ou ao contrário, é um ponto de enfraquecimento da credibilidade que o Brasil tem no exterior, conquistada por décadas, desde o Barão do Rio Branco?
Não há resposta única nem fácil para o tema. Talvez só o tempo dirá se a atual política externa terá bons frutos ou não. Mas uma coisa é dada como certa: o Brasil, em definitivo, saiu da carapaça de isolamento e hoje é player internacional no cenário político, econômico e ambiental do planeta. Resta saber se estamos nos saindo bem nesta nova configuração.
texto: BBC- Brasil: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita a Líbia de Muamar Khadafi nesta quarta-feira em um momento em que a política externa brasileira de boa vizinhança com regimes autoritários e de pragmatismo em relação a questões que envolvem direitos humanos provoca polêmica no país e no exterior.
Lula fará o discurso de abertura na Cúpula da União Africana, que terá Khadafi como anfitrião, líder que está no poder há 40 anos e que vem buscando reabilitação internacional depois de ter admitido a participação de seu governo na derrubada de um avião da PanAm, em 1988, e ter pago U$ 2,7 bilhões em indenizações.
O presidente Lula já havia sido questionado por grupos de defesa dos direitos humanos ao receber o presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, acusado de práticas antidemocráticas e desrespeito aos direitos humanos, e pelo convite ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejah, no momento em que o país sofre pressão da comunidade internacional para adequar seu programa nuclear às resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
O Itamaraty defende a postura com o argumento de que a política externa brasileira se pauta pela “tradição de não-intervenção” nos assuntos internos de outros países e de que o isolamento dos regimes que desafiam a opinião pública mundial não é uma atitude produtiva e o melhor caminho é o diálogo.
Em viagem ao exterior, os dois principais porta-vozes do Itamaraty – o ministro Celso Amorim e o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães – não puderam conversar com a BBC Brasil.
Durante uma entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro Amorim foi questionado sobre as críticas e disse que, nessas questões, “é preciso considerar aspectos geopolíticos”.
“Claro, temos que ter princípios. Mas temos que ter um mínimo de pragmatismo. Se formos nos reunir apenas com pessoas virtuosas, talvez nem precisemos nos reunir”, disse o ministro.
Segundo ele, se o Brasil quiser ter um papel mais relevante nas grandes discussões internacionais, tem de estar preparado para “conversar” com todos os regimes.
Clique Leia também na BBC Brasil: Lula recebe presidente do Uzbequistão, acusado de desrespeito aos direitos humanos
‘Sem justificativa’
Na opinião do professor de Relações Internacionais da Universidade São Carlos José Augusto Guilhon, no entanto, o argumento de que a aproximação com esses países seria importante para ascensão do Brasil no cenário internacional é questionável.
“São países que não participam das grandes decisões”, diz.
Ele também questiona o argumento de que essa atitude se justifica pela estratégia de diversificação do foco das relações externas do Brasil, que ajudou a alavancar o comércio brasileiro com um número maior de países e a reduzir a dependência das exportações para a Europa e para os Estados Unidos. Segundo o governo, isso explicaria, em parte, o fato de o país ter sido menos afetado pela crise econômica global.
“As trocas comerciais do Brasil com a Coreia do Norte são simplesmente insignificantes. Não vejo motivos nem econômicos, nem políticos, para a abertura de uma embaixada naquele país”, diz Guilhon.
Segundo ele, mesmo com países relativamente mais abertos ao comércio, como o Uzbequistão e o Cazaquistão, “é difícil entender se essa aproximação compensa”.
“O ganho comercial que temos com esses países é pequeno perto do desgaste desse tipo de aproximação”, diz.
Para ele, o resultado é uma política externa “abstrata”. “As decisões não refletem nem uma preocupação econômica, nem de segurança nacional, tradicionalmente os dois pilares de uma política internacional”, diz Guilhon.
Sua avaliação é de que a política externa brasileira tem “muitos méritos”, sobretudo no campo econômico e na interlocução com os Estados Unidos e outros países das Américas – mas que esse patrimônio “está sendo minado”.
