terça-feira, 24 de novembro de 2009

E bem, e o resto?

Como intitulou Machado de Assis em capítulo memorável no final de Dom Casmurro, "E bem, e o resto?"

O que sobrou da meteórica visita de Ahmadinejad ao Brasil ?
Quando se analisa uma visita dessas, deve-se SEMPRE ver os interesses dos dois lados. Do lado iraniano, o interesse era mostrar que o país não está isolado, não é um pária internacional e tentar aumentar seu leque de alianças. Como o Brasil "está na moda", é uma boa estar associado na foto com um sorridente Lula, ainda mais que o Brasil também tem ambições nucleares, embora não as mesmas que o Irã. Quanto a business, sim, ele é importante, mas não o suficiente para uma visita deste porte, o caráter foi abertamente político.
Para o Brasil, "o ganho" vem de outros pontos: 1. mostrar que é um país ativo na diplomacia internacional, que pode se cacifar para ser mediador em conflitos externos, ampliando seu leque de influência para muito além da tradicional América.
2. para Lula, aumenta sua força de líder internacional, reforçando uma imagem de líder dos países do sul, em certa oposição a liderança dos países do norte.
3.para o PT, claramente afundado numa crise de identidade, é uma mostra de que o país pode estar à esquerda (sabe-se lá o que isso significa mostrar simpatia a um cara que nega o Holocausto...) e mostrar certa independência dos EUA.

E bem, e o resto?
Todos concordam que é uma enorme ilusão achar que o Brasil poderá influenciar seriamente na questão Irã-Israel. Ele até pode servir de ponte e canal de diálogo e é correta a análise de que isolar um país, mesmo um governado por um claro demente como Ahmadinejad, não é a melhor saída, porque na prática, significa dar munição ao radicalismo interno. Mas servir de canal de diálogo, embora correto ao Brasil, não vai significar que o Brasil irá intervir ativamente na tensa relação que existe naquela região. Para o Brasil, embora tenha alguns interesses comerciais não totalmente desprezíveis no Irã, o maior "ganho" foi ter mostrado que é capaz de exercer certo papel internacional, embora ainda um pouco nebuloso, para além da sua tradicional influência latino-americana. Não acredito que a visita foi um enorme desastre e "queimou o filme" de um Brasil ativo na diplomacia internacional. Mas não compartilho as opiniões mais governistas de que a visita mostra que temos ampla capacidade hoje de sermos um líder mundial. Apenas 24 horas e uma foto não são suficientes para queimar o filme do Brasil e a própria Casa Branca sabe que o Brasil de Lula ou de qualquer outro governante a ser eleito não vai se deixar contaminar pelo discurso raivoso e irracional de Ahmadinejad. Porém, é ilusão imaginar que nossa posição no mundo hoje, respeitada como serena, racional e previsível num continente dado a loucuras de caudilhos à la Chávez, poderá mudar o curso das coisas no Irã. Somado tudo, ficamos como no final de Dom Casmurro, vendo, como o personagem, uma casa que é cópia de suas ilusões, gostosas de serem vistas, mas infelizmente, para ele e talvez para nós, apenas isso, ilusões.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Battisti: e agora?

Em minha opinião, só há uma única saída possível e honrosa para o caso Battisti: Lula extraditá-lo. O argumento de que seus crimes eram políticos é uma ofensa a democracia italiana, consolidada nos anos 70 quando ele por lá cometeu seus crimes, uma ofensa a atual União Européia, que julgou em todas as suas instâncias o caso e uma afronta, suprema ironia, aos setores da esquerda italiana, que condenam a luta armada há anos, preferindo a via democrática para sua atuação política. Para mim, o diagnóstico mais claro é do blog do Noblat: Lula quer fazer um afago a um PT que precisa, desesperadamente, de ícones de esquerda, já que passados 8 anos no governo e às vésperas de uma eleição geral, ele, PT, precisa recompor sua identidade de esquerda após anos de alianças com Sarney, Collor e afins. Só a psicanálise vai explicar a decisão de Lula, que como sabemos, salvo mudança de última hora, será a manutenção de Battisti no Brasil. Mais um erro de política externa da era Lula, explicado pela confusão de interesses entre partido, governo e Estado.

dois textos para sua opinião:
Blog do Marcos Guterman, Seção: América Latina, Europa 00:15:10.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, sugeriu que Cesare Battisti – ativista político condenado pela Justiça italiana por homicídio – não deveria ser extraditado porque a Itália está tomada de crescente fascismo, e isso poderia agravar a perseguição ao esquerdista. Disse Tarso: “A Itália não é um país nazista nem fascista, mas vem sendo constatado um crescimento preocupante do fascismo em parte da população italiana. O fascismo vem ganhando força inclusive em setores do governo”.
Quanto à Itália, Tarso está certo. A atual coalizão de governo é integrada pelos chamados partidos “pós-fascistas”, como a Liga Norte e a Aliança Nacional, xenófobos e nacionalistas ao extremo. O próprio premiê Silvio Berlusconi já chegou a dizer que o ditador Benito Mussolini não tinha sido “tão mau assim”. Os resultados da última eleição parlamentar, em abril de 2008, mostraram um avanço considerável da direita. Talvez isso tudo explique por que o mundo político italiano nem reagiu às declarações de Tarso – e, afinal, a relação da Itália com seu passado fascista é suficientemente ambígua para que poucos italianos se ofendam com isso.
Por outro lado, a Itália é uma democracia e suas instituições funcionam razoavelmente bem, pelo menos tão bem quanto as do Brasil de Tarso Genro. Achar que o esquerdista Battisti possa ser vítima de perseguição política porque o governo é de direita, como fez Tarso, é, isso sim, ofensivo. Seria o mesmo que supor que Tarso, ex-militante comunista, deixou-se guiar por sua ideologia, e não por critérios jurídicos, ao entregar os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara à ditadura cubana, mesmo sabendo que os dois seriam tratados como dissidentes por Havana.
Assim, se não há razões para acreditar que Tarso agiu segundo suas convicções políticas, não é correto concluir, como fez o ministro, que o governo e a sociedade da Itália irão perseguir Battisti por causa de divergências ideológicas.
Blog do Noblat (...)Sempre se poderá dizer que Zelaya foi um pepino jogado no colo de Lula pelo presidente Hugo Chávez, da Venezuela.
Battist, não. Foi um pepino que o PT jogou no colo de Lula. E que ele acolheu satisfeito.
A psicanálise talvez ajude a explicar o comportamento do PT e de Lula.
O PT perdeu sua identidade como partido de esquerda. Ela lhe faz falta às vésperas de eleições. De sua parte, Lula deve reconhecer que maltratou demais o PT.
O governo jogou pesado e à sombra para arrancar do Supremo Tribunal Federal (STF) a bizarra sentença produzida na semana passada.
Battisti cometeu crimes comuns na Itália e não políticos como entende o governo brasileiro, segundo o STF.
Seu refúgio é ilegal, segundo o STF.
Ele deve, portanto, ser extraditado, segundo o STF.
Mas caberá a Lula a última palavra, segundo o STF.
Ora, para que serve um tribunal que terceiriza seu julgamento? Foi a maior patacoada da história do STF.
Battisti só poderá ficar no Brasil na condição de asilado político.
O governo terá de dizer que ele correrá perigo se for extraditado.
Na Itália, um país democrático, isso soará como uma afronta. E será, de fato, uma grave afronta.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Brazil takes off



É verdade : o Brasil é moda. Vamos esquecer a bobagem das Olimpíadas e da Copa, o que realmente interessa é a possibilidade de combinar neste país as duas coisas que quase nunca andaram juntas em sua história: estabilidade política e liberdades individuais com crescimento econômico e distribuição de renda. Em vários momentos de nossa trajetória no século XX tivemos ou uma ou outro. Agora podemos desfrutar da capacidade de ter os dois.
Claro que não é momento de ufanismos exagerados. O país tem imensos desafios, mas o que chama a atenção é a "qualidade" desses desafios. Durante anos, o Brasil brigou para ter uma moeda. Agora, discutimos como crescer investindo em infraestrutura. Há não muito tempo atrás, crianças não tinham merenda em sala de aula. Hoje, discutimos qualidade na educação. E claro, há não muito tempo atrás pessoas podiam ser presas se falassem mal do governo. Hoje, estamos entrando na 6ª eleição democrática seguida e nem mesmo a esquerda mais histérica ou a direita mais coronelística querem a volta de um ditador de plantão. Isso é um avanço qualitativo importante.
Obra do governo X ou Y ? Bobagem, obra de toda uma sociedade durante os últimos 20 anos. Resta saber se teremos respostas à altura destes desafios de qualidade. O que mostra que humildemente, nós, internacionalistas, temos um papel importante a cumprir: projetar de modo adequado o Brasil no mundo, coisa que não é nada fácil.



texto: site da BBC:
A ascensão econômica do Brasil é o tema da capa, de um editorial e de um especial de 14 páginas da edição desta semana da revista britânica The Economist, divulgada nesta quinta-feira.

