quarta-feira, 26 de maio de 2010

Um país que não existe, existindo.

A península coreana está em guerra : e isso faz quase 60 anos.
Desde os anos 50, quando estourou a guerra na então unida Coreia, o atual estado geopolítico da península permanece intacto : ao norte, um regime estalinista, governado de forma totalitária pelo filho do criador do regime, hoje chamado de "pequeno timoneiro", Kim-Jon-Ill. E ao sul um regime democrático ( embora recente, já que até os anos 90 a Coreia do Sul também eram uma ditadura), porém de inegável sucesso econômico. A fronteira entre os dois países é a zona mais militarizada do mundo e os dois ainda estão em guerra, já que apenas um armistício, não um tratado de paz, foi assinado.
Há chances reais de uma guerra ?
Do ponto de vista da Coreia do Sul, a chance é zero. Sua economia seria fortemente afetada e mesmo as ultrapassadas armas da vizinha comunista fariam a capital Seul, há poucas centenas de km da fronteira, ser dizimada. Isso explica o fato de que teve um navio militar atacado por um torpedo do Norte e mesmo assim, não ter declarado guerra. Por muito menos, um Chávez por exemplo, iria à guerra contra a Colômbia.
Mas e o Norte ? Pois é... trata-se de um regime fechado ao extremo, nem sequer sabemos se o ditador ainda é vivo ou não, já que só há um meio de comunicação, o oficial, eivado de discusos ensandecidos ao Ocidente e aos porcos imperialistas... Entrar no país é mais difícil que chegar a Marte e a rigor, só a China comunista tem relações diplomáticas consideradas normais com a Coreia do Norte. O interessante é que o Brasil joga com esse país na Copa. Quem sabe um Lula messiânico não quer também aproveitar a deixa e tomar a frente do processo de paz por lá...

Verdade é que ninguém ou quase ninguém sabe o que se passa na Coreia do Norte, muito menos na mente doentia dos dirigentes daquele momunento ao estalinismo em pleno século XXI. A guerra pode até ser opção, embora pouco provável num país que já colapsou faz tempo, mas permanece firme e forte defendendo um regime que nem eles mesmo sabem o que significa. Arroz e energia elétrica faltam na Coreia do Norte, mas não soldados, já que a sociedade é ultra-militarizada. Dá medo, mas ao mesmo tempo mostra de forma cabal o fracasso do comunismo estalinista, ainda curiosamente defendido por boa parte da esquerda brasileira, já que Cuba, versão mais light e tropical da Coreia do Norte, ainda permanece no imaginário esquerdista como o summum bonum da civilização. Quando o regime castrista vai ruir é fácil saber : quando os EUA acabarem com o tosco embargo econômico e quando os irmãos Castro morrerem. Mas e a Coreia do Norte ? Quando Kim Jon Ill morrer ? E se ele já estiver morto ? E eles têm ou não uma bomba nuclear ?
Sobre a Coreia do Norte, a única certeza é quem ganhará a partida contra o Brasil na Copa. O resto, é apenas aposta. Mesmo o placar....


Tensão entre Coreias pode levar a conflito de grande proporção, diz especialista
MARIA CAROLINA ABE
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A situação é cada vez mais tensa entre as Coreias. Após uma investigação internacional, a Coreia do Sul acusou formalmente a Coreia do Norte, na quinta-feira (20), de atacar com um torpedo um navio de sua Marinha em março.

O afundamento da corveta de 1.200 toneladas, perto da fronteira marítima com a Coreia do Norte, provocou a morte de 46 dos 104 marinheiros sul-coreanos. Foi o incidente mais grave ocorrido na disputada fronteira marítima do mar Amarelo entre as duas Coreias desde o cessar-fogo entre as duas nações, em 1953.
O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, pressiona a comunidade internacional por novas sanções contra a Coreia do Norte. O regime de Kim Jong-il, por sua vez, respondeu com o rompimento das relações com Seul.
Diferentemente da guerra das Coreias dos anos 1950, um conflito hoje teria proporções muito maiores, até porque envolveria as duas grandes potências mundiais --EUA e China--, na opinião de Heni Ozi Cukier, professor de Relações Internacionais da ESPM e especialista em resolução de conflitos internacionais.
Para o analista, o risco de ocorrer uma guerra na Península Coreana não é alto, mas há uma chance e isso exige cautela. Afinal, trata-se de uma zona altamente militarizada e qualquer deslize --seja da Coreia do Sul, que demonstra não querer uma guerra, seja da Coreia do Norte, "peão político no xadrez da China"-- poderia gerar um conflito de escalada muito rápida, afirma Cukier, que já trabalhou no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e na OEA (Organização dos Estados Americanos).
Leia a íntegra da entrevista que Cukier deu à Folha por telefone.

Folha - Oficialmente, a Coreia do Sul e a Coreia ainda estão em guerra, porque ambas assinaram apenas um armistício em 1953. O que isso representa, simbolicamente, no contexto atual?
Heni Ozi Cukier - Isso simboliza o alto nível de mobilização militar que existe entre os dois países. É a zona mais militarizada do mundo, pode-se dizer. Isso cria uma situação muito frágil, muito tensa, em que qualquer deslize pode levar a uma guerra de proporções enormes. Um disparo errado numa situação de mobilização nesse nível automaticamente leva a uma escalada da violência muito rápida, diferentemente de outros conflitos, onde uma ação demora a ter uma reação e em que há tempo para se dialogar.
Folha - Nesse cenário, se considerarmos o ataque da Coreia do Norte ao navio sul-coreano, isso poderia ser visto como um deslize ou um ataque intencional?
Cukier - Primeiro, eu diria que o ataque existiu e foi cometido pela Coreia do Norte, sem dúvidas. Foram levantadas provas contundentes e houve muita cautela dos sul-coreanos para chegar a essa conclusão. Não responder ao ataque coloca-os numa situação difícil, e responder seria atacar novamente. Isso levaria a uma guerra, o que eles demonstraram claramente que não querem. Seul está há 40 quilômetros dessa fronteira altamente militarizada, seria um alvo fácil, e ambas as Coreias seriam destruídas.
Foi um ataque intencional aparentemente. Agora, a Coreia do Norte está levantando possibilidades para explicar isso --caso seja forçada a tomar uma posição. Está seguindo a linha de culpar um general, e um encaminhamento seria exonerar essa pessoa. Se tiver que assumir a autoria desse ato, vai fazer isso culpando alguém, dizendo que não foi o Estado. Seria a saída política do impasse.
Folha - O senhor acredita que ambas as Coreias estão dispostas a buscar uma solução alternativa ao confronto?
Cukier - A atitude da Coreia do Sul demonstra isso. Foi um ataque de proporções fora do padrão desse armistício, é o ataque mais violento, então a sociedade sul-coreana demanda uma resposta. A Coreia do Sul imediatamente veio a público, criou um grupo de investigações internacionais, e pediu que houvesse punição da comunidade internacional ao ataque da Coreia do Norte. Também indicou que cortaria laços comerciais e de ajuda financeira. Todas as posturas foram no campo de não uso da força, mas sim pressão diplomática e econômica.
As atitudes da Coreia do Norte não levam a crer que o país não queira a guerra: está sempre com ações provocativas, atitudes belicosas, declarações agressivas, buscando aumentar seu poderio bélico, construindo armas atômicas. No fundo, a guerra pode ser perigosa para o regime da Coreia do Norte, pode encerrar o regime de Kim Jong-il, mas essa mobilização do pré-guerra também ajuda a dar força para ele, pois é um país que tem extremos problemas internos. Ele mantém a ordem e o pulso firme no comando do país baseado na ameaça do inimigo externo, que serve para unificar o país em torno dele e minimizar os problemas internos causados com sua gestão.
Folha - E a comunidade internacional também demonstra querer evitar o confronto, não?
Cukier - Sim, porque ninguém quer se envolver em mais uma guerra. Os americanos já estão envolvidos em duas guerras e têm um problema seríssimo com o Irã. Então, outra frente de batalha não seria do interesse deles. Até porque, invariavelmente, envolveria a China. Seria um conflito de proporções globais extremas.
Folha - A China provavelmente se alinharia à Coreia do Norte?
Cukier - Provavelmente. Foi isso que aconteceu na guerra da Coreia [1950-53], quando os americanos entraram ao lado dos sul-coreanos e foram avançando e, quando chegaram muito próximo de conquistar o território, a China entrou na guerra e massacrou as forças americanas sob a bandeira da ONU até parar no meio do caminho de novo. Não é necessário e óbvio que a China entraria em um conflito agora, não é mais uma guerra ideológica entre o capitalismo e o comunismo, mas é difícil de a China não se envolver. A China se preocupa que o governo norte-coreano não caia, porque ela teme que os americanos vão unificar as Coreias e eles terão a presença americana na sua fronteira, sem falar nos problemas econômicos e de refugiados.
Folha - No caso de uma guerra hoje entre as Coreias, como ela seria, comparada à dos anos 1950?
Cukier - Seria um conflito com proporções muito maiores, particularmente se as duas potências se envolvessem --não acredito que de forma direta, mas indireta. Quem perderia mais seriam os coreanos, porque os dois territórios seriam completamente destruídos. E teria repercussões no mundo todo. A gente não consegue medir até que ponto e de que maneira a China se envolveria. Dependeria de como essa guerra fosse eclodir, ou o que causaria a guerra --um ataque da Coreia do Sul provavelmente levaria à entrada dos chineses.
Folha - Considerando que já há sanções em vigor contra a Coreia do Norte, como novas sanções afetariam o país?
Cukier - Em todos os conflitos do mundo, as sanções têm um resultado muito pequeno na mudança do comportamento dos regimes. O mais sacrificado é o povo mesmo, e isso acaba fortalecendo os regimes, porque eles usam isso como arma política dizendo :"vejam o que os outros do mundo estão fazendo conosco, com o povo norte-coreano". Já temos sanções há tanto tempo? O que mudou? Nada. É mais uma questão de legitimidade, de status, de estabelecer um culpado. O que a Coreia do Sul está tentando com isso é estabelecer um status político, mostrando: "vocês estão vendo, quero um reconhecimento cabal da comunidade internacional, por meio das sanções, de quem realmente está cometendo a agressão aqui e como eu estou me comportando". Para ficar muito claro seu direito de legítima defesa futuramente. Mas as sanções não resolvem; a solução é a mudança de regime.
Folha - Mas isso exigindo intervenção internacional?
Cukier - Isso teria de acontecer naturalmente, com a morte dele [Kim Jong-il], uma ruptura. Mas a China teria de deixar isso acontecer, e ela não deixa, porque teme qual seria o resultado dessa ruptura em termos de refugiados e questões econômicas. Além disso, Pequim perderia esse "para-choque" entre seu território e a presença americana na Coreia do Sul. Em terceiro lugar, a China usa a Coreia do Norte como um peão político para seu xadrez regional e global. A Coreia do Norte cumpre o papel de causar problemas que a China não pode causar. Ou, quando a Coreia do Norte causa um problema, a China se mostra como quem pode trazer a solução.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Paraguai : failure state?

Um dos temas recorrentes no estudo de RI é a da falência dos Estados. Não no sentido econômico, do qual a Grécia é triste exemplo, mas no sentido estrutural. Estados que não mais podem ser chamados de tal : judiciário e legislativos corrompidos, executivo quase sempre autoritário e igualmente corrupto, estruturas policiais tomadas pela infiltração do crime organizado, economia sem regras básicas constituídas e sendo efeito e posteriormente causa multiplicadora, caos social acompanhado de soluções políticas extremistas.
Há versões menores deste apocalipse: um quase "failure state" quando o processo de destruição estatal é lento, por dentro, corroendo estruturas internas, quase sempre as essenciais, a saber, a justiça e a polícia, bases de qualquer estado moderno.
Pois bem, na América do Sul, os últimos acontecimentos no Paraguai permitem um olhar preocupado neste membro do Mercosul e vizinho próximo. É sabido a imensa leniência que o estado paraguaio tem com o crime. Todos sabemos que boa parte do contrabando que abastece nossos camelôs vem do Paraguai. Para lá vão nossos carros roubados, cargas roubadas e dinheiro das drogas. Agora, com atentados a um senador e um certo grupo de uma suposta guerrilha, a situação apenas "avançou" um pouco em direção a um perfeito failure state. Aqui, bem pertinho de nós.
Ao invés dos delírios iranianos de nossa política externa e da lamentável condecoração das esposas do Presidente e do Ministro de Relações Exteriores, situação vexaminosa que é um perfeito documento histórico de nosso tempo, toda nossa energia diplomática, e quiçá militar, deveria ser canalizada para ajudar o Paraguai a vencer, ou pelo menos controlar, seus demônios internos. O presidente Lugo, de esquerda, mas responsável nesse ponto, deu sinais claros de que não vai tolerar narco-guerrilhas em seu território, ao contrário de um Chávez que apoia abertamente as Farc. É um bom sinal de que o Paraguai está avançando politicamente. Mas ao Brasil é mais do que apenas um simples dever de pais amigo, é uma questão de sobrevivência fundamental, dar apoio amplo e irrestrito, incluindo militar, insisto, ao Paraguai. Se este pais colapsar, ainda mais do que já é, em parte por nossa culpa após a terrível guerra do século XIX vencida pelo Império, o Brasil será fortemente afetado em seus interesses econômicos lá e aqui e não tenha dúvida, no crime organizado daqui, já muito articulado internacionalmente. No fim de um governo que teve uma política externa delirante, o Paraguai pode ser a derradeira prova de fogo se ainda há vida inteligente no Itamaraty.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Ele não é "o cara" ? Pois bem, depois de 8 anos de uma presidência bem sucedida (na economia, internamente) o "cara" quer alçar voos mais altos: é notório o desejo de Lula de tornar-se secretário geral da ONU, quando acabar o mandato de Ban-Ki-Moon em 2011. Porém, o carisma pessoal é pouco para ocupar cargo com tamanha responsabilidade. À parte a questão óbvia de comunicação, seria o primeiro a ocupar tal cargo sem nenhuma fluência no inglês, o que seria um estorvo evidente em qualquer simples reunião na ONU, Lula ainda teria de convencer importantes players internacionais, não só os citados no texto, EUA e Inglaterra, mas igualmente Rússia e China. Contam contra ele suas desastrosas declarações sobre a questão dos presos políticos em Cuba, suas aproximações com o Irã, a anuência do Brasil com os desmandos de Chávez, a incômoda falha em resolver a questão de Honduras e por último, a desconfiança, plenamente justificada, de que Lula seria o presidente do Brasil na ONU, jogando pesado para alimentar interesses de um único país e aliados, o que é evidentemente contrário a própria ideia de um organismo multilateral como a ONU, que exige postura mais discreta e neutra em complicadas negociações internacionais envolvendo vários interesses. Enfim, pode ser um sonho distante, como como surpresas acontecem, e na vida deste imigrante nordestino quase tudo pôde acontecer, não podemos descastar de vez a hipotese.