Postura na ONU
A estratégia de aproximação com regimes controversos inclui uma postura ainda mais delicada, de acordo com especialistas: a de ficar ao lado desses países, mesmo quando acusados de crimes no âmbito das Nações Unidas.
O caso mais polêmico é o do apoio ao Sudão, país acusado de cometer crimes contra civis na região de Darfur. Estima-se que 300 mil pessoas tenham morrido em seis anos, seja em consequência direta dos conflitos ou por doenças agravadas em condições precárias de moradia.
O Brasil tem evitado adotar uma postura que contrarie o governo do Sudão, abstendo-se em votações importantes em conselhos da ONU sobre crimes praticados naquele país.
A conduta brasileira rendeu críticas de organismos internacionais. Recentemente, o Brasil acabou por rever sua conduta, apoiando uma resolução a favor de novas investigações sobre direitos humanos no Sudão.
Já na sessão recente da ONU sobre crimes na Coreia do Norte, o Brasil absteve-se em votação sobre o monitoramento de possíveis crimes no país, como execuções e perseguição política.
Segundo a ONG brasileira Conectas, de defesa dos direitos humanos, o governo brasileiro sempre condenou violações praticadas na Coreia do Norte, mas o país “mudou de posição” nas duas últimas votações, passando a se abster.
Há algumas semanas, a ONG internacional Human Rights Watch divulgou uma nota afirmando que o Brasil está usando seu voto no Conselho de Direitos Humanos da ONU “para proteger países com um espantoso registro de violações”.
“O apoio do Brasil a governos abusivos está comprometendo a atuação do Conselho das Nações Unidas”, disse a organização.
O ex-ministro das Relações Exteriores no governo de Fernando Henrique Cardoso, Celso Lafer, diz que esse “não é um caminho apropriado para o Brasil”.
Segundo ele, o país vem conquistando um importante espaço no cenário internacional, baseado principalmente em sua credibilidade e essa conquista pode ser comprometida.
“A aproximação com o governo do Irã, por exemplo, atrapalha a coerência e a credibilidade de nossas posições em outros fóruns”, diz o ex-ministro.
Parte do jogo
O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UNB), David Fleischer, diz que decisões como essas “fazem parte do jogo político”, mas que o Brasil tem de estar “preparado para as consequências”.
“A sociedade nem sempre aceita esse tipo de conduta. Tanto é assim que o governo está sendo cada vez mais cobrado a dar explicações”, diz Fleischer.
Sua avaliação é de que esses movimentos da política externa brasileira têm um único objetivo: conquistar apoio ao pleito do país por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
“Cada país é um voto, um apoio a mais. Por isso o Brasil não quer fazer inimigos”, diz o professor.
O Itamaraty nega, no entanto, que sua política de boa vizinhança seja uma forma de angariar votos para a reforma do Conselho. Segundo o chanceler Amorim, cada voto do Brasil nos Conselhos da ONU é decidido “com pragmatismo” e na crença de que “sanções não funcionam”.
Não há resposta única nem fácil para o tema. Talvez só o tempo dirá se a atual política externa terá bons frutos ou não. Mas uma coisa é dada como certa: o Brasil, em definitivo, saiu da carapaça de isolamento e hoje é player internacional no cenário político, econômico e ambiental do planeta. Resta saber se estamos nos saindo bem nesta nova configuração.
texto: BBC- Brasil: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita a Líbia de Muamar Khadafi nesta quarta-feira em um momento em que a política externa brasileira de boa vizinhança com regimes autoritários e de pragmatismo em relação a questões que envolvem direitos humanos provoca polêmica no país e no exterior.
Lula fará o discurso de abertura na Cúpula da União Africana, que terá Khadafi como anfitrião, líder que está no poder há 40 anos e que vem buscando reabilitação internacional depois de ter admitido a participação de seu governo na derrubada de um avião da PanAm, em 1988, e ter pago U$ 2,7 bilhões em indenizações.
O presidente Lula já havia sido questionado por grupos de defesa dos direitos humanos ao receber o presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, acusado de práticas antidemocráticas e desrespeito aos direitos humanos, e pelo convite ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejah, no momento em que o país sofre pressão da comunidade internacional para adequar seu programa nuclear às resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
O Itamaraty defende a postura com o argumento de que a política externa brasileira se pauta pela “tradição de não-intervenção” nos assuntos internos de outros países e de que o isolamento dos regimes que desafiam a opinião pública mundial não é uma atitude produtiva e o melhor caminho é o diálogo.
Em viagem ao exterior, os dois principais porta-vozes do Itamaraty – o ministro Celso Amorim e o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães – não puderam conversar com a BBC Brasil.
Durante uma entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro Amorim foi questionado sobre as críticas e disse que, nessas questões, “é preciso considerar aspectos geopolíticos”.
“Claro, temos que ter princípios. Mas temos que ter um mínimo de pragmatismo. Se formos nos reunir apenas com pessoas virtuosas, talvez nem precisemos nos reunir”, disse o ministro.
Segundo ele, se o Brasil quiser ter um papel mais relevante nas grandes discussões internacionais, tem de estar preparado para “conversar” com todos os regimes.
Clique Leia também na BBC Brasil: Lula recebe presidente do Uzbequistão, acusado de desrespeito aos direitos humanos
‘Sem justificativa’
Na opinião do professor de Relações Internacionais da Universidade São Carlos José Augusto Guilhon, no entanto, o argumento de que a aproximação com esses países seria importante para ascensão do Brasil no cenário internacional é questionável.
“São países que não participam das grandes decisões”, diz.
Ele também questiona o argumento de que essa atitude se justifica pela estratégia de diversificação do foco das relações externas do Brasil, que ajudou a alavancar o comércio brasileiro com um número maior de países e a reduzir a dependência das exportações para a Europa e para os Estados Unidos. Segundo o governo, isso explicaria, em parte, o fato de o país ter sido menos afetado pela crise econômica global.
“As trocas comerciais do Brasil com a Coreia do Norte são simplesmente insignificantes. Não vejo motivos nem econômicos, nem políticos, para a abertura de uma embaixada naquele país”, diz Guilhon.
Segundo ele, mesmo com países relativamente mais abertos ao comércio, como o Uzbequistão e o Cazaquistão, “é difícil entender se essa aproximação compensa”.
“O ganho comercial que temos com esses países é pequeno perto do desgaste desse tipo de aproximação”, diz.
Para ele, o resultado é uma política externa “abstrata”. “As decisões não refletem nem uma preocupação econômica, nem de segurança nacional, tradicionalmente os dois pilares de uma política internacional”, diz Guilhon.
Sua avaliação é de que a política externa brasileira tem “muitos méritos”, sobretudo no campo econômico e na interlocução com os Estados Unidos e outros países das Américas – mas que esse patrimônio “está sendo minado”.
Postura na ONU
A estratégia de aproximação com regimes controversos inclui uma postura ainda mais delicada, de acordo com especialistas: a de ficar ao lado desses países, mesmo quando acusados de crimes no âmbito das Nações Unidas.
O caso mais polêmico é o do apoio ao Sudão, país acusado de cometer crimes contra civis na região de Darfur. Estima-se que 300 mil pessoas tenham morrido em seis anos, seja em consequência direta dos conflitos ou por doenças agravadas em condições precárias de moradia.
O Brasil tem evitado adotar uma postura que contrarie o governo do Sudão, abstendo-se em votações importantes em conselhos da ONU sobre crimes praticados naquele país.
A conduta brasileira rendeu críticas de organismos internacionais. Recentemente, o Brasil acabou por rever sua conduta, apoiando uma resolução a favor de novas investigações sobre direitos humanos no Sudão.
Já na sessão recente da ONU sobre crimes na Coreia do Norte, o Brasil absteve-se em votação sobre o monitoramento de possíveis crimes no país, como execuções e perseguição política.
Segundo a ONG brasileira Conectas, de defesa dos direitos humanos, o governo brasileiro sempre condenou violações praticadas na Coreia do Norte, mas o país “mudou de posição” nas duas últimas votações, passando a se abster.
Há algumas semanas, a ONG internacional Human Rights Watch divulgou uma nota afirmando que o Brasil está usando seu voto no Conselho de Direitos Humanos da ONU “para proteger países com um espantoso registro de violações”.
“O apoio do Brasil a governos abusivos está comprometendo a atuação do Conselho das Nações Unidas”, disse a organização.
O ex-ministro das Relações Exteriores no governo de Fernando Henrique Cardoso, Celso Lafer, diz que esse “não é um caminho apropriado para o Brasil”.
Segundo ele, o país vem conquistando um importante espaço no cenário internacional, baseado principalmente em sua credibilidade e essa conquista pode ser comprometida.
“A aproximação com o governo do Irã, por exemplo, atrapalha a coerência e a credibilidade de nossas posições em outros fóruns”, diz o ex-ministro.
Parte do jogo
O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UNB), David Fleischer, diz que decisões como essas “fazem parte do jogo político”, mas que o Brasil tem de estar “preparado para as consequências”.
“A sociedade nem sempre aceita esse tipo de conduta. Tanto é assim que o governo está sendo cada vez mais cobrado a dar explicações”, diz Fleischer.
Sua avaliação é de que esses movimentos da política externa brasileira têm um único objetivo: conquistar apoio ao pleito do país por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
“Cada país é um voto, um apoio a mais. Por isso o Brasil não quer fazer inimigos”, diz o professor.
O Itamaraty nega, no entanto, que sua política de boa vizinhança seja uma forma de angariar votos para a reforma do Conselho. Segundo o chanceler Amorim, cada voto do Brasil nos Conselhos da ONU é decidido “com pragmatismo” e na crença de que “sanções não funcionam”.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Livros e fogueira: combinação nada aconselhável
Mais uma possível derrapada da Política Externa do atual governo: o apoio, para lá de controverso e até certa medida inexplicável, que o Brasil está dando ao egípcio Farouk Hosni para diretor geral da Unesco. Este órgão tem como principal tarefa coordenar atividades culturais e educacionais em todo o mundo, sob chancela da ONU. O problema é que este cidadão egício deu, há não muito tempo, uma declaração para lá de infeliz, dizendo que queimaria qualquer livro no Egito que tivesse conteúdo semita, ou seja, pró-judeu. Indicar como diretor geral de uma organização que divulga cultura alguém que diz que gostaria de queimar livros, sejam quais forem, é no mínimo, constrangedor. Há outros pontos em questão: por que não indicar dois brasileiros, competentes e qualificados, para o cargo, ao invés de um egício? Pode paracer bobagem, mas não é: para um país que a cada dia busca, e muitas vezes consegue, afirmar-se como um player internacional, ter conterrâneos em órgãos de destaque mundial como a Unesco é boa política. Mas se você me perguntar o porquê do apoio ao egício, eu devo dizer: não há razões realmente determinantes.
texto do jornal O Globo:
Comissão de Relações Exteriores aprova requerimento solicitando que Amorim considere candidatura de brasileiros
O Senado manifestou ontem sua posição contrária ao apoio do governo brasileiro à candidatura do ministro da Cultura do Egito, Farouk Hosni, ao cargo de diretor-geral da Unesco. A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou ontem requerimento de seu presidente, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), solicitando que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reveja a posição do Brasil, que fez sua opção em detrimento das candidaturas de dois brasileiros: o atual diretor-geral adjunto da Unesco, Márcio Barbosa, e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).
- O secretário-geral ou diretor-geral não exerce apenas responsabilidades administrativas. Desempenha funções diplomáticas, inclusive de representação simbólica de sua instituição. Dentro do sistema da ONU, a Unesco assume papel especial. A partir desses critérios, eu peço aqui no plenário desta Casa que o governo do Brasil, por meio do Ministério das Relações Exteriores, reveja o apoio prometido ao senhor Hosni Farouk e o patrocínio da Liga Árabe - reiterou Azeredo em pronunciamento.
Para o senador mineiro, o governo brasileiro não deveria apoiar um nome sob suspeição e posições controversas. Leia mais em O Globo
De Andrei Netto:
Três dos maiores intelectuais da Europa apelaram em artigo publicado ontem, no jornal Le Monde, em Paris, à comunidade internacional para que interfira nas eleições da Organizações das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e evite a vitória de Farouk Hosny. O ministro da Cultura egípcio é acusado de antissemita pelo filósofo Bernard-Henri Lévy, pelo escritor e prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel e pelo cineasta Claude Lanzmann. A candidatura de Hosny recebeu a adesão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nega apoio ao brasileiro Márcio Barbosa, atual número 2 da instituição.
texto do jornal O Globo:
Comissão de Relações Exteriores aprova requerimento solicitando que Amorim considere candidatura de brasileiros
O Senado manifestou ontem sua posição contrária ao apoio do governo brasileiro à candidatura do ministro da Cultura do Egito, Farouk Hosni, ao cargo de diretor-geral da Unesco. A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou ontem requerimento de seu presidente, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), solicitando que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reveja a posição do Brasil, que fez sua opção em detrimento das candidaturas de dois brasileiros: o atual diretor-geral adjunto da Unesco, Márcio Barbosa, e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).
- O secretário-geral ou diretor-geral não exerce apenas responsabilidades administrativas. Desempenha funções diplomáticas, inclusive de representação simbólica de sua instituição. Dentro do sistema da ONU, a Unesco assume papel especial. A partir desses critérios, eu peço aqui no plenário desta Casa que o governo do Brasil, por meio do Ministério das Relações Exteriores, reveja o apoio prometido ao senhor Hosni Farouk e o patrocínio da Liga Árabe - reiterou Azeredo em pronunciamento.
Para o senador mineiro, o governo brasileiro não deveria apoiar um nome sob suspeição e posições controversas. Leia mais em O Globo
De Andrei Netto:
Três dos maiores intelectuais da Europa apelaram em artigo publicado ontem, no jornal Le Monde, em Paris, à comunidade internacional para que interfira nas eleições da Organizações das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e evite a vitória de Farouk Hosny. O ministro da Cultura egípcio é acusado de antissemita pelo filósofo Bernard-Henri Lévy, pelo escritor e prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel e pelo cineasta Claude Lanzmann. A candidatura de Hosny recebeu a adesão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nega apoio ao brasileiro Márcio Barbosa, atual número 2 da instituição.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Estado e Mercado: surge mais um player internacional "made in Brazil".
Exemplo clássico da união de interesses entre Estado e Mercado na defesa de ambos: de um lado o óbvio interesse de aumento de ganho em escala da união Sadia-Perdigão, mas de outro, o interesse do Estado brasileiro em criar uma mega companhia com foco em exportação, já que foi a entrada de dólares maciça nos últimos anos promovida pelos superávits comerciais que alavancaram a recuperação da economia brasileira.
texto retirado da Folha de SP:
União Sadia-Perdigão criará Brasil Foods
Negócio, que pode ser fechado ainda hoje, criará a maior exportadora de produtos de carne processada do mundo
Executivo vê sinergia maior nas operações no exterior; nova empresa deve ser a 3ª maior exportadora do país, atrás de Vale e Petrobras
De Maria Cristina Frias:
Brasil Foods (BRF) será o nome da nova companhia que surgirá da união entre Sadia e Perdigão. O nome da futura maior empresa de alimentos industrializados do Brasil será em inglês, mas Brasil será grafado com s, como na língua portuguesa, não com o z do inglês.
O negócio poderá ser fechado hoje, mas, ontem à noite, ainda não se sabia precisar quando exatamente será assinado.
"Pode sair a qualquer momento, estamos de prontidão, mas ontem não foi possível porque há muito detalhamento jurídico. Questões fundamentais já foram ultrapassadas, e o negócio está em fase de finalização", disse um executivo que participa das negociações entre as empresas. Advogados, profissionais de banco e das duas empresas estão reunidos há dias, trabalhando intensamente. Para o executivo, a sinergia obtida com a BRF será maior no exterior e imediata. Haverá ganhos de logística, de meios de produção e em outras áreas.
A nova companhia será a maior exportadora de produtos de carne processada do mundo. Será também a terceira maior exportadora brasileira, atrás de Petrobras e Vale do Rio Doce, mas " a única que levará a marca brasileira para a mesa de consumidores no mundo todo", afirma. Sadia e Perdigão hoje competem entre si em mais de cem países.
O banco e a corretora ficarão de fora da nova empresa por exigência das duas partes. O acordo não poderia acontecer com a área financeira, segundo uma fonte que participou de muitos encontros para fechar o acordo, que chegaram a reunir até 20 pessoas na sala
texto retirado da Folha de SP:
União Sadia-Perdigão criará Brasil Foods
Negócio, que pode ser fechado ainda hoje, criará a maior exportadora de produtos de carne processada do mundo
Executivo vê sinergia maior nas operações no exterior; nova empresa deve ser a 3ª maior exportadora do país, atrás de Vale e Petrobras
De Maria Cristina Frias:
Brasil Foods (BRF) será o nome da nova companhia que surgirá da união entre Sadia e Perdigão. O nome da futura maior empresa de alimentos industrializados do Brasil será em inglês, mas Brasil será grafado com s, como na língua portuguesa, não com o z do inglês.
O negócio poderá ser fechado hoje, mas, ontem à noite, ainda não se sabia precisar quando exatamente será assinado.
"Pode sair a qualquer momento, estamos de prontidão, mas ontem não foi possível porque há muito detalhamento jurídico. Questões fundamentais já foram ultrapassadas, e o negócio está em fase de finalização", disse um executivo que participa das negociações entre as empresas. Advogados, profissionais de banco e das duas empresas estão reunidos há dias, trabalhando intensamente. Para o executivo, a sinergia obtida com a BRF será maior no exterior e imediata. Haverá ganhos de logística, de meios de produção e em outras áreas.
A nova companhia será a maior exportadora de produtos de carne processada do mundo. Será também a terceira maior exportadora brasileira, atrás de Petrobras e Vale do Rio Doce, mas " a única que levará a marca brasileira para a mesa de consumidores no mundo todo", afirma. Sadia e Perdigão hoje competem entre si em mais de cem países.
O banco e a corretora ficarão de fora da nova empresa por exigência das duas partes. O acordo não poderia acontecer com a área financeira, segundo uma fonte que participou de muitos encontros para fechar o acordo, que chegaram a reunir até 20 pessoas na sala
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Faça o que eu digo mas .....
o blog do Noblat, um dos melhores do país em minha opinião, lança um tema importante para quem estuda R.I.: a verdadeira "mania" que presidentes têm no Brasil ( e em outras países às vezes também...) de usar as embaixadas no exterior como forma de "demitir para cima" políticos derrotados ou indesejados. Tal prática demonstra desprezo pela carreira de diplomata, e no limite, é irresponsável, pois coloca em risco importantes decisões da política externa brasileira, já que cargos fundamentais acabam em mãos de pessoas não preparadas para a tarefa. Noblat aponta no discurso de Lula uma contradição óbvia: ele, Lula, condena a prática das nomeações de políticos para embaixadas, mas ele mesmo as fez constantemente...
texto do blog do Noblat:
É ou não extraordinário, bestial, mas nada surpreendente?
No primeiro mandato, Lula nomeou embaixador políticos derrotados nas eleições. Foi o caso de Paes de Andrade (PMDB-CE), embaixador em Portugal. Foi também o de Tilden Santiago (PT-MG), despachado para Cuba. E o de Itamar Franco (PMDB-MG) - esse apenas por homenagem a ele.
Leiam o que escreveu há pouco o repórter Chico de Góis na edição online de O Globo:
Num discurso de improviso durante a solenidade de formatura de 100 novos diplomatas, no Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez mea culpa por ter utilizado o cargo de embaixador para acomodar políticos derrotados em eleições durante seu primeiro mandato.
(...)
- Não é possível que a gente não leve em conta o tempo de carreira do embaixador, às vezes para chegar a um cargo máximo leva-se 40 anos, 38 anos. As pessoas ficaram esperando a vida inteira para ter um cargo importante e quando entra um governo coloca um político derrotado no lugar de um embaixador. Isso parece fácil, mas não tem nada mais importante para valorizar e motivar a carreira do que a gente garantir a fluidez do tempo que as pessoas têm de ocupar seus cargos. Essa foi uma lição que eu tive do primeiro para o segundo mandato - discursou Lula.
