quarta-feira, 18 de julho de 2012

Síria: ruim com Assad, pior ainda sem ele?

É impossível ter uma opinião isenta sobre a guerra civil em curso hoje na Síria. Ninguém aliás duvida que hoje este país está em guerra civil. E nas guerras, como sabemos, a primeira vítima é a verdade.
Do lado ocidental, leia-se EUA e seu "pet", a Europa, há a opinião de que Assad deve sair por "violações aos direitos humanos". Que o regime de Assad matou no passado e o faz hoje, ninguém duvida. Mas quem lembra de que em outra revolta árabe contra ditadores, no Iêmen, tropas da Arábia Saudita, aliado incondicional dos EUA, também reprimiram com violência rebeldes ? E o que os EUA disseram a respeito? Nada, claro. É evidente que "direitos humanos" é só uma boa frase para ser usada quando sólidos interesses geoopolíticos estão em jogo. No caso da Síria, uma intervenção estrangeira sempre foi um problema. Ao contrário da Líbia ou mesmo do Iraque, as forças armadas sírias são bem equipadas, com equipamentos de grande poder de fogo, embora antigos e o mais importante: a Síria tem poderosos aliados internacionais, China e Rússia. O que os EUA querem? Tirar Assad do poder, que é um regime anti-Israel e apoiado pelo Irã. Sem Assad, o Irã perde um aliado poderoso, e oa EUA podem exercer maior poder de influência na região. Porém, a situação é tão complexa que até isso pode virar contra os EUA, já que os grupos que fazem oposição a Assad são islâmicos sunitas, nem um pouco simpáticos ao ocidente. A Síria é dominada por um ramo muito específico do Islamismo, os alauítas e tem forte presença cristã ortodoxa. Há o temor de que um regime sunita torna-se ainda mais radical que Assad. Mas ao mesmo tempo, a Rússia também não quer que Assad saia do poder. Os motivos são bem explicados no texto abaixo, que retoma um dos temas centrais no estudo de R.I.: a soberania estatal. Há outro aspecto que a meu ver o texto não abordou: a presença cultural do cristianismo ortodoxo, cuja origem foi a Síria e que é a vertente dominante na Rússia. Não é confortável para uma Rússia majoritariamente cristã ortodoxa que a origem de sua religião caia nas mãos de sunitas radicais.
Curioso é que Assad não é amigo do ocidente, mas Israel e EUA tem grande temor de que um outro regime da Síria seja ainda pior para seus interesses. Neste sentido o que eles querem é evitar uma guerra civil que poderia desmantelar o estado sírio, levando grave instabilidade, inclusive com possível perda de controle de armas químicas ( sim, na Síria elas existem) a toda região, com óbvias ameaças a Israel. E ao mesmo tempo, adiantar-se à situação: se Assad cair, é melhor que seja um novo governo mais simpático ao ocidente, por isso os EUA apostam em sua queda. Quebra-cabeça difícl de resolver, onde as apostas são altas.



fonte do texto: BBC Brasil

BBC Brasil
MOSCOU - A escalada de violência na Síria, agora classificada pela ONU como estado de guerra civil, deixa cada vez mais aparente a posição quase isolada de Moscou das grandes potências ocidentais. Por que então o Kremlin segue apoiando o governo do presidente Bashar Assad ? O comentarista político Konstantin von Eggert, da rádio Kommersant, analisa as razões do governo Vladimir Putin de seguir dando respaldo a Damasco:
"Analistas tendem a explicar a posição inflexível de Moscou para com a Síria citando o comércio de armas (o regime de Bashar Assad teria encomendado equipamentos militares russos avaliados em cerca de US$ 3,5 bilhões) e a base naval militar russa no porto sírio de Tartus. Mas apenas isso não justifica a aparente indiferença aos efeitos negativos que sua defesa do governo Assad tem nas relações com os EUA, a União Europeia e a maioria dos países árabes.
A explicação tem muito a ver com as políticas domésticas russas e as obsessões de sua classe política. Ao apoiar Damasco, o Kremlin diz ao mundo que nem a ONU ou qualquer outro grupo de países tem o direito de dizer quem pode ou não governar um Estado soberano. Olhando sob este ângulo, a posição russa ganha novo significado.
Desde a queda de Slobodan Milosevic em 2000, e especialmente depois da "Revolução Laranja" de 2004 na Ucrânia, a liderança russa é obcecada com a idéia de que os EUA e a União Europeia arquitetam a queda dos governos que, por algum motivo, julgam inconvenientes. Putin e sua equipe parecem convencidos de que algo assim pode acontecer na Rússia.
Defesa própria
A classe política russa nunca aceitou conceitos como "responsabilidade de proteger" que limitam a capacidade de governos reprimirem seu próprio povo. Soberania, para a liderança russa, significa uma licença sem limites para os governos fazerem o que quiserem dentro de suas fronteiras nacionais.
Desde a operação da Otan contra a antiga Iugoslávia em 1999, Moscou desconfia profundamente da retórica humanitária ocidental, considerando-a nada mais do que camuflagem para a troca de regimes. A crise líbia no ano passado reforçou estes temores. Muitos dirigentes russos, incluindo Putin, consideram a abstenção do então presidente Medvedev na votação do Conselho de Segurança que autorizou uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia um desastre.
Na visão de Putin, ela abriu caminho para intervenção externa em favor de um dos lados e a remoção de Kadafi no que era, essencialmente, uma guerra civil. Parece que o "novo velho" presidente russo está decidido a não deixar isso acontecer de novo. Assim, a posição de Moscou se torna não apenas uma forma de defesa de interesses particulares, mas uma declaração política.
Nova Líbia?
Moscou sentiria ser possível a formação de uma nova coalizão para a remoção militar de Assad, ao estilo do que aconteceu na Líbia?
Acredito que sim. Mas como ouvi recentemente de um alto diplomata russo: "Não podemos impedi-los (aliados ocidentais e ricos países do Golfo Pérsico) de tentar. Mas nunca daríamos a eles a autorização de uma resolução da ONU".
O que se lê nas entrelinhas é que a Rússia também dificultará a tarefa o máximo possível. Moscou diz ter influência especial sobre o regime em Damasco mas parece que, em vez de aconselhar Assad a modificar suas atitudes, os emissários russos diziam, há até pouco, "deixe-nos ajudar vocês. Use algumas medidas cosméticas criativas e nós poderemos te defender melhor".
Esta atitude parece ter deixado de funcionar quando fracassou a missão de Kofi Annan e a legitimidade do regime sírio deu impressão de implodir rapidamente.
Barganha
O Kremlin agora cogita a possibilidade de saída de Assad, mas a considera improvável. O governo russo acredita que com sua ajuda, mais a de China e Irã, o governo sírio pode derrotar seus oponentes.
No entanto, se Assad for forçado a sair, a Rússia vai se esforçar para criar um ambiente de negociações que envolva atores externos e possibilite a Moscou algum poder de barganha sobre seus interesses militares e comerciais na Síria. Mas a meta principal para Moscou seguirá sendo uma solução que permita uma saída honrosa para Assad que, pelo menos não no exterior, pareça ter sido uma derrubada clássica de regime.
À boca miúda, dirigentes russos costumam citar o caso iemenita, no qual o veterano presidente Ali Abdullah Saleh deixou o poder, ganhando imunidade e seu vice-presidente foi instalado como chefe de Estado. Mas dada a magnitude do drama sírio, tal cenário parece cada vez mais improvável, coisa que deixaria Moscou atrelada ao regime de Assad até seu amargo fim".

segunda-feira, 26 de março de 2012

Multilateral X Unilateral : ainda a questão do Estado

Multilateral X Unilateral : ainda a questão do Estado
Ele foi o primeiro Estado criado a partir de um organismo multilateral, no caso, pela ONu em 1948. Ele foi a esperança de milhões de judeus, perseguidos durante séculos, principalmente na Europa. Ele, claro, foi criado sob o impacto sinistro do massacre de judeus executado pelas mentes racistas doentias da Alemanha ( embora, o antissemitismo não seja apenas alemão, mas europeu). E hoje, este Estado rompe com Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, a mesma entidade que o criou.

Se eu fosse judeu, ficaria triste e revoltado até, pelo abuso da memória dos que foram mortos na II Guerra. Pois cada vez que alguém critica o Estado de Israel pelos absurdos que ele comete contra a população palestina, é imediatamente comparado aos nazistas e é taxado de antissemita. Abuso da memória da dor alheia: duplamente assassinados, pelos nazistas e, e é pesado mas verdadeiro dizer isto, pelo atuais comandantes da política externa do Estado de Israel.

Sim, Israel é um Estado que tem o direto de existir. Além do mais, tem sim o direito de se defender. Por isso, tem o direito de atacar ? Tem o direito de oprimir ? Seu passado triste gera uma "não-culpa" eterna, que permite ao Estado de Israel toda sorte de imunidade, sem nenhuma represália? Imagine se o Irã simplesmente sai da Agência Nuclear da ONU ? Em poucas semanas é bombardeado. Se o mesmo Irã não colabora com a mesma ONU, sofre sanções. Quais as sanções que Israel sofrerá por não mais colaborar com o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas ? Claro, nenhuma. Se concordo com as frases idiotas antissemitas ditas por alguns membros do governo iraniano? claro que não. Mas se os organismos multilaterais são órgãos que visam a conter o "self-help" e o unilateralismo estatal, então Israel, que foi criado como Estado por um desses organismos, deveria, no mínimo, se deixar criticar construtivamente por eles e mudar sua política em relação aos assentamentos palestinos, tristemente se assemelhando aos guetos monstruosos do leste europeu dos anos 30. Responder a um passado de ódio com mais ódio: eis a receita para o óbvio, mais ódio ainda. Mas pelo jeito, o "complexo de Massada" de que alguns críticos falam, ainda é forte em Israel. O argumento do próprio Estado israelense diz isso:
"Eles sistemática e serialmente tomam todo tipo de decisão e condenação contra Israel sem nem simbolicamente considerarem as nossas posições". Em suma, TODO o mundo é antissemita...somos o único povo perseguido no mundo, temos o direito de atacar sem responder a nenhuma lei ou organismo multilateral.

Se todos os Estados pensassem assim...






texto: Folha de S. Paulo: 26/março/2012
Israel anunciou nesta segunda-feira o rompimento dos seus contatos com o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, que na semana passada decidiu investigar os assentamentos judaicos da Cisjordânia.

O rompimento, anunciado pela chancelaria de Israel, implica que os investigadores da ONU não poderão realizar seu trabalho pessoalmente no território israelense ou na Cisjordânia, que é um território palestino ocupado por Israel.

"Não estamos mais trabalhando com eles", disse o porta-voz Yigal Palmor. "Estávamos participando de reuniões, discussões, arranjando visitas a Israel. Tudo isso acabou."

A investigação internacional, solicitada pela Autoridade Palestina, foi aprovada na quinta-feira, e o único país do conselho a votar contra foram os Estados Unidos. Líderes israelenses disseram que o conselho age de forma hipócrita e tendenciosa contra Israel.

"Eles sistemática e serialmente tomam todo tipo de decisão e condenação contra Israel sem nem simbolicamente considerarem as nossas posições", queixou-se Palmor.

Segundo ele, Israel vai continuar cooperando com outros órgãos da ONU.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Acabou só agora a Guerra Fria...

Acabou a Guerra Fria... bem, pelo menos, com certo atraso, foi o que esta notícia nos informa: o desmonte da última super bomba nuclear, capaz de arrasar um território inteiro, símbolo da irracionalidade a que o mundo foi levado pela disputa geopolítica entre URSS e EUA. Não é um alívio saber que tais monstros da razão humana estão sendo desativados, afinal, ela tinha uma missão clara, destruir a URSS e por isso mesmo era imensamente poderosa. Mas e as "baby nucs", as pequenas bombas nucleares, capazes de destruir menos, mas ao mesmo tempo, ainda muito e principalmente, capazes de serem utilizadas na prática, até mesmo em países periféricos? Sai o gigante de cena, entra os monstrinhos...

reportagem do Estado de SP
EUA desmontam a última bomba nuclear da era da Guerra Fria
Modelo B53 é centenas de vezes mais potente que explosivo atirado contra Hiroshima
25 de outubro de 2011 | 16h 32
A última das superbombas nucleares dos Estados Unidos - uma arma centenas de vezes mais forte que a bomba jogada em Hiroshima em 1945 - tem sua desmontagem final em conclusão nesta terça-feira, 25, quase meio século após começar a ser produzida no auge da Guerra Fria.
Os componentes finais da bomba termonuclear B53 foram desativados na fábrica Pantex perto de Amarillo, no Estado do Texas, a única fábrica de montagem e desmontagem de bombas atômicas dos EUA.

Segundo a Administração de Segurança Nuclear (NNSA, na sigla em inglês), do Departamento de Energia do governo americano, o programa de desmontagem está um ano adiantado e alinhado ao objetivo do presidente dos EUA, Barack Obama, de reduzir o arsenal nuclear americano.

Thomas D'Agostino, chefe da administração nuclear, disse que a eliminação da B53 é um "marco significativo".

Colocada em serviço em 1962, quando as tensões na Guerra Fria chegaram ao auge com a crise dos mísseis soviéticos em Cuba, a B53 tinha o tamanho de uma mini van. De acordo com a Federação Americana dos Cientistas, a B53 é 600 vezes mais potente que a bomba atômica lançada em 1945 em Hiroshima, no Japão, no final da Segunda Guerra Mundial.

A B53 era capaz de produzir uma explosão de 9 megatons e incinerar tudo em um raio de 4 a 5 quilômetros, e o calor da sua radiação seria capaz de matar rapidamente qualquer pessoa desprotegida em um raio de 28,7 quilômetros.

Segurança

A B53 foi desenhada para aniquilar instalações subterrâneas e era transportada por bombardeiros B-52. Como foi desenhada por engenheiros que já morreram ou se aposentaram faz tempo, a desmontagem das bombas restantes levou alguns anos. Engenheiros tiveram que desenvolver ferramentas complexas e novos procedimentos para garantir a segurança.

"Sabíamos que esse projeto de desmontagem seria um desafio e montamos uma equipe de primeira para executar tudo com eficiência e segurança", disse John Woolery, diretor geral da fábrica Pantex.

Muitas das bombas B53 foram desmontadas na década de 1980, mas um número significativo permaneceu nos arsenais dos EUA até 1997, quando foram retiradas do estoque. O porta-voz da Pantex, Greg Cunningham, disse que não comentaria quantas foram desmontadas na fábrica texana. Especula-se que foram algumas dezenas. Cunningham disse que o urânio retirado das bombas desmanteladas será armazenado temporariamente dentro da planta.

A arma é considerada desmantelada quando os explosivos são separados do material especial termonuclear, apelidado de "caroço". As informações são da Associated Press.

sábado, 6 de agosto de 2011

de olhos bem abertos

Sim, isso iria acontecer, cedo ou tarde...
Parece aquele cachorrinho do desenho animado de “minha época” – “Eu te disse....eu te disse!”... o aviso foi mais do que dado, pena que não foi ouvido: os EUA conseguiram, em 8 anos de Bush sair da condição de liderança absoluta do capitalismo mundial e financeiro, para jogador principal... com lesão.
De verdade, não é o caos, é a incerteza. Ela pode até levar ao caos, com forte recessão nos EUA e no mundo, devido a falta de liquidez e travamento das operações de financiamento de governos e grandes empresas. ( veja o texto), mas mesmo assim, ainda não é o caos total. A incompetência americana na gestão Bush atingiu níveis quase irreais: duas guerras caríssimas e inúteis, cortes irresponsáveis de impostos aos mais ricos, aliados a uma péssima gestão na área de relações internacionais, o que, se não diretamente, tem influência indireta na sua crise econômica. Uma parte dela tem origem na ausência de regulação dos mercados financeiros, essa com origem distante nos anos 70 e levada ao extremo na era Clinton. O que isso afeta o Brasil? Uma possível recessão global poderia diminuir o preço das commodities, mostrando o frágil equilíbrio das contas externas brasileiras, cujo governo Lula preferiu simplesmente ignorar.
Somado, o cenário é de incerteza e nervosismo, mas ao mesmo tempo de espanto: nunca uma potência foi tão negligente com sua própria liderança como foram os EUA na última década. Bem vindos a um mundo no qual eles, os americanos, serão apenas mais um país como outro: sujeito a leis da economia e a olhares desconfiados dos mercados financeiros, os mesmos que nos últimos anos fecharam os olhos para os descalabros da dívida pública americana. Agora, tais olhos estão bem abertos.

Texto: 06 de agosto de 2011 fonte: O Estado de S. Paulo

Rebaixamento vai provocar ondas de choque nos mercados
Nova classificação da dívida dos EUA deve aumentar a ansiedade dos mercados globais na próxima semana
NOVA YORK - O inédito rebaixamento do rating da dívida soberana dos EUA pela Standard & Poor’s pode provocar ondas de choque nos mercados financeiros de todo o mundo e, possivelmente, prejudicar o crescimento da economia global. É a primeira vez na história que uma das três maiores agências de classificação de crédito retira dos EUA o rating AAA.
Em julho, a S&P havia alertado que rating seria rebaixado se não fosse estabelecido um plano de médio prazo para a redução dos déficits, mesmo que o Congresso dos EUA aprovasse um acordo para elevar o limite de endividamento do governo.
Na terça-feira, último dia de prazo para que uma suspensão de pagamentos fosse evitada, o Congresso aprovou uma lei que eleva o teto da dívida em US$ 2,1 trilhões, mas os cortes de déficit previstos ficaram em US$ 2,4 trilhões, muito abaixo dos US$ 4 trilhões que a S&P considerava necessários.
Participantes do mercado têm advertido que a debilidade da recuperação da economia implica a necessidade de cortes de gastos ainda mais profundos para uma redução significativa da relação entre dívida pública e PIB.
As duas outras principais agências de classificação de crédito, Fitch Ratings e Moody’s, reafirmaram a posição dos EUA em seus ratings máximos nesta semana. A Moody’s, porém, colocou a classificação Aaa que atribui aos EUA em perspectiva negativa. Como a mais agressiva das advertências feitas antes do acordo da dívida veio da S&P, cresceu muito a expectativa em relação à decisão da agência.
Embora previsto por muitos, o rebaixamento pode provocar ansiedade nos mercados globais, que despencaram esta semana diante dos temores sobre a perspectiva da economia global e sobre o problema da dívida de alguns países da zona do euro.
A notícia poderá provocar um movimento de venda de ações americanas e do dólar na segunda-feira, mas, paradoxalmente, poderá haver fluxos nos dois sentidos no caso dos títulos da dívida dos EUA.
Alguns investidores poderão se ver obrigados a vender títulos do Tesouro (Treasuries), por terem de manter apenas ativos com rating AAA em suas carteiras, mas o movimento de venda de ativos de maior risco também poderá puxar investidores de volta aos títulos do Tesouro, que são vistos como "refúgio seguro global" em momentos de turbulência. Poucos mercados têm a profundidade e a liquidez do mercado de Treasuries, que é de US$ 9,3 trilhões.
Repercussão. Para os investidores, uma preocupação será a repercussão nos mercados globais. As taxas de retorno dos títulos do Tesouro dos EUA vêm sendo há muito tempo usadas como referência para uma variedade de juros, desde crédito ao consumidor até finanças corporativas.
Por isso, se o rebaixamento elevar o custo para tomada de crédito do governo dos EUA, o mesmo poderá ocorrer com outros mercados, à medida que os investidores se desfaçam de ativos considerados de maior risco.
Além disso, os Treasuries são usados como colaterais para a tomada de créditos de curto prazo no mercado de acordos de recompra, ou "repos", por bancos, dealers e fundos de hedge.
Os repos são frequentemente descritos como "o lubrificante da economia" e uma preocupação é a de que os títulos do Tesouro dos EUA deixem de ser considerados colaterais da qualidade mais alta para acordos de recompra, asfixiando um canal importante pelo qual os bancos obtêm recursos de curto prazo.
Isso poderia levar investidores, como os fundos de money market, a reduzirem seu crédito aos bancos, reprimindo a liquidez e puxando os custos de financiamento para cima. Segundo dados do JPMorgan, há cerca de US$ 3,94 trilhões em Treasuries sendo usados como colaterais para repos.
De acordo com o Bank of America/Merrill Lynch, cerca de 74% do financiamento dos primary dealers por meio de repos, ou US$ 2,1 trilhões, envolvem Treasuries como colaterais. Custos mais altos de crédito teriam um impacto amplo, afetando desde o crédito ao consumidor até o financiamento das empresas. As informações são da Dow Jones Newswires

terça-feira, 26 de julho de 2011

Imagem Brasil : você compraria?

Você compraria um perfume “made in France”?
Você compraria um carro “made in Germany”?
Você compraria um eletrônico “made in Japan”?

Pois é, sim, os países também são marcas. Fruto da percepção, muitas vezes secular, de um país e suas realizações culturais, tecnológicas e sociais, a imagem de um país afeta diretamente sua economia e seus produtos exportados. Neste sentido, a entrevista abaixo é reveladora dos acertos e dos erros da imagem Brasil nos últimos anos. A parte positiva é que o Brasil deixou de ser um grande país desconhecido para ser um grande país interessante. Interessante no sentido de que desperta interesse, simpatia, mas ainda não conhecido. Muitos menos, reconhecido. Até porque, na verdade, nossas realizações são poucas. Carros alemães, perfumes franceses e engenharia japonesa são feitos palpáveis, concretos. E o Brasil? O que tem a oferecer de alta qualidade ao mundo? Taí uma pergunta fundamental, embora de complexa resposta, que poderá influir decisivamente na construção e no sucesso do país nos próximos anos.

Texto: BBC
O britânico que difundiu o conceito de marcas de países disse que a reputação da marca Brasil é fortíssima e crescente, mas alertou para o perigo de que o país prometa demais e acabe por decepcionar.
O britânico Simon Anholt, que presta consultoria sobre o assunto a governos, acredita que o Brasil pode acabar repetindo o feito da África do Sul, que, após sediar a Copa do Mundo, caiu vários pontos no ranking anual de marcas de nações criado por ele.
Desde 2005, Anholt vem publicando um ranking que lista os países pelo peso com que sua marca é percebida pelos mercados. O ranking atual é liderado por Estados Unidos, seguido de Alemanha e França, o Brasil ocupa a vigésima posição.
Ele se diz apaixonado pela marca Brasil, mas acha que ela não é apropriada para um país que deseja se projetar internacionalmente como uma potência econômica e política. Para ele, o mundo tem que aprender que o Brasil não é só atraente, simpático e caloroso.
Em entrevista à BBC Brasil, o consultor, que em 2010 visitou o Brasil duas vezes para fazer conferências, explicou por que hoje rejeita a apropriação do conceito de marca de país por empresas de marketing.
BBC Brasil - O senhor acaba de retornar do México, onde deu consultoria ao governo mexicano sobre como melhorar o desempenho da marca México. Como foi a experiência?
Simon Anholt - Esse vocabulário me deixa nervoxo. Eu reconheço que criei o termo nation branding há 20 anos, mas isso não tem nada a ver com marketing ou comunicações. Passei seis meses trabalhando com o presidente (mexicano Felipe) Calderón e seu governo na criação de estratégias de diplomacia, relações públicas e turismo internacional para apresentar o México ao mundo e melhorar suas relações com o resto do planeta.
BBC Brasil - Por que o senhor mudou de ideia?
Anholt - Mudei de ideia há anos. Não tenho objeções ao uso do conceito de imagem, de marca, em relação a um país. O problema é que o termo deu margem ao desenvolvimento de toda uma indústria. É desonesto.
Hoje você tem empresas de propaganda, relações públicas e design vendendo logotipos, campanhas e slogans caríssimos a países, dizendo que isso vai mudar sua imagem. Isso acontece muito na África, onde nações desesperadamente pobres gastam milhões em campanhas inúteis. Não há evidências de que terão qualquer efeito. Um país tem a reputação que merece. Se um país quiser mudar sua reputação, terá de mudar seu comportamento.
BBC Brasil - Qual é a situação do Brasil no ranking de marcas de nações feito por você?
Anholt - O desempenho do Brasil tem sido notável desde que comecei a compilar o ranking, em 2005. E vale dizer que rankings desse tipo são muito estáveis. As pessoas não mudam a imagem que têm de um país de um ano para o outro - isso acontece muito lentamente, de uma geração para outra. Mas o Brasil é uma exceção, vem subindo posições no ranking ano a ano.
Meu ranking mede a reputação de 50 países, e o Brasil é o único país em desenvolvimento incluído nas 20 primeiras posições, subiu para a posição 20 em 2010. Todos os outros países nas Top 20, à exceção do Japão, são nações ocidentais ricas. O Brasil tem também a marca mais forte dos Brics (nome dado ao grupo das potências econômicas emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), logo acima da Rússia, e está algumas posições na frente da China e da Índia.
BBC Brasil - A emergência do Brasil como uma potência econômica influencia a marca?
Anholt - A reputação do Brasil é cada vez mais forte, em parte como consequência do crescimento do seu poder econômico, mas também como um reflexo do soft power, ou seja, fatores como a Copa, as Olimpíadas e a reputação de Lula. A marca Brasil é popular. É colorida e atraente, e as pessoas admiram o estilo de vida brasileiro. Mas o país precisa ser muito cuidadoso porque, na minha opinião, está prometendo demais.
Vejo um paralelo com o que aconteceu com a marca África do Sul depois da Copa do Mundo. Desde o fim do apartheid, o país vinha reinventando sua marca, mandando para o mundo mensagens de uma sociedade transformada, ignorando questões como a pobreza e a desigualdade. Mas, durante a Copa do Mundo, as equipes de TV do mundo inteiro registraram a realidade do país e isso provocou um choque.
Por conta disso, houve um reajuste na percepção das pessoas. A minha pesquisa mostra que desde então a imagem da África do Sul piorou. E eu acho que o mesmo pode acontecer com o Brasil. O Brasil continua sendo um país de desigualdade e pobreza, mas finge ser desenvolvido, igualitário e sofisticado.
Acredito também que a imagem do Brasil que emerge da minha e de outras pesquisas não seja a imagem correta. Samba, futebol e um estilo de vida tropical e festeiro são decorativos, mas não muito úteis se o país quiser ser reconhecido como um poder econômico, político e industrial.
BBC Brasil - Como poderíamos usar os atributos positivos da marca para vender tecnologia e ciência brasileiras?
Anholt - Não uso as palavras vender, promover e comunicar, porque dão a impressão de que estamos vendendo sabão em pó, e países não funcionam dessa forma. Não se trata disso, mas de mudar suas políticas externa e doméstica para que você possa se tornar relevante para os povos do mundo.
(Conferências de meio ambiente) criaram uma imagem positiva do Brasil. Essa imagem pode ser verdadeira ou não, mas se o Brasil quiser manter essa reputação, tem de provar que está fazendo sua contribuição para a humanidade, que está interessado em questões relevantes para o planeta. No momento, o Brasil exerce um papel decorativo, é uma atração turística, produz uma cultura maravilhosa, mas não muito relevante.
BBC Brasil - Se o senhor estivesse aconselhando o governo brasileiro sobre formas de mostrar ao mundo que somos também uma potência tecnológica e científica?
Primeiro você tem de se perguntar se as pessoas estariam dispostas a acreditar nisso, porque essa ideia contradiz a imagem que o mundo tem do Brasil. O fabricante de aviões Embraer sabe muito bem que se quiser comunicar aos passageiros de um avião - e não aos seus parceiros comerciais - que uma aeronave foi fabricada no Brasil, as pessoas vão se recusar a acreditar ou vão ficar bastante alarmadas. Isso é um bom indicador do problema de imagem que o Brasil tem. Ela não é confiável.
Além disso, empurrar um setor não é tarefa do governo. Isso é tarefa das empresas, que têm de fazer a ciência e produzir produtos confiáveis. O papel do governo é muito maior. Se eu estivesse sentado no gabinete de Dilma (Rousseff) hoje, perguntaria a ela: "Para que serve o Brasil? Qual é a contribuição do Brasil para o mundo e para a humanidade?". Uma vez respondidas essas perguntas, é possível criar-se estratégias e investimentos. A reputação vem daí.
BBC Brasil - Em entrevistas anteriores à BBC você afirmou que o Brasil tem uma das marcas mais poderosas do planeta. Você ainda acredita nisso?
Anholt - Sim, mas não acho que é a imagem certa. Ela é perfeita para um país que deseja ser o destino turístico perfeito, mas não é adequada para o papel que o país deseja desempenhar no futuro. Não me entenda mal, em comparação com a maioria dos outros países, a reputação do Brasil é maravilhosa, apenas é um pouco inadequada.
O mundo precisa aprender que o Brasil não é só atraente, simpático e caloroso. Vocês precisam provar que são atraentes e confiáveis. Isso é difícil. Na maioria dos casos, ou o país é chato e confiável, como a Alemanha, ou é atraente e caótico, como o Brasil e a Itália. Mas há exceções. A Suécia, por exemplo, é atraente e sexy, mas também é competente.
O Brasil já tem meio caminho andado. A reputação do país faz com que as pessoas gostem dos brasileiros. E o fundamental é que se as pessoas gostam de você, vão querer fazer negócios com você. Cabe às próximas gerações provar que vocês são sérios. É um processo lento, que acontece de uma geração para outra. Mas dá para ser feito.
O ranking Anholt-GfK Roper Nation Brands Index de 2011 será publicado no outono britânico (primavera no Brasil). BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Custo da guerra nos EUA

Olhando os números abaixo, fica claro a origem da crise econômica dos EUA : gastos acima do possível, principalmente com guerras, em sua maioria, inúteis.

Mas é tão simples assim ? Para falar bem a verdade, é.... não querendo ser anti-intelectual, o fato é que poucos países conseguiriam aguentar um "tranco" como esse: 3,7 trilhões de dólares na "guerra ao terror", financiados com uma louca emissão de títulos, gerando endividamento muito acima do razoável, mesmo para uma economia imensa como a americana. Agora, os EUA vivem uma situação surreal: o executivo precisa de uma autorização do legislativo para aumentar o limite de endividamento, sem o qual os EUA poderiam, quem diria, dar um calote em seus pagamentos, tal como a Grécia...

claro que isto é apenas um efeito legal: ninguém duvida que os EUA têm dinheiro para pagar suas dívidas e o tal limite jpa foi aumentado mais de 70 vezes (!!!). Mas, fica uma pulga atrás da orelha do mundo. Como diz aquela propaganda: "vai que...."

Vai que os EUA dão um calote? E para quem estudou um pouco no semestre passado na Esamc, sabe que os EUA deram, de fato, um calote, quando, durante o governo Nixon nos anos 70 romperam, unilateralmente, a paridade entre dólar e ouro, uma das cláusulas dos acordos iniciais de Bretton Woods. E olha que "coincidência"... para emitir dólares, ou seja, dívida, para financiar a guerra do Vietnã...

Estados, dívidas e guerras sempre andaram juntos. A história bancária do mundo começou a tomar força quando casas bancárias passaram a financiar as aventuras militares dos reis absolutistas ainda no XVI. Se o rei perdia a guerra, o banco perdia o pagamento.

Hoje o sistema infinitamente mais complexo continua em essência, parecido: se os EUA perderam ou não a "guerra ao terror" nâo importa, mas se eles derem um calote em sua dívida, o capitalismo tal como nós conhecemos deixa de existir. Melhor separar para a leitura de férias alguns livros de Marx. Ou do Apocalipse...

Custos de guerras superam US$ 3,7 tri em 10 anos, diz estudo
Mortos nos conflitos, desde 2001, seriam 224 mil a 258 mil; números continuam aumentando
29 de junho de 2011 | 16h 09
estadão.com.br
NOVA YORK - Os custos da guerra americana ao Taleban, em 10 anos, superam os 3,7 trilhões de dólares, de acordo com um levantamento feito nos Estados Unidos pelo Instituto Watson de Estudos Internacionais da Brown University e divulgados nesta quarta-feira, 29. Os números foram publicados no site Costs of War (Custos de Guerra).
Ainda de acordo com o estudo da universidade americana, entre 224 mil e 258 mil pessoas morreram ao longo de dez anos no Iraque, Afeganistão e Paquistão, entre as quais 125 mil civis iraquianos e 6 mil soldados dos EUA.
O número de mortos no Iraque foi maior que o registrado nos outros dois países juntos: 151 mil contra 39 mil no Paquistão e 33,8 mil no Afeganistão, de acordo com o levantamento. Dez mil soldados iraquianos morreram no país durante a invasão americana.
Discrepância
As cifras são bem maiores que as apresentadas pelo presidente Barack Obama, na semana passada, para justificar o plano de retirada antecipada de 33 mil soldados americanos do Afeganistão ao longo de 2011. No discurso, Obama se referiu a custos que girariam em torno de 1 trilhão de dólares. O valor real, contudo, pode chegar até a US$ 4,4 trilhões.
Nos dez anos desde que as tropas americanas chegaram ao Afeganistão para expulsar líderes da Al-Qaeda que estiveram por trás dos ataques do Onze de Setembro e neutralizar o Taleban, o gasto com os conflitos pode ter chegado a entre US$ 2,3 e US$ 2,7 trilhões.
Subindo
Os números devem seguir crescendo, segundo a Reuters. As crifras não levam em conta pelo menos US$ 1 trilhão que precisarão ainda ser pagos em juros vencidos até 2020. Outros valores envolvidos estão os que precisarão ser pagos a veteranos de guerra feridos, por exemplo.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

MILA

Vai ficando claro uma divisão na América do Sul : os países market-friendly, como Brasil, Chile, Peru, Colômbia, Uruguai e os outros que seguem um modelo chavista de aversão ao capital, à globalização e aos investimentos, claro, a Venezuela, Bolívia, Equador... Argentina ainda se decide.
A palavra chave parece ser "segurança jurídica": curioso é que vários dos países do primeiro grupo são governados por partidos de esquerda, alguns de origem nitidamente marxista, como o próprio PT no Brasil. Isso sem falar no Uruguai, hoje governado por um ex-guerrilheiro, cuja aversão ao capitalismo hoje em dia resume-se a seu estilo de vida espartano: usa roupas que aé um motoboy brasileiro podia comprar melhor e seu carro pessoal é um fusquinha anos 70. Apesar disso, governa um país cujo crescimento será este ano de 7%...
Pois é: a esquerda descobriu o capital e ele não é tão malvado assim... ou é, mas pode ser menos, se for acompanhado de crescimento com distribuição. Ou seja, a América Latina descobriu a social-democracia europeia. ( a mesma aliás que está em crise séria por lá, mas isso é outra história). Sendo assim, o binômio segurança jurídica + distribuição está gerando uma onda de crescimento econômico sustentável na América do Sul, integrando mercados e criando convergências de sistemas produtivos, inclusive, de posições políticas.
O eixo Chile-Peru-Colômbia é um bom exemplo. Economias estáveis, com democracias consolidadas, governos mais ou menos sociais, estão hoje, dia 30 de maio, integrando suas bolsas de valores, criando a MILA, Mercado Integrado Latinoamericano. Mesmo com as eleições no Peru ainda indefinidas, sabe-se que a economia daquele país continuará seu ritmo de expansão. O candidato da esquerda aliás, Ollanta Humala, já disse que se espelha em Lula para governar, o que para os peruanos quer dizer, governo que respeite o capital, traga investimentos, mas ao mesmo tempo tenha um olhar social, distributivo.
E o outro grupo de países? Fica claro que o estilo personalista, nacionalista, "socialista" de Chávez vai mostrando seus limites. Ainda que ele se mantenha no poder com apoio popular, fruto de suas políticas de distribuição de benefícios ao melhor estilo populista, seu personalismo e suas brigas histriônicas contra o capital nacional e internacional, o que inclui nacionalizações sem motivo aparente que o simples capricho presidencial, a economia do país desmorona a olhos vistos, com fuga de investimentos, desemprego, inflação e ainda por cima, criminalidade galopante. O modelo meio cubano-meio populismo mostra-se menos social ao final de contas que o modelo social democrata que Chile, Brasil e outros estão trilhando. Fica a questão argentina: país com imenso potencial econômico, tanto pelas riquezas agrícolas incríveis, quanto pelo elevado nível educacional de sua população, ele ainda opera politicamente no velho modelo peronista, populista. Sua encruzilhada a afasta de um modelo social democrata que por lá poderia dar muito certo.
Enquanto isso, estes países, Brasil Chile, Perú, Colômbia, Uruguai, Paraguai, trilham um caminho claro. Não são sociedade desenvolvidas, óbvio, mas conseguem, aos poucos, diminuir desigualdades sociais, e criar riquezas. O MILA é exemplo deste modelo, superando até mesmo rancores políticos profundos,como os entre Perú e Chile, que levaram até a guerras no passado.Ainda bem que estamos vivendo no país com o modelo que dá certo.

texto: jornal El Commercio - Perú
Bolsas de Valores de Perú, Chile y Colombia funcionan integradas desde hoy
El Mercado Integrado Latinoamericano permitirá un intercambio comercial más fluido y productivo entre las plazas bursátiles
Desde las 8:30 a.m. de hoy, las Bolsas de Valores de Perú, Colombia y Chile iniciaron conjuntamente las operaciones del Mercado Integrado Latinoamericano (MILA), como conclusión a un largo periodo de conversaciones entre las tres plazas bursátiles a fin de coordinar sus actividades.
La ceremonia de inauguración en Lima fue presidida por el presidente del directorio de la Bolsa de Valores de Lima (BVL), Roberto Hoyle, y el ministro de Economía y Finanzas, Ismael Benavides. Hoyle explicó que hoy se ha cristalizado el sueño de las tres bolsas, luego de un “arduo e intenso proceso” de casi dos años.
Según Andina, el presidente de la Bolsa de Valores de Colombia, Juan Pablo Córdoba, señaló que con esta fusión el valor de las compañías que cotizan en estas plazas bursátiles superará los US$650.000 millones, llegando a los US$300 millones diarios de negociación. Asimismo, destacó que ello permitirá a los inversionistas de Perú, Colombia y Chile “llevar sus capitales a cualquiera de las empresas inscritas en el mercado”.
Esta integración, cuyo acuerdo fue firmado el pasado 9 de noviembre, será respaldada por “un sistema dotado de los más altos niveles de seguridad, confianza y disponibilidad”. La meta de la fusión es que en 2016, el mercado tenga operaciones diarias por US$1.500 millones.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

União Europeia em crise

A União Europeia deve estar em algum "inferno astral"... se é que tais coisas existem... não bastasse a grave crise econômica iniciada nos EUA mas com enormes reverberações na Europa, agora a crise dos imigrantes. Tudo isso somado, dá-se uma descoordenação que mesmos os mais pessimistas sobre a Europa não imaginavam que poderia ocorrer.

Com o aumento da inflação, o Banco Central Europeu aumentou os juros. Até aí, tudo bem. Não fosse o óbvio: Portugal a beira do colapso precis de tudo, menos juros mais altos... isso sem falar nos outros "PIIGS", acrônimo nada elogioso para Portugal. Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, países com economias fragilizadas que precisariamde juros menores e mais estímulo ao consumo e não o contrário. Mas como usam uma moeda única, não dá para se ter duas taxas de juros na mesma moeda... conclusão: enquanto o aumento dos juros ajuda a Alemanha a esfriar sua inflação, "ajuda" esses países a congelar a sua economia, já em estado de coma. Moeda única? "não, obrigado", devem estar pensando espanhóis, portugueses, gregos...

A outra descoordenação, aliás grave, é a descrita no texto abaixo: enquanto a Itália é imundada com imigrantes africanos fugindo do caos nos países árabes, a França tenta em quase desespero fechar suas fronteiras. O problema é que, se estes imigrantes recebem vistos de turista na Itália, pelas leis da União Europeia deveriam poder entrar em qualquer país da Europa. E é isso que eles, imigrantes e italianos querem, ir para a França. Em larga medida pelas redes de solidariedade que existem na França, país já com muitos imigrantes árabes, em parte pela facilidade de língua, já que eles vêem de antigas colônias francesas como Tunísia e Argélia. Aos italianos, interessa dar esse visto para literalmente livrarem-se do "problema", jogando esses seres humanos, qual carga indesejável, aos franceses, que não aceitem recebê-los. Se a França simplesmente não os aceita, então ela pode não aceitar qualquer outro europeu, portanto, joga-se na lata do lixo um pressuposto básica da União Europeia, a livre circulação de pessoas.

Nada fácil de resolver. O bloco enfrenta hoje seus maiores desafios desde sua criação. Há vozes nada surdas que preferem a saída do bloco e a volta das moedas nacionais. Até há pouco tempo, isso soaria impossível. Hoje já é apenas, improvável.


texto BBC - Brasil: Um funcionário da Presidência francesa disse nesta sexta-feira em Paris que o país considera abandonar temporariamente o Tratado de Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre a maioria dos países da União Europeia (UE).
O gesto seria uma resposta à chegada de milhares de imigrantes que fogem da turbulência no norte da África. Muitos têm tentado entrar na França pela Itália, que lhes concedeu vistos temporários.

O funcionário do governo francês disse que deveria haver um mecanismo para suspender o acordo em resposta ao que descreveu como uma "falha sistêmica" na fronteira externa da UE.

"Nos parece que precisamos pensar sobre um mecanismo que nos permitiria, quando há uma falha sistêmica numa das fronteiras externas da UE, intervir com uma suspensão temporária pelo tempo que a ruptura durar", disse o funcionário, que não quis ser identificado, em encontro com jornalistas no Palácio Eliseu, a sede do executivo francês.

Segundo Hugh Schofield, correspondente da BBC em Paris, o fato de Paris sugerir a medida mostra o quão sensível a questão migratória se tornou na Europa, embora a proximidade das eleições presidenciais na França indique que o tema também faz parte da política doméstica.

Trem
Na semana passada, a França impediu a entrada no país de um trem com dezenas de imigrantes tunisianos que haviam partido da cidade italiana de Ventimiglia.

De acordo com a comissária europeia do Interior, Cecilia Malmström, as autoridades francesas citaram "razões de ordem pública" para justificar a medida.

Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou também que a França não tem a obrigação de permitir a entrada de imigrantes com vistos de residência temporária concedidos pela Itália.

A Itália protestou contra a decisão francesa e afirmou que a medida viola as regras da União Europeia sobre a livre circulação no bloco.

Os italianos argumentam que as pessoas que vivem legalmente nos 25 países da União Europeia que assinaram o Tratado de Schengen (incluindo França e Itália) não precisam apresentar documentos de viagem às autoridades da região.

O ministro do Interior da França, Claude Gueant, afirmou que seu país respeita o Tratado de Schengen, mas acrescentou que futuros imigrantes tunisianos não poderão cruzar a fronteira se não demonstrarem que têm recursos suficientes para permanecer no país.

Vistos temporários
A Itália concedeu permissões temporárias a cerca de 26 mil imigrantes que entraram ilegalmente no país para escapar da violência que causou a queda do governo na Tunísia.

Muitos desses imigrantes afirmam que seu objetivo é chegar à França, onde têm parentes.

A recente crise política em diversos países no norte da África fez crescer a preocupação com a imigração ilegal na Itália e em outros países europeus.

No início do mês, os governos da França e da Itália concordaram em fazer um patrulhamento conjunto das fronteiras marítimas e terrestres para tentar barrar o fluxo de milhares de pessoas que chegam à Europa da Tunísia, do Egito e da Líbia.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Egito e a imprensa brasileira

É impressionante como os analistas, alguns sequer mereceriam este nome, estão perdidos em preconceitos tolos diante da situação atual do Egito. A maioria do que li nos últimos dias na imprensa brasileira repete o mesmo chavão: por serem islâmicos e árabes, os egpícios estariam condenados a terem duas alternativas, ou ditaduras laicas ou ditaduras teocráticas islâmicas. Ponto. O caráter democrático da rebelião anti-Mubárak é visto com desconfiança, quase hostilidade.E repete-se ad nauseam os "exemplos" de países islâmicos e árabes que são ditaduras e os atos de ódio ao diferente em certas sociedades teocráticas, como o Irã, como formas de reafirmar esse suposto "destino manifesto" muçulmano.
Grotesco, mas é essa a imprensa brasileira: desinformada, rude, preconceituosa.

Um olhar histórico faz bem. Foi o Islão que inventou a tolerância. Durante a Idade Média, enquanto a Igreja queimava mulheres com epilepsia chamando-as de bruxas, a medicina se desenvolvia nas cidades de Bagdá, Córdova na Espanha , então domínio islâmico ou na milenar Alexandria, que aliás tinha um bairro judeu e outro grego, convivendo sem muitos problemas com o povo islâmico e árabe.Os próprios judeus foram protegidos pelos 8 séculos de domínio islâmico na Península Ibérica, e adivinhe qual foi a primeira medida tomada pelos reis católicos Fernando e Isabel ao conquistarem em definitivo a Espanha ? A expulsão dos judeus de lá... Comércio e contato com outras culturas sempre fizeram parte da privilegiada região geográfica do Oriente Médio, ponto de encontro entre a Europa, os reinos então ricos da África subsaariana e o Oriente, Índia e China. Foram os árabes que mantiveram e traduziram os textos gregos, lendo Aristóteles, Platão e outros sem deturpá-los para serem "encaixados" numa visão religiosa. E foi no Islão que a mulher teve seus primeiros direitos preservados em textos sagrados e legislação comum, na mesma época em que na Idade Média eram abertamente segregadas.
Toda essa herança cultural de tolerância e diversidade está sim latente no mundo islâmico. E se hoje a maioria dos países árabes é formada por ditaduras, esquece-se de que são fruto, boa parte delas, da aliança com o Ocidente, que prefere o apoio a regimes autoritários desde que o petróleo continue a jorrar. OEgito pode se tornar um país teocrático? Sim, pode. Mas também pode se tornar democrático. Islamismo não é sinônimo de fanatismo, o que é evidente para quem estuda um pouco de História, mas não tão evidente assim para os "analistas" que parecem ter poderes mediúnicos para desejar "prever" o final da rebelião egípcia. Por isso, em se tratando de leituras apressadas na pobre imprensa brasileira, todo cuidado é pouco.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Argentina e Dilma: começo promissor.

O que esperar da primeira viagem internacional de Dilma ?
Seu estilo é discreto, sem arroubos de messianismo tão típicos da Era Lula. Isso por sí só é uma enorme vantagem, já que basta uma rápida leitura pelos jornais estrangeiros para perceber que após 8 anos, o "estilo Lula" já era considerado mais do que apenas ultrapassado, mas incômodo: afinal, quem gostaria de receber um convidado em sua casa que ficasse palpitando sobre como arrumar seus móveis da sala? Guardada a comparação tola, era mais ou menos isso que Lula insistia em fazer: a cada viagem internacional, atos de arrogância, delírio e autoelogio, contínuos.
Mas há outra agenda, mais interessante: a dos Direitos Humanos. Embora Lula se vendesse ao exterior como exemplo único de operário que chegou ao poder. sua política externa tinha passivos graves, principalmente no apoio declarado a regimes semiautoritários como o Irã. Discretamente, mas bem marcadamente, esse não é um modelo a ser seguido por Dilma, que vai visitar, e note no trecho abaixo, por declarada vontade dela, Dilma, e não pelo Itamaraty ou por Marco Aurélio Garcia, a associação das Mães da Praça de Maio, uma das mais emblemáticas associações de vítimas da infame ditadura argentina dos anos 70/80. Bom início, pelo menos.

retirado do jornal El Clarín: La mandataria Dilma Rousseff, una ex militante de grupos guerrilleros que fue torturada durante el régimen militar brasileño (1964-1985), pidió que la reunión con las Madres de la Plaza de Mayo fuera incluida en su agenda oficial en Argentina, dijo el asesor de la Presidencia para Asuntos Internacionales, Marco Aurelio García. La presidenta “tiene una gran sensibilidad para los asuntos relativos a los derechos humanos”, aseguró García. Según el asesor, la decisión de la jefe del Estado de reunirse con las mujeres que se han convertido en símbolo de la lucha por la defensa de los derechos humanos en su país “valoriza mucho la lucha emblemática que esas señoras tienen en la historia política reciente de Argentina”.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Política externa como questão de Estado ou de partido?

Os dois textos abaixo mostram uma evidência : a política externa no Brasil não é importante. Mas como, perguntariam os mais céticos ? Afinal, “nunca antes na história deste país” o Brasil foi tão comentado, tão bem recebido nas esferas internacionais. Nossa política externa não seria então um evidente sucesso ?
Acontece que boa parte da política externa brasileira virou política externa petista. Partidarizou-se o conceito de política de Estado, tornando-a mero apêndice de uma política de partido. Nem sequer tenta-se disfarçar o conteúdo ideológico esquerdista de nossa política externa. O resultado ? leia o texto 2 : quando realmente precisamos de um papel mediador importante, no caso das rusgas entre Colômbia e Venezuela, estamos “com o filme queimado” devido a aproximação excessiva e por vezes delirante entre o governo Lula e o coronel Chávez. Tivéssemos tido um papel um pouco mais racional e equilibrado e poderíamos exercer liderança, no sentido pleno, em nossa região, assumindo o papel de mediador neste conflito, papel hoje repudiado pela Colômbia devido ao adesismo lulista a opção Chávez.
O curioso é que o Brasil é visto como um país responsável na área econômica e vários interlocutores internacionais percebem o país como um ponto de equilíbrio na América do Sul. Então, como se dá esta mágica ? pela evidente separação entre política exterma econômica e política. Na área econômica, o Brasil é um queridinho do capital internacional, elevado a condição de um dos melhores entre os Brics. Enquanto isso, na área política expressamos um esquerdismo à lá anos 60, no melhor estilo anti-americano, um pouco tolo e inadequado, mas que se encaixa perfeitamente na fantasia messiânica de certos petistas, que afinal, como não podem ver uma política econômica de esquerda, refugiam-se numa política externa... de esquerda. Neste divã freudiano petista, perde o Brasil, que deixa de marcar pontos importantes na área diplomática local, deixando de participar de decisões fundamentais na América do Sul, enquanto aventura-se, meio sem jeito, em problemas que pouco nos dizem respeito, como o Irã.
Pelas declarações do candidato Serra, a política externa vai continuar atrelada a um mero apêndice de política interna. Pena. Ainda mais de dar lágrimas nos olhos, quando pensamos que justamente o Barão do Rio Branco pensou o Itamaraty como um elemento acima das picuinhas partidárias de curto prazo, uma projeção de visão de Estado. Parece que essa conquista nós perdemos .



Texto 1 :Política externa e eleições
27 de julho de 2010 | 14h39
Raquel Landim
O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou ontem que “até as árvores da Floresta Amazônica” sabem que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dá abrigo às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Poucos dias atrás, seu companheiro de chapa, o candidato à vice-presidente Índio da Costa, foi duramente criticado por ligar o PT ao grupo terrorista.
Os comentários ganharam destaque nos meios de comunicação. Os analistas políticos explicam que Serra deixou de se apresentar como o pós-Lula e partiu para o ataque em busca de um eleitorado mais conservador. Por enquanto, esse ataque está concentrado na política externa. Mas porque o tucano elegeu a política externa como alvo?
Primeiro, porque é a face mais esquerdista do governo Lula. Ao manter a política macroeconômica – câmbio flexível e metas de inflação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a política externa para afagar as alas mais radicais do PT. Sob a forte influência do professor Marco Aurélio Garcia, Lula implementou uma política externa de “solidariedade” com os países pobres e tratou muito bem governantes que atacam os Estados Unidos, como Chávez e o boliviano Evo Morales.
Segundo, porque a política macroeconômica “conservadora” funcionou e hoje é difícil para a oposição atacar o desempenho da economia brasileira. O PIB deve crescer 7% este ano, a inflação se mantém controlada, e a taxa de desemprego está em um nível historicamente baixo. Os maiores problemas do País hoje são o aumento da dependência de capital externo e os gastos públicos – conceitos complicados para o eleitor médio.
Essa é provavelmente uma das primeiras vezes que a política externa aparece como tema central em uma campanha presidencial no Brasil. Mas será que a estratégia de atacar o companheirismo de Lula e Chávez vai se transformar em votos? Normalmente os brasileiros “não estão nem aí” para a política externa e sua principal preocupação é o salário no fim do mês. Lula escolheu essa área para agradar a esquerda do PT exatamente por sua pouca importância junto à população. Se a estratégia do PSDB funcionar, vai marcar uma mudança e tanto nas percepções do eleitor brasileiro

Texto 2 : Desconfiança de Bogotá limita papel mediador do Brasil
Apesar de boa relação com Uribe, elo especial da diplomacia brasileira com Chávez incomoda setores do governo colombiano
Roberto Simon, Ruth Costas - O Estado de S.Paulo
A desconfiança da Colômbia em relação ao governo Luiz Inácio Lula da Silva limita a capacidade de mediação do Brasil na atual crise entre Bogotá e Caracas. Segundo analistas e ex-diplomatas dos dois países ouvidos pelo "Estado", a diplomacia do presidente Lula é percebida como excessivamente simpática ao governo de Hugo Chávez, embora, formalmente, as relações com Bogotá também sejam boas.
"Não é que Lula seja visto como hostil, mas certamente não inspira confiança no governo colombiano, como, por exemplo, o Chile ou o Peru", opina o cientista político Alejo Vargas, da Universidade Nacional da Colômbia. "Para a Colômbia, e em especial para (o presidente Álvaro) Uribe (que deixa o cargo no dia 7), é importante que os governos vizinhos reconheçam as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) como terroristas - e isso o Brasil não fez."
No mês passado, uma fonte próxima ao Ministério da Defesa colombiano disse, sob condição de anonimato, que autoridades de seu país ficaram "chocadas" ao encontrar, no computador apreendido de um líder guerrilheiro, indícios de que integrantes das Farc teriam tido acesso à figuras ligadas ao governo Lula durante as gestões do caso Olivério Medina - ex-padre vinculado à guerrilha refugiado em território brasileiro. Em 2008, o Brasil condenou duramente o bombardeio colombiano contra um acampamento da guerrilha no Equador (a Colômbia ficou isolada na região). E, em 2009, o governo brasileiro criticou o acordo que permite aos Estados Unidos usar sete bases militares na Colômbia.
Na ocasião, Chávez congelou as relações comerciais com Bogotá, o que causou prejuízos de bilhões de dólares e levou ao corte de 300 mil empregos. Isso não impediu que Uribe fosse recebido calorosamente por Lula em São Paulo - quando a questão das bases dos EUA foi formalmente dada por encerrada na agenda bilateral.
O governo colombiano é pragmático: o Brasil representa boas oportunidades de negócio e o presidente Lula pode ser um aliado na medida em que a estabilidade da região também lhe interessa. A desconfiança, porém, não foi completamente superada, principalmente pela disparidade na forma como o brasileiro trata Uribe e Chávez, segundo analistas.
Unasul e OEA. "Não há dúvida de que a solidariedade ativa do Brasil com Chávez - pois não se trata só de simpatia - contamina a relação com Bogotá", diz Roberto Abdenur, ex-embaixador do governo Lula nos EUA.
O fato de o Brasil ter defendido que a crise fosse tratada no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) - e não na Organização dos Estados Americanos (OEA) - também desagradaria a Bogotá, segundo Sérgio Amaral, ex-embaixador em Paris também na era Lula. Na OEA, a Colômbia tem a "proteção" dos EUA, e na Unasul só é apoiada por Peru e Chile.
O ex-chanceler brasileiro Luiz Felipe Lampreia, porém, ressalta que o incômodo causado pela relação de Lula com Chávez na Colômbia se concentra na esfera diplomática. As Forças Armadas dos dois países mantêm uma estreita cooperação. Fontes colombianas relatam uma relação especialmente fluida com o ministro da Defesa, Nelson Jobim.
Em 2009, Jobim disse que se rebeldes das Farc tentassem entrar no Brasil "seriam recebidos à bala". Não é difícil entender porque a ameaça agradou mais aos colombianos que a declaração de Lula na sexta-feira: "As Farc são problema da Colômbia e acho que deve ser tratado pela Colômbia", disse o presidente.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Tratado de Tordesilhas

Portugal e Espanha são países que têm laços históricos e culturais profundos. Ambos têm também problemas semelhantes, comoseus déficits, embora em escala diferente, já que a Espanha é uma economia bem maior que Portugal. Mas parece que um pedaço do passado está rondando a relação entre os dois. E curiosamente, este “passado” envolve o Brasil.
A Vivo, empresa de telefonia celular que foi herdeira da antiga Telesp, é hoje um empresa disputada arduamente entre seus dois controladores, a Telefonica, da Espanha e a Portugal Telecom. A empresa espanhola já manifestou em várias ocasiões a intenção de comprar a totalidade da participação portuguesa na Vivo. Porém os portugueses não querem. Afinal, sabem que o mercado brasileiros de celulares é imenso e ainda tem potencial enorme a ser explorado, principalmente agregando valor aos serviços, à medida que vão ficando mais populares os smartphones por aqui, que são muito mais do que apenas celulares. Como os portugueses não têm “bala na agulha” pra partir para compras em outros mercados, manter suas posições no Brasil é fundamental para manter a própria empresa PT, já que ela mesma poderia ser facilmente engolida por outra operadora europeia, até mesmo a Telefonica, dado o tamanho pequeno do mercado portugues. Por outro lado, comprar na totalidade a Vivo pode ser altamente estratégico para a Telefonica, que poderia unir com mais vigor suas operações de telefonia fixa, móvel e banda larga, incluindo aí a sua operação ainda incipiente de tv por assinatura. Se ela tivesse todo o controle da Viv, poderia gerar vários serviços integrados, aproveitando a popularização dos smartphones. Inicialmente, as conversas eram até amigáveis, mas agora a coisa descanbou para a tentativa de compra hostil, com a empresa espanhola oferencendo rios de dinheiro aos acionistas minoritários da Vivo e da própria PT. Agora para piorar, entra o governo... A PT era uma empresa estatal que foi privatizada, e na Europa os governos têm direito a “golden share”, uma ação preferencial que pode barrar cetos negócios, quando de acordo com o governo, tais negócios forem contra o interesse português. E o governo português hoje defende seus interesses na PT e portanto na Vivo com teimosia latina, irritando a Telefonica, e ao mesmo tempo, o governo espanhol, ele também com golden share na Telefonica.
No passado, Espanha e Portugal lutaram em guerras para controlar o Brasil. Passados 200 anos da époc colonial, as coisas não mudaram muito na Peninsula Ibérica.


Textos do jornal O Estado de SP

LISBOA - O governo português disse nesta sexta-feira ( 16 de julho) que continuará contra a oferta da Telefónica pela participação da Portugal Telecom na Vivo, caso não o grupo espanhol não a modifique, afirmou Pedro da Silva Pereira, presidente do conselho de ministros de Portugal.
"(O governo) pronunciou-se contra essa proposta e, se essa proposta não se alterar, naturalmente que a posição do governo não poderá ser diferente daquela que já foi manifestada", disse Pereira a jornalistas, após reunião do conselho de ministros.
Segundo ele, "o melhor que temos a fazer é aguardar o desenvolvimento deste processo", em referência a negociações entre a Portugal Telecom e a Telefónica.
A oferta de 7,15 bilhões de euros da Telefónica pela fatia que o grupo português tem na Vivo expira nesta sexta-feira.
MADRI - O conselho de diretores da Portugal Telecom (PT) faz hoje (16 de julho de 2010) uma reunião para decidir se aceita ou não a oferta da espanhola Telefónica pela fatia que a companhia portuguesa possui na Vivo. O encontro vai começar na tarde de hoje (de Brasília), segundo uma pessoa próxima à situação. "Provavelmente não haverá um comunicado do conselho sobre a decisão logo após a reunião", disse a fonte.
Ontem o conselho da PT se reuniu para discutir a oferta de 7,15 bilhões de euros da Telefónica por sua fatia na Brasilcel, uma joint venture controlada pelas duas companhias. A Brasilcel, por sua vez, detém 60% de participação na Vivo. A reunião não resultou em uma decisão sobre o assunto, por isso o novo encontro foi marcado para hoje. A Telefónica também marcou uma reunião de diretores para a hoje, dia em que expira o prazo dado para que a PT aceite a oferta. As informações são da Dow Jones.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Um país que não existe, existindo.

A península coreana está em guerra : e isso faz quase 60 anos.
Desde os anos 50, quando estourou a guerra na então unida Coreia, o atual estado geopolítico da península permanece intacto : ao norte, um regime estalinista, governado de forma totalitária pelo filho do criador do regime, hoje chamado de "pequeno timoneiro", Kim-Jon-Ill. E ao sul um regime democrático ( embora recente, já que até os anos 90 a Coreia do Sul também eram uma ditadura), porém de inegável sucesso econômico. A fronteira entre os dois países é a zona mais militarizada do mundo e os dois ainda estão em guerra, já que apenas um armistício, não um tratado de paz, foi assinado.
Há chances reais de uma guerra ?
Do ponto de vista da Coreia do Sul, a chance é zero. Sua economia seria fortemente afetada e mesmo as ultrapassadas armas da vizinha comunista fariam a capital Seul, há poucas centenas de km da fronteira, ser dizimada. Isso explica o fato de que teve um navio militar atacado por um torpedo do Norte e mesmo assim, não ter declarado guerra. Por muito menos, um Chávez por exemplo, iria à guerra contra a Colômbia.
Mas e o Norte ? Pois é... trata-se de um regime fechado ao extremo, nem sequer sabemos se o ditador ainda é vivo ou não, já que só há um meio de comunicação, o oficial, eivado de discusos ensandecidos ao Ocidente e aos porcos imperialistas... Entrar no país é mais difícil que chegar a Marte e a rigor, só a China comunista tem relações diplomáticas consideradas normais com a Coreia do Norte. O interessante é que o Brasil joga com esse país na Copa. Quem sabe um Lula messiânico não quer também aproveitar a deixa e tomar a frente do processo de paz por lá...

Verdade é que ninguém ou quase ninguém sabe o que se passa na Coreia do Norte, muito menos na mente doentia dos dirigentes daquele momunento ao estalinismo em pleno século XXI. A guerra pode até ser opção, embora pouco provável num país que já colapsou faz tempo, mas permanece firme e forte defendendo um regime que nem eles mesmo sabem o que significa. Arroz e energia elétrica faltam na Coreia do Norte, mas não soldados, já que a sociedade é ultra-militarizada. Dá medo, mas ao mesmo tempo mostra de forma cabal o fracasso do comunismo estalinista, ainda curiosamente defendido por boa parte da esquerda brasileira, já que Cuba, versão mais light e tropical da Coreia do Norte, ainda permanece no imaginário esquerdista como o summum bonum da civilização. Quando o regime castrista vai ruir é fácil saber : quando os EUA acabarem com o tosco embargo econômico e quando os irmãos Castro morrerem. Mas e a Coreia do Norte ? Quando Kim Jon Ill morrer ? E se ele já estiver morto ? E eles têm ou não uma bomba nuclear ?
Sobre a Coreia do Norte, a única certeza é quem ganhará a partida contra o Brasil na Copa. O resto, é apenas aposta. Mesmo o placar....


Tensão entre Coreias pode levar a conflito de grande proporção, diz especialista
MARIA CAROLINA ABE
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A situação é cada vez mais tensa entre as Coreias. Após uma investigação internacional, a Coreia do Sul acusou formalmente a Coreia do Norte, na quinta-feira (20), de atacar com um torpedo um navio de sua Marinha em março.

O afundamento da corveta de 1.200 toneladas, perto da fronteira marítima com a Coreia do Norte, provocou a morte de 46 dos 104 marinheiros sul-coreanos. Foi o incidente mais grave ocorrido na disputada fronteira marítima do mar Amarelo entre as duas Coreias desde o cessar-fogo entre as duas nações, em 1953.
O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, pressiona a comunidade internacional por novas sanções contra a Coreia do Norte. O regime de Kim Jong-il, por sua vez, respondeu com o rompimento das relações com Seul.
Diferentemente da guerra das Coreias dos anos 1950, um conflito hoje teria proporções muito maiores, até porque envolveria as duas grandes potências mundiais --EUA e China--, na opinião de Heni Ozi Cukier, professor de Relações Internacionais da ESPM e especialista em resolução de conflitos internacionais.
Para o analista, o risco de ocorrer uma guerra na Península Coreana não é alto, mas há uma chance e isso exige cautela. Afinal, trata-se de uma zona altamente militarizada e qualquer deslize --seja da Coreia do Sul, que demonstra não querer uma guerra, seja da Coreia do Norte, "peão político no xadrez da China"-- poderia gerar um conflito de escalada muito rápida, afirma Cukier, que já trabalhou no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e na OEA (Organização dos Estados Americanos).
Leia a íntegra da entrevista que Cukier deu à Folha por telefone.

Folha - Oficialmente, a Coreia do Sul e a Coreia ainda estão em guerra, porque ambas assinaram apenas um armistício em 1953. O que isso representa, simbolicamente, no contexto atual?
Heni Ozi Cukier - Isso simboliza o alto nível de mobilização militar que existe entre os dois países. É a zona mais militarizada do mundo, pode-se dizer. Isso cria uma situação muito frágil, muito tensa, em que qualquer deslize pode levar a uma guerra de proporções enormes. Um disparo errado numa situação de mobilização nesse nível automaticamente leva a uma escalada da violência muito rápida, diferentemente de outros conflitos, onde uma ação demora a ter uma reação e em que há tempo para se dialogar.
Folha - Nesse cenário, se considerarmos o ataque da Coreia do Norte ao navio sul-coreano, isso poderia ser visto como um deslize ou um ataque intencional?
Cukier - Primeiro, eu diria que o ataque existiu e foi cometido pela Coreia do Norte, sem dúvidas. Foram levantadas provas contundentes e houve muita cautela dos sul-coreanos para chegar a essa conclusão. Não responder ao ataque coloca-os numa situação difícil, e responder seria atacar novamente. Isso levaria a uma guerra, o que eles demonstraram claramente que não querem. Seul está há 40 quilômetros dessa fronteira altamente militarizada, seria um alvo fácil, e ambas as Coreias seriam destruídas.
Foi um ataque intencional aparentemente. Agora, a Coreia do Norte está levantando possibilidades para explicar isso --caso seja forçada a tomar uma posição. Está seguindo a linha de culpar um general, e um encaminhamento seria exonerar essa pessoa. Se tiver que assumir a autoria desse ato, vai fazer isso culpando alguém, dizendo que não foi o Estado. Seria a saída política do impasse.
Folha - O senhor acredita que ambas as Coreias estão dispostas a buscar uma solução alternativa ao confronto?
Cukier - A atitude da Coreia do Sul demonstra isso. Foi um ataque de proporções fora do padrão desse armistício, é o ataque mais violento, então a sociedade sul-coreana demanda uma resposta. A Coreia do Sul imediatamente veio a público, criou um grupo de investigações internacionais, e pediu que houvesse punição da comunidade internacional ao ataque da Coreia do Norte. Também indicou que cortaria laços comerciais e de ajuda financeira. Todas as posturas foram no campo de não uso da força, mas sim pressão diplomática e econômica.
As atitudes da Coreia do Norte não levam a crer que o país não queira a guerra: está sempre com ações provocativas, atitudes belicosas, declarações agressivas, buscando aumentar seu poderio bélico, construindo armas atômicas. No fundo, a guerra pode ser perigosa para o regime da Coreia do Norte, pode encerrar o regime de Kim Jong-il, mas essa mobilização do pré-guerra também ajuda a dar força para ele, pois é um país que tem extremos problemas internos. Ele mantém a ordem e o pulso firme no comando do país baseado na ameaça do inimigo externo, que serve para unificar o país em torno dele e minimizar os problemas internos causados com sua gestão.
Folha - E a comunidade internacional também demonstra querer evitar o confronto, não?
Cukier - Sim, porque ninguém quer se envolver em mais uma guerra. Os americanos já estão envolvidos em duas guerras e têm um problema seríssimo com o Irã. Então, outra frente de batalha não seria do interesse deles. Até porque, invariavelmente, envolveria a China. Seria um conflito de proporções globais extremas.
Folha - A China provavelmente se alinharia à Coreia do Norte?
Cukier - Provavelmente. Foi isso que aconteceu na guerra da Coreia [1950-53], quando os americanos entraram ao lado dos sul-coreanos e foram avançando e, quando chegaram muito próximo de conquistar o território, a China entrou na guerra e massacrou as forças americanas sob a bandeira da ONU até parar no meio do caminho de novo. Não é necessário e óbvio que a China entraria em um conflito agora, não é mais uma guerra ideológica entre o capitalismo e o comunismo, mas é difícil de a China não se envolver. A China se preocupa que o governo norte-coreano não caia, porque ela teme que os americanos vão unificar as Coreias e eles terão a presença americana na sua fronteira, sem falar nos problemas econômicos e de refugiados.
Folha - No caso de uma guerra hoje entre as Coreias, como ela seria, comparada à dos anos 1950?
Cukier - Seria um conflito com proporções muito maiores, particularmente se as duas potências se envolvessem --não acredito que de forma direta, mas indireta. Quem perderia mais seriam os coreanos, porque os dois territórios seriam completamente destruídos. E teria repercussões no mundo todo. A gente não consegue medir até que ponto e de que maneira a China se envolveria. Dependeria de como essa guerra fosse eclodir, ou o que causaria a guerra --um ataque da Coreia do Sul provavelmente levaria à entrada dos chineses.
Folha - Considerando que já há sanções em vigor contra a Coreia do Norte, como novas sanções afetariam o país?
Cukier - Em todos os conflitos do mundo, as sanções têm um resultado muito pequeno na mudança do comportamento dos regimes. O mais sacrificado é o povo mesmo, e isso acaba fortalecendo os regimes, porque eles usam isso como arma política dizendo :"vejam o que os outros do mundo estão fazendo conosco, com o povo norte-coreano". Já temos sanções há tanto tempo? O que mudou? Nada. É mais uma questão de legitimidade, de status, de estabelecer um culpado. O que a Coreia do Sul está tentando com isso é estabelecer um status político, mostrando: "vocês estão vendo, quero um reconhecimento cabal da comunidade internacional, por meio das sanções, de quem realmente está cometendo a agressão aqui e como eu estou me comportando". Para ficar muito claro seu direito de legítima defesa futuramente. Mas as sanções não resolvem; a solução é a mudança de regime.
Folha - Mas isso exigindo intervenção internacional?
Cukier - Isso teria de acontecer naturalmente, com a morte dele [Kim Jong-il], uma ruptura. Mas a China teria de deixar isso acontecer, e ela não deixa, porque teme qual seria o resultado dessa ruptura em termos de refugiados e questões econômicas. Além disso, Pequim perderia esse "para-choque" entre seu território e a presença americana na Coreia do Sul. Em terceiro lugar, a China usa a Coreia do Norte como um peão político para seu xadrez regional e global. A Coreia do Norte cumpre o papel de causar problemas que a China não pode causar. Ou, quando a Coreia do Norte causa um problema, a China se mostra como quem pode trazer a solução.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Paraguai : failure state?

Um dos temas recorrentes no estudo de RI é a da falência dos Estados. Não no sentido econômico, do qual a Grécia é triste exemplo, mas no sentido estrutural. Estados que não mais podem ser chamados de tal : judiciário e legislativos corrompidos, executivo quase sempre autoritário e igualmente corrupto, estruturas policiais tomadas pela infiltração do crime organizado, economia sem regras básicas constituídas e sendo efeito e posteriormente causa multiplicadora, caos social acompanhado de soluções políticas extremistas.
Há versões menores deste apocalipse: um quase "failure state" quando o processo de destruição estatal é lento, por dentro, corroendo estruturas internas, quase sempre as essenciais, a saber, a justiça e a polícia, bases de qualquer estado moderno.
Pois bem, na América do Sul, os últimos acontecimentos no Paraguai permitem um olhar preocupado neste membro do Mercosul e vizinho próximo. É sabido a imensa leniência que o estado paraguaio tem com o crime. Todos sabemos que boa parte do contrabando que abastece nossos camelôs vem do Paraguai. Para lá vão nossos carros roubados, cargas roubadas e dinheiro das drogas. Agora, com atentados a um senador e um certo grupo de uma suposta guerrilha, a situação apenas "avançou" um pouco em direção a um perfeito failure state. Aqui, bem pertinho de nós.
Ao invés dos delírios iranianos de nossa política externa e da lamentável condecoração das esposas do Presidente e do Ministro de Relações Exteriores, situação vexaminosa que é um perfeito documento histórico de nosso tempo, toda nossa energia diplomática, e quiçá militar, deveria ser canalizada para ajudar o Paraguai a vencer, ou pelo menos controlar, seus demônios internos. O presidente Lugo, de esquerda, mas responsável nesse ponto, deu sinais claros de que não vai tolerar narco-guerrilhas em seu território, ao contrário de um Chávez que apoia abertamente as Farc. É um bom sinal de que o Paraguai está avançando politicamente. Mas ao Brasil é mais do que apenas um simples dever de pais amigo, é uma questão de sobrevivência fundamental, dar apoio amplo e irrestrito, incluindo militar, insisto, ao Paraguai. Se este pais colapsar, ainda mais do que já é, em parte por nossa culpa após a terrível guerra do século XIX vencida pelo Império, o Brasil será fortemente afetado em seus interesses econômicos lá e aqui e não tenha dúvida, no crime organizado daqui, já muito articulado internacionalmente. No fim de um governo que teve uma política externa delirante, o Paraguai pode ser a derradeira prova de fogo se ainda há vida inteligente no Itamaraty.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Ele não é "o cara" ? Pois bem, depois de 8 anos de uma presidência bem sucedida (na economia, internamente) o "cara" quer alçar voos mais altos: é notório o desejo de Lula de tornar-se secretário geral da ONU, quando acabar o mandato de Ban-Ki-Moon em 2011. Porém, o carisma pessoal é pouco para ocupar cargo com tamanha responsabilidade. À parte a questão óbvia de comunicação, seria o primeiro a ocupar tal cargo sem nenhuma fluência no inglês, o que seria um estorvo evidente em qualquer simples reunião na ONU, Lula ainda teria de convencer importantes players internacionais, não só os citados no texto, EUA e Inglaterra, mas igualmente Rússia e China. Contam contra ele suas desastrosas declarações sobre a questão dos presos políticos em Cuba, suas aproximações com o Irã, a anuência do Brasil com os desmandos de Chávez, a incômoda falha em resolver a questão de Honduras e por último, a desconfiança, plenamente justificada, de que Lula seria o presidente do Brasil na ONU, jogando pesado para alimentar interesses de um único país e aliados, o que é evidentemente contrário a própria ideia de um organismo multilateral como a ONU, que exige postura mais discreta e neutra em complicadas negociações internacionais envolvendo vários interesses. Enfim, pode ser um sonho distante, como como surpresas acontecem, e na vida deste imigrante nordestino quase tudo pôde acontecer, não podemos descastar de vez a hipotese.


Gabriela Mello, da Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recentemente brincou estar "contaminado pelo vírus da paz", estaria avaliando uma tentativa de se tornar o próximo secretário-geral da ONU, segundo reportagem publicada no sábado pelo jornal britânico The Times.

Diplomatas dizem que Lula, que deixará a presidência em janeiro, pode buscar o principal posto diplomático quando o primeiro mandato de Ban Ki Moon terminar no final de 2011, disse a publicação. A ideia teria sido lançada primeiramente pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, durante uma reunião da cúpula do G20, em Pittsburgh, em setembro.

Procurado pelo diário, Marco Aurélio Garcia, assessor da presidência para assuntos internacionais, se recusou a descartar a possibilidade. "Ele tem enorme interesse em questões internacionais, no processo de integração da América do Sul", afirmou ele. "Ele tem uma grande paixão pela África. Ele realmente quer fazer algo para ajudar a África."

De acordo com o jornal, o estilo pessoal e a capacidade de Lula de ser manter relações amigáveis com todos os lados - China e Estados Unidos ou Irã e Israel - elevaram seu perfil internacional. O The Times citou ainda a postura do presidente em uma visita na última semana ao Oriente Médio, na qual disse: "O vírus da paz está comigo desde que eu estava na barriga da minha mãe."

A publicação reconheceu, contudo, que Lula recentemente adotou posições que desagradaram a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, dois dos países que podem vetar sua indicação. Segundo o jornal, ele aborreceu Washington ao receber o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em novembro e ao criticar as sanções contra o país. A reportagem destacou ainda o apoio do presidente à Argentina na disputa com os britânicos pelas ilhas Malvinas.

Segundo o jornal, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, teria classificado as ambições de paz mundial de Lula como quase "risivelmente ingênuas". Diplomatas esperam que Ban Ki Moon, cauteloso ex-ministro de Relações Exteriores da Coreia do Sul, tente um segundo mandato de cinco anos, informou o The Times.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Israel, EUA, Brasil e territórios

Nesta semana, dia 15 de março de 2010, Lula inicia uma visita bastante importante ao Oriente Médio, tanto em Israel quanto nos territórios palestinos. Sobram temas de interesse, que vão desde o apoio do Brasil a posição iraniana até a questão, recente, de novos assentamentos judaicos em territórios defendidos pelos palestinos, tema que surpreendeu até mesmos os EUA, tradicionais aliados de Israel. A questão é : se a direita ultra-religiosa israelense consegue "pregar peças" até mesmo nos EUA, seria possível o Brasil tornar-se um mediador de peso neste jogo?

Artigo: O jogo perigoso de Israel
Thomas Friedman
Fonte : site Estadão – acesso em 15 de março de 2010

Sou um grande fã de Joe Biden. O vice-presidente é um infatigável defensor dos interesses americanos no exterior. Por isso me custa dizer que, em sua recente visita a Israel, quando o governo do premiê Binyamin "Bibi" Netanyahu esfregou-lhe no nariz alguns projetos habitacionais novos na contestada Jerusalém Oriental, Biden perdeu uma chance de enviar um poderoso sinal público.
Ele devia ter fechado bruscamente seu bloco de notas, voado para casa e deixado a seguinte nota rabiscada para trás: "Mensagem da América ao governo israelense: Amigos não deixam amigos bêbados dirigir. E bem agora, vocês estão guiando embriagados. Vocês acham que podem embaraçar seu único verdadeiro aliado no mundo, para satisfazer alguma necessidade política doméstica, sem consequências? Vocês perderam totalmente o contato com a realidade. Chamem-nos quando ficarem sérios. Precisamos nos concentrar na construção de seu país."
Acho que isso teria enviado uma mensagem muito útil por duas razões. A primeira, que os israelenses tocaram numa pergunta que muita gente está fazendo sobre a equipe do presidente Barack Obama: até onde vai a firmeza desses caras? A última coisa de que o presidente precisa, num momento em que tenta se impor a Irã e China - para não mencionar o Congresso -, é parecer que o aliado mais dependente dos Estados Unidos consegue intimidá-lo.
E a segunda, Israel precisa de um safanão para acordar. Continuar construindo assentamentos na Cisjordânia, e mesmo casas na disputada Jerusalém Oriental, é insanidade pura.
Yasser Arafat aceitou que subúrbios judeus na Cisjordânia ficariam sob soberania israelense em qualquer acordo de paz e também faria das partes árabes de Jerusalém Oriental a capital do Estado palestino.
A planejada expansão habitacional de Israel suscita questões sobre se Israel algum dia estará disposto a admitir uma capital palestina em bairros árabes de Jerusalém Oriental - um grande problema.
Israel já abocanhou boa parte da Cisjordânia. Se quiser continuar sendo uma democracia judaica, sua única prioridade agora deveria ser um acordo com os palestinos que lhe permitisse trocar esses conjuntos habitacionais na Cisjordânia ocupada por uma quantidade igual de terra de Israel para os palestinos e, então, colher os benefícios - econômicos e de segurança - do encerramento do conflito.
Infelizmente, não foi o que ocorreu na semana passada. Nos últimos nove meses, o enviado especial dos EUA, George Mitchell, vinha tentando encontrar um modo de iniciar algum tipo de conversação de paz entre israelenses e palestinos. Os palestinos não confiam em Bibi e o premiê tem dúvidas sobre se a dividida liderança palestina conseguirá negociar.
Mas Mitchell foi capaz de persuadir os dois lados a acertarem "conversações de aproximação". Os assessores de Mitchell e de Netanyahu firmaram um acordo informal: se os EUA mantiverem as conversações, não haveria nenhum anúncio de construções em Jerusalém Oriental.
Então, o que houve? Biden chegou um dia após o início das conversações de aproximação e o Ministério do Interior de Israel anunciou a aprovação de um plano para construir 1.600 casas em Jerusalém Oriental.
Netanyahu disse que foi tomado de surpresa. Provavelmente é verdade num sentido estrito. A medida parece ter sido parte de uma competição entre dois ministros sefaraditas de direita do partido religioso Shas sobre quem pode ser o maior promotor de construção de casas para judeus ortodoxos sefaraditas em Jerusalém Oriental.
É uma medida de quanto Israel considera garantido nosso apoio e quanto a direita religiosa israelense está por fora das necessidades estratégicas dos EUA.
Biden - um verdadeiro amigo de Israel - foi citado dizendo a seus interlocutores israelenses: "O que vocês estão fazendo aqui enfraquece a segurança de nossas tropas que estão combatendo no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão. Isso nos coloca em perigo e ameaça a paz regional."
Todo esse alvoroço também nos desvia do potencial deste momento: somente um primeiro-ministro de direita, como Netanyahu, pode fazer um acordo sobre a Cisjordânia; as políticas reais de Netanyahu no terreno ajudaram os palestinos a desenvolver sua economia e criar sua própria força de segurança reconstruída que está trabalhando com o Exército israelense para impedir o terrorismo; os líderes palestinos Mahmoud Abbas e Salam Fayad são tão genuínos e sérios sobre trabalhar para uma solução quanto qualquer um que Israel espere encontrar; o Hamas interrompeu seus ataques da Faixa de Gaza contra Israel; com os árabes sunitas obcecados com a ameaça do Irã, sua disposição de trabalhar com Israel nunca foi tão alta, e a melhor maneira de isolar o Irã é tirar a carta do conflito palestino da mão de Teerã.
Em suma, pode haver uma real oportunidade aqui - se Netanyahu quiser agarrá-la. O primeiro-ministro israelense precisa decidir se quer fazer história ou ser mais uma vez uma nota de rodapé dela.

TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK
Embaixador diz que relações entre Israel e EUA são as piores em 35 anos
Atritos cresceram com anúncio de expansão de assentamentos durante visita de vice-presidente americano
Fonte : site Estadão – acesso em 15 de março de 2010
15 de março de 2010 | 10h 17
As relações diplomáticas entre EUA e Israel são as piores em 35 anos. Assim avalia o em embaixador israelense em Washington, Michael Oren, segundo a edição desta segunda-feira, 15, o jornal israelense Ha'aretz.
Oren, durante a reunião especial para analisar o estado dos laços bilaterais entre os países, afirmou que a atual crise é a mais séria nas relações com os americanos desde o confronto entre Henry Kissinger e Yitzhak Rabin em 1975, quando os EUA exigiram que Israel se retirasse de parte da Península do Sinai.
No domingo, já depois do encontro dos cônsules, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tentou diminuir a tensão com os EUA ao classificar como "lamentável" o anúncio da construção de 1.600 casas em Jerusalém Oriental durante a visita a Israel do vice-presidente americano, Joe Biden, durante a semana passada.
Netanyahu voltou a se desculpar pela aprovação de novas construções na colônia judaica de Ramat Shlomo, anunciada no último dia 9, um dia depois de a Casa Branca confirmar o início de negociações indiretas com os palestinos após mais de um ano de estagnação no processo de paz.
O anúncio da ampliação de uma das colônias judaicas foi duramente condenado pela comunidade internacional e pela administração de Obama. Uma das críticas mais duras partiu da secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Na sexta-feira passada, ela telefonou para Netanyahu e, segundo a imprensa, "repreendeu" o premiê pelo fato de o anúncio sobre as novas construções ter coincidido com a visita de Biden.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Paraguai : salvação do Mercosul?

Para quem adora falar que o Paraguai é um país sem ordem ou racionalidade, veja essa notícia: depois da vergonhosa adesão do Senado brasileiro a tese da Venezuela no Mercosul, o Senado paraguaio poderá ser a última instância de defesa do Mercosul contra a sua implosão pelo caudilho. Nada contra a Venezuela nem, claro, contra o povo daquele país. E igualmente, nada contra os negócios entre Brasil e Venezuela, que aliás vão bem, obrigado, mesmo sem a adesão desta ao bloco econômico.Mas o argumento paraguaio foi irretocável: Chávez deliberadamente intervém em assuntos internos de outros países, o que é princípio básico da diplomacia brasileira, mas foi esquecido vergonhosamente pelo atual governo brasileiro, que ainda por cima, tomou a questão venezuelana não como assunto de Estado, mas assuntos de governo e até mesmo assunto partidário. Há evidentes provas da intervenção chavista na Bolívia, no Equador, na surreal questão hondurenha e em um possível envio de dinheiro a eleição argentina. Essa atitude, condenáve, foi ignorada pelo governo brasileiro, mas ao que parece, não o será pelo Senado paraguaio. Quem diria: justo o país acusado de ser o "menos sério" do bloco, é o que irá fazer o que todos os outros deveriam ter feito; dizer a Chávez que ele tem limites.



Congressista diz que Paraguai não vai aprovar a Venezuela no Mercosul
Do UOL Noticias*
Em São PauloAtualizado às 15h40

O Paraguai não dará sua aprovação à Venezuela para entrar no Mercosul enquanto o presidente venezuelano Hugo Chávez continuar intervindo em assuntos de outros países, disse Miguel Carrizosa, presidente do Congresso paraguaio, nesta quarta-feira. "Que nos desculpem os irmãos venezuelanos, mas enquanto Chávez mantiver esta atitude intervencionista, não vamos dar a aprovação para que a Venezuela entre para o Mercosul", disse Carrizosa aos jornalistas.
O que achou do Brasil aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul?
Dê sua opinião


O legislador pertence ao minoritário partido Pátria Querida, mas sua posição é sustentada pelos partidos opositores Colorado e Unace, que, juntos, exercem a maioria nas câmaras de senadores e de deputados. "Não há aqui nenhum clima para aprovar o ingresso de Chávez no Mercosul", disse.

Carrizosa disse ainda que Chávez é capaz de destruir o projeto de integração regional e que, enquanto "persistir nessa atitude de intervençao, o Congresso paraguaio não vai permitir sua entrada no Mercosul".

Chávez recebeu duras críticas de legisladores paraguaios da oposição, que têm maioria em ambas as Câmaras, após declarar que a direita preparava um plano para destituir seu colega paraguaio Fernando Lugo.

A chancelaria paraguaia retirou em agosto o pedido de acordo para a entrada da Venezuela no bloco para evitar sua negativa no Senado, o que poderia afetar as boas relações entre os dois países. A Venezuela é atualmente o maior fornecedor de combustíveis ao Paraguai.
Saiba mais sobre o Mercosul

O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um projeto de integração concebido por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, envolvendo dimensões econômicas, políticas e sociais. Os diversos órgãos que o compõem cuidam de temas tão variados quanto agricultura familiar ou cinema, por exemplo. No aspecto econômico, o Mercosul assume hoje o caráter de União Aduaneira, mas seu objetivo é constituir-se em verdadeiro Mercado Comum, seguindo os objetivos estabelecidos no Tratado de Assunção, que determinou a criação do bloco, em 1991

Com informações do Itamaraty


"Acredito que no Paraguai Chávez terá que esperar um bom tempo", disse Carrizosa. "Não vamos exigir que ele mude, mas não nos exijam que baixemos a cabeça e digamos sim a tudo o que ele está fazendo".

O chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, disse que o pedido sobre a adesão da Venezuela ao Mercosul voltará a ser apresentado quando o governo tiver garantias de sua aprovação, a partir de março, com o fim do recesso parlamentar.

"No momento não está planejado (apresentá-lo), não é uma situação real. Veremos em março quando, com a volta do recesso parlamentar, poderemos conversar novamente com a Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre o tema", disse o ministro.

O Congresso brasileiro aprovou na terça-feira a entrada da Venezuela e agora o último obstáculo é a aprovação do Congresso paraguaio.

O Senado brasileiro aprovou, por 35 votos contra 27, o Protocolo da Entrada da Venezuela no Mercosul, bloco que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Esse é o último passo legislativo para a ratificação brasileira da entrada de Caracas no grupo, e o protocolo de adesão passa a depender apenas da aprovação do parlamento paraguaio para entrar em vigor.

Segundo o próprio protocolo, a entrada passa a valer 30 dias após a última ratificação, e a partir de então a Venezuela tem quatro anos para se adequar ao acervo normativo do Mercosul, que inclui desde regulamentações sobre trânsito de pessoas até normas sanitárias. O mesmo prazo de quatro anos se aplica para a incorporação da Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco, que uniformiza as tarifas aplicadas a produtos importados de países externos ao Mercosul.

De que forma e com quais prazos essa incorporação deve acontecer são questões que estão sendo discutidas por um grupo de trabalho independente, formado por representantes do Mercosul e da Venezuela.

Antecedentes
O Protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul nasceu em Caracas em 4 de julho de 2006, firmado pelos presidentes dos países membros permanentes do bloco e por Hugo Chávez, da Venezuela. Desde então, foi ratificado pelos parlamentos da Venezuela, da Argentina, do Uruguai e do Brasil, em processo encerrado hoje.

No Paraguai, que ainda não se manifestou, o tema quase foi levado ao Congresso no último mês de agosto. Porém, com medo de que a oposição impedisse a aprovação, o presidente paraguaio, Fernando Lugo, suspendeu a discussão e o tema continua pendente.

No Brasil, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o protocolo de adesão em dezembro de 2008 (265 votos contra 61, com seis abstenções). Depois disso, o documento passou pela representação brasileira no Parlamento do Mercosul e, em 29 de outubro, foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado (12 votos contra 5), abrindo caminho para o último passo, a aprovação de hoje no plenário do Senado

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Será que ele falou mesmo...?

Se for verdade a notícia, estamos bem encrencados... para quem não sabe, o ministro de Assuntos Estratégicos (!!??) é um desses cargos inúteis da admnistração Lula, mas o que interessa aqui é menos o cargo do que a pessoa : o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães é uma referência do atual governo ( e talvez do próximo, a saber...) em matéria de assuntos externos. É sabido de suas posições " à la Gauche", mas isso é de menos... o que importa é um alto cargo de relações internacionais no Brasil, um mentor de nossa política externa atual, ter uma opinião tão tosca, tão infantilizada, da História ( sempre colocando o adendo: SE for verdade o noticiado...). Esse tipo de visão tolinha que acha que o mundo é uma batalha entre as forças do bem e do mal, sendo o mal, claro, os EUA, é primária, não se sustenta em 3 minutos de análise histórica e no limite, pode levar o país a tomar posições idiotizadas no cenário internacional. Relações internacionais é objeto de análise, não de torcida de futebol.

De Elio Gaspari:
Há uma semana, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ministro de Assuntos Estratégicos, defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU durante uma palestra no Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais do Itamaraty.
Defendeu a admissão, como membros permanentes, de Brasil, Índia, Alemanha e Japão. Ia tudo muito bem até que ele explicou a exclusão, em 1946, da Alemanha e do Japão do centro de decisões da ONU.
Numa versão-companheira da Segunda Guerra Mundial, os dois países penaram "tantos anos de purgatório, de punição, por terem desafiado a liderança anglo-saxônica do mundo". (A repórter Claudia Antunes ouviu, anotou e noticiou.)
A menos que Nosso Guia indique outro caminho, a Alemanha e o Japão não desafiaram "a liderança anglo-saxônica". Eles invadiram seus vizinhos, montaram economias baseadas no trabalho escravo e máquinas de extermínio nunca antes vistas na história.
Na conta da Alemanha havia cerca de 10 milhões de mortos em campos de extermínio. Na do Japão, 6 milhões de coreanos, chineses e filipinos.
E em 1945, depois da abertura dos campos de concentração da Europa e da Ásia, nem mesmo os precursores da defesa do nazismo e da Grande Esfera de Co-Prosperidade do Império Japonês falavam mais em desafio à "liderança anglo-saxônica".
Na dúvida, basta reler "Mein Kampf", de Adolf Hitler.

quem é ele ?

Eis o novo sub-secretário para América Latina do governo americano, Arturo Valenzuela. O ex-secretário ocupa agora a embaixada americana em Brasília. Esses dois cargos são vitais para o entendimento entre EUA e Brasil, e podemos dizer sem excesso de orgulho ou exagero, igualmente vitais para uma boa estabilidade na América do Sul, sempre instável com seus chavismos imprevisíveis. Note a bela formação acadêmica de Arturo Valenzuela: prova de que a área de R.I. ainda tem muito espaço para crescer no Brasil, já que cada vez mais somos um player de peso. Até os EUA já reconheceram isso...

Claudia Andrade: Do UOL Notícias
O assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, negou nesta segunda-feira (14) que haja qualquer mal-estar com os Estados Unidos por conta de divergências no plano internacional. Ele fez a declaração após encontro com o principal responsável pela América Latina no governo norte-americano, o secretário-adjunto Arturo Valenzuela.
"As relações não estiveram más nunca. Estavam boas já no governo (George) Bush e sofreram um 'upgrade', por assim dizer, com a eleição do presidente (Barack) Obama", disse Marco Aurélio. "Nós teremos, em determinados momentos, apreciações distintas sobre determinadas questões. Isso é normal, democrático na relação entre os países, mas as relações entre Estados Unidos e Brasil são fundamentais e vamos cultivá-las da melhor maneira possível".
Valenzuela faz sua primeira visita ao Cone Sul, e irá também para Argentina, Paraguai e Uruguai. Ele foi confirmado no cargo apenas em novembro, quase seis meses depois de ter sido designado pelo presidente Obama. Um veto no Congresso atrasou a confirmação e vem impedindo também que seu antecessor, Thomas Shannon, assuma a embaixada norte-americana no Brasil.
Na visita a Brasília, além da conversa com o assessor da Presidência da República, o secretário-adjunto de Estado para o Hemisfério Ocidental também tem encontro marcado com o sub do chanceler Celso Amorim no Itamaraty. O único ministro que deverá recebê-lo será Nelson Jobim (Defesa). A compra de 36 caças que está sendo estudada pelo governo brasileiro deverá ser o tema da reunião. A norte-americana Boeing está na disputa com a Dassault, da França, e a Saab, da Suécia.
Valenzuela assumiu o cargo de secretário-adjunto para o Hemisfério Ocidental em novembro; ele faz sua primeira visita oficial aos países do Cone Sul"Foi um encontro cordialíssimo - devo insistir no sufixo, cordialíssimo - no qual nós repassamos os temas de maior interesse comum relacionados com a América Latina", disse Marco Aurélio Garcia aos jornalistas, ao final do encontro.
Questionado se o tema da instalação de bases militares norte-americanas na Colômbia havia sido tratado, o assessor disse que o Brasil transmitiu sua posição de que "as bases não são um fator positivo na região". "Sugerimos que o governo americano pudesse ter um diálogo mais direto com alguns países da região porque isso eliminaria uma guerra de declarações".

Quem é Valenzuela
Nascido no Chile e filho de mãe americana, Arturo Valenzuela ocupa o cargo que pertenceu a Thomas Shannon - atual embaixador dos EUA em Brasília - durante o segundo governo de George W. Bush. Indicado ao cargo pelo presidente americano Barack Obama, ele tem passagem por Washington como subsecretário assistente para Assuntos Interamericanos no primeiro mandato do ex-presidente Bill Clinton, quando foi responsável pela formulação da política dos EUA para o México. O período foi marcado pela criação do Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio). A política neoliberal dos EUA, no entanto, provou ser extremamente impopular na América Latina. Além de sua atuação na política, Valenzuela também possui uma respaldada carreira acadêmica. É doutor em ciência política pela Universidade de Columbia e diretor licenciado do Centro de Estudos Latino-Americanos da escola de relações internacionais da Universidade de Georgetown. Antes, foi diretor do Conselho Estudos Latino-Americanos da Universidade de Duke, na Califórnia, e professor visitante em Oxford e Sussex, na Inglaterra; em Florença, na Itália; e em duas universidades chilenas. É especialista em política do Chile, México e do Cone Sul.
Em 2000, foi condecorado pelo governo brasileiro com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul