quarta-feira, 1 de julho de 2009

Um tema quente

Um tema para debate: a atual política externa brasileira, que busca aproximação com virtualmente todos os países do mundo, incluindo aqueles considerados párias como Sudão ou Coréia do Norte, é um ponto positivo na expansão da influência internacional do Brasil ou ao contrário, é um ponto de enfraquecimento da credibilidade que o Brasil tem no exterior, conquistada por décadas, desde o Barão do Rio Branco?
Não há resposta única nem fácil para o tema. Talvez só o tempo dirá se a atual política externa terá bons frutos ou não. Mas uma coisa é dada como certa: o Brasil, em definitivo, saiu da carapaça de isolamento e hoje é player internacional no cenário político, econômico e ambiental do planeta. Resta saber se estamos nos saindo bem nesta nova configuração.

texto: BBC- Brasil: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita a Líbia de Muamar Khadafi nesta quarta-feira em um momento em que a política externa brasileira de boa vizinhança com regimes autoritários e de pragmatismo em relação a questões que envolvem direitos humanos provoca polêmica no país e no exterior.

Lula fará o discurso de abertura na Cúpula da União Africana, que terá Khadafi como anfitrião, líder que está no poder há 40 anos e que vem buscando reabilitação internacional depois de ter admitido a participação de seu governo na derrubada de um avião da PanAm, em 1988, e ter pago U$ 2,7 bilhões em indenizações.

O presidente Lula já havia sido questionado por grupos de defesa dos direitos humanos ao receber o presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, acusado de práticas antidemocráticas e desrespeito aos direitos humanos, e pelo convite ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejah, no momento em que o país sofre pressão da comunidade internacional para adequar seu programa nuclear às resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

O Itamaraty defende a postura com o argumento de que a política externa brasileira se pauta pela “tradição de não-intervenção” nos assuntos internos de outros países e de que o isolamento dos regimes que desafiam a opinião pública mundial não é uma atitude produtiva e o melhor caminho é o diálogo.

Em viagem ao exterior, os dois principais porta-vozes do Itamaraty – o ministro Celso Amorim e o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães – não puderam conversar com a BBC Brasil.

Durante uma entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro Amorim foi questionado sobre as críticas e disse que, nessas questões, “é preciso considerar aspectos geopolíticos”.

“Claro, temos que ter princípios. Mas temos que ter um mínimo de pragmatismo. Se formos nos reunir apenas com pessoas virtuosas, talvez nem precisemos nos reunir”, disse o ministro.

Segundo ele, se o Brasil quiser ter um papel mais relevante nas grandes discussões internacionais, tem de estar preparado para “conversar” com todos os regimes.

Clique Leia também na BBC Brasil: Lula recebe presidente do Uzbequistão, acusado de desrespeito aos direitos humanos

‘Sem justificativa’

Na opinião do professor de Relações Internacionais da Universidade São Carlos José Augusto Guilhon, no entanto, o argumento de que a aproximação com esses países seria importante para ascensão do Brasil no cenário internacional é questionável.

“São países que não participam das grandes decisões”, diz.

Ele também questiona o argumento de que essa atitude se justifica pela estratégia de diversificação do foco das relações externas do Brasil, que ajudou a alavancar o comércio brasileiro com um número maior de países e a reduzir a dependência das exportações para a Europa e para os Estados Unidos. Segundo o governo, isso explicaria, em parte, o fato de o país ter sido menos afetado pela crise econômica global.

“As trocas comerciais do Brasil com a Coreia do Norte são simplesmente insignificantes. Não vejo motivos nem econômicos, nem políticos, para a abertura de uma embaixada naquele país”, diz Guilhon.

Segundo ele, mesmo com países relativamente mais abertos ao comércio, como o Uzbequistão e o Cazaquistão, “é difícil entender se essa aproximação compensa”.

“O ganho comercial que temos com esses países é pequeno perto do desgaste desse tipo de aproximação”, diz.

Para ele, o resultado é uma política externa “abstrata”. “As decisões não refletem nem uma preocupação econômica, nem de segurança nacional, tradicionalmente os dois pilares de uma política internacional”, diz Guilhon.

Sua avaliação é de que a política externa brasileira tem “muitos méritos”, sobretudo no campo econômico e na interlocução com os Estados Unidos e outros países das Américas – mas que esse patrimônio “está sendo minado”.

