sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Gore Vidal e os EUA

Um dos clássicos intérpretes da Hístória Americana é Gore Vidal, romancista e intelectual de alto gabarito, que fala de forma ácida sobre seu país. É sempre uma referência importante:


texto retirado do blog de Marcos Guterman:http://blog.estadao.com.br/blog/guterman/

Gore Vidal tem 83 anos e nenhuma disposição de dar uma trégua a seus conterrâneos. Em entrevista ao jornal britânico Times, o romancista despeja todo o seu desencanto com os EUA. Abaixo, os melhores momentos.

Sobre Obama

Eu estava esperançoso. Ele era a pessoa mais inteligente para a Presidência em muito tempo. Mas ele é inexperiente. Ele tem uma inabilidade total para entender questões militares. Ele está agindo como se o Afeganistão fosse um talismã mágico: resolva isso e terá resolvido o terrorismo

Sobre terrorismo

Fracassamos em cada aspecto de nossos esforços para conquistar o Oriente Médio, ou dê o nome que quiser a isso. A Guerra ao Terror foi inventada. A coisa toda foi apenas relações públicas, tipo "armas de destruição em massa". Isso destruiu o setor de aviação civil, que meu pai fundou nos anos 30. Agora, quando voamos, ficamos morrendo tanto de medo quanto de tédio, a pior das combinações.

Sobre a imprensa

Uma coisa que eu sempre odiei são os mentirosos, e eu vivo num país cheio deles. Nem sempre foi assim. Eu não digo que tenha existido uma idade de ouro, mas houve um tempo em que havia inteligência. Tínhamos uma fiscalização, a imprensa.

Sobre os conservadores americanos

Obama acredita nos generais. Mesmo Bush sabia que o meio de ganhar um general era dando-lhe outra estrela. Obama acredita que o Partido Republicano seja um partido, quando, de fato, é um paradigma, é como a Juventude Hitlerista, baseada no ódio – ódio religioso, ódio racial. Quando os estrangeiros ouvem a palavra "conservador", pensam num tipo de homem que caça raposas. Não. Eles são fascistas.

Sobre Hillary, que para ele seria melhor que Obama

Hillary sabe mais sobre o mundo e sabe o que fazer com os generais. A história prova que, quando as garotas estão envolvidas, elas são boas.

Sobre o futuro dos EUA

Pergunte a um americano o que ele sabe sobre os suecos, e a resposta será "eles vivem bem, mas são todos alcoólatras". Os EUA não têm uma classe intelectual. Em breve, teremos uma ditadura militar, porque ninguém mais será capaz de manter a unidade. Obama teria feito melhor se focasse na educação dos americanos. Seu problema é ser super-educado. Ele não compreende o quão ignorante é sua audiência. Benjamin Franklin disse que o sistema fracassaria por causa da corrupção do povo, e isso aconteceu sob Bush.

Sobre o pensamento americano

E alguém liga para o que os americanos pensam? Eles são o povo mais ignorante do Primeiro Mundo. Eles não têm nenhum pensamento, eles têm reações emocionais, que os bons publicitários sabem como provocar

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Enfim, uma declaração racional

Os EUA têm um enorme débito com a América Central. Patrocinaram alguns golpes, deram apoio a ditadores, alguns esdrúxulos, e suas empresas, entre elas a famigerada United Fruit Company, transformaram alguns países da região em verdadeira “repúblicas bananeiras”, entre elas, a própria Honduras. Com esse péssimo histórico, é pelo menos importante a última declaração do embaixador americano na OEA sobre a cada vez mais bizarra crise hondurenha: devo dizer, concordo plenamente com ele. O retorno de Zelaya sem um acordo prévio é irresponsável mesmo e poderá se transformar numa tragédia se os dois lados, Zelaya e o governo de fato, não cederem, o que parece não está acontecendo. Ao mesmo tempo, Chávez deu uma de “muy amigo” ao jogar a batata fervendo Zelaya em nossa embaixada, claro, com o consentimento, igualmente irresponsável, de Lula e Celso Amorim.

Fonte: site BBC-Brasil: acesso em 28 de setembro de 2009
A volta clandestina do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, ao país foi "irresponsável e tola" e não serve aos interesses do povo, disse nesta segunda-feira (28) o representante norte-americano na OEA (Organização dos Estados Americanos), Lewis Anselem. Anselem fez as declarações durante reunião extraordinária do Conselho Permanente da organização. "Os que facilitaram a volta de Zelaya têm uma especial responsabilidade para prevenir a violência e garantir o bem-estar do povo hondurenho", disse, sem detalhar. Na semana passada, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, havia dito esperar que a volta de Zelaya pudesse ser uma "ocasião" para o reinício das negociações. Anselem também criticou o governo interino de Honduras por sua ação "deplorável" ao barrar a entrada de uma missão da OEA e declarar estado de sítio no domingo. Anselem também criticou Zelaya por alimentar a violência ao voltar a Honduras na semana passada e se abrigar na Embaixada do Brasil, de onde tem instado seus apoiadores para que tomem as ruas. "O retorno de Zelaya sem um acordo é irresponsável e tolo (...) Ele deveria parar e desistir de fazer acusações enfurecidas e de agir como se estive estrelando em um filme antigo", disse Anselem.
Ele disse que os EUA pediram em diversas ocasiões para que Zelaya não voltasse a Honduras antes de um acordo político por causa da possibilidade de agitação.
"Tendo escolhido, sem ajuda externa, voltar sobre seus termos, o presidente Zelaya e aqueles que facilitaram a sua volta guardam responsabilidade particular pelas ações de seus apoiadores", afirmou a autoridade norte-americana.
Anselem afirmou que o governo dos EUA continuará a pedir que os dois lados cheguem a um acordo seguindo os termos de San José, propostos pelo presidente costarriquenho Óscar Arias, que defende a volta ao poder de Zelaya com o mandato terminando em janeiro. Enquanto o presidente dos EUA, Barack Obama, condenou o golpe que derrubou Zelaya e cortou parte da assistência a Honduras, conservadores o criticam por ajudar um aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Os EUA estão do lado de Zelaya na crise e tentaram patrocinar uma saída negociada para a crise. Mas vários países latino-americanos acusam os EUA de não se empenharem suficientemente para resolver a questão.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Derrota brasileira, mas ganho para Unesco

Em mais uma derrota da diplomacia brasileira, nada a comemorar pela derrota, o nome do egípcio Farouk Hosni perdeu por pequena margem de votos para a eleição de presidente da Unesco para a búlgara Irina Bokova. O Brasil tinha se comprometido com a Liga Árabe a votar no egípcio, que deu declarações desastrosas antissemitas e no fundo anti-cultura, o que é claro, tornaram-no inviável para presidente de um cargo que justamente prega a tolerância e o respeito aos livros. Perder eleições é normal, mas apostar em pessoas assim é expor demais uma fragilidade : ficará pra sempre a questão : como o Brasil, um país tolerante e não antissemita, foi apoiar uma figura daquelas ? Por qual ganho diplomático ?

Texto : Le Figaro : Après cinq tours de scrutin, c'est finalement l'ancienne diplomate communiste bulgare, Irina Bokova, qui a été élue secrétaire générale de l'organisation onusienne. Le ministre égyptien de la Culture faisait pourtant figure de favori.

L'Unesco se préparait à avoir à sa tête un ministre égyptien de la Culture, accusé d'avoir tenu des propos jugés antisémitismes. Mais c'est in fine une diplomate bulgare, ancienne communiste, qui va prendre les fonctions de directrice générale. Mardi, au cinquième tour de scrutin, Irina Bokova, est devenue la première femme à être élue avec 31 voix contre 27 pour Farouk Hosni. Le ministère des Affaires étrangères l'a assurée «du plein soutien de la France».
Militante convaincue de la cause européenne, elle était jusqu'à présent ambassadrice de la Bulgarie en France, à Monaco et auprès de l'Unesco depuis 2005. Cette femme dynamique de 57 ans est l'une des personnalités les plus populaires du Parti socialiste (ex-communiste), aujourd'hui dans l'opposition. Irina Bokova a été premier vice-ministre des Affaires étrangères et coordinateur principal des relations de la Bulgarie avec l'Union européenne (UE) de 1995 à 1997 avant de devenir brièvement chef de la diplomatie bulgare de novembre 1996 à février 1997.
Membre du Conseil exécutif de l'Unesco depuis 2007, elle est également vice-présidente du groupe francophone des ambassadeurs auprès de cette institution de l'Organisation des Nations Unies (ONU), chargée de l'éducation, de la science, de la culture et du patrimoine. Parlant couramment anglais, espagnol, français et russe, elle est mariée et mère de deux enfants.
Une élection à entériner
Pour officiellement succéder au Japonais Koïchiro Matsuura, son nom doit encore être approuvé, par un vote secret, en octobre par la Conférence générale, l'assemblée plénière des 193 membres de l'organisation.
Le statut de grand favori de Farouk Hosni a fondu au cours des tours successifs de l'élection, à laquelle s'étaient présentés neuf candidats. La perspective de le voir à la tête de l'Unesco était dénoncée depuis des semaines par des organisations juives et des intellectuels, principalement en France. Le ministre était accusé de prises de positions antisémites et anti-israéliennes, ainsi que d'appartenir à un régime pratiquant la censure. Il lui est notamment reproché d'avoir déclaré en 2008 devant le Parlement égyptien qu'il «brûlerait lui-même» les livres en hébreu qu'il trouverait dans les bibliothèques du pays. Farouk Hosni avait assuré «regretter» ces mots selon lui sortis de leur contexte, et démenti tout sentiment antisémite

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Entrando de cabeça numa fria

Acho que o Brasil meteu-se numa bela furada: ao abrigar o ex-presidente Zelaya ( não há a menor possibilidade dele ter entrado na embaixada brasileira em Honduras sem o conhecimento expresso do presidente Lula e do chanceler Celso Amorim), o Brasil toma partido diretamente na crise daquele país. O problema é que Zelaya não é um campeão da democracia, muito ao contrário, foi deposto exatamente depois de ter ignorado, pura e simplesmente, uma ordem judicial do Supremo Tribunal de Honduras e todos sabem, é apoiado por outro "campeão democrático", Chávez. A posição do Brasil no caso deveria ter sido mais discreta, mas ao mesmo tempo, marcante: incentivar o diálogo, estabelecer condições para a retomada de uma normalidade jurídica em Honduras, já que o atual presidente é, na prática um golpista ( não nos esqueçamos que o ex- Zelaya, também seria se conseguisse a reeleição) e principalmente, não tomar parte em nenhum dos lados envolvidos, mas manter sua posição de neutralidade, base de sua credibilidade internacional. Ao assumir abertamente a posição de Zelaya, um tipo exótico de caudilho populista à la Chávez, o Brasil não contribui em nada para a situação de Honduras. E ainda por cima, entra de cabeça num embróglio internacional, envolvendo até mesmo território brasileiro no exterior, no caso, a embaixada. Como sair dessa sem grandes problemas será a dor de cabeça daqui por diante.


texto BBC - Brasil
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse nesta segunda-feira, que ninguém voltará a expulsá-lo de seu país e que seu lema a partir de agora será "pátria, restituição ou morte".

Quase três meses depois de sua deposição, Zelaya regressou a Honduras nesta segunda-feira e se refugiou na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

"A partir de agora, ninguém voltará a nos tirar daqui. Por isso, nossa posição é pátria, restituição ou morte", afirmou Zelaya diante dos milhares de simpatizantes que cercaram a embaixada brasileira para comemorar a volta do presidente.

A Frente de Resistência contra o Golpe disse à BBC Brasil que milhares de pessoas estão viajando do interior do país rumo a Tegucigalpa para apoiar a volta do presidente eleito, mesmo com o risco de serem detidos. O governo interino decretou toque de recolher a partir das 16 hrs (horário local) até as 7 horas da terça-feira.

Zelaya disse estar disposto a estabelecer um diálogo com todos os setores do país com o fim de solucionar a crise política instaurada em 28 de junho, quando o líder foi preso, ainda em pijamas, por um grupo de militares e levado ao exílio na Costa Rica. ( comentário meu ao texto da BBC : veja a óbvia contradição de Zelaya, no primeiro momento do texto, fala em restituição ou morte, num segundo, apela ao diálogo... é ou não é fanfarrão ?)

‘Massacre’

Quase ao mesmo tempo, em Caracas, o presidente venezuelano Hugo Chávez afirmou que a presença da comunidade internacional em Honduras é importante "para evitar um massacre" no país.

"Temos que apoiar a presença de organismos internacionais para evitar um massacre e para que se garanta de maneira pacífica seu retorno (de Zelaya) ao poder", disse Chávez em transmissão ao vivo pela televisão estatal.

Segundo Zelaya, o secrtário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, chegará a Honduras nesta terça-feira para ajudar a solucionar a crise.

O presidente venezuelano, que se tornou alvo de ataques da oposição hondurenha - defendeu a realização de eleições democráticas, com Zelaya no poder.

"Que Honduras retome seu caminho, vá às eleições (...) e que seja o povo de Honduras que tome a decisão", afirmou.

Chávez foi um dos primeiros a anunciar, ao vivo, a notícia do retorno de Zelaya a Honduras nesta segunda-feira.

A aliança de Zelaya com o presidente venezuelano por meio da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) teria levado à ruptura da aliança da direita hondurenha com o presidente eleito, para logo depois derivar na sua destituição, em 28 de junho.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Foguetes, caças, bases, tanques... um circo armado?

Mais uma reunião da Unasul e a pauta continua a mesma : há ou não há problemas militares na América do Sul ? Bases americanas na Colômbia ? Perigo ou apenas a recolocação e bases que eram do Equador para o atual território colombiano ? Em resposta, um sempre histriônico Chávez anuncia a compra de poderosos foguetes de médio alcance russos, arma abertamente ofensiva. Perigo maior que as bases americanas na Colômbia ? Num contexto turbulento como esse, os caças franceses que o governo, de forma atabalhoada, anuncia a compra são quase insignificantes...

Unasul debate se pacto de Chávez inicia corrida por armas
Após venezuelano anunciar compra de mísseis russos, líderes discutem como ampliar confiança entre vizinhos
Denise Chrispim Marin - O Estado de S. Paulo
QUITO - O recente anúncio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, da compra de dez sistemas de mísseis russos deverá tumultuar a reunião de chanceleres e ministros de Defesa da União de Nações Sul-americanas (Unasul), que começa hoje no Equador. No encontro prévio de vice-ministros, ontem, a iniciativa de Chávez foi interpretada como o início de uma "corrida armamentista" na região. No entanto, ao contrário da expectativa de Caracas, reforçou-se a posição da Colômbia de que não apenas seu acordo com os EUA deve estar sobre a mesa de debates da Unasul.
"Para consolidar uma visão de confiança entre os países da América do Sul, não se pode mirar um único acordo, mas todos que, teoricamente, possam violar a soberania territorial dos vizinhos", afirmou a chefe da delegação da Colômbia, Clemencia Forero, ao ser questionada sobre o impacto do pacto Venezuela-Rússia. "Nós também não conhecemos esse acordo."

Na semana passada, praticamente às vésperas do encontro de ministros da Unasul, Chávez anunciou a compra de pelo menos dez unidades do sistema de defesa aérea S-300, da Rússia. Trata-se de um equipamento municiado por 300 mísseis capazes de atingir alvos a 27 mil metros de altitude e a 300 quilômetros de distância. A escolha do equipamento foi assinalada como uma resposta direta da Venezuela à ampliação da presença americana na Colômbia.

Recomendado pelos presidentes sul-americanos, que haviam se reunido em Bariloche no fim de agosto para tratar do tema, o encontro de ontem se deu sob um consenso verbal de que todos os acordos militares com países de fora da América do Sul devem ser objeto de debate pela Unasul. Até mesmo a Venezuela concordou com a iniciativa.

"Vamos colocar as cartas sobre a mesa", afirmou o embaixador da Venezuela na Colômbia, Gustavo Márquez. "O senhor tem um acordo com a Rússia? Está bem, ponha sobre a mesa. O senhor tem um com os EUA? Ponha sobre a mesa."

O desafio de hoje será dar um passo a mais no processo de distensão na América do Sul. Com exceção da Colômbia, todos os países da região não têm dúvidas de que as sete bases colombianas estarão sob gestão de militares americanos e poderão ser usadas, em tese, em missões contra vizinhos em nome do combate ao tráfico de armas e de drogas. Tampouco há dúvidas de que as instalações podem se tornar uma ponte para o transporte aéreo de tropas e armas para outras regiões, como a África. A exigência de garantias de que esses movimentos não se darão continua como principal ponto dessas negociações.

Duas das propostas debatidas ontem - a criação de um código de conduta para a compra de armas, apresentada pelo Equador, e o compromisso de que forças estrangeiras presentes em um país não avançarão no território de seus vizinhos, da Argentina - preveem a adoção de mecanismos de verificação e inspeção ainda não detalhados.

Segundo o vice-ministro da Defesa da Argentina, Alfredo Forti, a verificação seria o principal elemento de garantia a ser oferecido pelos Estados. Desconfortável com a proposta equatoriana, a colombiana Forero afirmou que a criação do código de conduta deveria ser o resultado de um processo de negociação, não o seu começo. "Confiança se constrói, não se impõe."

Sensíveis, essas propostas devem ser destrinchadas hoje pelos ministros. Os representantes devem ainda se debruçar sobre a proposta do Peru de harmonizar indicadores de gastos militares. A medida permitiria a países ter uma noção mais clara dos dispêndios regionais. O Brasil sugeriu a adoção de uma norma que obrigue os sócios da Unasul a notificar todos os seus acordos na área de Defesa com países de fora da região e a divulgar seus gastos militares e as compras de armamentos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

De novo, as bases

De novo, outra reunião da Unasul. De novo, as bases.
Que na verdade não são bases americanas na Colômbia, mas uso de bases colombianas por soldados americanos. Diga-se de passagem, o alarde sobre elas é bastante grande, mas o alcance do acordo bilateral militar entre EUA e Colômbia muda pouco: já faz mais de 30 anos que os americanos treinam, vendem equipamentos, dão suporte logístico e usam bases militares dos colombianos. O problema é que agora, com a histeria chavista, esse acordo foi colocado sob os holofotes. Não há muito o que fazer, afinal um dos princípios da diplomacia brasileira há anos é o da não-ingerência em assuntos internos de outros países e um acordo bilateral é, por definição, um acordo interno. A Colômbia por sua vez e os EUA particularmente irão passar a imagem de um acordo normal, sem afetar possíveis soberanias de outros países;. De fato, não interessa a Colômbia nenhuma invasão territorial pelo território, mas o controle das Farc e da narco-guerrilha ( hoje em dia, a mesma coisa), embora tal controle significa possíveis violações de fronteira, afinal porosas, da floresta amazônica. Ficam duas impressões: 1. o Brasil caiu de bobo nesta história, pois um acordo que existe há 30 anos renovado só agora foi "lembrado" pela política externa brasileira, fazendo coro a um Chávez sempre em busca de um inimigo externo imaginário. 2.o Brasil fica numa posição meio tola de "mediador" entre as diatribes de Chávez e os interesses de Uribe, situação que não traz nenhum benefício ao Brasil, apenas desgaste.



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta sexta-feira, em Bariloche, da reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) disposto a tentar “pacificar” a região após as disputas políticas trazidas à tona com o anúncio sobre o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos, afirmou à BBC Brasil uma fonte do governo brasileiro que acompanha as discussões.

O primeiro compromisso de Lula será um encontro com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e a expectativa é que o brasileiro tente acalmar as fortes críticas do líder venezuelano ao governo da Colômbia.

Segundo o diplomata ouvido pela BBC Brasil, Lula insistirá que a América do Sul é uma região “de paz” e que os assuntos militares devem ficar restritos ao conselho de defesa do grupo.

“Essa é uma discussão principalmente política. Nós já sabemos que são bases colombianas e que serão compartilhadas por militares dos dois países, mas com o comando da Colômbia”, disse.

“Sabemos também que estas ações conjuntas dos militares dos dois países serão limitadas ao território colombiano. E descartamos que o objetivo seja vigiar a Amazônia brasileira”, ressaltou.

EUA na Colômbia

Durante esta semana, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu “garantias jurídicas” de que a maior presença americana na região se limitará ao espaço da Colômbia.

Após um encontro com autoridades colombianas em Bogotá, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o governo de Uribe daria estas “garantias jurídicas” sobre a limitação das bases.

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade San Andrés, Juan Gabriel Tokatlian, a presença de tropas americanas em sete bases colombianas poderia abrir espaço para a presença dos soldados nas regiões, especialmente na fronteira com o Brasil.

“As tropas estarão presentes em áreas sensíveis, como a Amazônia brasileira. Mas agora o importante é uma forte ação da diplomacia dos países (da Unasul) para se evitar ainda mais tensões na região andina”, disse.

Na quarta-feira, o governo colombiano registrou uma queixa formal na Organização dos Estados Americanos (OEA) contra as “ingerências” de Chávez em suas políticas.

“Mas é a Colômbia que está criando problemas para a região, e não a Venezuela”, disse a ex-vice-chanceler venezuelana, Maripili Hernández, às emissoras de televisão da Colômbia.

Ao mesmo tempo, o presidente boliviano, Evo Morales, contrário ao acordo militar, defendeu a realização de um referendo regional para que os eleitores da America do Sul opinem sobre o pacto Colômbia e Estados Unidos. Morales disse que apresentará a idéia na reunião desta sexta.

A expectativa, segundo um diplomata argentino, é de que na reunião da Unasul, prevista para durar pouco mais de três horas, os presidentes, acompanhados pelos ministros das Relações Exteriores e da Defesa, ouçam as palavras do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, sobre o acordo, mas é provável que também comentem por pedido de Uribe, sobre o maior investimento em armamentos nos diferentes países da região.

“No caso do Brasil, é transferência de tecnologia (em relação aos submarinos franceses)”, disse o interlocutor brasileiro, antecipando o possível argumento do Brasil, no encontro.

Nos últimos tempos, segundo dados do Centro de Estudos Nova Maioria, de Buenos Aires, os países da América do Sul investiram 30% mais em armamentos em 2008 do que em 2007.

Renovação

“Não se trata de corrida armamentista. Mas principalmente de renovação dos velhos estoques”, disse à BBC Brasil o professor de relações internacionais, Jorge Battaglino, da Universidade Torquato di Tella.

O governo colombiano pediu que a reunião da Unasul seja transmitida ao vivo por diferentes emissoras de televisão. Mas no fim da noite de quinta-feira, não se sabia a decisão da presidente da Argentina, Cristina Kirchner.

O chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, voltou a dizer, nesta quarta-feira, que a idéia não é pedir aval sobre o acordo durante a reunião da Unasul.

“O acordo já é um fato. É importante para a Colômbia e, ao mesmo tempo, achamos que deveríamos discutir, na região, o combate ao terrorismo e narcotráfico”, disse.

Nesta quinta-feira, em Buenos Aires, o sub-secretário do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, Christopher McMuller, disse que Estados Unidos não pretendem instalar bases na região. E que o acordo com a Colômbia está baseado nos princípios das Nações Unidas e da OEA.

Cooperação

“É um acordo de cooperação militar. Não queremos e não temos planos de construir bases militares”, disse.

Esta será a segunda reunião da Unasul em menos de um mês. Na anterior, em Quito, no Equador, por sugestão dos presidentes Lula e Cristina foi marcada a desta sexta.

Uribe não esteve em Quito porque as relações entre Colômbia e Equador estão interrompidas desde o ano passado, quando o presidente do Equador, Rafael Correa, acusou a invasão de tropas colombianas em seu território.

No governo brasileiro, ainda se espera que a próxima reunião da Unasul conte com a presença de algum representante do governo do presidente Barak Obama.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Duas perguntas....

Leia essa notícia e depois me responda, se puder, duas perguntas:
1-Se Chávez não é um ditador, ele é o quê?
2-O que o governo Lula tem na cabeça para desejar que um país com esse tipo de governante entre para o Mercosul?

texto do jornal O Globo:
Governo venezuelano defende nova lei da educação, que unifica o que é ensinado e coloca supervisores chavistas no controle

No lugar de estudantes, agora foi a vez de pais e professores protestarem contra uma polêmica decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Cerca de mil manifestantes estiveram ontem diante da Assembleia Nacional (o Congresso venezuelano) para pressionar os deputados a não aprovar um controverso projeto de lei que, caso passe, mudará totalmente o sistema de ensino venezuelano, da pré-escola à universidade.

A intenção é introduzir o que o texto em estudo chama de "Doutrina Bolivariana", adequando o ensino aos princípios socialistas, transformando as escolas em centros de reunião das comunidades sob a supervisão de pessoas pagas pelo governo, e dando ao governo federal o poder de definir as carreiras que os estudantes universitários deverão seguir.

O projeto inicial foi aprovado em 2001, mas reações da sociedade civil fizeram com que fosse arquivado. Agora sofreu acréscimos e poderá ser aprovado ainda esta semana no Congresso, dominado por chavistas.

Entre as medidas que deverão entrar em vigor se a Lei Orgânica da Educação for aprovada chamam a atenção aspectos como a forma como as escolas passam a ser chamadas - "escola-família-comunidade" - e a decisão de ensinar as crianças a interpretar o que os meios de comunicação transmitem "desde a mais tenra idade", segundo o ministro da Educação, Héctor Navarro