Vai me dizer que Lula levou anos para aprender que não deveria ter feito o que fez? Que só agora se deu conta disso?
Fez média com o público formado por diplomatas e funcionários do Itamaraty. Apenas isso.
texto do blog do Noblat:
É ou não extraordinário, bestial, mas nada surpreendente?
No primeiro mandato, Lula nomeou embaixador políticos derrotados nas eleições. Foi o caso de Paes de Andrade (PMDB-CE), embaixador em Portugal. Foi também o de Tilden Santiago (PT-MG), despachado para Cuba. E o de Itamar Franco (PMDB-MG) - esse apenas por homenagem a ele.
Leiam o que escreveu há pouco o repórter Chico de Góis na edição online de O Globo:
Num discurso de improviso durante a solenidade de formatura de 100 novos diplomatas, no Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez mea culpa por ter utilizado o cargo de embaixador para acomodar políticos derrotados em eleições durante seu primeiro mandato.
(...)
- Não é possível que a gente não leve em conta o tempo de carreira do embaixador, às vezes para chegar a um cargo máximo leva-se 40 anos, 38 anos. As pessoas ficaram esperando a vida inteira para ter um cargo importante e quando entra um governo coloca um político derrotado no lugar de um embaixador. Isso parece fácil, mas não tem nada mais importante para valorizar e motivar a carreira do que a gente garantir a fluidez do tempo que as pessoas têm de ocupar seus cargos. Essa foi uma lição que eu tive do primeiro para o segundo mandato - discursou Lula.
Vai me dizer que Lula levou anos para aprender que não deveria ter feito o que fez? Que só agora se deu conta disso?
Fez média com o público formado por diplomatas e funcionários do Itamaraty. Apenas isso.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Brasil: novo player internacional
Particularmente não concordo com a posição do texto sobre a relação Brasil-Mercosul-Venezuela, mas acho interessante a leitura:
Texto : BBC – Brasil – acesso em 21 de abril de 2009: O Brasil vem se transformando na última década em uma potência regional única, ao se tornar uma sólida democracia de livre mercado, uma rara ilha de estabilidade em uma região conturbada e governada pelo Estado de direito ao invés dos caprichos dos autocratas. A afirmação é feita em artigo publicado na última edição internacional da revista americana Newsweek. "Contando com a cobertura da proteção de segurança americana, e um hemisfério sem nenhum inimigo crível, o Brasil tem ficado livre para utilizar sua vasta vantagem econômica de seu tamanho dentro da América do Sul para auxiliar, influenciar ou cooptar vizinhos, ao mesmo tempo conseguindo conter seu rival regional problemático, a Venezuela", afirma o artigo. Segundo a revista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "preside uma superpotência astuta como nenhum outro gigante emergente". O artigo foi publicado menos de um mês após Lula ter aparecido na capa da Newsweek, com uma entrevista exclusiva à revista após seu encontro com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca.
Poderio militar: A Newsweek observa em seu último artigo que enquanto outros países emergentes e mesmo os Estados Unidos contam com seu poderio militar como forma de afirmação, o Brasil "expressou suas ambições internacionais sem agitar um sabre". A revista observa que quando há algum conflito na região, o Brasil envia "diplomatas e advogados para as zonas quentes ao invés de flotilhas ou tanques". O artigo também comenta que o Brasil tem se tornado uma voz mais assertiva para os países emergentes nos temas internacionais, contestando por exemplo os subsídios agrícolas dos países ricos. "Nenhum governo foi tão determinado como o de Lula em estender o alcance internacional do Brasil. Apesar de ter começado sua carreira política na esquerda, Lula surpreendeu os investidores nacionais e estrangeiros ao preservar as políticas amigáveis ao mercado de Fernando Henrique Cardoso internamente, para a frustração dos militantes de seu Partido dos Trabalhadores. Para a esquerda, ele ofereceu uma política externa vitaminada", diz a Newsweek.