Postura na ONU

A estratégia de aproximação com regimes controversos inclui uma postura ainda mais delicada, de acordo com especialistas: a de ficar ao lado desses países, mesmo quando acusados de crimes no âmbito das Nações Unidas.

O caso mais polêmico é o do apoio ao Sudão, país acusado de cometer crimes contra civis na região de Darfur. Estima-se que 300 mil pessoas tenham morrido em seis anos, seja em consequência direta dos conflitos ou por doenças agravadas em condições precárias de moradia.

O Brasil tem evitado adotar uma postura que contrarie o governo do Sudão, abstendo-se em votações importantes em conselhos da ONU sobre crimes praticados naquele país.

A conduta brasileira rendeu críticas de organismos internacionais. Recentemente, o Brasil acabou por rever sua conduta, apoiando uma resolução a favor de novas investigações sobre direitos humanos no Sudão.

Já na sessão recente da ONU sobre crimes na Coreia do Norte, o Brasil absteve-se em votação sobre o monitoramento de possíveis crimes no país, como execuções e perseguição política.

Segundo a ONG brasileira Conectas, de defesa dos direitos humanos, o governo brasileiro sempre condenou violações praticadas na Coreia do Norte, mas o país “mudou de posição” nas duas últimas votações, passando a se abster.

Há algumas semanas, a ONG internacional Human Rights Watch divulgou uma nota afirmando que o Brasil está usando seu voto no Conselho de Direitos Humanos da ONU “para proteger países com um espantoso registro de violações”.

“O apoio do Brasil a governos abusivos está comprometendo a atuação do Conselho das Nações Unidas”, disse a organização.

O ex-ministro das Relações Exteriores no governo de Fernando Henrique Cardoso, Celso Lafer, diz que esse “não é um caminho apropriado para o Brasil”.

Segundo ele, o país vem conquistando um importante espaço no cenário internacional, baseado principalmente em sua credibilidade e essa conquista pode ser comprometida.

“A aproximação com o governo do Irã, por exemplo, atrapalha a coerência e a credibilidade de nossas posições em outros fóruns”, diz o ex-ministro.

Parte do jogo

O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UNB), David Fleischer, diz que decisões como essas “fazem parte do jogo político”, mas que o Brasil tem de estar “preparado para as consequências”.

“A sociedade nem sempre aceita esse tipo de conduta. Tanto é assim que o governo está sendo cada vez mais cobrado a dar explicações”, diz Fleischer.

Sua avaliação é de que esses movimentos da política externa brasileira têm um único objetivo: conquistar apoio ao pleito do país por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

“Cada país é um voto, um apoio a mais. Por isso o Brasil não quer fazer inimigos”, diz o professor.

O Itamaraty nega, no entanto, que sua política de boa vizinhança seja uma forma de angariar votos para a reforma do Conselho. Segundo o chanceler Amorim, cada voto do Brasil nos Conselhos da ONU é decidido “com pragmatismo” e na crença de que “sanções não funcionam”.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Livros e fogueira: combinação nada aconselhável

Mais uma possível derrapada da Política Externa do atual governo: o apoio, para lá de controverso e até certa medida inexplicável, que o Brasil está dando ao egípcio Farouk Hosni para diretor geral da Unesco. Este órgão tem como principal tarefa coordenar atividades culturais e educacionais em todo o mundo, sob chancela da ONU. O problema é que este cidadão egício deu, há não muito tempo, uma declaração para lá de infeliz, dizendo que queimaria qualquer livro no Egito que tivesse conteúdo semita, ou seja, pró-judeu. Indicar como diretor geral de uma organização que divulga cultura alguém que diz que gostaria de queimar livros, sejam quais forem, é no mínimo, constrangedor. Há outros pontos em questão: por que não indicar dois brasileiros, competentes e qualificados, para o cargo, ao invés de um egício? Pode paracer bobagem, mas não é: para um país que a cada dia busca, e muitas vezes consegue, afirmar-se como um player internacional, ter conterrâneos em órgãos de destaque mundial como a Unesco é boa política. Mas se você me perguntar o porquê do apoio ao egício, eu devo dizer: não há razões realmente determinantes.

texto do jornal O Globo:
Comissão de Relações Exteriores aprova requerimento solicitando que Amorim considere candidatura de brasileiros

O Senado manifestou ontem sua posição contrária ao apoio do governo brasileiro à candidatura do ministro da Cultura do Egito, Farouk Hosni, ao cargo de diretor-geral da Unesco. A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou ontem requerimento de seu presidente, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), solicitando que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reveja a posição do Brasil, que fez sua opção em detrimento das candidaturas de dois brasileiros: o atual diretor-geral adjunto da Unesco, Márcio Barbosa, e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

- O secretário-geral ou diretor-geral não exerce apenas responsabilidades administrativas. Desempenha funções diplomáticas, inclusive de representação simbólica de sua instituição. Dentro do sistema da ONU, a Unesco assume papel especial. A partir desses critérios, eu peço aqui no plenário desta Casa que o governo do Brasil, por meio do Ministério das Relações Exteriores, reveja o apoio prometido ao senhor Hosni Farouk e o patrocínio da Liga Árabe - reiterou Azeredo em pronunciamento.

Para o senador mineiro, o governo brasileiro não deveria apoiar um nome sob suspeição e posições controversas. Leia mais em O Globo

De Andrei Netto:

Três dos maiores intelectuais da Europa apelaram em artigo publicado ontem, no jornal Le Monde, em Paris, à comunidade internacional para que interfira nas eleições da Organizações das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e evite a vitória de Farouk Hosny. O ministro da Cultura egípcio é acusado de antissemita pelo filósofo Bernard-Henri Lévy, pelo escritor e prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel e pelo cineasta Claude Lanzmann. A candidatura de Hosny recebeu a adesão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nega apoio ao brasileiro Márcio Barbosa, atual número 2 da instituição.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Estado e Mercado: surge mais um player internacional "made in Brazil".

Exemplo clássico da união de interesses entre Estado e Mercado na defesa de ambos: de um lado o óbvio interesse de aumento de ganho em escala da união Sadia-Perdigão, mas de outro, o interesse do Estado brasileiro em criar uma mega companhia com foco em exportação, já que foi a entrada de dólares maciça nos últimos anos promovida pelos superávits comerciais que alavancaram a recuperação da economia brasileira.
texto retirado da Folha de SP:


União Sadia-Perdigão criará Brasil Foods

Negócio, que pode ser fechado ainda hoje, criará a maior exportadora de produtos de carne processada do mundo

Executivo vê sinergia maior nas operações no exterior; nova empresa deve ser a 3ª maior exportadora do país, atrás de Vale e Petrobras

De Maria Cristina Frias:

Brasil Foods (BRF) será o nome da nova companhia que surgirá da união entre Sadia e Perdigão. O nome da futura maior empresa de alimentos industrializados do Brasil será em inglês, mas Brasil será grafado com s, como na língua portuguesa, não com o z do inglês.

O negócio poderá ser fechado hoje, mas, ontem à noite, ainda não se sabia precisar quando exatamente será assinado.

"Pode sair a qualquer momento, estamos de prontidão, mas ontem não foi possível porque há muito detalhamento jurídico. Questões fundamentais já foram ultrapassadas, e o negócio está em fase de finalização", disse um executivo que participa das negociações entre as empresas. Advogados, profissionais de banco e das duas empresas estão reunidos há dias, trabalhando intensamente. Para o executivo, a sinergia obtida com a BRF será maior no exterior e imediata. Haverá ganhos de logística, de meios de produção e em outras áreas.

A nova companhia será a maior exportadora de produtos de carne processada do mundo. Será também a terceira maior exportadora brasileira, atrás de Petrobras e Vale do Rio Doce, mas " a única que levará a marca brasileira para a mesa de consumidores no mundo todo", afirma. Sadia e Perdigão hoje competem entre si em mais de cem países.

O banco e a corretora ficarão de fora da nova empresa por exigência das duas partes. O acordo não poderia acontecer com a área financeira, segundo uma fonte que participou de muitos encontros para fechar o acordo, que chegaram a reunir até 20 pessoas na sala

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Faça o que eu digo mas .....

o blog do Noblat, um dos melhores do país em minha opinião, lança um tema importante para quem estuda R.I.: a verdadeira "mania" que presidentes têm no Brasil ( e em outras países às vezes também...) de usar as embaixadas no exterior como forma de "demitir para cima" políticos derrotados ou indesejados. Tal prática demonstra desprezo pela carreira de diplomata, e no limite, é irresponsável, pois coloca em risco importantes decisões da política externa brasileira, já que cargos fundamentais acabam em mãos de pessoas não preparadas para a tarefa. Noblat aponta no discurso de Lula uma contradição óbvia: ele, Lula, condena a prática das nomeações de políticos para embaixadas, mas ele mesmo as fez constantemente...


texto do blog do Noblat:

É ou não extraordinário, bestial, mas nada surpreendente?

No primeiro mandato, Lula nomeou embaixador políticos derrotados nas eleições. Foi o caso de Paes de Andrade (PMDB-CE), embaixador em Portugal. Foi também o de Tilden Santiago (PT-MG), despachado para Cuba. E o de Itamar Franco (PMDB-MG) - esse apenas por homenagem a ele.

Leiam o que escreveu há pouco o repórter Chico de Góis na edição online de O Globo:

Num discurso de improviso durante a solenidade de formatura de 100 novos diplomatas, no Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez mea culpa por ter utilizado o cargo de embaixador para acomodar políticos derrotados em eleições durante seu primeiro mandato.

(...)

- Não é possível que a gente não leve em conta o tempo de carreira do embaixador, às vezes para chegar a um cargo máximo leva-se 40 anos, 38 anos. As pessoas ficaram esperando a vida inteira para ter um cargo importante e quando entra um governo coloca um político derrotado no lugar de um embaixador. Isso parece fácil, mas não tem nada mais importante para valorizar e motivar a carreira do que a gente garantir a fluidez do tempo que as pessoas têm de ocupar seus cargos. Essa foi uma lição que eu tive do primeiro para o segundo mandato - discursou Lula.

Vai me dizer que Lula levou anos para aprender que não deveria ter feito o que fez? Que só agora se deu conta disso?

Fez média com o público formado por diplomatas e funcionários do Itamaraty. Apenas isso.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Brasil: novo player internacional

Particularmente não concordo com a posição do texto sobre a relação Brasil-Mercosul-Venezuela, mas acho interessante a leitura:

Texto : BBC – Brasil – acesso em 21 de abril de 2009: O Brasil vem se transformando na última década em uma potência regional única, ao se tornar uma sólida democracia de livre mercado, uma rara ilha de estabilidade em uma região conturbada e governada pelo Estado de direito ao invés dos caprichos dos autocratas. A afirmação é feita em artigo publicado na última edição internacional da revista americana Newsweek. "Contando com a cobertura da proteção de segurança americana, e um hemisfério sem nenhum inimigo crível, o Brasil tem ficado livre para utilizar sua vasta vantagem econômica de seu tamanho dentro da América do Sul para auxiliar, influenciar ou cooptar vizinhos, ao mesmo tempo conseguindo conter seu rival regional problemático, a Venezuela", afirma o artigo. Segundo a revista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "preside uma superpotência astuta como nenhum outro gigante emergente". O artigo foi publicado menos de um mês após Lula ter aparecido na capa da Newsweek, com uma entrevista exclusiva à revista após seu encontro com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca.
Poderio militar: A Newsweek observa em seu último artigo que enquanto outros países emergentes e mesmo os Estados Unidos contam com seu poderio militar como forma de afirmação, o Brasil "expressou suas ambições internacionais sem agitar um sabre". A revista observa que quando há algum conflito na região, o Brasil envia "diplomatas e advogados para as zonas quentes ao invés de flotilhas ou tanques". O artigo também comenta que o Brasil tem se tornado uma voz mais assertiva para os países emergentes nos temas internacionais, contestando por exemplo os subsídios agrícolas dos países ricos. "Nenhum governo foi tão determinado como o de Lula em estender o alcance internacional do Brasil. Apesar de ter começado sua carreira política na esquerda, Lula surpreendeu os investidores nacionais e estrangeiros ao preservar as políticas amigáveis ao mercado de Fernando Henrique Cardoso internamente, para a frustração dos militantes de seu Partido dos Trabalhadores. Para a esquerda, ele ofereceu uma política externa vitaminada", diz a Newsweek.
Influência americana: A revista diz que os esforços brasileiros advêm da estratégia "não-declarada" de se contrapor à influência dos Estados Unidos e de dissipar as expectativas de que exerça um papel de representante de Washington", mas que nem por isso o país embarcou na "revolução bolivariana". "Pelo contrário, Lula tem controlado a região ao cooptar os vizinhos com comércio, transformando todo o continente em um mercado cativo para os bens brasileiros", diz o artigo. "No fim das contas, o poder do Brasil vem não de armas, mas de seu imenso estoque de recursos, incluindo petróleo e gás, metais, soja e carne."A revista afirma que isso também tem servido para conter a Venezuela e que a provável aprovação próxima da entrada do país de Hugo Chávez ao Mercosul não é "um endosso aos desejos imperiais de Chávez, mas uma forma de contê-lo por meio das obrigações do bloco comercial, como o respeito à democracia e a proteção à propriedade". "Isso pode ser política de risco. Mas as apostas estão nos brasileiros. Sem um manual para se tornar uma potência global, o Brasil de Lula parece estar escrevendo o seu próprio manual", conclui a Newsweek.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Bizarro

Acredito, e não estou sozinho, que somos muito condescedentes com nosso presidente. O fato dele vir “de baixo” é mérito e não pouco, numa sociedade com fortes desigualdades como a nossa. Ao mesmo tempo, seu governo, mesmo com muitos erros, não pode ser classificado de todo desprezível. Mas por isso, não cabe então concluir que ele, pessoa física e chefe de Estado e de Governo, possa, impunemente, falar o que lhe vem à cabeça, com alegria e desfaçatez, numa recepção oficial a um chefe de Governo estrangeiro. Primeiro, porque a declaração é falsa em essência: a crise não foi orquestrada por uma elite racial com propósitos maquiavélicos de destruir pobres e oprimidos. Tal concepção infantilizada de Relações Internacionais não leva a nenhuma análise minimamente coerente. E segundo, pela deselegância da declaração, que poderia levar o ministro Gordon Brown a sentir-se ofendido pessoalmente, coisa impensável num país que se pretende ser levado a sério no mundo e ainda por cima aspirar a uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Lula desperdiçou mais um momento de ficar calado ou falar o que deve ser dito, não emitir declarações pretensamente bombásticas e vingativas que no fundo, como disse o jornal britânico, são apenas circenses.... bizarras.
O mais delicioso : o comentário de Lula foi classificado como bizarro.

Fonte: BBC-Brasil: A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a crise financeira foi causada por "gente branca de olhos azuis" foi destaque na imprensa britânica nesta sexta-feira.
O comentário foi feito na quinta-feira, no encontro com o premiê britânico Gordon Brown, em Brasília
Para vários jornais, a declaração pegou Brown de surpresa. Segundo o Daily Telegraph e o Independent, o premiê britânico ficou "constrangido".
De acordo com o Times, "os esforços de Gordon Brown de 'amaciar' o caminho para um acordo internacional na reunião do G20, em Londres, encontraram um 'quebra-molas' no Brasil", quando o premiê ouviu a frase de Lula.
O Times destaca ainda que Lula já avisou que as discussões no G20 serão "apimentadas", quando os líderes mundiais se reunirem para negociar quem deve pagar os custos da crise.
"As declarações de Lula ameaçaram ofuscar o anúncio da proposta de uma injeção de 100 bilhões de libras (cerca de R$ 326 bilhões) de financiamento para impulsionar o comércio mundial. Brown disse que a expansão do crédito é o requerimento mínimo (para recuperar a economia) com o colapso das exportações em vários países", disse o jornal. O diário Financial Times diz que Brown tentou se distanciar de Lula ao ouvir o comentário sobre "gente branca de olhos azuis", respondendo que "não ia atribuir culpa a nenhum indivíduo".
Para o jornal The Guardian, os comentários de Lula "animaram a viagem de cinco dias de Gordon Brown pelas Américas do Sul e do Norte. Ela foi planejada para preparar o caminho para um acordo global sobre como combater o desaquecimento econômico na reunião do G-20, na próxima semana, a ser presidida por Brown".
O Guardian destaca ainda que Brown viajou para o Brasil para anunciar sua última iniciativa para estimular o comércio global e que ele foi extremamente elogiado por Lula.
"Mas enquanto eles esperavam na entrada formal do palácio presidencial, Brown teve que assistir enquanto o combativo ex-líder sindical embarcou em uma de suas conhecidas tiradas."
Mas em editorial, o jornal afirma que talvez o premiê britânico devesse usar melhor o seu tempo, preparando o encontro do G20 na semana que vem.
O editorial afirma que a reunião está ficando tão ambiciosa que será "impossível resolver qualquer coisa".
O Independent cita um secretário do Ministério do Exterior britânico, que durante a visita de Brown a Brasília disse que "os líderes das maiores economias globais vão ter que produzir mais do que retórica vazia" na reunião do G20.
O diário afirma que o premiê britânico ficou "constrangido" quando Lula citou a "gente branca de olhos azuis", mas que fontes do governo sugeriram que os comentários foram para "consumo doméstico".
O Daily Telegraph também diz que Brown parecia "constrangido", e que o comentário de Lula ofuscou o anúncio do fundo para estimular o comércio global.
E o Daily Mirror classificou os comentários de Lula como "bizarros" afirmando que outro secretário do governo, que estava na plateia, demonstrou uma expressão de enfado ao ouvir as palavras

terça-feira, 24 de março de 2009

Golpe em Cuba?

Um golpe abortado em Cuba?
o artigo publicado semana passada na revista Newsweek indica que um golpe foi abortado em Cuba pelo atual ditador, Raul Castro, ao afastar dois nomes importantes na linha de sucessão, Carlos Lage e Perez Roque, da direção do país. Os dois estariam interessados em derrubar Raul Castro, e neste golpe contariam com apoio do presidente Chávez. Ironicamente, o velho Raul, com mais de 70 anos, estaria disposto a fazer mudanças mais rápidas na ilha assim que seu irmão morresse, enquanto os dois afastados, mais jovens, queriam não só manter o poder, mas manter as coisas como estão. Chávez teria apoiado os dois, porque para ele não interessa que a única nação socialista do continente inicie mudanças em sua economia, justo no momento em que ele mesmo, Chávez, acelera seu projeto de total nacionalização da economia venezuelana. Ao ser descoberto o golpe, Raul Castro expulsou os dois aspirantes ao poder do partido e dos cargos que ocupavam.
O artigo foi escrito pelo respeitado intelectual mexicano Carlos Castaneda, que afirma que ele mesmo não provas do que está afirmando. Afinal, em regimes ditatoriais como o cubano, nunca podemos ter certeza de nada do que acontece na luta intestina pelo poder. Mas, como se diz, "se non é vero, é bem trobato". A demissão sumária de dois expoentes no "novo" regime ( velho na verdade, por que contra mudanças que Raul parece querer fazer) foi realmente muito estranha. Assim como foi estranha a reação da imprensa esquerdista brasileira ao fato: simplesmente ignoraram qualquer nota a respeito, apegada que está a mitologia cubana como salvação missionária latino-americana. Mas a verdade é uma só: assim que Fidel morrer, algo diferente poderá ocorrer na ilha, com pouquíssimas consequencias para o resto do continente, já que Cuab é um país isolado do resto do planeta, mas imensas consequências intelectuais para muitos que ainda a consideram a farol socialista para a latinoamérica.
Chavez e seguidores devem estar preocupados...



(CNN) -- Some long-time Cuba watchers expressed skepticism Tuesday over a report by a former Mexican foreign minister that Communist leader Raul Castro removed two top-ranking officials earlier this month because they were plotting to overthrow him with the support of Venezuelan President Hugo Chavez.

Jorge G. Castaneda, who served as Mexico's foreign minister from 2000 - 2003, wrote in the March 23 issue of Newsweek, which became public Saturday, that Deputy Prime Minister Carlos Lage Davila and Foreign Minister Felipe Perez Roque were concerned that Raul Castro would make concessions that would betray the 50-year-old Cuban Revolution.

"For at least a month or so, Lage, Perez Roque and others were apparently involved in a conspiracy, betrayal, coup or whatever term one prefers, to overthrow or displace Raul from his position," Castaneda wrote. "In this endeavor, they recruited -- or were recruited by -- Venezuela's Hugo Chavez, who in turn tried to enlist the support of other Latin American leaders, starting with Leonel Fernandez of the Dominican Republic, who refused to get involved."

The Venezuelan Embassy in Washington did not answer a verbal and written request for comment.

The Dominican Republic Embassy in Washington did not answer telephones calls at various numbers.

Robert Pastor, who served as a Latin America National Security adviser for President Jimmy Carter in the late 1970s, returned Saturday from a weeklong visit to Cuba.

Pastor said he wrote Castaneda a letter upon his return expressing his disbelief in Castaneda's contentions.