Intitulado Brazil Takes Off (“O Brasil Decola”, em tradução literal), o editorial afirma que o país parece ter feito sua entrada no cenário mundial, marcada simbolicamente pela escolha do Rio como sede olímpica em 2016.

A revista diz que, se em 2003 a inclusão do Brasil no grupo de emergentes Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) surpreendeu muitos, hoje ela se mostrou acertada, já que o país vem apresentando um desempenho econômico invejável.

A Economist afirma também que o Brasil chega a superar outros Bric. “Ao contrário da China, é uma democracia, ao contrário da Índia, não possui insurgentes, conflitos étnicos, religiosos ou vizinhos hostis. Ao contrário da Rússia, exporta mais que petróleo e armas e trata investidores estrangeiros com respeito.”

Apagão

O editorial da Economist ressalva também que o país tem problemas que não devem ser subestimados, da corrupção à falta de investimentos na educação e infraestrutura “evidenciados pelo apagão desta semana”.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Fracasso

Foi melancólica a primeira participação ativa da diplomacia brasileira neste século XXI fora da tradicional área de influência da América do Sul. O Brasil foi arrastado para uma crise que não era sua, criada pelo "muy amigo" Chávez e saiu como entrou: de mãos abanando, sem ter conseguido nada em termos simbólicos. Sua imagem de negociador isento foi seriamente afetada e sua importância relativa no mundo latino-americano, dminuída. Pelo menos, ao que parece e até esse ponto, a solução foi boa para Honduras.
Qual o erro da diplomacia brasileira no caso Zelaya? Confundir opiniões de partido com as de Estado. A condenação veemente do golpe em Honduras foi correta, momento aliás compartilhado tanto pelo Brasil como pela Venezuela de Chávez e pelos EUA de Obama. Mas a partir desse momento inicial, o resto foi só trapalhada. Condenar o golpe de Micheletti não poderia ser, como foi, dar apoio irrestrito a Zelaya, que como todos sabemos mas alguns petistas de algo coturno querem ignorar, estava ele mesmo tentando dar um golpe, com claro apoio chavista, o que também é negado por importante membro petista do governo atual na área de relações internacionais ( só ele acha que Zelaya não teve apoio de Chávez... até o próprio Chávez admite isso...)
Ao receber um histriônico Zelaya em sua embaixada, com aviso ou sem aviso é outra história estranha a esclarecer, o Brasil queimou sua possibilidade de mediador isento, o que me diplomacia é algo próximo ao desastre. Bastou os EUA, sempre eles, sentaram à mesa com as partes envolvidas, e com a ameaça nada sutil de romper relações econômicas com a fragilíssima Honduras, que a situação chegou a um final ( repito, pelo menos por enquanto). E o Brasil ? Ficou com o mico na mão: apoiou um lado que nã tinha legitimidade queimando o filme com o outro lado, igualmente sem legitimidade e viu os EUA resolverem a questão em uma semana, coisa que o Brasil não conseguiu em 2 meses. Entrará para a História como mais um erro de Amorim, agora petista de filiação, outro erro aliás, histórico: não me recordo de um Itamaraty partidarizado em outras épocas.


texto: blog Marcos Guterman:
É como se diz: “Donde manda capitán, no manda marinero”. Foi preciso que os EUA agissem para que a crise hondurenha tivesse um desfecho razoável. Logo os EUA, que os “anti-imperialistas” amam odiar.

Não havia outro mediador disponível. O Brasil se desqualificou como tal no minuto em que aceitou que o deposto Manuel Zelaya fizesse da embaixada brasileira em Tegucigalpa um quartel para suas investidas contra os opositores. Ademais, o governo Lula, ao se negar a conversar com os “golpistas”, fechou as portas da diplomacia – um erro que o zeloso Itamaraty não comete quando se trata de conversar com Irã, Venezuela, Bolívia e Sudão, entre outras “democracias”. Se o caso de Honduras era um teste para a pretensão brasileira à liderança regional, o Brasil não passou.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Gore Vidal e os EUA

Um dos clássicos intérpretes da Hístória Americana é Gore Vidal, romancista e intelectual de alto gabarito, que fala de forma ácida sobre seu país. É sempre uma referência importante:


texto retirado do blog de Marcos Guterman:http://blog.estadao.com.br/blog/guterman/

Gore Vidal tem 83 anos e nenhuma disposição de dar uma trégua a seus conterrâneos. Em entrevista ao jornal britânico Times, o romancista despeja todo o seu desencanto com os EUA. Abaixo, os melhores momentos.

