Para quem adora falar que o Paraguai é um país sem ordem ou racionalidade, veja essa notícia: depois da vergonhosa adesão do Senado brasileiro a tese da Venezuela no Mercosul, o Senado paraguaio poderá ser a última instância de defesa do Mercosul contra a sua implosão pelo caudilho. Nada contra a Venezuela nem, claro, contra o povo daquele país. E igualmente, nada contra os negócios entre Brasil e Venezuela, que aliás vão bem, obrigado, mesmo sem a adesão desta ao bloco econômico.Mas o argumento paraguaio foi irretocável: Chávez deliberadamente intervém em assuntos internos de outros países, o que é princípio básico da diplomacia brasileira, mas foi esquecido vergonhosamente pelo atual governo brasileiro, que ainda por cima, tomou a questão venezuelana não como assunto de Estado, mas assuntos de governo e até mesmo assunto partidário. Há evidentes provas da intervenção chavista na Bolívia, no Equador, na surreal questão hondurenha e em um possível envio de dinheiro a eleição argentina. Essa atitude, condenáve, foi ignorada pelo governo brasileiro, mas ao que parece, não o será pelo Senado paraguaio. Quem diria: justo o país acusado de ser o "menos sério" do bloco, é o que irá fazer o que todos os outros deveriam ter feito; dizer a Chávez que ele tem limites.
Congressista diz que Paraguai não vai aprovar a Venezuela no Mercosul
Do UOL Noticias*
Em São PauloAtualizado às 15h40
O Paraguai não dará sua aprovação à Venezuela para entrar no Mercosul enquanto o presidente venezuelano Hugo Chávez continuar intervindo em assuntos de outros países, disse Miguel Carrizosa, presidente do Congresso paraguaio, nesta quarta-feira. "Que nos desculpem os irmãos venezuelanos, mas enquanto Chávez mantiver esta atitude intervencionista, não vamos dar a aprovação para que a Venezuela entre para o Mercosul", disse Carrizosa aos jornalistas.
O que achou do Brasil aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul?
Dê sua opinião
O legislador pertence ao minoritário partido Pátria Querida, mas sua posição é sustentada pelos partidos opositores Colorado e Unace, que, juntos, exercem a maioria nas câmaras de senadores e de deputados. "Não há aqui nenhum clima para aprovar o ingresso de Chávez no Mercosul", disse.
Carrizosa disse ainda que Chávez é capaz de destruir o projeto de integração regional e que, enquanto "persistir nessa atitude de intervençao, o Congresso paraguaio não vai permitir sua entrada no Mercosul".
Chávez recebeu duras críticas de legisladores paraguaios da oposição, que têm maioria em ambas as Câmaras, após declarar que a direita preparava um plano para destituir seu colega paraguaio Fernando Lugo.
A chancelaria paraguaia retirou em agosto o pedido de acordo para a entrada da Venezuela no bloco para evitar sua negativa no Senado, o que poderia afetar as boas relações entre os dois países. A Venezuela é atualmente o maior fornecedor de combustíveis ao Paraguai.
Saiba mais sobre o Mercosul
O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um projeto de integração concebido por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, envolvendo dimensões econômicas, políticas e sociais. Os diversos órgãos que o compõem cuidam de temas tão variados quanto agricultura familiar ou cinema, por exemplo. No aspecto econômico, o Mercosul assume hoje o caráter de União Aduaneira, mas seu objetivo é constituir-se em verdadeiro Mercado Comum, seguindo os objetivos estabelecidos no Tratado de Assunção, que determinou a criação do bloco, em 1991
Com informações do Itamaraty
"Acredito que no Paraguai Chávez terá que esperar um bom tempo", disse Carrizosa. "Não vamos exigir que ele mude, mas não nos exijam que baixemos a cabeça e digamos sim a tudo o que ele está fazendo".
O chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, disse que o pedido sobre a adesão da Venezuela ao Mercosul voltará a ser apresentado quando o governo tiver garantias de sua aprovação, a partir de março, com o fim do recesso parlamentar.
"No momento não está planejado (apresentá-lo), não é uma situação real. Veremos em março quando, com a volta do recesso parlamentar, poderemos conversar novamente com a Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre o tema", disse o ministro.
O Congresso brasileiro aprovou na terça-feira a entrada da Venezuela e agora o último obstáculo é a aprovação do Congresso paraguaio.
O Senado brasileiro aprovou, por 35 votos contra 27, o Protocolo da Entrada da Venezuela no Mercosul, bloco que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Esse é o último passo legislativo para a ratificação brasileira da entrada de Caracas no grupo, e o protocolo de adesão passa a depender apenas da aprovação do parlamento paraguaio para entrar em vigor.
Segundo o próprio protocolo, a entrada passa a valer 30 dias após a última ratificação, e a partir de então a Venezuela tem quatro anos para se adequar ao acervo normativo do Mercosul, que inclui desde regulamentações sobre trânsito de pessoas até normas sanitárias. O mesmo prazo de quatro anos se aplica para a incorporação da Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco, que uniformiza as tarifas aplicadas a produtos importados de países externos ao Mercosul.
De que forma e com quais prazos essa incorporação deve acontecer são questões que estão sendo discutidas por um grupo de trabalho independente, formado por representantes do Mercosul e da Venezuela.
Antecedentes
O Protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul nasceu em Caracas em 4 de julho de 2006, firmado pelos presidentes dos países membros permanentes do bloco e por Hugo Chávez, da Venezuela. Desde então, foi ratificado pelos parlamentos da Venezuela, da Argentina, do Uruguai e do Brasil, em processo encerrado hoje.
No Paraguai, que ainda não se manifestou, o tema quase foi levado ao Congresso no último mês de agosto. Porém, com medo de que a oposição impedisse a aprovação, o presidente paraguaio, Fernando Lugo, suspendeu a discussão e o tema continua pendente.
No Brasil, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o protocolo de adesão em dezembro de 2008 (265 votos contra 61, com seis abstenções). Depois disso, o documento passou pela representação brasileira no Parlamento do Mercosul e, em 29 de outubro, foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado (12 votos contra 5), abrindo caminho para o último passo, a aprovação de hoje no plenário do Senado
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Será que ele falou mesmo...?
Se for verdade a notícia, estamos bem encrencados... para quem não sabe, o ministro de Assuntos Estratégicos (!!??) é um desses cargos inúteis da admnistração Lula, mas o que interessa aqui é menos o cargo do que a pessoa : o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães é uma referência do atual governo ( e talvez do próximo, a saber...) em matéria de assuntos externos. É sabido de suas posições " à la Gauche", mas isso é de menos... o que importa é um alto cargo de relações internacionais no Brasil, um mentor de nossa política externa atual, ter uma opinião tão tosca, tão infantilizada, da História ( sempre colocando o adendo: SE for verdade o noticiado...). Esse tipo de visão tolinha que acha que o mundo é uma batalha entre as forças do bem e do mal, sendo o mal, claro, os EUA, é primária, não se sustenta em 3 minutos de análise histórica e no limite, pode levar o país a tomar posições idiotizadas no cenário internacional. Relações internacionais é objeto de análise, não de torcida de futebol.
De Elio Gaspari:
Há uma semana, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ministro de Assuntos Estratégicos, defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU durante uma palestra no Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais do Itamaraty.
Defendeu a admissão, como membros permanentes, de Brasil, Índia, Alemanha e Japão. Ia tudo muito bem até que ele explicou a exclusão, em 1946, da Alemanha e do Japão do centro de decisões da ONU.
Numa versão-companheira da Segunda Guerra Mundial, os dois países penaram "tantos anos de purgatório, de punição, por terem desafiado a liderança anglo-saxônica do mundo". (A repórter Claudia Antunes ouviu, anotou e noticiou.)
A menos que Nosso Guia indique outro caminho, a Alemanha e o Japão não desafiaram "a liderança anglo-saxônica". Eles invadiram seus vizinhos, montaram economias baseadas no trabalho escravo e máquinas de extermínio nunca antes vistas na história.
Na conta da Alemanha havia cerca de 10 milhões de mortos em campos de extermínio. Na do Japão, 6 milhões de coreanos, chineses e filipinos.
E em 1945, depois da abertura dos campos de concentração da Europa e da Ásia, nem mesmo os precursores da defesa do nazismo e da Grande Esfera de Co-Prosperidade do Império Japonês falavam mais em desafio à "liderança anglo-saxônica".
Na dúvida, basta reler "Mein Kampf", de Adolf Hitler.
De Elio Gaspari:
Há uma semana, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ministro de Assuntos Estratégicos, defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU durante uma palestra no Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais do Itamaraty.
Defendeu a admissão, como membros permanentes, de Brasil, Índia, Alemanha e Japão. Ia tudo muito bem até que ele explicou a exclusão, em 1946, da Alemanha e do Japão do centro de decisões da ONU.
Numa versão-companheira da Segunda Guerra Mundial, os dois países penaram "tantos anos de purgatório, de punição, por terem desafiado a liderança anglo-saxônica do mundo". (A repórter Claudia Antunes ouviu, anotou e noticiou.)
A menos que Nosso Guia indique outro caminho, a Alemanha e o Japão não desafiaram "a liderança anglo-saxônica". Eles invadiram seus vizinhos, montaram economias baseadas no trabalho escravo e máquinas de extermínio nunca antes vistas na história.
Na conta da Alemanha havia cerca de 10 milhões de mortos em campos de extermínio. Na do Japão, 6 milhões de coreanos, chineses e filipinos.
E em 1945, depois da abertura dos campos de concentração da Europa e da Ásia, nem mesmo os precursores da defesa do nazismo e da Grande Esfera de Co-Prosperidade do Império Japonês falavam mais em desafio à "liderança anglo-saxônica".
Na dúvida, basta reler "Mein Kampf", de Adolf Hitler.
quem é ele ?
Eis o novo sub-secretário para América Latina do governo americano, Arturo Valenzuela. O ex-secretário ocupa agora a embaixada americana em Brasília. Esses dois cargos são vitais para o entendimento entre EUA e Brasil, e podemos dizer sem excesso de orgulho ou exagero, igualmente vitais para uma boa estabilidade na América do Sul, sempre instável com seus chavismos imprevisíveis. Note a bela formação acadêmica de Arturo Valenzuela: prova de que a área de R.I. ainda tem muito espaço para crescer no Brasil, já que cada vez mais somos um player de peso. Até os EUA já reconheceram isso...
Claudia Andrade: Do UOL Notícias
O assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, negou nesta segunda-feira (14) que haja qualquer mal-estar com os Estados Unidos por conta de divergências no plano internacional. Ele fez a declaração após encontro com o principal responsável pela América Latina no governo norte-americano, o secretário-adjunto Arturo Valenzuela.
"As relações não estiveram más nunca. Estavam boas já no governo (George) Bush e sofreram um 'upgrade', por assim dizer, com a eleição do presidente (Barack) Obama", disse Marco Aurélio. "Nós teremos, em determinados momentos, apreciações distintas sobre determinadas questões. Isso é normal, democrático na relação entre os países, mas as relações entre Estados Unidos e Brasil são fundamentais e vamos cultivá-las da melhor maneira possível".
Valenzuela faz sua primeira visita ao Cone Sul, e irá também para Argentina, Paraguai e Uruguai. Ele foi confirmado no cargo apenas em novembro, quase seis meses depois de ter sido designado pelo presidente Obama. Um veto no Congresso atrasou a confirmação e vem impedindo também que seu antecessor, Thomas Shannon, assuma a embaixada norte-americana no Brasil.
Na visita a Brasília, além da conversa com o assessor da Presidência da República, o secretário-adjunto de Estado para o Hemisfério Ocidental também tem encontro marcado com o sub do chanceler Celso Amorim no Itamaraty. O único ministro que deverá recebê-lo será Nelson Jobim (Defesa). A compra de 36 caças que está sendo estudada pelo governo brasileiro deverá ser o tema da reunião. A norte-americana Boeing está na disputa com a Dassault, da França, e a Saab, da Suécia.
Valenzuela assumiu o cargo de secretário-adjunto para o Hemisfério Ocidental em novembro; ele faz sua primeira visita oficial aos países do Cone Sul"Foi um encontro cordialíssimo - devo insistir no sufixo, cordialíssimo - no qual nós repassamos os temas de maior interesse comum relacionados com a América Latina", disse Marco Aurélio Garcia aos jornalistas, ao final do encontro.
Questionado se o tema da instalação de bases militares norte-americanas na Colômbia havia sido tratado, o assessor disse que o Brasil transmitiu sua posição de que "as bases não são um fator positivo na região". "Sugerimos que o governo americano pudesse ter um diálogo mais direto com alguns países da região porque isso eliminaria uma guerra de declarações".
Quem é Valenzuela
Nascido no Chile e filho de mãe americana, Arturo Valenzuela ocupa o cargo que pertenceu a Thomas Shannon - atual embaixador dos EUA em Brasília - durante o segundo governo de George W. Bush. Indicado ao cargo pelo presidente americano Barack Obama, ele tem passagem por Washington como subsecretário assistente para Assuntos Interamericanos no primeiro mandato do ex-presidente Bill Clinton, quando foi responsável pela formulação da política dos EUA para o México. O período foi marcado pela criação do Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio). A política neoliberal dos EUA, no entanto, provou ser extremamente impopular na América Latina. Além de sua atuação na política, Valenzuela também possui uma respaldada carreira acadêmica. É doutor em ciência política pela Universidade de Columbia e diretor licenciado do Centro de Estudos Latino-Americanos da escola de relações internacionais da Universidade de Georgetown. Antes, foi diretor do Conselho Estudos Latino-Americanos da Universidade de Duke, na Califórnia, e professor visitante em Oxford e Sussex, na Inglaterra; em Florença, na Itália; e em duas universidades chilenas. É especialista em política do Chile, México e do Cone Sul.
Em 2000, foi condecorado pelo governo brasileiro com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul
Claudia Andrade: Do UOL Notícias
O assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, negou nesta segunda-feira (14) que haja qualquer mal-estar com os Estados Unidos por conta de divergências no plano internacional. Ele fez a declaração após encontro com o principal responsável pela América Latina no governo norte-americano, o secretário-adjunto Arturo Valenzuela.
"As relações não estiveram más nunca. Estavam boas já no governo (George) Bush e sofreram um 'upgrade', por assim dizer, com a eleição do presidente (Barack) Obama", disse Marco Aurélio. "Nós teremos, em determinados momentos, apreciações distintas sobre determinadas questões. Isso é normal, democrático na relação entre os países, mas as relações entre Estados Unidos e Brasil são fundamentais e vamos cultivá-las da melhor maneira possível".
Valenzuela faz sua primeira visita ao Cone Sul, e irá também para Argentina, Paraguai e Uruguai. Ele foi confirmado no cargo apenas em novembro, quase seis meses depois de ter sido designado pelo presidente Obama. Um veto no Congresso atrasou a confirmação e vem impedindo também que seu antecessor, Thomas Shannon, assuma a embaixada norte-americana no Brasil.
Na visita a Brasília, além da conversa com o assessor da Presidência da República, o secretário-adjunto de Estado para o Hemisfério Ocidental também tem encontro marcado com o sub do chanceler Celso Amorim no Itamaraty. O único ministro que deverá recebê-lo será Nelson Jobim (Defesa). A compra de 36 caças que está sendo estudada pelo governo brasileiro deverá ser o tema da reunião. A norte-americana Boeing está na disputa com a Dassault, da França, e a Saab, da Suécia.
Valenzuela assumiu o cargo de secretário-adjunto para o Hemisfério Ocidental em novembro; ele faz sua primeira visita oficial aos países do Cone Sul"Foi um encontro cordialíssimo - devo insistir no sufixo, cordialíssimo - no qual nós repassamos os temas de maior interesse comum relacionados com a América Latina", disse Marco Aurélio Garcia aos jornalistas, ao final do encontro.
Questionado se o tema da instalação de bases militares norte-americanas na Colômbia havia sido tratado, o assessor disse que o Brasil transmitiu sua posição de que "as bases não são um fator positivo na região". "Sugerimos que o governo americano pudesse ter um diálogo mais direto com alguns países da região porque isso eliminaria uma guerra de declarações".
Quem é Valenzuela
Nascido no Chile e filho de mãe americana, Arturo Valenzuela ocupa o cargo que pertenceu a Thomas Shannon - atual embaixador dos EUA em Brasília - durante o segundo governo de George W. Bush. Indicado ao cargo pelo presidente americano Barack Obama, ele tem passagem por Washington como subsecretário assistente para Assuntos Interamericanos no primeiro mandato do ex-presidente Bill Clinton, quando foi responsável pela formulação da política dos EUA para o México. O período foi marcado pela criação do Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio). A política neoliberal dos EUA, no entanto, provou ser extremamente impopular na América Latina. Além de sua atuação na política, Valenzuela também possui uma respaldada carreira acadêmica. É doutor em ciência política pela Universidade de Columbia e diretor licenciado do Centro de Estudos Latino-Americanos da escola de relações internacionais da Universidade de Georgetown. Antes, foi diretor do Conselho Estudos Latino-Americanos da Universidade de Duke, na Califórnia, e professor visitante em Oxford e Sussex, na Inglaterra; em Florença, na Itália; e em duas universidades chilenas. É especialista em política do Chile, México e do Cone Sul.
Em 2000, foi condecorado pelo governo brasileiro com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul
terça-feira, 24 de novembro de 2009
E bem, e o resto?
Como intitulou Machado de Assis em capítulo memorável no final de Dom Casmurro, "E bem, e o resto?"
O que sobrou da meteórica visita de Ahmadinejad ao Brasil ?
Quando se analisa uma visita dessas, deve-se SEMPRE ver os interesses dos dois lados. Do lado iraniano, o interesse era mostrar que o país não está isolado, não é um pária internacional e tentar aumentar seu leque de alianças. Como o Brasil "está na moda", é uma boa estar associado na foto com um sorridente Lula, ainda mais que o Brasil também tem ambições nucleares, embora não as mesmas que o Irã. Quanto a business, sim, ele é importante, mas não o suficiente para uma visita deste porte, o caráter foi abertamente político.
Para o Brasil, "o ganho" vem de outros pontos: 1. mostrar que é um país ativo na diplomacia internacional, que pode se cacifar para ser mediador em conflitos externos, ampliando seu leque de influência para muito além da tradicional América.
2. para Lula, aumenta sua força de líder internacional, reforçando uma imagem de líder dos países do sul, em certa oposição a liderança dos países do norte.
3.para o PT, claramente afundado numa crise de identidade, é uma mostra de que o país pode estar à esquerda (sabe-se lá o que isso significa mostrar simpatia a um cara que nega o Holocausto...) e mostrar certa independência dos EUA.
E bem, e o resto?
Todos concordam que é uma enorme ilusão achar que o Brasil poderá influenciar seriamente na questão Irã-Israel. Ele até pode servir de ponte e canal de diálogo e é correta a análise de que isolar um país, mesmo um governado por um claro demente como Ahmadinejad, não é a melhor saída, porque na prática, significa dar munição ao radicalismo interno. Mas servir de canal de diálogo, embora correto ao Brasil, não vai significar que o Brasil irá intervir ativamente na tensa relação que existe naquela região. Para o Brasil, embora tenha alguns interesses comerciais não totalmente desprezíveis no Irã, o maior "ganho" foi ter mostrado que é capaz de exercer certo papel internacional, embora ainda um pouco nebuloso, para além da sua tradicional influência latino-americana. Não acredito que a visita foi um enorme desastre e "queimou o filme" de um Brasil ativo na diplomacia internacional. Mas não compartilho as opiniões mais governistas de que a visita mostra que temos ampla capacidade hoje de sermos um líder mundial. Apenas 24 horas e uma foto não são suficientes para queimar o filme do Brasil e a própria Casa Branca sabe que o Brasil de Lula ou de qualquer outro governante a ser eleito não vai se deixar contaminar pelo discurso raivoso e irracional de Ahmadinejad. Porém, é ilusão imaginar que nossa posição no mundo hoje, respeitada como serena, racional e previsível num continente dado a loucuras de caudilhos à la Chávez, poderá mudar o curso das coisas no Irã. Somado tudo, ficamos como no final de Dom Casmurro, vendo, como o personagem, uma casa que é cópia de suas ilusões, gostosas de serem vistas, mas infelizmente, para ele e talvez para nós, apenas isso, ilusões.
O que sobrou da meteórica visita de Ahmadinejad ao Brasil ?
Quando se analisa uma visita dessas, deve-se SEMPRE ver os interesses dos dois lados. Do lado iraniano, o interesse era mostrar que o país não está isolado, não é um pária internacional e tentar aumentar seu leque de alianças. Como o Brasil "está na moda", é uma boa estar associado na foto com um sorridente Lula, ainda mais que o Brasil também tem ambições nucleares, embora não as mesmas que o Irã. Quanto a business, sim, ele é importante, mas não o suficiente para uma visita deste porte, o caráter foi abertamente político.
Para o Brasil, "o ganho" vem de outros pontos: 1. mostrar que é um país ativo na diplomacia internacional, que pode se cacifar para ser mediador em conflitos externos, ampliando seu leque de influência para muito além da tradicional América.
2. para Lula, aumenta sua força de líder internacional, reforçando uma imagem de líder dos países do sul, em certa oposição a liderança dos países do norte.
3.para o PT, claramente afundado numa crise de identidade, é uma mostra de que o país pode estar à esquerda (sabe-se lá o que isso significa mostrar simpatia a um cara que nega o Holocausto...) e mostrar certa independência dos EUA.
E bem, e o resto?
Todos concordam que é uma enorme ilusão achar que o Brasil poderá influenciar seriamente na questão Irã-Israel. Ele até pode servir de ponte e canal de diálogo e é correta a análise de que isolar um país, mesmo um governado por um claro demente como Ahmadinejad, não é a melhor saída, porque na prática, significa dar munição ao radicalismo interno. Mas servir de canal de diálogo, embora correto ao Brasil, não vai significar que o Brasil irá intervir ativamente na tensa relação que existe naquela região. Para o Brasil, embora tenha alguns interesses comerciais não totalmente desprezíveis no Irã, o maior "ganho" foi ter mostrado que é capaz de exercer certo papel internacional, embora ainda um pouco nebuloso, para além da sua tradicional influência latino-americana. Não acredito que a visita foi um enorme desastre e "queimou o filme" de um Brasil ativo na diplomacia internacional. Mas não compartilho as opiniões mais governistas de que a visita mostra que temos ampla capacidade hoje de sermos um líder mundial. Apenas 24 horas e uma foto não são suficientes para queimar o filme do Brasil e a própria Casa Branca sabe que o Brasil de Lula ou de qualquer outro governante a ser eleito não vai se deixar contaminar pelo discurso raivoso e irracional de Ahmadinejad. Porém, é ilusão imaginar que nossa posição no mundo hoje, respeitada como serena, racional e previsível num continente dado a loucuras de caudilhos à la Chávez, poderá mudar o curso das coisas no Irã. Somado tudo, ficamos como no final de Dom Casmurro, vendo, como o personagem, uma casa que é cópia de suas ilusões, gostosas de serem vistas, mas infelizmente, para ele e talvez para nós, apenas isso, ilusões.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Battisti: e agora?
Em minha opinião, só há uma única saída possível e honrosa para o caso Battisti: Lula extraditá-lo. O argumento de que seus crimes eram políticos é uma ofensa a democracia italiana, consolidada nos anos 70 quando ele por lá cometeu seus crimes, uma ofensa a atual União Européia, que julgou em todas as suas instâncias o caso e uma afronta, suprema ironia, aos setores da esquerda italiana, que condenam a luta armada há anos, preferindo a via democrática para sua atuação política. Para mim, o diagnóstico mais claro é do blog do Noblat: Lula quer fazer um afago a um PT que precisa, desesperadamente, de ícones de esquerda, já que passados 8 anos no governo e às vésperas de uma eleição geral, ele, PT, precisa recompor sua identidade de esquerda após anos de alianças com Sarney, Collor e afins. Só a psicanálise vai explicar a decisão de Lula, que como sabemos, salvo mudança de última hora, será a manutenção de Battisti no Brasil. Mais um erro de política externa da era Lula, explicado pela confusão de interesses entre partido, governo e Estado.
dois textos para sua opinião:
Blog do Marcos Guterman, Seção: América Latina, Europa 00:15:10.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, sugeriu que Cesare Battisti – ativista político condenado pela Justiça italiana por homicídio – não deveria ser extraditado porque a Itália está tomada de crescente fascismo, e isso poderia agravar a perseguição ao esquerdista. Disse Tarso: “A Itália não é um país nazista nem fascista, mas vem sendo constatado um crescimento preocupante do fascismo em parte da população italiana. O fascismo vem ganhando força inclusive em setores do governo”.
Quanto à Itália, Tarso está certo. A atual coalizão de governo é integrada pelos chamados partidos “pós-fascistas”, como a Liga Norte e a Aliança Nacional, xenófobos e nacionalistas ao extremo. O próprio premiê Silvio Berlusconi já chegou a dizer que o ditador Benito Mussolini não tinha sido “tão mau assim”. Os resultados da última eleição parlamentar, em abril de 2008, mostraram um avanço considerável da direita. Talvez isso tudo explique por que o mundo político italiano nem reagiu às declarações de Tarso – e, afinal, a relação da Itália com seu passado fascista é suficientemente ambígua para que poucos italianos se ofendam com isso.
Por outro lado, a Itália é uma democracia e suas instituições funcionam razoavelmente bem, pelo menos tão bem quanto as do Brasil de Tarso Genro. Achar que o esquerdista Battisti possa ser vítima de perseguição política porque o governo é de direita, como fez Tarso, é, isso sim, ofensivo. Seria o mesmo que supor que Tarso, ex-militante comunista, deixou-se guiar por sua ideologia, e não por critérios jurídicos, ao entregar os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara à ditadura cubana, mesmo sabendo que os dois seriam tratados como dissidentes por Havana.
Assim, se não há razões para acreditar que Tarso agiu segundo suas convicções políticas, não é correto concluir, como fez o ministro, que o governo e a sociedade da Itália irão perseguir Battisti por causa de divergências ideológicas.
Blog do Noblat (...)Sempre se poderá dizer que Zelaya foi um pepino jogado no colo de Lula pelo presidente Hugo Chávez, da Venezuela.
Battist, não. Foi um pepino que o PT jogou no colo de Lula. E que ele acolheu satisfeito.
A psicanálise talvez ajude a explicar o comportamento do PT e de Lula.
O PT perdeu sua identidade como partido de esquerda. Ela lhe faz falta às vésperas de eleições. De sua parte, Lula deve reconhecer que maltratou demais o PT.
O governo jogou pesado e à sombra para arrancar do Supremo Tribunal Federal (STF) a bizarra sentença produzida na semana passada.
Battisti cometeu crimes comuns na Itália e não políticos como entende o governo brasileiro, segundo o STF.
Seu refúgio é ilegal, segundo o STF.
Ele deve, portanto, ser extraditado, segundo o STF.
Mas caberá a Lula a última palavra, segundo o STF.
Ora, para que serve um tribunal que terceiriza seu julgamento? Foi a maior patacoada da história do STF.
Battisti só poderá ficar no Brasil na condição de asilado político.
O governo terá de dizer que ele correrá perigo se for extraditado.
Na Itália, um país democrático, isso soará como uma afronta. E será, de fato, uma grave afronta.
dois textos para sua opinião:
Blog do Marcos Guterman, Seção: América Latina, Europa 00:15:10.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, sugeriu que Cesare Battisti – ativista político condenado pela Justiça italiana por homicídio – não deveria ser extraditado porque a Itália está tomada de crescente fascismo, e isso poderia agravar a perseguição ao esquerdista. Disse Tarso: “A Itália não é um país nazista nem fascista, mas vem sendo constatado um crescimento preocupante do fascismo em parte da população italiana. O fascismo vem ganhando força inclusive em setores do governo”.
Quanto à Itália, Tarso está certo. A atual coalizão de governo é integrada pelos chamados partidos “pós-fascistas”, como a Liga Norte e a Aliança Nacional, xenófobos e nacionalistas ao extremo. O próprio premiê Silvio Berlusconi já chegou a dizer que o ditador Benito Mussolini não tinha sido “tão mau assim”. Os resultados da última eleição parlamentar, em abril de 2008, mostraram um avanço considerável da direita. Talvez isso tudo explique por que o mundo político italiano nem reagiu às declarações de Tarso – e, afinal, a relação da Itália com seu passado fascista é suficientemente ambígua para que poucos italianos se ofendam com isso.
Por outro lado, a Itália é uma democracia e suas instituições funcionam razoavelmente bem, pelo menos tão bem quanto as do Brasil de Tarso Genro. Achar que o esquerdista Battisti possa ser vítima de perseguição política porque o governo é de direita, como fez Tarso, é, isso sim, ofensivo. Seria o mesmo que supor que Tarso, ex-militante comunista, deixou-se guiar por sua ideologia, e não por critérios jurídicos, ao entregar os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara à ditadura cubana, mesmo sabendo que os dois seriam tratados como dissidentes por Havana.
Assim, se não há razões para acreditar que Tarso agiu segundo suas convicções políticas, não é correto concluir, como fez o ministro, que o governo e a sociedade da Itália irão perseguir Battisti por causa de divergências ideológicas.
Blog do Noblat (...)Sempre se poderá dizer que Zelaya foi um pepino jogado no colo de Lula pelo presidente Hugo Chávez, da Venezuela.
Battist, não. Foi um pepino que o PT jogou no colo de Lula. E que ele acolheu satisfeito.
A psicanálise talvez ajude a explicar o comportamento do PT e de Lula.
O PT perdeu sua identidade como partido de esquerda. Ela lhe faz falta às vésperas de eleições. De sua parte, Lula deve reconhecer que maltratou demais o PT.
O governo jogou pesado e à sombra para arrancar do Supremo Tribunal Federal (STF) a bizarra sentença produzida na semana passada.
Battisti cometeu crimes comuns na Itália e não políticos como entende o governo brasileiro, segundo o STF.
Seu refúgio é ilegal, segundo o STF.
Ele deve, portanto, ser extraditado, segundo o STF.
Mas caberá a Lula a última palavra, segundo o STF.
Ora, para que serve um tribunal que terceiriza seu julgamento? Foi a maior patacoada da história do STF.
Battisti só poderá ficar no Brasil na condição de asilado político.
O governo terá de dizer que ele correrá perigo se for extraditado.
Na Itália, um país democrático, isso soará como uma afronta. E será, de fato, uma grave afronta.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Brazil takes off

É verdade : o Brasil é moda. Vamos esquecer a bobagem das Olimpíadas e da Copa, o que realmente interessa é a possibilidade de combinar neste país as duas coisas que quase nunca andaram juntas em sua história: estabilidade política e liberdades individuais com crescimento econômico e distribuição de renda. Em vários momentos de nossa trajetória no século XX tivemos ou uma ou outro. Agora podemos desfrutar da capacidade de ter os dois.
Claro que não é momento de ufanismos exagerados. O país tem imensos desafios, mas o que chama a atenção é a "qualidade" desses desafios. Durante anos, o Brasil brigou para ter uma moeda. Agora, discutimos como crescer investindo em infraestrutura. Há não muito tempo atrás, crianças não tinham merenda em sala de aula. Hoje, discutimos qualidade na educação. E claro, há não muito tempo atrás pessoas podiam ser presas se falassem mal do governo. Hoje, estamos entrando na 6ª eleição democrática seguida e nem mesmo a esquerda mais histérica ou a direita mais coronelística querem a volta de um ditador de plantão. Isso é um avanço qualitativo importante.
Obra do governo X ou Y ? Bobagem, obra de toda uma sociedade durante os últimos 20 anos. Resta saber se teremos respostas à altura destes desafios de qualidade. O que mostra que humildemente, nós, internacionalistas, temos um papel importante a cumprir: projetar de modo adequado o Brasil no mundo, coisa que não é nada fácil.
texto: site da BBC:
A ascensão econômica do Brasil é o tema da capa, de um editorial e de um especial de 14 páginas da edição desta semana da revista britânica The Economist, divulgada nesta quinta-feira.
Intitulado Brazil Takes Off (“O Brasil Decola”, em tradução literal), o editorial afirma que o país parece ter feito sua entrada no cenário mundial, marcada simbolicamente pela escolha do Rio como sede olímpica em 2016.
A revista diz que, se em 2003 a inclusão do Brasil no grupo de emergentes Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) surpreendeu muitos, hoje ela se mostrou acertada, já que o país vem apresentando um desempenho econômico invejável.
A Economist afirma também que o Brasil chega a superar outros Bric. “Ao contrário da China, é uma democracia, ao contrário da Índia, não possui insurgentes, conflitos étnicos, religiosos ou vizinhos hostis. Ao contrário da Rússia, exporta mais que petróleo e armas e trata investidores estrangeiros com respeito.”
Apagão
O editorial da Economist ressalva também que o país tem problemas que não devem ser subestimados, da corrupção à falta de investimentos na educação e infraestrutura “evidenciados pelo apagão desta semana”.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Fracasso
Foi melancólica a primeira participação ativa da diplomacia brasileira neste século XXI fora da tradicional área de influência da América do Sul. O Brasil foi arrastado para uma crise que não era sua, criada pelo "muy amigo" Chávez e saiu como entrou: de mãos abanando, sem ter conseguido nada em termos simbólicos. Sua imagem de negociador isento foi seriamente afetada e sua importância relativa no mundo latino-americano, dminuída. Pelo menos, ao que parece e até esse ponto, a solução foi boa para Honduras.
Qual o erro da diplomacia brasileira no caso Zelaya? Confundir opiniões de partido com as de Estado. A condenação veemente do golpe em Honduras foi correta, momento aliás compartilhado tanto pelo Brasil como pela Venezuela de Chávez e pelos EUA de Obama. Mas a partir desse momento inicial, o resto foi só trapalhada. Condenar o golpe de Micheletti não poderia ser, como foi, dar apoio irrestrito a Zelaya, que como todos sabemos mas alguns petistas de algo coturno querem ignorar, estava ele mesmo tentando dar um golpe, com claro apoio chavista, o que também é negado por importante membro petista do governo atual na área de relações internacionais ( só ele acha que Zelaya não teve apoio de Chávez... até o próprio Chávez admite isso...)
Ao receber um histriônico Zelaya em sua embaixada, com aviso ou sem aviso é outra história estranha a esclarecer, o Brasil queimou sua possibilidade de mediador isento, o que me diplomacia é algo próximo ao desastre. Bastou os EUA, sempre eles, sentaram à mesa com as partes envolvidas, e com a ameaça nada sutil de romper relações econômicas com a fragilíssima Honduras, que a situação chegou a um final ( repito, pelo menos por enquanto). E o Brasil ? Ficou com o mico na mão: apoiou um lado que nã tinha legitimidade queimando o filme com o outro lado, igualmente sem legitimidade e viu os EUA resolverem a questão em uma semana, coisa que o Brasil não conseguiu em 2 meses. Entrará para a História como mais um erro de Amorim, agora petista de filiação, outro erro aliás, histórico: não me recordo de um Itamaraty partidarizado em outras épocas.
texto: blog Marcos Guterman:
É como se diz: “Donde manda capitán, no manda marinero”. Foi preciso que os EUA agissem para que a crise hondurenha tivesse um desfecho razoável. Logo os EUA, que os “anti-imperialistas” amam odiar.
Não havia outro mediador disponível. O Brasil se desqualificou como tal no minuto em que aceitou que o deposto Manuel Zelaya fizesse da embaixada brasileira em Tegucigalpa um quartel para suas investidas contra os opositores. Ademais, o governo Lula, ao se negar a conversar com os “golpistas”, fechou as portas da diplomacia – um erro que o zeloso Itamaraty não comete quando se trata de conversar com Irã, Venezuela, Bolívia e Sudão, entre outras “democracias”. Se o caso de Honduras era um teste para a pretensão brasileira à liderança regional, o Brasil não passou.
Qual o erro da diplomacia brasileira no caso Zelaya? Confundir opiniões de partido com as de Estado. A condenação veemente do golpe em Honduras foi correta, momento aliás compartilhado tanto pelo Brasil como pela Venezuela de Chávez e pelos EUA de Obama. Mas a partir desse momento inicial, o resto foi só trapalhada. Condenar o golpe de Micheletti não poderia ser, como foi, dar apoio irrestrito a Zelaya, que como todos sabemos mas alguns petistas de algo coturno querem ignorar, estava ele mesmo tentando dar um golpe, com claro apoio chavista, o que também é negado por importante membro petista do governo atual na área de relações internacionais ( só ele acha que Zelaya não teve apoio de Chávez... até o próprio Chávez admite isso...)
Ao receber um histriônico Zelaya em sua embaixada, com aviso ou sem aviso é outra história estranha a esclarecer, o Brasil queimou sua possibilidade de mediador isento, o que me diplomacia é algo próximo ao desastre. Bastou os EUA, sempre eles, sentaram à mesa com as partes envolvidas, e com a ameaça nada sutil de romper relações econômicas com a fragilíssima Honduras, que a situação chegou a um final ( repito, pelo menos por enquanto). E o Brasil ? Ficou com o mico na mão: apoiou um lado que nã tinha legitimidade queimando o filme com o outro lado, igualmente sem legitimidade e viu os EUA resolverem a questão em uma semana, coisa que o Brasil não conseguiu em 2 meses. Entrará para a História como mais um erro de Amorim, agora petista de filiação, outro erro aliás, histórico: não me recordo de um Itamaraty partidarizado em outras épocas.
texto: blog Marcos Guterman:
É como se diz: “Donde manda capitán, no manda marinero”. Foi preciso que os EUA agissem para que a crise hondurenha tivesse um desfecho razoável. Logo os EUA, que os “anti-imperialistas” amam odiar.
Não havia outro mediador disponível. O Brasil se desqualificou como tal no minuto em que aceitou que o deposto Manuel Zelaya fizesse da embaixada brasileira em Tegucigalpa um quartel para suas investidas contra os opositores. Ademais, o governo Lula, ao se negar a conversar com os “golpistas”, fechou as portas da diplomacia – um erro que o zeloso Itamaraty não comete quando se trata de conversar com Irã, Venezuela, Bolívia e Sudão, entre outras “democracias”. Se o caso de Honduras era um teste para a pretensão brasileira à liderança regional, o Brasil não passou.
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