"This is Jorge at his most creative," Pastor said Tuesday.

Louis A. Perez Jr., a Cuba scholar who has written 12 books on the nation, also expressed his doubts
"Where is this coming from?" Perez asked. "I operate with the idea that there has to be some standard of plausibility. Is there discontent in Cuba and was Lage seen as the heir apparent? Yeah, that's the conventional wisdom since last year. But that there's a conspiracy between Lage and Perez Roque? I don't think so. It would be helpful if the people who write these reports cross the barrier of speculation."

Castaneda freely offers that he has no proof, calling his thesis "informed speculation."

"I have no way to substantiate any of this," he said by telephone Tuesday from Mexico City. "I have no evidence of it."

Instead, Castaneda points to an "enigmatic" comment former leader Fidel Castro made in a column after the two men were removed.

"He resorted to a baseball metaphor on the occasion of the World Baseball Classic to praise Dominicans for not participating (the team's plans had been unclear) and to claim that Chavez's baseball players, 'as good and young' as they might be, were no match for 'Cuba's seasoned all-stars,' " Castaneda wrote in the Newsweek article.

Castaneda says Castro was thanking Dominican President Fernandez and sending a veiled message to Chavez.

The former Mexican official also points to Chavez' silence on the removal of the two men as further proof that he was involved.

The two fired functionaries were acting out of loyalty to the revolution, Castaneda wrote.

Fidel Castro, beset by illness, ceded power to his younger brother last year. Most analysts see Fidel Castro as the more idealistic and doctrinaire of the two brothers, while Raul is viewed as more pragmatic.

"Their reasons for wishing to unseat Raul were mainly turf and power," Castaneda wrote, "but they also feared that the leader was beginning to feel threatened by the reaction of the Cuban people to excessive economic and social deprivation, and after his brother's demise would be unable to control the flow of events. Consequently, he would accept a series of economic and political reforms to normalize relations with the United States. ...

"They believed this to be a betrayal of the revolution, and the beginning of the end of its survival."

According to Castaneda, Raul Castro detected the plot and went to his brother and gave him an ultimatum: support him or the plotters. Fidel Castro agreed to back his brother, Castaneda wrote.

The Castro brothers then called in Chavez and gave him a "devil's alternative: back off, while maintaining economic support for the island, or lose his Cuban security detail and intelligence apparatus, exposing himself to coups and assassination attempts from eventual Venezuelan replacements. He chose to stick with the Castros."

Castaneda acknowledges that Pastor and others have criticized him but says, "I ask that they offer a better explanation."

Says Pastor, "Most of them are quite conventional explanations. Everyone knew he was going to change the Cabinet. The only question was when the changes would be."

Raul Castro was merely trying to make the government more efficient, Pastor said.

"What was he doing?" he asked. "Merging different ministries, trying to decentralize and strengthen the government's capacity to undertake economic reforms."

But Castaneda points to the manner in which the two men were removed as proof that there was more to it than just a change in government.

Why weren't Lage and Perez Roque given ambassadorships or other face-saving posts, as is often done in cases like this, he asked?

Instead, Castaneda said, the men were stripped of all posts and made to sign letters in which they confessed to unspecified "mistakes." And one day after the two men were removed, Fidel Castro wrote in his column that they were ousted after they became seduced by the "honey of power," which led them to an "unworthy role." Castro further said the two men had reawakened the illusions of "foreign powers" regarding Cuba's future.

Castaneda says Raul Castro was worried about what would happen after Fidel dies and was trying to avert a succession battle. Perez Roque, 43, might have been perceived as a threat.

"Perez Roque was popular in Cuba; his youth, his humble origins, his combative nature all brought him closer to the people than most Cuban bureaucrats," Castaneda wrote in Newsweek.

Pastor notes that the decision to remove the two men was not popular.

"There was pushback in Cuba among the [Communist Party] cadres and the public who said, "We've connected with these two people. Why are they going?" Pastor said. "They didn't feel the government had given an adequate explanation for changing those individuals. They were concerned about the language of the resignations and about Fidel's comments."

Interestingly, Pastor said, "They blamed Fidel more than they seemed to blame Raul."

Perez, the Cuba scholar, also noted Fidel Castro's apparent passing from power.

"Nobody speaks of Fidel anymore," Perez said. "He's a non-presence. Out of sight, out of mind. The only time anyone speaks of him is when they are asked about him