Sobre Obama

Eu estava esperançoso. Ele era a pessoa mais inteligente para a Presidência em muito tempo. Mas ele é inexperiente. Ele tem uma inabilidade total para entender questões militares. Ele está agindo como se o Afeganistão fosse um talismã mágico: resolva isso e terá resolvido o terrorismo

Sobre terrorismo

Fracassamos em cada aspecto de nossos esforços para conquistar o Oriente Médio, ou dê o nome que quiser a isso. A Guerra ao Terror foi inventada. A coisa toda foi apenas relações públicas, tipo "armas de destruição em massa". Isso destruiu o setor de aviação civil, que meu pai fundou nos anos 30. Agora, quando voamos, ficamos morrendo tanto de medo quanto de tédio, a pior das combinações.

Sobre a imprensa

Uma coisa que eu sempre odiei são os mentirosos, e eu vivo num país cheio deles. Nem sempre foi assim. Eu não digo que tenha existido uma idade de ouro, mas houve um tempo em que havia inteligência. Tínhamos uma fiscalização, a imprensa.

Sobre os conservadores americanos

Obama acredita nos generais. Mesmo Bush sabia que o meio de ganhar um general era dando-lhe outra estrela. Obama acredita que o Partido Republicano seja um partido, quando, de fato, é um paradigma, é como a Juventude Hitlerista, baseada no ódio – ódio religioso, ódio racial. Quando os estrangeiros ouvem a palavra "conservador", pensam num tipo de homem que caça raposas. Não. Eles são fascistas.

Sobre Hillary, que para ele seria melhor que Obama

Hillary sabe mais sobre o mundo e sabe o que fazer com os generais. A história prova que, quando as garotas estão envolvidas, elas são boas.

Sobre o futuro dos EUA

Pergunte a um americano o que ele sabe sobre os suecos, e a resposta será "eles vivem bem, mas são todos alcoólatras". Os EUA não têm uma classe intelectual. Em breve, teremos uma ditadura militar, porque ninguém mais será capaz de manter a unidade. Obama teria feito melhor se focasse na educação dos americanos. Seu problema é ser super-educado. Ele não compreende o quão ignorante é sua audiência. Benjamin Franklin disse que o sistema fracassaria por causa da corrupção do povo, e isso aconteceu sob Bush.

Sobre o pensamento americano

E alguém liga para o que os americanos pensam? Eles são o povo mais ignorante do Primeiro Mundo. Eles não têm nenhum pensamento, eles têm reações emocionais, que os bons publicitários sabem como provocar

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Enfim, uma declaração racional

Os EUA têm um enorme débito com a América Central. Patrocinaram alguns golpes, deram apoio a ditadores, alguns esdrúxulos, e suas empresas, entre elas a famigerada United Fruit Company, transformaram alguns países da região em verdadeira “repúblicas bananeiras”, entre elas, a própria Honduras. Com esse péssimo histórico, é pelo menos importante a última declaração do embaixador americano na OEA sobre a cada vez mais bizarra crise hondurenha: devo dizer, concordo plenamente com ele. O retorno de Zelaya sem um acordo prévio é irresponsável mesmo e poderá se transformar numa tragédia se os dois lados, Zelaya e o governo de fato, não cederem, o que parece não está acontecendo. Ao mesmo tempo, Chávez deu uma de “muy amigo” ao jogar a batata fervendo Zelaya em nossa embaixada, claro, com o consentimento, igualmente irresponsável, de Lula e Celso Amorim.

Fonte: site BBC-Brasil: acesso em 28 de setembro de 2009
A volta clandestina do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, ao país foi "irresponsável e tola" e não serve aos interesses do povo, disse nesta segunda-feira (28) o representante norte-americano na OEA (Organização dos Estados Americanos), Lewis Anselem. Anselem fez as declarações durante reunião extraordinária do Conselho Permanente da organização. "Os que facilitaram a volta de Zelaya têm uma especial responsabilidade para prevenir a violência e garantir o bem-estar do povo hondurenho", disse, sem detalhar. Na semana passada, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, havia dito esperar que a volta de Zelaya pudesse ser uma "ocasião" para o reinício das negociações. Anselem também criticou o governo interino de Honduras por sua ação "deplorável" ao barrar a entrada de uma missão da OEA e declarar estado de sítio no domingo. Anselem também criticou Zelaya por alimentar a violência ao voltar a Honduras na semana passada e se abrigar na Embaixada do Brasil, de onde tem instado seus apoiadores para que tomem as ruas. "O retorno de Zelaya sem um acordo é irresponsável e tolo (...) Ele deveria parar e desistir de fazer acusações enfurecidas e de agir como se estive estrelando em um filme antigo", disse Anselem.
Ele disse que os EUA pediram em diversas ocasiões para que Zelaya não voltasse a Honduras antes de um acordo político por causa da possibilidade de agitação.
"Tendo escolhido, sem ajuda externa, voltar sobre seus termos, o presidente Zelaya e aqueles que facilitaram a sua volta guardam responsabilidade particular pelas ações de seus apoiadores", afirmou a autoridade norte-americana.
Anselem afirmou que o governo dos EUA continuará a pedir que os dois lados cheguem a um acordo seguindo os termos de San José, propostos pelo presidente costarriquenho Óscar Arias, que defende a volta ao poder de Zelaya com o mandato terminando em janeiro. Enquanto o presidente dos EUA, Barack Obama, condenou o golpe que derrubou Zelaya e cortou parte da assistência a Honduras, conservadores o criticam por ajudar um aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Os EUA estão do lado de Zelaya na crise e tentaram patrocinar uma saída negociada para a crise. Mas vários países latino-americanos acusam os EUA de não se empenharem suficientemente para resolver a questão.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Derrota brasileira, mas ganho para Unesco

Em mais uma derrota da diplomacia brasileira, nada a comemorar pela derrota, o nome do egípcio Farouk Hosni perdeu por pequena margem de votos para a eleição de presidente da Unesco para a búlgara Irina Bokova. O Brasil tinha se comprometido com a Liga Árabe a votar no egípcio, que deu declarações desastrosas antissemitas e no fundo anti-cultura, o que é claro, tornaram-no inviável para presidente de um cargo que justamente prega a tolerância e o respeito aos livros. Perder eleições é normal, mas apostar em pessoas assim é expor demais uma fragilidade : ficará pra sempre a questão : como o Brasil, um país tolerante e não antissemita, foi apoiar uma figura daquelas ? Por qual ganho diplomático ?

Texto : Le Figaro : Après cinq tours de scrutin, c'est finalement l'ancienne diplomate communiste bulgare, Irina Bokova, qui a été élue secrétaire générale de l'organisation onusienne. Le ministre égyptien de la Culture faisait pourtant figure de favori.

L'Unesco se préparait à avoir à sa tête un ministre égyptien de la Culture, accusé d'avoir tenu des propos jugés antisémitismes. Mais c'est in fine une diplomate bulgare, ancienne communiste, qui va prendre les fonctions de directrice générale. Mardi, au cinquième tour de scrutin, Irina Bokova, est devenue la première femme à être élue avec 31 voix contre 27 pour Farouk Hosni. Le ministère des Affaires étrangères l'a assurée «du plein soutien de la France».
Militante convaincue de la cause européenne, elle était jusqu'à présent ambassadrice de la Bulgarie en France, à Monaco et auprès de l'Unesco depuis 2005. Cette femme dynamique de 57 ans est l'une des personnalités les plus populaires du Parti socialiste (ex-communiste), aujourd'hui dans l'opposition. Irina Bokova a été premier vice-ministre des Affaires étrangères et coordinateur principal des relations de la Bulgarie avec l'Union européenne (UE) de 1995 à 1997 avant de devenir brièvement chef de la diplomatie bulgare de novembre 1996 à février 1997.
Membre du Conseil exécutif de l'Unesco depuis 2007, elle est également vice-présidente du groupe francophone des ambassadeurs auprès de cette institution de l'Organisation des Nations Unies (ONU), chargée de l'éducation, de la science, de la culture et du patrimoine. Parlant couramment anglais, espagnol, français et russe, elle est mariée et mère de deux enfants.
Une élection à entériner
Pour officiellement succéder au Japonais Koïchiro Matsuura, son nom doit encore être approuvé, par un vote secret, en octobre par la Conférence générale, l'assemblée plénière des 193 membres de l'organisation.
Le statut de grand favori de Farouk Hosni a fondu au cours des tours successifs de l'élection, à laquelle s'étaient présentés neuf candidats. La perspective de le voir à la tête de l'Unesco était dénoncée depuis des semaines par des organisations juives et des intellectuels, principalement en France. Le ministre était accusé de prises de positions antisémites et anti-israéliennes, ainsi que d'appartenir à un régime pratiquant la censure. Il lui est notamment reproché d'avoir déclaré en 2008 devant le Parlement égyptien qu'il «brûlerait lui-même» les livres en hébreu qu'il trouverait dans les bibliothèques du pays. Farouk Hosni avait assuré «regretter» ces mots selon lui sortis de leur contexte, et démenti tout sentiment antisémite