Influência americana: A revista diz que os esforços brasileiros advêm da estratégia "não-declarada" de se contrapor à influência dos Estados Unidos e de dissipar as expectativas de que exerça um papel de representante de Washington", mas que nem por isso o país embarcou na "revolução bolivariana". "Pelo contrário, Lula tem controlado a região ao cooptar os vizinhos com comércio, transformando todo o continente em um mercado cativo para os bens brasileiros", diz o artigo. "No fim das contas, o poder do Brasil vem não de armas, mas de seu imenso estoque de recursos, incluindo petróleo e gás, metais, soja e carne."A revista afirma que isso também tem servido para conter a Venezuela e que a provável aprovação próxima da entrada do país de Hugo Chávez ao Mercosul não é "um endosso aos desejos imperiais de Chávez, mas uma forma de contê-lo por meio das obrigações do bloco comercial, como o respeito à democracia e a proteção à propriedade". "Isso pode ser política de risco. Mas as apostas estão nos brasileiros. Sem um manual para se tornar uma potência global, o Brasil de Lula parece estar escrevendo o seu próprio manual", conclui a Newsweek.
Texto : BBC – Brasil – acesso em 21 de abril de 2009: O Brasil vem se transformando na última década em uma potência regional única, ao se tornar uma sólida democracia de livre mercado, uma rara ilha de estabilidade em uma região conturbada e governada pelo Estado de direito ao invés dos caprichos dos autocratas. A afirmação é feita em artigo publicado na última edição internacional da revista americana Newsweek. "Contando com a cobertura da proteção de segurança americana, e um hemisfério sem nenhum inimigo crível, o Brasil tem ficado livre para utilizar sua vasta vantagem econômica de seu tamanho dentro da América do Sul para auxiliar, influenciar ou cooptar vizinhos, ao mesmo tempo conseguindo conter seu rival regional problemático, a Venezuela", afirma o artigo. Segundo a revista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "preside uma superpotência astuta como nenhum outro gigante emergente". O artigo foi publicado menos de um mês após Lula ter aparecido na capa da Newsweek, com uma entrevista exclusiva à revista após seu encontro com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca.
Poderio militar: A Newsweek observa em seu último artigo que enquanto outros países emergentes e mesmo os Estados Unidos contam com seu poderio militar como forma de afirmação, o Brasil "expressou suas ambições internacionais sem agitar um sabre". A revista observa que quando há algum conflito na região, o Brasil envia "diplomatas e advogados para as zonas quentes ao invés de flotilhas ou tanques". O artigo também comenta que o Brasil tem se tornado uma voz mais assertiva para os países emergentes nos temas internacionais, contestando por exemplo os subsídios agrícolas dos países ricos. "Nenhum governo foi tão determinado como o de Lula em estender o alcance internacional do Brasil. Apesar de ter começado sua carreira política na esquerda, Lula surpreendeu os investidores nacionais e estrangeiros ao preservar as políticas amigáveis ao mercado de Fernando Henrique Cardoso internamente, para a frustração dos militantes de seu Partido dos Trabalhadores. Para a esquerda, ele ofereceu uma política externa vitaminada", diz a Newsweek.
Influência americana: A revista diz que os esforços brasileiros advêm da estratégia "não-declarada" de se contrapor à influência dos Estados Unidos e de dissipar as expectativas de que exerça um papel de representante de Washington", mas que nem por isso o país embarcou na "revolução bolivariana". "Pelo contrário, Lula tem controlado a região ao cooptar os vizinhos com comércio, transformando todo o continente em um mercado cativo para os bens brasileiros", diz o artigo. "No fim das contas, o poder do Brasil vem não de armas, mas de seu imenso estoque de recursos, incluindo petróleo e gás, metais, soja e carne."A revista afirma que isso também tem servido para conter a Venezuela e que a provável aprovação próxima da entrada do país de Hugo Chávez ao Mercosul não é "um endosso aos desejos imperiais de Chávez, mas uma forma de contê-lo por meio das obrigações do bloco comercial, como o respeito à democracia e a proteção à propriedade". "Isso pode ser política de risco. Mas as apostas estão nos brasileiros. Sem um manual para se tornar uma potência global, o Brasil de Lula parece estar escrevendo o seu próprio manual", conclui a Newsweek.
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