Gabriela Mello, da Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recentemente brincou estar "contaminado pelo vírus da paz", estaria avaliando uma tentativa de se tornar o próximo secretário-geral da ONU, segundo reportagem publicada no sábado pelo jornal britânico The Times.

Diplomatas dizem que Lula, que deixará a presidência em janeiro, pode buscar o principal posto diplomático quando o primeiro mandato de Ban Ki Moon terminar no final de 2011, disse a publicação. A ideia teria sido lançada primeiramente pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, durante uma reunião da cúpula do G20, em Pittsburgh, em setembro.

Procurado pelo diário, Marco Aurélio Garcia, assessor da presidência para assuntos internacionais, se recusou a descartar a possibilidade. "Ele tem enorme interesse em questões internacionais, no processo de integração da América do Sul", afirmou ele. "Ele tem uma grande paixão pela África. Ele realmente quer fazer algo para ajudar a África."

De acordo com o jornal, o estilo pessoal e a capacidade de Lula de ser manter relações amigáveis com todos os lados - China e Estados Unidos ou Irã e Israel - elevaram seu perfil internacional. O The Times citou ainda a postura do presidente em uma visita na última semana ao Oriente Médio, na qual disse: "O vírus da paz está comigo desde que eu estava na barriga da minha mãe."

A publicação reconheceu, contudo, que Lula recentemente adotou posições que desagradaram a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, dois dos países que podem vetar sua indicação. Segundo o jornal, ele aborreceu Washington ao receber o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em novembro e ao criticar as sanções contra o país. A reportagem destacou ainda o apoio do presidente à Argentina na disputa com os britânicos pelas ilhas Malvinas.

Segundo o jornal, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, teria classificado as ambições de paz mundial de Lula como quase "risivelmente ingênuas". Diplomatas esperam que Ban Ki Moon, cauteloso ex-ministro de Relações Exteriores da Coreia do Sul, tente um segundo mandato de cinco anos, informou o The Times.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Israel, EUA, Brasil e territórios

Nesta semana, dia 15 de março de 2010, Lula inicia uma visita bastante importante ao Oriente Médio, tanto em Israel quanto nos territórios palestinos. Sobram temas de interesse, que vão desde o apoio do Brasil a posição iraniana até a questão, recente, de novos assentamentos judaicos em territórios defendidos pelos palestinos, tema que surpreendeu até mesmos os EUA, tradicionais aliados de Israel. A questão é : se a direita ultra-religiosa israelense consegue "pregar peças" até mesmo nos EUA, seria possível o Brasil tornar-se um mediador de peso neste jogo?

Artigo: O jogo perigoso de Israel
Thomas Friedman
Fonte : site Estadão – acesso em 15 de março de 2010

Sou um grande fã de Joe Biden. O vice-presidente é um infatigável defensor dos interesses americanos no exterior. Por isso me custa dizer que, em sua recente visita a Israel, quando o governo do premiê Binyamin "Bibi" Netanyahu esfregou-lhe no nariz alguns projetos habitacionais novos na contestada Jerusalém Oriental, Biden perdeu uma chance de enviar um poderoso sinal público.
Ele devia ter fechado bruscamente seu bloco de notas, voado para casa e deixado a seguinte nota rabiscada para trás: "Mensagem da América ao governo israelense: Amigos não deixam amigos bêbados dirigir. E bem agora, vocês estão guiando embriagados. Vocês acham que podem embaraçar seu único verdadeiro aliado no mundo, para satisfazer alguma necessidade política doméstica, sem consequências? Vocês perderam totalmente o contato com a realidade. Chamem-nos quando ficarem sérios. Precisamos nos concentrar na construção de seu país."
Acho que isso teria enviado uma mensagem muito útil por duas razões. A primeira, que os israelenses tocaram numa pergunta que muita gente está fazendo sobre a equipe do presidente Barack Obama: até onde vai a firmeza desses caras? A última coisa de que o presidente precisa, num momento em que tenta se impor a Irã e China - para não mencionar o Congresso -, é parecer que o aliado mais dependente dos Estados Unidos consegue intimidá-lo.
E a segunda, Israel precisa de um safanão para acordar. Continuar construindo assentamentos na Cisjordânia, e mesmo casas na disputada Jerusalém Oriental, é insanidade pura.
Yasser Arafat aceitou que subúrbios judeus na Cisjordânia ficariam sob soberania israelense em qualquer acordo de paz e também faria das partes árabes de Jerusalém Oriental a capital do Estado palestino.
A planejada expansão habitacional de Israel suscita questões sobre se Israel algum dia estará disposto a admitir uma capital palestina em bairros árabes de Jerusalém Oriental - um grande problema.
Israel já abocanhou boa parte da Cisjordânia. Se quiser continuar sendo uma democracia judaica, sua única prioridade agora deveria ser um acordo com os palestinos que lhe permitisse trocar esses conjuntos habitacionais na Cisjordânia ocupada por uma quantidade igual de terra de Israel para os palestinos e, então, colher os benefícios - econômicos e de segurança - do encerramento do conflito.
Infelizmente, não foi o que ocorreu na semana passada. Nos últimos nove meses, o enviado especial dos EUA, George Mitchell, vinha tentando encontrar um modo de iniciar algum tipo de conversação de paz entre israelenses e palestinos. Os palestinos não confiam em Bibi e o premiê tem dúvidas sobre se a dividida liderança palestina conseguirá negociar.
Mas Mitchell foi capaz de persuadir os dois lados a acertarem "conversações de aproximação". Os assessores de Mitchell e de Netanyahu firmaram um acordo informal: se os EUA mantiverem as conversações, não haveria nenhum anúncio de construções em Jerusalém Oriental.
Então, o que houve? Biden chegou um dia após o início das conversações de aproximação e o Ministério do Interior de Israel anunciou a aprovação de um plano para construir 1.600 casas em Jerusalém Oriental.
Netanyahu disse que foi tomado de surpresa. Provavelmente é verdade num sentido estrito. A medida parece ter sido parte de uma competição entre dois ministros sefaraditas de direita do partido religioso Shas sobre quem pode ser o maior promotor de construção de casas para judeus ortodoxos sefaraditas em Jerusalém Oriental.
É uma medida de quanto Israel considera garantido nosso apoio e quanto a direita religiosa israelense está por fora das necessidades estratégicas dos EUA.
Biden - um verdadeiro amigo de Israel - foi citado dizendo a seus interlocutores israelenses: "O que vocês estão fazendo aqui enfraquece a segurança de nossas tropas que estão combatendo no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão. Isso nos coloca em perigo e ameaça a paz regional."
Todo esse alvoroço também nos desvia do potencial deste momento: somente um primeiro-ministro de direita, como Netanyahu, pode fazer um acordo sobre a Cisjordânia; as políticas reais de Netanyahu no terreno ajudaram os palestinos a desenvolver sua economia e criar sua própria força de segurança reconstruída que está trabalhando com o Exército israelense para impedir o terrorismo; os líderes palestinos Mahmoud Abbas e Salam Fayad são tão genuínos e sérios sobre trabalhar para uma solução quanto qualquer um que Israel espere encontrar; o Hamas interrompeu seus ataques da Faixa de Gaza contra Israel; com os árabes sunitas obcecados com a ameaça do Irã, sua disposição de trabalhar com Israel nunca foi tão alta, e a melhor maneira de isolar o Irã é tirar a carta do conflito palestino da mão de Teerã.
Em suma, pode haver uma real oportunidade aqui - se Netanyahu quiser agarrá-la. O primeiro-ministro israelense precisa decidir se quer fazer história ou ser mais uma vez uma nota de rodapé dela.

TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK
Embaixador diz que relações entre Israel e EUA são as piores em 35 anos
Atritos cresceram com anúncio de expansão de assentamentos durante visita de vice-presidente americano
Fonte : site Estadão – acesso em 15 de março de 2010
15 de março de 2010 | 10h 17
As relações diplomáticas entre EUA e Israel são as piores em 35 anos. Assim avalia o em embaixador israelense em Washington, Michael Oren, segundo a edição desta segunda-feira, 15, o jornal israelense Ha'aretz.
Oren, durante a reunião especial para analisar o estado dos laços bilaterais entre os países, afirmou que a atual crise é a mais séria nas relações com os americanos desde o confronto entre Henry Kissinger e Yitzhak Rabin em 1975, quando os EUA exigiram que Israel se retirasse de parte da Península do Sinai.
No domingo, já depois do encontro dos cônsules, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tentou diminuir a tensão com os EUA ao classificar como "lamentável" o anúncio da construção de 1.600 casas em Jerusalém Oriental durante a visita a Israel do vice-presidente americano, Joe Biden, durante a semana passada.
Netanyahu voltou a se desculpar pela aprovação de novas construções na colônia judaica de Ramat Shlomo, anunciada no último dia 9, um dia depois de a Casa Branca confirmar o início de negociações indiretas com os palestinos após mais de um ano de estagnação no processo de paz.
O anúncio da ampliação de uma das colônias judaicas foi duramente condenado pela comunidade internacional e pela administração de Obama. Uma das críticas mais duras partiu da secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Na sexta-feira passada, ela telefonou para Netanyahu e, segundo a imprensa, "repreendeu" o premiê pelo fato de o anúncio sobre as novas construções ter coincidido com a visita de Biden.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Paraguai : salvação do Mercosul?

Para quem adora falar que o Paraguai é um país sem ordem ou racionalidade, veja essa notícia: depois da vergonhosa adesão do Senado brasileiro a tese da Venezuela no Mercosul, o Senado paraguaio poderá ser a última instância de defesa do Mercosul contra a sua implosão pelo caudilho. Nada contra a Venezuela nem, claro, contra o povo daquele país. E igualmente, nada contra os negócios entre Brasil e Venezuela, que aliás vão bem, obrigado, mesmo sem a adesão desta ao bloco econômico.Mas o argumento paraguaio foi irretocável: Chávez deliberadamente intervém em assuntos internos de outros países, o que é princípio básico da diplomacia brasileira, mas foi esquecido vergonhosamente pelo atual governo brasileiro, que ainda por cima, tomou a questão venezuelana não como assunto de Estado, mas assuntos de governo e até mesmo assunto partidário. Há evidentes provas da intervenção chavista na Bolívia, no Equador, na surreal questão hondurenha e em um possível envio de dinheiro a eleição argentina. Essa atitude, condenáve, foi ignorada pelo governo brasileiro, mas ao que parece, não o será pelo Senado paraguaio. Quem diria: justo o país acusado de ser o "menos sério" do bloco, é o que irá fazer o que todos os outros deveriam ter feito; dizer a Chávez que ele tem limites.



Congressista diz que Paraguai não vai aprovar a Venezuela no Mercosul
Do UOL Noticias*
Em São PauloAtualizado às 15h40

O Paraguai não dará sua aprovação à Venezuela para entrar no Mercosul enquanto o presidente venezuelano Hugo Chávez continuar intervindo em assuntos de outros países, disse Miguel Carrizosa, presidente do Congresso paraguaio, nesta quarta-feira. "Que nos desculpem os irmãos venezuelanos, mas enquanto Chávez mantiver esta atitude intervencionista, não vamos dar a aprovação para que a Venezuela entre para o Mercosul", disse Carrizosa aos jornalistas.
O que achou do Brasil aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul?
Dê sua opinião


O legislador pertence ao minoritário partido Pátria Querida, mas sua posição é sustentada pelos partidos opositores Colorado e Unace, que, juntos, exercem a maioria nas câmaras de senadores e de deputados. "Não há aqui nenhum clima para aprovar o ingresso de Chávez no Mercosul", disse.

Carrizosa disse ainda que Chávez é capaz de destruir o projeto de integração regional e que, enquanto "persistir nessa atitude de intervençao, o Congresso paraguaio não vai permitir sua entrada no Mercosul".

Chávez recebeu duras críticas de legisladores paraguaios da oposição, que têm maioria em ambas as Câmaras, após declarar que a direita preparava um plano para destituir seu colega paraguaio Fernando Lugo.

A chancelaria paraguaia retirou em agosto o pedido de acordo para a entrada da Venezuela no bloco para evitar sua negativa no Senado, o que poderia afetar as boas relações entre os dois países. A Venezuela é atualmente o maior fornecedor de combustíveis ao Paraguai.
Saiba mais sobre o Mercosul

O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um projeto de integração concebido por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, envolvendo dimensões econômicas, políticas e sociais. Os diversos órgãos que o compõem cuidam de temas tão variados quanto agricultura familiar ou cinema, por exemplo. No aspecto econômico, o Mercosul assume hoje o caráter de União Aduaneira, mas seu objetivo é constituir-se em verdadeiro Mercado Comum, seguindo os objetivos estabelecidos no Tratado de Assunção, que determinou a criação do bloco, em 1991

Com informações do Itamaraty


"Acredito que no Paraguai Chávez terá que esperar um bom tempo", disse Carrizosa. "Não vamos exigir que ele mude, mas não nos exijam que baixemos a cabeça e digamos sim a tudo o que ele está fazendo".

O chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, disse que o pedido sobre a adesão da Venezuela ao Mercosul voltará a ser apresentado quando o governo tiver garantias de sua aprovação, a partir de março, com o fim do recesso parlamentar.

"No momento não está planejado (apresentá-lo), não é uma situação real. Veremos em março quando, com a volta do recesso parlamentar, poderemos conversar novamente com a Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre o tema", disse o ministro.

O Congresso brasileiro aprovou na terça-feira a entrada da Venezuela e agora o último obstáculo é a aprovação do Congresso paraguaio.

O Senado brasileiro aprovou, por 35 votos contra 27, o Protocolo da Entrada da Venezuela no Mercosul, bloco que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Esse é o último passo legislativo para a ratificação brasileira da entrada de Caracas no grupo, e o protocolo de adesão passa a depender apenas da aprovação do parlamento paraguaio para entrar em vigor.

Segundo o próprio protocolo, a entrada passa a valer 30 dias após a última ratificação, e a partir de então a Venezuela tem quatro anos para se adequar ao acervo normativo do Mercosul, que inclui desde regulamentações sobre trânsito de pessoas até normas sanitárias. O mesmo prazo de quatro anos se aplica para a incorporação da Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco, que uniformiza as tarifas aplicadas a produtos importados de países externos ao Mercosul.

De que forma e com quais prazos essa incorporação deve acontecer são questões que estão sendo discutidas por um grupo de trabalho independente, formado por representantes do Mercosul e da Venezuela.

Antecedentes
O Protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul nasceu em Caracas em 4 de julho de 2006, firmado pelos presidentes dos países membros permanentes do bloco e por Hugo Chávez, da Venezuela. Desde então, foi ratificado pelos parlamentos da Venezuela, da Argentina, do Uruguai e do Brasil, em processo encerrado hoje.

No Paraguai, que ainda não se manifestou, o tema quase foi levado ao Congresso no último mês de agosto. Porém, com medo de que a oposição impedisse a aprovação, o presidente paraguaio, Fernando Lugo, suspendeu a discussão e o tema continua pendente.

No Brasil, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o protocolo de adesão em dezembro de 2008 (265 votos contra 61, com seis abstenções). Depois disso, o documento passou pela representação brasileira no Parlamento do Mercosul e, em 29 de outubro, foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado (12 votos contra 5), abrindo caminho para o último passo, a aprovação de hoje no plenário do Senado

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Será que ele falou mesmo...?

Se for verdade a notícia, estamos bem encrencados... para quem não sabe, o ministro de Assuntos Estratégicos (!!??) é um desses cargos inúteis da admnistração Lula, mas o que interessa aqui é menos o cargo do que a pessoa : o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães é uma referência do atual governo ( e talvez do próximo, a saber...) em matéria de assuntos externos. É sabido de suas posições " à la Gauche", mas isso é de menos... o que importa é um alto cargo de relações internacionais no Brasil, um mentor de nossa política externa atual, ter uma opinião tão tosca, tão infantilizada, da História ( sempre colocando o adendo: SE for verdade o noticiado...). Esse tipo de visão tolinha que acha que o mundo é uma batalha entre as forças do bem e do mal, sendo o mal, claro, os EUA, é primária, não se sustenta em 3 minutos de análise histórica e no limite, pode levar o país a tomar posições idiotizadas no cenário internacional. Relações internacionais é objeto de análise, não de torcida de futebol.

De Elio Gaspari:
Há uma semana, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ministro de Assuntos Estratégicos, defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU durante uma palestra no Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais do Itamaraty.
Defendeu a admissão, como membros permanentes, de Brasil, Índia, Alemanha e Japão. Ia tudo muito bem até que ele explicou a exclusão, em 1946, da Alemanha e do Japão do centro de decisões da ONU.
Numa versão-companheira da Segunda Guerra Mundial, os dois países penaram "tantos anos de purgatório, de punição, por terem desafiado a liderança anglo-saxônica do mundo". (A repórter Claudia Antunes ouviu, anotou e noticiou.)
A menos que Nosso Guia indique outro caminho, a Alemanha e o Japão não desafiaram "a liderança anglo-saxônica". Eles invadiram seus vizinhos, montaram economias baseadas no trabalho escravo e máquinas de extermínio nunca antes vistas na história.
Na conta da Alemanha havia cerca de 10 milhões de mortos em campos de extermínio. Na do Japão, 6 milhões de coreanos, chineses e filipinos.
E em 1945, depois da abertura dos campos de concentração da Europa e da Ásia, nem mesmo os precursores da defesa do nazismo e da Grande Esfera de Co-Prosperidade do Império Japonês falavam mais em desafio à "liderança anglo-saxônica".
Na dúvida, basta reler "Mein Kampf", de Adolf Hitler.

quem é ele ?

