Olhando os números abaixo, fica claro a origem da crise econômica dos EUA : gastos acima do possível, principalmente com guerras, em sua maioria, inúteis.
Mas é tão simples assim ? Para falar bem a verdade, é.... não querendo ser anti-intelectual, o fato é que poucos países conseguiriam aguentar um "tranco" como esse: 3,7 trilhões de dólares na "guerra ao terror", financiados com uma louca emissão de títulos, gerando endividamento muito acima do razoável, mesmo para uma economia imensa como a americana. Agora, os EUA vivem uma situação surreal: o executivo precisa de uma autorização do legislativo para aumentar o limite de endividamento, sem o qual os EUA poderiam, quem diria, dar um calote em seus pagamentos, tal como a Grécia...
claro que isto é apenas um efeito legal: ninguém duvida que os EUA têm dinheiro para pagar suas dívidas e o tal limite jpa foi aumentado mais de 70 vezes (!!!). Mas, fica uma pulga atrás da orelha do mundo. Como diz aquela propaganda: "vai que...."
Vai que os EUA dão um calote? E para quem estudou um pouco no semestre passado na Esamc, sabe que os EUA deram, de fato, um calote, quando, durante o governo Nixon nos anos 70 romperam, unilateralmente, a paridade entre dólar e ouro, uma das cláusulas dos acordos iniciais de Bretton Woods. E olha que "coincidência"... para emitir dólares, ou seja, dívida, para financiar a guerra do Vietnã...
Estados, dívidas e guerras sempre andaram juntos. A história bancária do mundo começou a tomar força quando casas bancárias passaram a financiar as aventuras militares dos reis absolutistas ainda no XVI. Se o rei perdia a guerra, o banco perdia o pagamento.
Hoje o sistema infinitamente mais complexo continua em essência, parecido: se os EUA perderam ou não a "guerra ao terror" nâo importa, mas se eles derem um calote em sua dívida, o capitalismo tal como nós conhecemos deixa de existir. Melhor separar para a leitura de férias alguns livros de Marx. Ou do Apocalipse...
Custos de guerras superam US$ 3,7 tri em 10 anos, diz estudo
Mortos nos conflitos, desde 2001, seriam 224 mil a 258 mil; números continuam aumentando
29 de junho de 2011 | 16h 09
estadão.com.br
NOVA YORK - Os custos da guerra americana ao Taleban, em 10 anos, superam os 3,7 trilhões de dólares, de acordo com um levantamento feito nos Estados Unidos pelo Instituto Watson de Estudos Internacionais da Brown University e divulgados nesta quarta-feira, 29. Os números foram publicados no site Costs of War (Custos de Guerra).
Ainda de acordo com o estudo da universidade americana, entre 224 mil e 258 mil pessoas morreram ao longo de dez anos no Iraque, Afeganistão e Paquistão, entre as quais 125 mil civis iraquianos e 6 mil soldados dos EUA.
O número de mortos no Iraque foi maior que o registrado nos outros dois países juntos: 151 mil contra 39 mil no Paquistão e 33,8 mil no Afeganistão, de acordo com o levantamento. Dez mil soldados iraquianos morreram no país durante a invasão americana.
Discrepância
As cifras são bem maiores que as apresentadas pelo presidente Barack Obama, na semana passada, para justificar o plano de retirada antecipada de 33 mil soldados americanos do Afeganistão ao longo de 2011. No discurso, Obama se referiu a custos que girariam em torno de 1 trilhão de dólares. O valor real, contudo, pode chegar até a US$ 4,4 trilhões.
Nos dez anos desde que as tropas americanas chegaram ao Afeganistão para expulsar líderes da Al-Qaeda que estiveram por trás dos ataques do Onze de Setembro e neutralizar o Taleban, o gasto com os conflitos pode ter chegado a entre US$ 2,3 e US$ 2,7 trilhões.
Subindo
Os números devem seguir crescendo, segundo a Reuters. As crifras não levam em conta pelo menos US$ 1 trilhão que precisarão ainda ser pagos em juros vencidos até 2020. Outros valores envolvidos estão os que precisarão ser pagos a veteranos de guerra feridos, por exemplo.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
MILA
Vai ficando claro uma divisão na América do Sul : os países market-friendly, como Brasil, Chile, Peru, Colômbia, Uruguai e os outros que seguem um modelo chavista de aversão ao capital, à globalização e aos investimentos, claro, a Venezuela, Bolívia, Equador... Argentina ainda se decide.
A palavra chave parece ser "segurança jurídica": curioso é que vários dos países do primeiro grupo são governados por partidos de esquerda, alguns de origem nitidamente marxista, como o próprio PT no Brasil. Isso sem falar no Uruguai, hoje governado por um ex-guerrilheiro, cuja aversão ao capitalismo hoje em dia resume-se a seu estilo de vida espartano: usa roupas que aé um motoboy brasileiro podia comprar melhor e seu carro pessoal é um fusquinha anos 70. Apesar disso, governa um país cujo crescimento será este ano de 7%...
Pois é: a esquerda descobriu o capital e ele não é tão malvado assim... ou é, mas pode ser menos, se for acompanhado de crescimento com distribuição. Ou seja, a América Latina descobriu a social-democracia europeia. ( a mesma aliás que está em crise séria por lá, mas isso é outra história). Sendo assim, o binômio segurança jurídica + distribuição está gerando uma onda de crescimento econômico sustentável na América do Sul, integrando mercados e criando convergências de sistemas produtivos, inclusive, de posições políticas.
O eixo Chile-Peru-Colômbia é um bom exemplo. Economias estáveis, com democracias consolidadas, governos mais ou menos sociais, estão hoje, dia 30 de maio, integrando suas bolsas de valores, criando a MILA, Mercado Integrado Latinoamericano. Mesmo com as eleições no Peru ainda indefinidas, sabe-se que a economia daquele país continuará seu ritmo de expansão. O candidato da esquerda aliás, Ollanta Humala, já disse que se espelha em Lula para governar, o que para os peruanos quer dizer, governo que respeite o capital, traga investimentos, mas ao mesmo tempo tenha um olhar social, distributivo.
E o outro grupo de países? Fica claro que o estilo personalista, nacionalista, "socialista" de Chávez vai mostrando seus limites. Ainda que ele se mantenha no poder com apoio popular, fruto de suas políticas de distribuição de benefícios ao melhor estilo populista, seu personalismo e suas brigas histriônicas contra o capital nacional e internacional, o que inclui nacionalizações sem motivo aparente que o simples capricho presidencial, a economia do país desmorona a olhos vistos, com fuga de investimentos, desemprego, inflação e ainda por cima, criminalidade galopante. O modelo meio cubano-meio populismo mostra-se menos social ao final de contas que o modelo social democrata que Chile, Brasil e outros estão trilhando. Fica a questão argentina: país com imenso potencial econômico, tanto pelas riquezas agrícolas incríveis, quanto pelo elevado nível educacional de sua população, ele ainda opera politicamente no velho modelo peronista, populista. Sua encruzilhada a afasta de um modelo social democrata que por lá poderia dar muito certo.
Enquanto isso, estes países, Brasil Chile, Perú, Colômbia, Uruguai, Paraguai, trilham um caminho claro. Não são sociedade desenvolvidas, óbvio, mas conseguem, aos poucos, diminuir desigualdades sociais, e criar riquezas. O MILA é exemplo deste modelo, superando até mesmo rancores políticos profundos,como os entre Perú e Chile, que levaram até a guerras no passado.Ainda bem que estamos vivendo no país com o modelo que dá certo.
texto: jornal El Commercio - Perú
Bolsas de Valores de Perú, Chile y Colombia funcionan integradas desde hoy
El Mercado Integrado Latinoamericano permitirá un intercambio comercial más fluido y productivo entre las plazas bursátiles
Desde las 8:30 a.m. de hoy, las Bolsas de Valores de Perú, Colombia y Chile iniciaron conjuntamente las operaciones del Mercado Integrado Latinoamericano (MILA), como conclusión a un largo periodo de conversaciones entre las tres plazas bursátiles a fin de coordinar sus actividades.
La ceremonia de inauguración en Lima fue presidida por el presidente del directorio de la Bolsa de Valores de Lima (BVL), Roberto Hoyle, y el ministro de Economía y Finanzas, Ismael Benavides. Hoyle explicó que hoy se ha cristalizado el sueño de las tres bolsas, luego de un “arduo e intenso proceso” de casi dos años.
Según Andina, el presidente de la Bolsa de Valores de Colombia, Juan Pablo Córdoba, señaló que con esta fusión el valor de las compañías que cotizan en estas plazas bursátiles superará los US$650.000 millones, llegando a los US$300 millones diarios de negociación. Asimismo, destacó que ello permitirá a los inversionistas de Perú, Colombia y Chile “llevar sus capitales a cualquiera de las empresas inscritas en el mercado”.
Esta integración, cuyo acuerdo fue firmado el pasado 9 de noviembre, será respaldada por “un sistema dotado de los más altos niveles de seguridad, confianza y disponibilidad”. La meta de la fusión es que en 2016, el mercado tenga operaciones diarias por US$1.500 millones.
A palavra chave parece ser "segurança jurídica": curioso é que vários dos países do primeiro grupo são governados por partidos de esquerda, alguns de origem nitidamente marxista, como o próprio PT no Brasil. Isso sem falar no Uruguai, hoje governado por um ex-guerrilheiro, cuja aversão ao capitalismo hoje em dia resume-se a seu estilo de vida espartano: usa roupas que aé um motoboy brasileiro podia comprar melhor e seu carro pessoal é um fusquinha anos 70. Apesar disso, governa um país cujo crescimento será este ano de 7%...
Pois é: a esquerda descobriu o capital e ele não é tão malvado assim... ou é, mas pode ser menos, se for acompanhado de crescimento com distribuição. Ou seja, a América Latina descobriu a social-democracia europeia. ( a mesma aliás que está em crise séria por lá, mas isso é outra história). Sendo assim, o binômio segurança jurídica + distribuição está gerando uma onda de crescimento econômico sustentável na América do Sul, integrando mercados e criando convergências de sistemas produtivos, inclusive, de posições políticas.
O eixo Chile-Peru-Colômbia é um bom exemplo. Economias estáveis, com democracias consolidadas, governos mais ou menos sociais, estão hoje, dia 30 de maio, integrando suas bolsas de valores, criando a MILA, Mercado Integrado Latinoamericano. Mesmo com as eleições no Peru ainda indefinidas, sabe-se que a economia daquele país continuará seu ritmo de expansão. O candidato da esquerda aliás, Ollanta Humala, já disse que se espelha em Lula para governar, o que para os peruanos quer dizer, governo que respeite o capital, traga investimentos, mas ao mesmo tempo tenha um olhar social, distributivo.
E o outro grupo de países? Fica claro que o estilo personalista, nacionalista, "socialista" de Chávez vai mostrando seus limites. Ainda que ele se mantenha no poder com apoio popular, fruto de suas políticas de distribuição de benefícios ao melhor estilo populista, seu personalismo e suas brigas histriônicas contra o capital nacional e internacional, o que inclui nacionalizações sem motivo aparente que o simples capricho presidencial, a economia do país desmorona a olhos vistos, com fuga de investimentos, desemprego, inflação e ainda por cima, criminalidade galopante. O modelo meio cubano-meio populismo mostra-se menos social ao final de contas que o modelo social democrata que Chile, Brasil e outros estão trilhando. Fica a questão argentina: país com imenso potencial econômico, tanto pelas riquezas agrícolas incríveis, quanto pelo elevado nível educacional de sua população, ele ainda opera politicamente no velho modelo peronista, populista. Sua encruzilhada a afasta de um modelo social democrata que por lá poderia dar muito certo.
Enquanto isso, estes países, Brasil Chile, Perú, Colômbia, Uruguai, Paraguai, trilham um caminho claro. Não são sociedade desenvolvidas, óbvio, mas conseguem, aos poucos, diminuir desigualdades sociais, e criar riquezas. O MILA é exemplo deste modelo, superando até mesmo rancores políticos profundos,como os entre Perú e Chile, que levaram até a guerras no passado.Ainda bem que estamos vivendo no país com o modelo que dá certo.
texto: jornal El Commercio - Perú
Bolsas de Valores de Perú, Chile y Colombia funcionan integradas desde hoy
El Mercado Integrado Latinoamericano permitirá un intercambio comercial más fluido y productivo entre las plazas bursátiles
Desde las 8:30 a.m. de hoy, las Bolsas de Valores de Perú, Colombia y Chile iniciaron conjuntamente las operaciones del Mercado Integrado Latinoamericano (MILA), como conclusión a un largo periodo de conversaciones entre las tres plazas bursátiles a fin de coordinar sus actividades.
La ceremonia de inauguración en Lima fue presidida por el presidente del directorio de la Bolsa de Valores de Lima (BVL), Roberto Hoyle, y el ministro de Economía y Finanzas, Ismael Benavides. Hoyle explicó que hoy se ha cristalizado el sueño de las tres bolsas, luego de un “arduo e intenso proceso” de casi dos años.
Según Andina, el presidente de la Bolsa de Valores de Colombia, Juan Pablo Córdoba, señaló que con esta fusión el valor de las compañías que cotizan en estas plazas bursátiles superará los US$650.000 millones, llegando a los US$300 millones diarios de negociación. Asimismo, destacó que ello permitirá a los inversionistas de Perú, Colombia y Chile “llevar sus capitales a cualquiera de las empresas inscritas en el mercado”.
Esta integración, cuyo acuerdo fue firmado el pasado 9 de noviembre, será respaldada por “un sistema dotado de los más altos niveles de seguridad, confianza y disponibilidad”. La meta de la fusión es que en 2016, el mercado tenga operaciones diarias por US$1.500 millones.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
União Europeia em crise
A União Europeia deve estar em algum "inferno astral"... se é que tais coisas existem... não bastasse a grave crise econômica iniciada nos EUA mas com enormes reverberações na Europa, agora a crise dos imigrantes. Tudo isso somado, dá-se uma descoordenação que mesmos os mais pessimistas sobre a Europa não imaginavam que poderia ocorrer.
Com o aumento da inflação, o Banco Central Europeu aumentou os juros. Até aí, tudo bem. Não fosse o óbvio: Portugal a beira do colapso precis de tudo, menos juros mais altos... isso sem falar nos outros "PIIGS", acrônimo nada elogioso para Portugal. Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, países com economias fragilizadas que precisariamde juros menores e mais estímulo ao consumo e não o contrário. Mas como usam uma moeda única, não dá para se ter duas taxas de juros na mesma moeda... conclusão: enquanto o aumento dos juros ajuda a Alemanha a esfriar sua inflação, "ajuda" esses países a congelar a sua economia, já em estado de coma. Moeda única? "não, obrigado", devem estar pensando espanhóis, portugueses, gregos...
A outra descoordenação, aliás grave, é a descrita no texto abaixo: enquanto a Itália é imundada com imigrantes africanos fugindo do caos nos países árabes, a França tenta em quase desespero fechar suas fronteiras. O problema é que, se estes imigrantes recebem vistos de turista na Itália, pelas leis da União Europeia deveriam poder entrar em qualquer país da Europa. E é isso que eles, imigrantes e italianos querem, ir para a França. Em larga medida pelas redes de solidariedade que existem na França, país já com muitos imigrantes árabes, em parte pela facilidade de língua, já que eles vêem de antigas colônias francesas como Tunísia e Argélia. Aos italianos, interessa dar esse visto para literalmente livrarem-se do "problema", jogando esses seres humanos, qual carga indesejável, aos franceses, que não aceitem recebê-los. Se a França simplesmente não os aceita, então ela pode não aceitar qualquer outro europeu, portanto, joga-se na lata do lixo um pressuposto básica da União Europeia, a livre circulação de pessoas.
Nada fácil de resolver. O bloco enfrenta hoje seus maiores desafios desde sua criação. Há vozes nada surdas que preferem a saída do bloco e a volta das moedas nacionais. Até há pouco tempo, isso soaria impossível. Hoje já é apenas, improvável.
texto BBC - Brasil: Um funcionário da Presidência francesa disse nesta sexta-feira em Paris que o país considera abandonar temporariamente o Tratado de Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre a maioria dos países da União Europeia (UE).
O gesto seria uma resposta à chegada de milhares de imigrantes que fogem da turbulência no norte da África. Muitos têm tentado entrar na França pela Itália, que lhes concedeu vistos temporários.
O funcionário do governo francês disse que deveria haver um mecanismo para suspender o acordo em resposta ao que descreveu como uma "falha sistêmica" na fronteira externa da UE.
"Nos parece que precisamos pensar sobre um mecanismo que nos permitiria, quando há uma falha sistêmica numa das fronteiras externas da UE, intervir com uma suspensão temporária pelo tempo que a ruptura durar", disse o funcionário, que não quis ser identificado, em encontro com jornalistas no Palácio Eliseu, a sede do executivo francês.
Segundo Hugh Schofield, correspondente da BBC em Paris, o fato de Paris sugerir a medida mostra o quão sensível a questão migratória se tornou na Europa, embora a proximidade das eleições presidenciais na França indique que o tema também faz parte da política doméstica.
Trem
Na semana passada, a França impediu a entrada no país de um trem com dezenas de imigrantes tunisianos que haviam partido da cidade italiana de Ventimiglia.
De acordo com a comissária europeia do Interior, Cecilia Malmström, as autoridades francesas citaram "razões de ordem pública" para justificar a medida.
Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou também que a França não tem a obrigação de permitir a entrada de imigrantes com vistos de residência temporária concedidos pela Itália.
A Itália protestou contra a decisão francesa e afirmou que a medida viola as regras da União Europeia sobre a livre circulação no bloco.
Os italianos argumentam que as pessoas que vivem legalmente nos 25 países da União Europeia que assinaram o Tratado de Schengen (incluindo França e Itália) não precisam apresentar documentos de viagem às autoridades da região.
O ministro do Interior da França, Claude Gueant, afirmou que seu país respeita o Tratado de Schengen, mas acrescentou que futuros imigrantes tunisianos não poderão cruzar a fronteira se não demonstrarem que têm recursos suficientes para permanecer no país.
Vistos temporários
A Itália concedeu permissões temporárias a cerca de 26 mil imigrantes que entraram ilegalmente no país para escapar da violência que causou a queda do governo na Tunísia.
Muitos desses imigrantes afirmam que seu objetivo é chegar à França, onde têm parentes.
A recente crise política em diversos países no norte da África fez crescer a preocupação com a imigração ilegal na Itália e em outros países europeus.
No início do mês, os governos da França e da Itália concordaram em fazer um patrulhamento conjunto das fronteiras marítimas e terrestres para tentar barrar o fluxo de milhares de pessoas que chegam à Europa da Tunísia, do Egito e da Líbia.
Com o aumento da inflação, o Banco Central Europeu aumentou os juros. Até aí, tudo bem. Não fosse o óbvio: Portugal a beira do colapso precis de tudo, menos juros mais altos... isso sem falar nos outros "PIIGS", acrônimo nada elogioso para Portugal. Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, países com economias fragilizadas que precisariamde juros menores e mais estímulo ao consumo e não o contrário. Mas como usam uma moeda única, não dá para se ter duas taxas de juros na mesma moeda... conclusão: enquanto o aumento dos juros ajuda a Alemanha a esfriar sua inflação, "ajuda" esses países a congelar a sua economia, já em estado de coma. Moeda única? "não, obrigado", devem estar pensando espanhóis, portugueses, gregos...
A outra descoordenação, aliás grave, é a descrita no texto abaixo: enquanto a Itália é imundada com imigrantes africanos fugindo do caos nos países árabes, a França tenta em quase desespero fechar suas fronteiras. O problema é que, se estes imigrantes recebem vistos de turista na Itália, pelas leis da União Europeia deveriam poder entrar em qualquer país da Europa. E é isso que eles, imigrantes e italianos querem, ir para a França. Em larga medida pelas redes de solidariedade que existem na França, país já com muitos imigrantes árabes, em parte pela facilidade de língua, já que eles vêem de antigas colônias francesas como Tunísia e Argélia. Aos italianos, interessa dar esse visto para literalmente livrarem-se do "problema", jogando esses seres humanos, qual carga indesejável, aos franceses, que não aceitem recebê-los. Se a França simplesmente não os aceita, então ela pode não aceitar qualquer outro europeu, portanto, joga-se na lata do lixo um pressuposto básica da União Europeia, a livre circulação de pessoas.
Nada fácil de resolver. O bloco enfrenta hoje seus maiores desafios desde sua criação. Há vozes nada surdas que preferem a saída do bloco e a volta das moedas nacionais. Até há pouco tempo, isso soaria impossível. Hoje já é apenas, improvável.
texto BBC - Brasil: Um funcionário da Presidência francesa disse nesta sexta-feira em Paris que o país considera abandonar temporariamente o Tratado de Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre a maioria dos países da União Europeia (UE).
O gesto seria uma resposta à chegada de milhares de imigrantes que fogem da turbulência no norte da África. Muitos têm tentado entrar na França pela Itália, que lhes concedeu vistos temporários.
O funcionário do governo francês disse que deveria haver um mecanismo para suspender o acordo em resposta ao que descreveu como uma "falha sistêmica" na fronteira externa da UE.
"Nos parece que precisamos pensar sobre um mecanismo que nos permitiria, quando há uma falha sistêmica numa das fronteiras externas da UE, intervir com uma suspensão temporária pelo tempo que a ruptura durar", disse o funcionário, que não quis ser identificado, em encontro com jornalistas no Palácio Eliseu, a sede do executivo francês.
Segundo Hugh Schofield, correspondente da BBC em Paris, o fato de Paris sugerir a medida mostra o quão sensível a questão migratória se tornou na Europa, embora a proximidade das eleições presidenciais na França indique que o tema também faz parte da política doméstica.
Trem
Na semana passada, a França impediu a entrada no país de um trem com dezenas de imigrantes tunisianos que haviam partido da cidade italiana de Ventimiglia.
De acordo com a comissária europeia do Interior, Cecilia Malmström, as autoridades francesas citaram "razões de ordem pública" para justificar a medida.
Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou também que a França não tem a obrigação de permitir a entrada de imigrantes com vistos de residência temporária concedidos pela Itália.
A Itália protestou contra a decisão francesa e afirmou que a medida viola as regras da União Europeia sobre a livre circulação no bloco.
Os italianos argumentam que as pessoas que vivem legalmente nos 25 países da União Europeia que assinaram o Tratado de Schengen (incluindo França e Itália) não precisam apresentar documentos de viagem às autoridades da região.
O ministro do Interior da França, Claude Gueant, afirmou que seu país respeita o Tratado de Schengen, mas acrescentou que futuros imigrantes tunisianos não poderão cruzar a fronteira se não demonstrarem que têm recursos suficientes para permanecer no país.
Vistos temporários
A Itália concedeu permissões temporárias a cerca de 26 mil imigrantes que entraram ilegalmente no país para escapar da violência que causou a queda do governo na Tunísia.
Muitos desses imigrantes afirmam que seu objetivo é chegar à França, onde têm parentes.
A recente crise política em diversos países no norte da África fez crescer a preocupação com a imigração ilegal na Itália e em outros países europeus.
No início do mês, os governos da França e da Itália concordaram em fazer um patrulhamento conjunto das fronteiras marítimas e terrestres para tentar barrar o fluxo de milhares de pessoas que chegam à Europa da Tunísia, do Egito e da Líbia.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
O Egito e a imprensa brasileira
É impressionante como os analistas, alguns sequer mereceriam este nome, estão perdidos em preconceitos tolos diante da situação atual do Egito. A maioria do que li nos últimos dias na imprensa brasileira repete o mesmo chavão: por serem islâmicos e árabes, os egpícios estariam condenados a terem duas alternativas, ou ditaduras laicas ou ditaduras teocráticas islâmicas. Ponto. O caráter democrático da rebelião anti-Mubárak é visto com desconfiança, quase hostilidade.E repete-se ad nauseam os "exemplos" de países islâmicos e árabes que são ditaduras e os atos de ódio ao diferente em certas sociedades teocráticas, como o Irã, como formas de reafirmar esse suposto "destino manifesto" muçulmano.
Grotesco, mas é essa a imprensa brasileira: desinformada, rude, preconceituosa.
Um olhar histórico faz bem. Foi o Islão que inventou a tolerância. Durante a Idade Média, enquanto a Igreja queimava mulheres com epilepsia chamando-as de bruxas, a medicina se desenvolvia nas cidades de Bagdá, Córdova na Espanha , então domínio islâmico ou na milenar Alexandria, que aliás tinha um bairro judeu e outro grego, convivendo sem muitos problemas com o povo islâmico e árabe.Os próprios judeus foram protegidos pelos 8 séculos de domínio islâmico na Península Ibérica, e adivinhe qual foi a primeira medida tomada pelos reis católicos Fernando e Isabel ao conquistarem em definitivo a Espanha ? A expulsão dos judeus de lá... Comércio e contato com outras culturas sempre fizeram parte da privilegiada região geográfica do Oriente Médio, ponto de encontro entre a Europa, os reinos então ricos da África subsaariana e o Oriente, Índia e China. Foram os árabes que mantiveram e traduziram os textos gregos, lendo Aristóteles, Platão e outros sem deturpá-los para serem "encaixados" numa visão religiosa. E foi no Islão que a mulher teve seus primeiros direitos preservados em textos sagrados e legislação comum, na mesma época em que na Idade Média eram abertamente segregadas.
Toda essa herança cultural de tolerância e diversidade está sim latente no mundo islâmico. E se hoje a maioria dos países árabes é formada por ditaduras, esquece-se de que são fruto, boa parte delas, da aliança com o Ocidente, que prefere o apoio a regimes autoritários desde que o petróleo continue a jorrar. OEgito pode se tornar um país teocrático? Sim, pode. Mas também pode se tornar democrático. Islamismo não é sinônimo de fanatismo, o que é evidente para quem estuda um pouco de História, mas não tão evidente assim para os "analistas" que parecem ter poderes mediúnicos para desejar "prever" o final da rebelião egípcia. Por isso, em se tratando de leituras apressadas na pobre imprensa brasileira, todo cuidado é pouco.
Grotesco, mas é essa a imprensa brasileira: desinformada, rude, preconceituosa.
Um olhar histórico faz bem. Foi o Islão que inventou a tolerância. Durante a Idade Média, enquanto a Igreja queimava mulheres com epilepsia chamando-as de bruxas, a medicina se desenvolvia nas cidades de Bagdá, Córdova na Espanha , então domínio islâmico ou na milenar Alexandria, que aliás tinha um bairro judeu e outro grego, convivendo sem muitos problemas com o povo islâmico e árabe.Os próprios judeus foram protegidos pelos 8 séculos de domínio islâmico na Península Ibérica, e adivinhe qual foi a primeira medida tomada pelos reis católicos Fernando e Isabel ao conquistarem em definitivo a Espanha ? A expulsão dos judeus de lá... Comércio e contato com outras culturas sempre fizeram parte da privilegiada região geográfica do Oriente Médio, ponto de encontro entre a Europa, os reinos então ricos da África subsaariana e o Oriente, Índia e China. Foram os árabes que mantiveram e traduziram os textos gregos, lendo Aristóteles, Platão e outros sem deturpá-los para serem "encaixados" numa visão religiosa. E foi no Islão que a mulher teve seus primeiros direitos preservados em textos sagrados e legislação comum, na mesma época em que na Idade Média eram abertamente segregadas.
Toda essa herança cultural de tolerância e diversidade está sim latente no mundo islâmico. E se hoje a maioria dos países árabes é formada por ditaduras, esquece-se de que são fruto, boa parte delas, da aliança com o Ocidente, que prefere o apoio a regimes autoritários desde que o petróleo continue a jorrar. OEgito pode se tornar um país teocrático? Sim, pode. Mas também pode se tornar democrático. Islamismo não é sinônimo de fanatismo, o que é evidente para quem estuda um pouco de História, mas não tão evidente assim para os "analistas" que parecem ter poderes mediúnicos para desejar "prever" o final da rebelião egípcia. Por isso, em se tratando de leituras apressadas na pobre imprensa brasileira, todo cuidado é pouco.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Argentina e Dilma: começo promissor.
O que esperar da primeira viagem internacional de Dilma ?
Seu estilo é discreto, sem arroubos de messianismo tão típicos da Era Lula. Isso por sí só é uma enorme vantagem, já que basta uma rápida leitura pelos jornais estrangeiros para perceber que após 8 anos, o "estilo Lula" já era considerado mais do que apenas ultrapassado, mas incômodo: afinal, quem gostaria de receber um convidado em sua casa que ficasse palpitando sobre como arrumar seus móveis da sala? Guardada a comparação tola, era mais ou menos isso que Lula insistia em fazer: a cada viagem internacional, atos de arrogância, delírio e autoelogio, contínuos.
Mas há outra agenda, mais interessante: a dos Direitos Humanos. Embora Lula se vendesse ao exterior como exemplo único de operário que chegou ao poder. sua política externa tinha passivos graves, principalmente no apoio declarado a regimes semiautoritários como o Irã. Discretamente, mas bem marcadamente, esse não é um modelo a ser seguido por Dilma, que vai visitar, e note no trecho abaixo, por declarada vontade dela, Dilma, e não pelo Itamaraty ou por Marco Aurélio Garcia, a associação das Mães da Praça de Maio, uma das mais emblemáticas associações de vítimas da infame ditadura argentina dos anos 70/80. Bom início, pelo menos.
retirado do jornal El Clarín: La mandataria Dilma Rousseff, una ex militante de grupos guerrilleros que fue torturada durante el régimen militar brasileño (1964-1985), pidió que la reunión con las Madres de la Plaza de Mayo fuera incluida en su agenda oficial en Argentina, dijo el asesor de la Presidencia para Asuntos Internacionales, Marco Aurelio García. La presidenta “tiene una gran sensibilidad para los asuntos relativos a los derechos humanos”, aseguró García. Según el asesor, la decisión de la jefe del Estado de reunirse con las mujeres que se han convertido en símbolo de la lucha por la defensa de los derechos humanos en su país “valoriza mucho la lucha emblemática que esas señoras tienen en la historia política reciente de Argentina”.
Seu estilo é discreto, sem arroubos de messianismo tão típicos da Era Lula. Isso por sí só é uma enorme vantagem, já que basta uma rápida leitura pelos jornais estrangeiros para perceber que após 8 anos, o "estilo Lula" já era considerado mais do que apenas ultrapassado, mas incômodo: afinal, quem gostaria de receber um convidado em sua casa que ficasse palpitando sobre como arrumar seus móveis da sala? Guardada a comparação tola, era mais ou menos isso que Lula insistia em fazer: a cada viagem internacional, atos de arrogância, delírio e autoelogio, contínuos.
Mas há outra agenda, mais interessante: a dos Direitos Humanos. Embora Lula se vendesse ao exterior como exemplo único de operário que chegou ao poder. sua política externa tinha passivos graves, principalmente no apoio declarado a regimes semiautoritários como o Irã. Discretamente, mas bem marcadamente, esse não é um modelo a ser seguido por Dilma, que vai visitar, e note no trecho abaixo, por declarada vontade dela, Dilma, e não pelo Itamaraty ou por Marco Aurélio Garcia, a associação das Mães da Praça de Maio, uma das mais emblemáticas associações de vítimas da infame ditadura argentina dos anos 70/80. Bom início, pelo menos.
retirado do jornal El Clarín: La mandataria Dilma Rousseff, una ex militante de grupos guerrilleros que fue torturada durante el régimen militar brasileño (1964-1985), pidió que la reunión con las Madres de la Plaza de Mayo fuera incluida en su agenda oficial en Argentina, dijo el asesor de la Presidencia para Asuntos Internacionales, Marco Aurelio García. La presidenta “tiene una gran sensibilidad para los asuntos relativos a los derechos humanos”, aseguró García. Según el asesor, la decisión de la jefe del Estado de reunirse con las mujeres que se han convertido en símbolo de la lucha por la defensa de los derechos humanos en su país “valoriza mucho la lucha emblemática que esas señoras tienen en la historia política reciente de Argentina”.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Política externa como questão de Estado ou de partido?
Os dois textos abaixo mostram uma evidência : a política externa no Brasil não é importante. Mas como, perguntariam os mais céticos ? Afinal, “nunca antes na história deste país” o Brasil foi tão comentado, tão bem recebido nas esferas internacionais. Nossa política externa não seria então um evidente sucesso ?
Acontece que boa parte da política externa brasileira virou política externa petista. Partidarizou-se o conceito de política de Estado, tornando-a mero apêndice de uma política de partido. Nem sequer tenta-se disfarçar o conteúdo ideológico esquerdista de nossa política externa. O resultado ? leia o texto 2 : quando realmente precisamos de um papel mediador importante, no caso das rusgas entre Colômbia e Venezuela, estamos “com o filme queimado” devido a aproximação excessiva e por vezes delirante entre o governo Lula e o coronel Chávez. Tivéssemos tido um papel um pouco mais racional e equilibrado e poderíamos exercer liderança, no sentido pleno, em nossa região, assumindo o papel de mediador neste conflito, papel hoje repudiado pela Colômbia devido ao adesismo lulista a opção Chávez.
O curioso é que o Brasil é visto como um país responsável na área econômica e vários interlocutores internacionais percebem o país como um ponto de equilíbrio na América do Sul. Então, como se dá esta mágica ? pela evidente separação entre política exterma econômica e política. Na área econômica, o Brasil é um queridinho do capital internacional, elevado a condição de um dos melhores entre os Brics. Enquanto isso, na área política expressamos um esquerdismo à lá anos 60, no melhor estilo anti-americano, um pouco tolo e inadequado, mas que se encaixa perfeitamente na fantasia messiânica de certos petistas, que afinal, como não podem ver uma política econômica de esquerda, refugiam-se numa política externa... de esquerda. Neste divã freudiano petista, perde o Brasil, que deixa de marcar pontos importantes na área diplomática local, deixando de participar de decisões fundamentais na América do Sul, enquanto aventura-se, meio sem jeito, em problemas que pouco nos dizem respeito, como o Irã.
Pelas declarações do candidato Serra, a política externa vai continuar atrelada a um mero apêndice de política interna. Pena. Ainda mais de dar lágrimas nos olhos, quando pensamos que justamente o Barão do Rio Branco pensou o Itamaraty como um elemento acima das picuinhas partidárias de curto prazo, uma projeção de visão de Estado. Parece que essa conquista nós perdemos .
Texto 1 :Política externa e eleições
27 de julho de 2010 | 14h39
Raquel Landim
O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou ontem que “até as árvores da Floresta Amazônica” sabem que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dá abrigo às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Poucos dias atrás, seu companheiro de chapa, o candidato à vice-presidente Índio da Costa, foi duramente criticado por ligar o PT ao grupo terrorista.
Os comentários ganharam destaque nos meios de comunicação. Os analistas políticos explicam que Serra deixou de se apresentar como o pós-Lula e partiu para o ataque em busca de um eleitorado mais conservador. Por enquanto, esse ataque está concentrado na política externa. Mas porque o tucano elegeu a política externa como alvo?
Primeiro, porque é a face mais esquerdista do governo Lula. Ao manter a política macroeconômica – câmbio flexível e metas de inflação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a política externa para afagar as alas mais radicais do PT. Sob a forte influência do professor Marco Aurélio Garcia, Lula implementou uma política externa de “solidariedade” com os países pobres e tratou muito bem governantes que atacam os Estados Unidos, como Chávez e o boliviano Evo Morales.
Segundo, porque a política macroeconômica “conservadora” funcionou e hoje é difícil para a oposição atacar o desempenho da economia brasileira. O PIB deve crescer 7% este ano, a inflação se mantém controlada, e a taxa de desemprego está em um nível historicamente baixo. Os maiores problemas do País hoje são o aumento da dependência de capital externo e os gastos públicos – conceitos complicados para o eleitor médio.
Essa é provavelmente uma das primeiras vezes que a política externa aparece como tema central em uma campanha presidencial no Brasil. Mas será que a estratégia de atacar o companheirismo de Lula e Chávez vai se transformar em votos? Normalmente os brasileiros “não estão nem aí” para a política externa e sua principal preocupação é o salário no fim do mês. Lula escolheu essa área para agradar a esquerda do PT exatamente por sua pouca importância junto à população. Se a estratégia do PSDB funcionar, vai marcar uma mudança e tanto nas percepções do eleitor brasileiro
Texto 2 : Desconfiança de Bogotá limita papel mediador do Brasil
Apesar de boa relação com Uribe, elo especial da diplomacia brasileira com Chávez incomoda setores do governo colombiano
Roberto Simon, Ruth Costas - O Estado de S.Paulo
A desconfiança da Colômbia em relação ao governo Luiz Inácio Lula da Silva limita a capacidade de mediação do Brasil na atual crise entre Bogotá e Caracas. Segundo analistas e ex-diplomatas dos dois países ouvidos pelo "Estado", a diplomacia do presidente Lula é percebida como excessivamente simpática ao governo de Hugo Chávez, embora, formalmente, as relações com Bogotá também sejam boas.
"Não é que Lula seja visto como hostil, mas certamente não inspira confiança no governo colombiano, como, por exemplo, o Chile ou o Peru", opina o cientista político Alejo Vargas, da Universidade Nacional da Colômbia. "Para a Colômbia, e em especial para (o presidente Álvaro) Uribe (que deixa o cargo no dia 7), é importante que os governos vizinhos reconheçam as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) como terroristas - e isso o Brasil não fez."
No mês passado, uma fonte próxima ao Ministério da Defesa colombiano disse, sob condição de anonimato, que autoridades de seu país ficaram "chocadas" ao encontrar, no computador apreendido de um líder guerrilheiro, indícios de que integrantes das Farc teriam tido acesso à figuras ligadas ao governo Lula durante as gestões do caso Olivério Medina - ex-padre vinculado à guerrilha refugiado em território brasileiro. Em 2008, o Brasil condenou duramente o bombardeio colombiano contra um acampamento da guerrilha no Equador (a Colômbia ficou isolada na região). E, em 2009, o governo brasileiro criticou o acordo que permite aos Estados Unidos usar sete bases militares na Colômbia.
Na ocasião, Chávez congelou as relações comerciais com Bogotá, o que causou prejuízos de bilhões de dólares e levou ao corte de 300 mil empregos. Isso não impediu que Uribe fosse recebido calorosamente por Lula em São Paulo - quando a questão das bases dos EUA foi formalmente dada por encerrada na agenda bilateral.
O governo colombiano é pragmático: o Brasil representa boas oportunidades de negócio e o presidente Lula pode ser um aliado na medida em que a estabilidade da região também lhe interessa. A desconfiança, porém, não foi completamente superada, principalmente pela disparidade na forma como o brasileiro trata Uribe e Chávez, segundo analistas.
Unasul e OEA. "Não há dúvida de que a solidariedade ativa do Brasil com Chávez - pois não se trata só de simpatia - contamina a relação com Bogotá", diz Roberto Abdenur, ex-embaixador do governo Lula nos EUA.
O fato de o Brasil ter defendido que a crise fosse tratada no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) - e não na Organização dos Estados Americanos (OEA) - também desagradaria a Bogotá, segundo Sérgio Amaral, ex-embaixador em Paris também na era Lula. Na OEA, a Colômbia tem a "proteção" dos EUA, e na Unasul só é apoiada por Peru e Chile.
O ex-chanceler brasileiro Luiz Felipe Lampreia, porém, ressalta que o incômodo causado pela relação de Lula com Chávez na Colômbia se concentra na esfera diplomática. As Forças Armadas dos dois países mantêm uma estreita cooperação. Fontes colombianas relatam uma relação especialmente fluida com o ministro da Defesa, Nelson Jobim.
Em 2009, Jobim disse que se rebeldes das Farc tentassem entrar no Brasil "seriam recebidos à bala". Não é difícil entender porque a ameaça agradou mais aos colombianos que a declaração de Lula na sexta-feira: "As Farc são problema da Colômbia e acho que deve ser tratado pela Colômbia", disse o presidente.
Acontece que boa parte da política externa brasileira virou política externa petista. Partidarizou-se o conceito de política de Estado, tornando-a mero apêndice de uma política de partido. Nem sequer tenta-se disfarçar o conteúdo ideológico esquerdista de nossa política externa. O resultado ? leia o texto 2 : quando realmente precisamos de um papel mediador importante, no caso das rusgas entre Colômbia e Venezuela, estamos “com o filme queimado” devido a aproximação excessiva e por vezes delirante entre o governo Lula e o coronel Chávez. Tivéssemos tido um papel um pouco mais racional e equilibrado e poderíamos exercer liderança, no sentido pleno, em nossa região, assumindo o papel de mediador neste conflito, papel hoje repudiado pela Colômbia devido ao adesismo lulista a opção Chávez.
O curioso é que o Brasil é visto como um país responsável na área econômica e vários interlocutores internacionais percebem o país como um ponto de equilíbrio na América do Sul. Então, como se dá esta mágica ? pela evidente separação entre política exterma econômica e política. Na área econômica, o Brasil é um queridinho do capital internacional, elevado a condição de um dos melhores entre os Brics. Enquanto isso, na área política expressamos um esquerdismo à lá anos 60, no melhor estilo anti-americano, um pouco tolo e inadequado, mas que se encaixa perfeitamente na fantasia messiânica de certos petistas, que afinal, como não podem ver uma política econômica de esquerda, refugiam-se numa política externa... de esquerda. Neste divã freudiano petista, perde o Brasil, que deixa de marcar pontos importantes na área diplomática local, deixando de participar de decisões fundamentais na América do Sul, enquanto aventura-se, meio sem jeito, em problemas que pouco nos dizem respeito, como o Irã.
Pelas declarações do candidato Serra, a política externa vai continuar atrelada a um mero apêndice de política interna. Pena. Ainda mais de dar lágrimas nos olhos, quando pensamos que justamente o Barão do Rio Branco pensou o Itamaraty como um elemento acima das picuinhas partidárias de curto prazo, uma projeção de visão de Estado. Parece que essa conquista nós perdemos .
Texto 1 :Política externa e eleições
27 de julho de 2010 | 14h39
Raquel Landim
O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou ontem que “até as árvores da Floresta Amazônica” sabem que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dá abrigo às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Poucos dias atrás, seu companheiro de chapa, o candidato à vice-presidente Índio da Costa, foi duramente criticado por ligar o PT ao grupo terrorista.
Os comentários ganharam destaque nos meios de comunicação. Os analistas políticos explicam que Serra deixou de se apresentar como o pós-Lula e partiu para o ataque em busca de um eleitorado mais conservador. Por enquanto, esse ataque está concentrado na política externa. Mas porque o tucano elegeu a política externa como alvo?
Primeiro, porque é a face mais esquerdista do governo Lula. Ao manter a política macroeconômica – câmbio flexível e metas de inflação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a política externa para afagar as alas mais radicais do PT. Sob a forte influência do professor Marco Aurélio Garcia, Lula implementou uma política externa de “solidariedade” com os países pobres e tratou muito bem governantes que atacam os Estados Unidos, como Chávez e o boliviano Evo Morales.
Segundo, porque a política macroeconômica “conservadora” funcionou e hoje é difícil para a oposição atacar o desempenho da economia brasileira. O PIB deve crescer 7% este ano, a inflação se mantém controlada, e a taxa de desemprego está em um nível historicamente baixo. Os maiores problemas do País hoje são o aumento da dependência de capital externo e os gastos públicos – conceitos complicados para o eleitor médio.
Essa é provavelmente uma das primeiras vezes que a política externa aparece como tema central em uma campanha presidencial no Brasil. Mas será que a estratégia de atacar o companheirismo de Lula e Chávez vai se transformar em votos? Normalmente os brasileiros “não estão nem aí” para a política externa e sua principal preocupação é o salário no fim do mês. Lula escolheu essa área para agradar a esquerda do PT exatamente por sua pouca importância junto à população. Se a estratégia do PSDB funcionar, vai marcar uma mudança e tanto nas percepções do eleitor brasileiro
Texto 2 : Desconfiança de Bogotá limita papel mediador do Brasil
Apesar de boa relação com Uribe, elo especial da diplomacia brasileira com Chávez incomoda setores do governo colombiano
Roberto Simon, Ruth Costas - O Estado de S.Paulo
A desconfiança da Colômbia em relação ao governo Luiz Inácio Lula da Silva limita a capacidade de mediação do Brasil na atual crise entre Bogotá e Caracas. Segundo analistas e ex-diplomatas dos dois países ouvidos pelo "Estado", a diplomacia do presidente Lula é percebida como excessivamente simpática ao governo de Hugo Chávez, embora, formalmente, as relações com Bogotá também sejam boas.
"Não é que Lula seja visto como hostil, mas certamente não inspira confiança no governo colombiano, como, por exemplo, o Chile ou o Peru", opina o cientista político Alejo Vargas, da Universidade Nacional da Colômbia. "Para a Colômbia, e em especial para (o presidente Álvaro) Uribe (que deixa o cargo no dia 7), é importante que os governos vizinhos reconheçam as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) como terroristas - e isso o Brasil não fez."
No mês passado, uma fonte próxima ao Ministério da Defesa colombiano disse, sob condição de anonimato, que autoridades de seu país ficaram "chocadas" ao encontrar, no computador apreendido de um líder guerrilheiro, indícios de que integrantes das Farc teriam tido acesso à figuras ligadas ao governo Lula durante as gestões do caso Olivério Medina - ex-padre vinculado à guerrilha refugiado em território brasileiro. Em 2008, o Brasil condenou duramente o bombardeio colombiano contra um acampamento da guerrilha no Equador (a Colômbia ficou isolada na região). E, em 2009, o governo brasileiro criticou o acordo que permite aos Estados Unidos usar sete bases militares na Colômbia.
Na ocasião, Chávez congelou as relações comerciais com Bogotá, o que causou prejuízos de bilhões de dólares e levou ao corte de 300 mil empregos. Isso não impediu que Uribe fosse recebido calorosamente por Lula em São Paulo - quando a questão das bases dos EUA foi formalmente dada por encerrada na agenda bilateral.
O governo colombiano é pragmático: o Brasil representa boas oportunidades de negócio e o presidente Lula pode ser um aliado na medida em que a estabilidade da região também lhe interessa. A desconfiança, porém, não foi completamente superada, principalmente pela disparidade na forma como o brasileiro trata Uribe e Chávez, segundo analistas.
Unasul e OEA. "Não há dúvida de que a solidariedade ativa do Brasil com Chávez - pois não se trata só de simpatia - contamina a relação com Bogotá", diz Roberto Abdenur, ex-embaixador do governo Lula nos EUA.
O fato de o Brasil ter defendido que a crise fosse tratada no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) - e não na Organização dos Estados Americanos (OEA) - também desagradaria a Bogotá, segundo Sérgio Amaral, ex-embaixador em Paris também na era Lula. Na OEA, a Colômbia tem a "proteção" dos EUA, e na Unasul só é apoiada por Peru e Chile.
O ex-chanceler brasileiro Luiz Felipe Lampreia, porém, ressalta que o incômodo causado pela relação de Lula com Chávez na Colômbia se concentra na esfera diplomática. As Forças Armadas dos dois países mantêm uma estreita cooperação. Fontes colombianas relatam uma relação especialmente fluida com o ministro da Defesa, Nelson Jobim.
Em 2009, Jobim disse que se rebeldes das Farc tentassem entrar no Brasil "seriam recebidos à bala". Não é difícil entender porque a ameaça agradou mais aos colombianos que a declaração de Lula na sexta-feira: "As Farc são problema da Colômbia e acho que deve ser tratado pela Colômbia", disse o presidente.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Tratado de Tordesilhas
Portugal e Espanha são países que têm laços históricos e culturais profundos. Ambos têm também problemas semelhantes, comoseus déficits, embora em escala diferente, já que a Espanha é uma economia bem maior que Portugal. Mas parece que um pedaço do passado está rondando a relação entre os dois. E curiosamente, este “passado” envolve o Brasil.
A Vivo, empresa de telefonia celular que foi herdeira da antiga Telesp, é hoje um empresa disputada arduamente entre seus dois controladores, a Telefonica, da Espanha e a Portugal Telecom. A empresa espanhola já manifestou em várias ocasiões a intenção de comprar a totalidade da participação portuguesa na Vivo. Porém os portugueses não querem. Afinal, sabem que o mercado brasileiros de celulares é imenso e ainda tem potencial enorme a ser explorado, principalmente agregando valor aos serviços, à medida que vão ficando mais populares os smartphones por aqui, que são muito mais do que apenas celulares. Como os portugueses não têm “bala na agulha” pra partir para compras em outros mercados, manter suas posições no Brasil é fundamental para manter a própria empresa PT, já que ela mesma poderia ser facilmente engolida por outra operadora europeia, até mesmo a Telefonica, dado o tamanho pequeno do mercado portugues. Por outro lado, comprar na totalidade a Vivo pode ser altamente estratégico para a Telefonica, que poderia unir com mais vigor suas operações de telefonia fixa, móvel e banda larga, incluindo aí a sua operação ainda incipiente de tv por assinatura. Se ela tivesse todo o controle da Viv, poderia gerar vários serviços integrados, aproveitando a popularização dos smartphones. Inicialmente, as conversas eram até amigáveis, mas agora a coisa descanbou para a tentativa de compra hostil, com a empresa espanhola oferencendo rios de dinheiro aos acionistas minoritários da Vivo e da própria PT. Agora para piorar, entra o governo... A PT era uma empresa estatal que foi privatizada, e na Europa os governos têm direito a “golden share”, uma ação preferencial que pode barrar cetos negócios, quando de acordo com o governo, tais negócios forem contra o interesse português. E o governo português hoje defende seus interesses na PT e portanto na Vivo com teimosia latina, irritando a Telefonica, e ao mesmo tempo, o governo espanhol, ele também com golden share na Telefonica.
No passado, Espanha e Portugal lutaram em guerras para controlar o Brasil. Passados 200 anos da époc colonial, as coisas não mudaram muito na Peninsula Ibérica.
Textos do jornal O Estado de SP
LISBOA - O governo português disse nesta sexta-feira ( 16 de julho) que continuará contra a oferta da Telefónica pela participação da Portugal Telecom na Vivo, caso não o grupo espanhol não a modifique, afirmou Pedro da Silva Pereira, presidente do conselho de ministros de Portugal.
"(O governo) pronunciou-se contra essa proposta e, se essa proposta não se alterar, naturalmente que a posição do governo não poderá ser diferente daquela que já foi manifestada", disse Pereira a jornalistas, após reunião do conselho de ministros.
Segundo ele, "o melhor que temos a fazer é aguardar o desenvolvimento deste processo", em referência a negociações entre a Portugal Telecom e a Telefónica.
A oferta de 7,15 bilhões de euros da Telefónica pela fatia que o grupo português tem na Vivo expira nesta sexta-feira.
MADRI - O conselho de diretores da Portugal Telecom (PT) faz hoje (16 de julho de 2010) uma reunião para decidir se aceita ou não a oferta da espanhola Telefónica pela fatia que a companhia portuguesa possui na Vivo. O encontro vai começar na tarde de hoje (de Brasília), segundo uma pessoa próxima à situação. "Provavelmente não haverá um comunicado do conselho sobre a decisão logo após a reunião", disse a fonte.
Ontem o conselho da PT se reuniu para discutir a oferta de 7,15 bilhões de euros da Telefónica por sua fatia na Brasilcel, uma joint venture controlada pelas duas companhias. A Brasilcel, por sua vez, detém 60% de participação na Vivo. A reunião não resultou em uma decisão sobre o assunto, por isso o novo encontro foi marcado para hoje. A Telefónica também marcou uma reunião de diretores para a hoje, dia em que expira o prazo dado para que a PT aceite a oferta. As informações são da Dow Jones.
A Vivo, empresa de telefonia celular que foi herdeira da antiga Telesp, é hoje um empresa disputada arduamente entre seus dois controladores, a Telefonica, da Espanha e a Portugal Telecom. A empresa espanhola já manifestou em várias ocasiões a intenção de comprar a totalidade da participação portuguesa na Vivo. Porém os portugueses não querem. Afinal, sabem que o mercado brasileiros de celulares é imenso e ainda tem potencial enorme a ser explorado, principalmente agregando valor aos serviços, à medida que vão ficando mais populares os smartphones por aqui, que são muito mais do que apenas celulares. Como os portugueses não têm “bala na agulha” pra partir para compras em outros mercados, manter suas posições no Brasil é fundamental para manter a própria empresa PT, já que ela mesma poderia ser facilmente engolida por outra operadora europeia, até mesmo a Telefonica, dado o tamanho pequeno do mercado portugues. Por outro lado, comprar na totalidade a Vivo pode ser altamente estratégico para a Telefonica, que poderia unir com mais vigor suas operações de telefonia fixa, móvel e banda larga, incluindo aí a sua operação ainda incipiente de tv por assinatura. Se ela tivesse todo o controle da Viv, poderia gerar vários serviços integrados, aproveitando a popularização dos smartphones. Inicialmente, as conversas eram até amigáveis, mas agora a coisa descanbou para a tentativa de compra hostil, com a empresa espanhola oferencendo rios de dinheiro aos acionistas minoritários da Vivo e da própria PT. Agora para piorar, entra o governo... A PT era uma empresa estatal que foi privatizada, e na Europa os governos têm direito a “golden share”, uma ação preferencial que pode barrar cetos negócios, quando de acordo com o governo, tais negócios forem contra o interesse português. E o governo português hoje defende seus interesses na PT e portanto na Vivo com teimosia latina, irritando a Telefonica, e ao mesmo tempo, o governo espanhol, ele também com golden share na Telefonica.
No passado, Espanha e Portugal lutaram em guerras para controlar o Brasil. Passados 200 anos da époc colonial, as coisas não mudaram muito na Peninsula Ibérica.
Textos do jornal O Estado de SP
LISBOA - O governo português disse nesta sexta-feira ( 16 de julho) que continuará contra a oferta da Telefónica pela participação da Portugal Telecom na Vivo, caso não o grupo espanhol não a modifique, afirmou Pedro da Silva Pereira, presidente do conselho de ministros de Portugal.
"(O governo) pronunciou-se contra essa proposta e, se essa proposta não se alterar, naturalmente que a posição do governo não poderá ser diferente daquela que já foi manifestada", disse Pereira a jornalistas, após reunião do conselho de ministros.
Segundo ele, "o melhor que temos a fazer é aguardar o desenvolvimento deste processo", em referência a negociações entre a Portugal Telecom e a Telefónica.
A oferta de 7,15 bilhões de euros da Telefónica pela fatia que o grupo português tem na Vivo expira nesta sexta-feira.
MADRI - O conselho de diretores da Portugal Telecom (PT) faz hoje (16 de julho de 2010) uma reunião para decidir se aceita ou não a oferta da espanhola Telefónica pela fatia que a companhia portuguesa possui na Vivo. O encontro vai começar na tarde de hoje (de Brasília), segundo uma pessoa próxima à situação. "Provavelmente não haverá um comunicado do conselho sobre a decisão logo após a reunião", disse a fonte.
Ontem o conselho da PT se reuniu para discutir a oferta de 7,15 bilhões de euros da Telefónica por sua fatia na Brasilcel, uma joint venture controlada pelas duas companhias. A Brasilcel, por sua vez, detém 60% de participação na Vivo. A reunião não resultou em uma decisão sobre o assunto, por isso o novo encontro foi marcado para hoje. A Telefónica também marcou uma reunião de diretores para a hoje, dia em que expira o prazo dado para que a PT aceite a oferta. As informações são da Dow Jones.
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