Eis o novo sub-secretário para América Latina do governo americano, Arturo Valenzuela. O ex-secretário ocupa agora a embaixada americana em Brasília. Esses dois cargos são vitais para o entendimento entre EUA e Brasil, e podemos dizer sem excesso de orgulho ou exagero, igualmente vitais para uma boa estabilidade na América do Sul, sempre instável com seus chavismos imprevisíveis. Note a bela formação acadêmica de Arturo Valenzuela: prova de que a área de R.I. ainda tem muito espaço para crescer no Brasil, já que cada vez mais somos um player de peso. Até os EUA já reconheceram isso...

Claudia Andrade: Do UOL Notícias
O assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, negou nesta segunda-feira (14) que haja qualquer mal-estar com os Estados Unidos por conta de divergências no plano internacional. Ele fez a declaração após encontro com o principal responsável pela América Latina no governo norte-americano, o secretário-adjunto Arturo Valenzuela.
"As relações não estiveram más nunca. Estavam boas já no governo (George) Bush e sofreram um 'upgrade', por assim dizer, com a eleição do presidente (Barack) Obama", disse Marco Aurélio. "Nós teremos, em determinados momentos, apreciações distintas sobre determinadas questões. Isso é normal, democrático na relação entre os países, mas as relações entre Estados Unidos e Brasil são fundamentais e vamos cultivá-las da melhor maneira possível".
Valenzuela faz sua primeira visita ao Cone Sul, e irá também para Argentina, Paraguai e Uruguai. Ele foi confirmado no cargo apenas em novembro, quase seis meses depois de ter sido designado pelo presidente Obama. Um veto no Congresso atrasou a confirmação e vem impedindo também que seu antecessor, Thomas Shannon, assuma a embaixada norte-americana no Brasil.
Na visita a Brasília, além da conversa com o assessor da Presidência da República, o secretário-adjunto de Estado para o Hemisfério Ocidental também tem encontro marcado com o sub do chanceler Celso Amorim no Itamaraty. O único ministro que deverá recebê-lo será Nelson Jobim (Defesa). A compra de 36 caças que está sendo estudada pelo governo brasileiro deverá ser o tema da reunião. A norte-americana Boeing está na disputa com a Dassault, da França, e a Saab, da Suécia.
Valenzuela assumiu o cargo de secretário-adjunto para o Hemisfério Ocidental em novembro; ele faz sua primeira visita oficial aos países do Cone Sul"Foi um encontro cordialíssimo - devo insistir no sufixo, cordialíssimo - no qual nós repassamos os temas de maior interesse comum relacionados com a América Latina", disse Marco Aurélio Garcia aos jornalistas, ao final do encontro.
Questionado se o tema da instalação de bases militares norte-americanas na Colômbia havia sido tratado, o assessor disse que o Brasil transmitiu sua posição de que "as bases não são um fator positivo na região". "Sugerimos que o governo americano pudesse ter um diálogo mais direto com alguns países da região porque isso eliminaria uma guerra de declarações".

Quem é Valenzuela
Nascido no Chile e filho de mãe americana, Arturo Valenzuela ocupa o cargo que pertenceu a Thomas Shannon - atual embaixador dos EUA em Brasília - durante o segundo governo de George W. Bush. Indicado ao cargo pelo presidente americano Barack Obama, ele tem passagem por Washington como subsecretário assistente para Assuntos Interamericanos no primeiro mandato do ex-presidente Bill Clinton, quando foi responsável pela formulação da política dos EUA para o México. O período foi marcado pela criação do Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio). A política neoliberal dos EUA, no entanto, provou ser extremamente impopular na América Latina. Além de sua atuação na política, Valenzuela também possui uma respaldada carreira acadêmica. É doutor em ciência política pela Universidade de Columbia e diretor licenciado do Centro de Estudos Latino-Americanos da escola de relações internacionais da Universidade de Georgetown. Antes, foi diretor do Conselho Estudos Latino-Americanos da Universidade de Duke, na Califórnia, e professor visitante em Oxford e Sussex, na Inglaterra; em Florença, na Itália; e em duas universidades chilenas. É especialista em política do Chile, México e do Cone Sul.
Em 2000, foi condecorado pelo governo brasileiro com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul